Notas iniciais
Hugo...

Passados quinze dias, o padre ainda estava internado. Hilena estava, aparentemente bem, porém bastante abalada. E isso, só seu melhor amigo, Hugo, podia saber.

– Hilena?

– Oi, Hugo... — disse ela com suas bochechas rosadas.

– Como que anda o padre?

– Ah... Está bem. Pelo menos é o que ele diz...

– E você?

– Hã, eu?

– Sim, você. Como está?

– Bem... Estou bem também.

– Hilena — Hugo pegou as mãos dela -, não tem porquê não me contar o que está sentindo, não? Somos melhores amigos ou não?

Aquilo bastou para Hilena ficar totalmente envergonhada:

– Sim... — Hilena conseguiu dizer. — É que eu não quero falar sobre isso. Sabe... É... são... meus pais... Eu...

– Não quer conversar mesmo?

– Não.

– Então nos vemos.

– Okay. Nós... nos falamos.

Hugo saiu. Hilena... Hilena, ah, quase chorou. Ficou no balanço do parquinho feito pra as crianças da vila. Já eram seis da tarde e não tinham crianças brincando naquele horário — hora do jantar.

Hilena estava confusa. Estava perto do seu aniversário, padre Mon pouco podia se mover, ela sempre arranjava problemas e já estava quase querendo se matar, mesmo tendo total consciência do que queria fazer. Ela não era nada boba. E sabia, mais do que ninguém, que gostava muito de Hugo: ele era o irmão mais velho que ela não teve.

Depois das sete, voltou pra casa. Irmã Dora estava preocupada:

– Sete e quarenta e dois. Isso é hora de moça estar na rua?

– Desculpe, Irmã. Precisava pensar um pouco.

– Ah... — Dora entendeu. — E aquele seu amigo?

– Hugo?

– Ele estava com você, não? Você não... É... gosta dele?

– Ah, sim, muito. Hugo é como um by Text-Enhance\">presente pra mim. Um irmão maravilhoso ele.

Irmã Dora sabia muito bem do que estava falando e sabia que Hilena era uma menina sincera e muito inteligente. Todavia, Hilena, nesse sentido, estava bastante errada. Talvez, até não tanto.

*******

Chegado o dia do aniversário de Hilena, Dora lhe fez um bolo surpresa a noite, para o jantar. Chamou Hugo. O padre já estava em casa a esse tempo.

– Parabéns pra você... — Todos cantaram quando Hilena chegou do hospital (ela era encarregada depois do que aconteceu ao padre).

Hilena ficou feliz, tão feliz. Hugo lhe deu um abraço e ela ficou toda avermelhada. Ele lhe deu um presente também. Uma caixinha de música e um papelzinho, uma espécie de carta Ele disse "Parabéns, Hilena. Só pude comprar isso, mas é algo de grande valor sentimental. É algo que acho que você merece mais do que ninguém".

O padre lhe prometeu uma história real...

~Um ano antes: "Quando você fizer 15 anos, eu prometo que te conto tudo o que precisa saber. Tudo"~

– Bem, acho que agora preciso te contar tudo calmamente, não é? Eu te prometi... Lembra?

– Sim, sim. Conte-me, pai!

– Ok. Aí vai: se deuses gregos realmente existem, minha filha, eles são bastante discretos. Nós ensinamos todo o tipo de religião nessa cidade, então sabemos de todas as religiões. Mas essa vila é de católicos. Não acreditamos em deuses gregos. Maura, sua mãe, poderia ter sido... Não sei. Só sei que o que ela disse não foi algo que realmente coincida com a realidade. Os nomes dos seus pais realmente são Maura e Apolo, mas seu pai era um clandestino, então não sabemos o que aconteceu com ele antes dele vir e depois que largou sua mãe. Ele disse que precisava ir, mas que um dia voltaria pra falar com você. Quando você tivesse idade para entender.

Hilena permaneceu intacta.

– Acho que não vai demorar muito.

Silêncio.

– Hilena...?

– Ahh, sim — Despertou.

"Hilena," pensou o velho "sempre aérea... sempre".

******

Mais tarde, pronta para dormir, Hilena pegou a carta que Hugo deu juntamente com a cartinha. Abriu a caixa e tocou uma musiquinha. Desdobrou a carta e uma lagrima rolou-lhe os olhos:

Hilena

Sabe, de todos os presentes que eu poderia te dar, eu quis te dar um simples. Achei que você fosse gostar. Gostou?

Muito.

Bem, eu realmente queria saber o que dizer, mas eu sempre quis dizer que... Bem, nem todas as rosas são rosas mas... De todas as flores, você é a mais bonita.

Obrigada.

Eu te... Bem, você pode contar comigo pra tudo, ok?

Eu...

Feliz aniversário.

Obrigada.

Hilena poderia chorar rios se não fosse por Irmã Dora:

– Hilena, apague essa luz. Hora de dormir.

"Bom saber", pensou Hilena "que ainda tem alguém comigo. Hugo."

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.