Hisako, the school of death
2 Capítulo 2: Chocolates, dados e games.
Notas iniciais
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Acordei um pouco cedo demais para a primeira aula, não estou acostumado com aquele novo ritmo ainda. Tomei um banho quente, coloquei meu uniforme novo, impecavelmente limpo e sem nenhuma dobra – o primeiro em toda a minha vida – não arrumei o cabelo, também não tive cuidado com o calçado, duas coisas triviais na minha humilde opinião.
Coloquei um lápis, uma caneta, uma borracha e algumas folhas numa pasta, me olhei no espelho por um instante — que cena mais bizarra – mesmo assim treinei um sorriso, li num livro que é assim que devemos agir quando não sabemos o que fazer em determinada situação.
O dormitório estava ainda com os corredores vazios, aproveitei para atravessá-los com calma e observar mais detalhes. Reparei que as janelas eram de um tamanho anormal e na parte mais alta de cada uma tinha desenhada a mesma serpente do teto do refeitório.
– Curioso... _falei sozinho _ o proprietário deve ser de alguma linhagem antiga, na época dos brasões _conclui rapidamente e terminei de descer as escadas. Talvez procurasse por isso mais tarde na histórica biblioteca da escola.
O dormitório é a apenas uma pequena parte do terreno todo, existe mais três grandes prédios destinados às aulas; cada um com sua base de estudos – ciências, humanas e exatas – uma divisão simples, mas muito eficiente. Mais adiante uma quadra de esportes, piscina e algumas estufas para o cultivo de ervas medicinais.
Caminhei em direção ao prédio da minha primeira aula, apenas alguns monitores corriam pra lá e pra cá, talvez eu me tornasse um deles em breve. Comecei a olhar o topo da mansão que servia como dormitório e agora percebo que há um sino na parte mais alta, espero que ele não toque em momento algum... Oras todos sabem que no Wammy’s house tem sinos para todos os lados e eu os odeio. Realmente os odeio.
Juro que não fiz de propósito, enquanto olhava para o alto dei alguns passos para trás e acabei tropeçando em algoalguém. Me virei rapidamente para pedir desculpas e me deparei com uma criança caída no chão.
– Me desculpe... _agachei para ver se ele estava bem _você se machucou?
– Não se preocupe, estou perfeitamente bem.
– Hum... ah, acho que isso é seu _peguei um dadinho do chão e só então reparei que tinha vários deles espalhados.
– Poderia me ajudar a recolhe-lhos? Eu estou certamente com um pouco de pressa.
E ali ficamos por alguns minutos no silencio, não vejo por que de uma criança estar com pressa tão cedo, talvez quisesse ir brincar com seus dados... dados, eram muitos deles será que ele era algum gênio da matemática? Não se deve subestimar alguém apenas pela idade afinal.
– Terminamos, obrigado _o rapazinho de cabelos alvo não sorriu, apenas estendeu sua mão ficando de frente para mim; foi ai que reparei em um crachá preso a sua roupa.
– ...professor? _apertei sua mão um pouco confuso com a informação.
– E você o aluno com 100% de acertos, estou certo?
– Lawliet, prazer em conhecê-lo _apertei com mais força sua mão pequenina.
– Near, sou o professor principal de matemática do colegial. Seja bem vindo a minha turma.
– Certamente e me desculpe pelo acontecido agora pouco.
– Ficarei bem assim que tiver acertos consideráveis nos meus testes _falou com um tom de desafio apesar disso abriu um sorriso em seguida _até breve.
Near se afastou lentamente com a caixa de dados nas mãos, ele não deveria ser mais velho do que eu – com certeza – mas provavelmente era uma das mentes mais brilhantes do Hisako. Fiquei ainda mais ansioso para estudar aqui.
O dia seguiu tranquilo — Near deu uma aula brilhante — não fiquei entusiasmado para conversar com mais ninguém e assim que fomos dispensados segui para o meu quarto. As aulas começam as 8:30 e seguem até o meio dia, pausa de duas horas para o almoço e depois mais três horas de aulas – 17:00 hrs – a partir daí estamos com duas horas livres para atividades extras – como a quadra de esportes ou biblioteca – e ás 19:00 o jantar. Tudo muito bem planejado, para mim uma divisão de tempo perfeita.
