Hilena, A Filha Olimpiana
1 Um pouco da história de Hilena
Notas iniciais
Hilena, catorze anos, morena, um metro e sessenta e dois, olhos pretos, em busca da sua história.
– Hilena, querida.
– Sim, Irmã Dora?
Irmã Dora era uma freira, irmã do padre Mon. Ela era nova, tinha vinte e seis anos. Alta, mas ninguém sabia como ela era, porque só andava de túnica. Era uma doce menina, assim como Hilena.
– Por favor, pegue essas flores e leve para o padre Mon. Ele estava indo ver as crianças no Hospital da Cidade e pediu para que levasse-as. Ele se esqueceu. Tome — ela pegou as flores e as deu a Hilena. Ela pegou as flores:
– Sim — disse Hilena e foi. Encontrou o Padre Mon no meio do caminho: — Pai!
O padre era um velho de estatura média, educado, divertido... O tipo de velho que não era chato e só pedia favores quando era muito necessário. "Velho bacana, esse padre, hein?", pensavam dele.
– Hilena, querida, você trouxe as flores que eu te pedi?
– Aqui estão.
– Ótimo. Quer me acompanhar até o hospital?
– by Text-Enhance\">Claro, faz tempo que não vejo essas crianças!
Foram. Ficaram. Conversaram com as crianças, contaram histórias, etc e tchau: voltaram pra casa. Mas no caminho de casa, Hilena ainda sentiu um pouco de falta dos verdadeiros pais. Começou a pensar enquanto caminhava: "Anjos... Vocês não me ajudam em nada. Quem são meus pais? Vocês ainda não me contaram, me contem, me... contem.... me...".
– Hilena?
– Sim? — Respondeu assustada, saindo do seu transe natural.
– Preocupada ou chateada? — Comentou o velho.
– Como o senhor sempre sabe no que estou pensando?
– Sua expressão diz tudo.
– Ah.
– O que me diz?
– É sobre a minha história, sabe? De eu ter sido encontrada pelo senhor... Debaixo da macieira?
– Não acredita nisso, Hilena?
– Tenho certeza de que não e verdade.
– Certa, certíssima. Acho que eu já devia ter te contado isso á muito, hein, Hilena?
– Acho que sim...
– Pois te contarei.
De todas as ações de Hilena, a que ela fez foi a melhor: fechar a boca e abrir as orelhas — "quem muito escuta, muito aprende", dizia o velho padre. "É isso o que vou fazer", pensou Hilena.
– Hilena, quando sua mãe me deu, você era pequenina. Tinha ainda sete meses... Estava trovejando, ela disse que ia embora. Eu também a tinha visto falando com um homem... O homem que poderia ser seu pai.
Hilena não estava chocada, Hilena estava quieta, prestava atenção, passivamente.
– Mas eu não acreditei que ele podia ser seu pai, Hilena, ele, ele... — O velho não sabia se dizia o que viu. Por um segundo, perdeu a noção do que estava fazendo, mas loco recordou: — Havia uma tempestade forte e ela estava falando com um homem. Não escutei muito bem, mas o pude ouvir um pouco da conversa... algo como 'Apolo, proteja nossa menina!', 'Não posso, Maura. Eu a amo, mas não posso...', ' Como vamos proteger nossa menina?', 'Indiretamente, eu posso, mas, Maura...', 'Basta. Eu devia saber... Vocês... não... prestam... Morra!', ' Mas deuses não morrem...', 'Não me interessa. Ao inferno!'... Não me lembro de ter escutado mais nada... Mas não existem deuses gregos, o único Deus que existe e o maior de todos, pai de Cristo, Hilena, você sabe, mas...
Nesse momento, o padre começou a ficar estranho. Sentiu uma pontada no peito... Curvou-se um pouco.
– Pai? — Hilena assustou-se — Está bem?
– Estou b... — O padre caiu no chão dando um ataque sinistro.
– Socorro!!!! — Hilena gritou e, instantaneamente, varias pessoas apareceram para socorrer padre Mon.
****
– AVC — Disse o médico. — Cuidado com o Padre. Algum sustinho e ele...
– Sim... — Hilena estava abalada demais, porém por dentro. "Padre, ainda há de me contar isso direito, ainda há..."
– Alguma coisa, Hilena? — Perguntou o médico.
– Não, obrigada. Volto amanhã.
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