Perfeito é muito utópico para o Hisako... seria perfeito que estivesse no Wammy’s house ainda. Por que? Porque assim que entrei no quarto um sorridente Matt veio chamar minha atenção.
– L! Como foi seu primeiro dia?!
– ...cansativo _respondi sem nenhum entusiasmo.
– Hum, Mello e eu estamos indo até a biblioteca, gostaria de vir com a gente?
– Não obrigado, trouxe todos os livros que preciso por enquanto _mentira, “o pequeno príncipe” era o único que tinha colocado na mala.
– Caramba, você realmente gosta de estudar! Estou indo então e não se atrase para o jantar, hoje teremos lasanha ao molho vermelho_ deu um tchauzinho com a mão e fechou a porta do quarto.
Por que será que ele sempre sabia o cardápio? Foi a ultima pergunta idiota que eu me fiz antes de começar a arrumar o restante das minhas camisetas no guarda roupas e ao mesmo tempo repassar mentalmente o conteúdo das aulas que tive durante o dia – já disse que sou nerd? Infelizmente, estudar não deveria ser o meu real objetivo, já que sei praticamente todo o conteúdo programático; e sim interagir. Cansativo. E pensando assim desci para a última refeição do dia.
Não foi um jantar ruim, mas também não fora algo tranquilo como eu estou acostumado. Assim que terminei o prato principal começou uma pequena confusão, é obvio que eu ia ignorar se não fosse pelo fato de um pedaço de bolo ter acertado em cheio meus cabelos. Não tive reação nenhuma na hora, apenas fechei os olhos e me levantei – não é do meu interesse saber quem fez tal coisa – ia me lavar e voltar para pegar o MEU pedaço de bolo que esperei o jantar todo. Mas...
– Potz! Olha o que você fez com o aluno novo!! Vá pedir desculpas agora _alguém gritou atrás de mim.
– Que se dane, não estou nem ai para ele! _gritou alguém ainda mais alto.
– Eu sou a autoridade, vá agora se desculpar _umas terceira voz mais calma e segura ordenou, acabando com a gritaria.
Como eu dizia, não ia me envolver e então me virei para dizer que estava tudo bem só que dei de cara, adivinhem com quem? Com aquele cabelo Chanel loiro e seus olhos azuis intensos, Mello.
– Foi mal _desviou seu olhar para um ponto qualquer abaixo dos meus olhos e imediatamente se virou para Matt _vamos subir, esse lugar ‘tá cheio de pessoas imbecis.
– Mello!... Ah, desculpas L! Depois nós conversamos direitinho!! _e foi arrastado pelo loiro, escadaria acima.
– Lawliet, perdão pelo acontecimento... acho que agora estamos mais ou menos quites.
– Professor! _me espantei ao vê-lo que ele próprio estava metido na confusão.
– Vocês dois, para a sala do diretor _senti uma mão pesar sobre meus ombros.
Mas vamos com calma essa parte merece uma narração especial.
Assim que me virei para ver quem estava me tocando – odeio que me toquem – me deparei com um dos monitores, ele deveria ter mais ou menos a minha idade, cabelos curtos de um castanho escuro muito bonito. Seus olhos exibiam um brilho diferente das demais pessoas que eu conheci, me passou a sensação de desafio e pela primeira vez naquele internato tive a vontade de conversar com alguém.
– Não tenho motivos para ir até lá _respondi ainda encarando seus olhos escuros.
– Eu sou o monitor responsável, me acompanhem.
– ... _sua arrogância me fez sentir como uma criança, não estava acostumado a ser tratado daquela maneira _não irei, foi apenas um acidente _insisti tentando o atacar de alguma forma.
Girei os calcanhares e sai em direção as escadas, infelizmente enfrentá-lo me fez perder a sobremesa, mas sobrevivo.
Entretanto, perder o bolo, o doce bolo caseiro de morango, não seria nada comparado aos dias que viriam. Agora me pergunto, por que a sociedade é tão selvagem por nada?
Depois do incidente no refeitório não tive mais sossego, parece que foi o suficiente para chamar a atenção dos demais alunos e agora todos me olham quando eu passo; não por ter levado um pedaço de bolo na cabeça – é claro – mas sim por eles terem descobertos que eu sou o “gênio”.
Quando se tem 14 anos, o espírito de competição é muito presente e a imbecilidade parece estar à flor da pele. Foi assim que a maioria dos alunos passou a me odiar e praticar bulling constantemente. Eu realmente não me importo de ter meus cadernos jogados na água – já que tinha toda a matéria decorada – nem meus tênis pendurados nas árvores – eu os detesto mesmo – mas mexer na minha sobremesa me deixou irritado. Ontem me descuidei do manjar que comia, baixei a guarda e alguns alunos colocarem uma grande porção de sonífero nele, acabei por parar da enfermaria e é exatamente desse lugar estupidamente branco e cheirando a vacinas que estou narrando essa parte do meu dia.
– L... _Matt abriu a porta da enfermaria cauteloso _está acordado?
– Sim pode entrar.
– Caraca você conseguiu ficar ainda mais pálido _chegou seu rosto bem perto do meu e me fitou com aqueles olhos verdes profundos.
– ...ah sim _me afastei alguns centímetros _o que faz aqui?
– Como assim, somos amigos não é? Vim lhe fazer uma visita _e sorrindo sentou ao meu lado na cama _pode me pedir algum livro que estiver com tédio.
– Estou bem desse jeito, obrigado.
– Hehe, Mello ficou furioso quando descobriu! Ele acabou indo parar na sala do diretor de novo.
– ...não entendi _pendi a cabeça ligeiramente para o lado, como Mello teria se metido naquilo?
– “Se querem ser melhores do que ele então o vença como homens!” _imitou o amigo colocando as mãos na cintura _ e desferiu uma série de palavrões... um dicionário inteiro deles! _abafou o riso com as mãos.
– Não entendo o motivo de ele ter feito isso, Mello também quer ser melhor do que eu.
– Ele odeia covardes, só isso... _pegou o psp que estava escondido sob o casaco do uniforme e o ligou.
– ...
– Você vai ficar bem, não se preocupe.
– Hum... obrigado _ainda embriagado com os remédios acabei adormecendo sem querer, minha cabeça estava pesada e por algum motivo não tinha conseguido descansar muito bem.
Mais tarde quando acordei, encontrei o psp de Matt ao lado da minha cama e um bilhete :”divirta-se”, oras eu não fazia ideia de como se jogava aquilo e também não tive curiosidade de saber, mas parece que ia ter que agradecê-lo de alguma forma.
Então é isso que chamam de “amizade”? Ou foi apenas “pena” do menino órfão? Bom tanto faz, parei com aqueles pensamentos estranhos e me levantei, teria que passar no quarto de Matt antes de ir para o meu.
– Já está melhor?
– Hum? _procurei a minha volta pelo dono da voz, mas não encontrei _tem alguém ai?
– Ah desculpas... _um rapaz saiu de uma salinha ao lado, era o mesmo monitor que havia parado a briga no jantar antes de ontem _meu nome é Yagami Light.
– Lawliet, prazer em conhecê-lo _ao invés de um aperto de mãos, ele se curvou ligeiramente.
– Achei que ia conseguir chegar até você antes, mas parece que já está amigo deles.
– Perdão? _fiquei confuso por um momento, só tinha pessoas estranhas naquele lugar?
– Mello e Near... bom, mas enfim, sou do primeiro ano assim como você e como pode notar sou enfermeiro também além de monitor _apesar disso, não abriu nenhum sorriso prepotente.
– ...parece ter bastante tempo para tarefas extras.
– Sou quase tão bom quanto você _disse num tom descontraído_ a maioria dos alunos aqui são imaturos e criados em famílias ricas, seja paciente.
– É um padrão de comportamento normal, não estou preocupado com isso _alcancei a saída e fiquei de costas para Light _com licença.
– Sim, não se preocupe... _pude vê-lo abrir um sorriso sinistro antes de sair, realmente aquele lugar estava cheio de pessoas estranhas.
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