Highschool Of The Dead - The Last Journey

12 Capítulo 12 - Pesadelo dos Mortos - Parte I


Sentada em uma rocha uniforme, diante do seu grupo e com a expectativa de descobrir o culpado, Saya, segurando uma caneta e bloco velho de anotações que guardava em sua bolsa analisava as probabilidades e tentava raciocinar friamente para conseguir chegar a um resultado que leve à ela até o autor desses crimes, levando em consideração que o mesmo estivesse junto deles no acampamento.

- Você acha mesmo que não deveríamos ir ver aquele helicóptero? Pode ser algo importante, além do que, estou ansiosa demais pra saber sobre notícias de Tóquio, na verdade... estou pensando em sair logo daqui. – Rei olhava para Saya com seus olhos firmes e decididos, ela não aguentava ficar isolada em uma ilha presa aos fatos que estariam acontecendo no mundo lá fora, se sentia como uma presa esperando para o abate do caçador que a olha e ri enquanto espera o pêndulo balançar minuciosamente ouvindo sua breve respiração e tomando conhecimento de suas fraquezas.

- Eu digo o mesmo, não aguento mais ficar aqui. Pensando bem, foi uma má ideia termos vindo, e pelo visto, aqui não é menos seguro do que o mundo lá fora. – Takashi olhava para todos os seus cantos a cada minuto, seus instintos o avisavam que nada bom iria acontecer naquele local.

- O fato é que devemos viver o momento, e nesse momento temos que resolver essa merda antes que alguém mais morra. Então, vamos levantar algumas hipóteses. – Saya se levantava e olhando fixamente para a folha de papel que segurava, a analisava por alguns segundos e jogava no chão se voltando para o seu grupo reunido.

- Diga sua conclusão, Boobs Holmes. – Kouta não foi bem sucedido com sua frase em uma tentativa de piada, e Saya, apenas o ignorava com um ar de desprezo em sua face.

- Bom, ignorando o porco tarado aí, vamos começar com algumas coisas óbvias. – Apenas Kouta, Takashi, Saeko, Rei, Shizuka e Alice estavam reunidos a certa distância do acampamento, o que eles falariam ali, permaneceria somente para os mesmos. – Com o conhecimento que temos dos monstros que enfrentamos até agora, os ditos zumbis, termo que prefiro descartar, vimos durante vários dias nitidamente que, eles não tem consciência alguma, exceto em seu ato de se alimentar, o único motivo de sua existência. Analisando sua atitude, esses monstros são como plantas carnívora, seus órgãos não funcionam, salvo parte do cérebro que coordena os movimentos do corpo, e se o cérebro ainda está ativo, eles não estão totalmente mortos, é isso que eu e Rika discutimos ontem, e para que seus membros possam funcionar, é preciso de certa energia, parte do corpo que sustente o mecanismo que possibilita o movimento dos mesmos, ou seja, uma pequena coordenação motora que os permite morder, agarrar e se debater. Voltando do início, eles são criaturas que não dispõe de uma consciência, são movidos no piloto automático guiados por movimentos e o cheiro de sangue. Seu único objetivo é se alimentar de carne humana, o porquê eu ainda não consegui descobrir, mas tenho um palpite. – Saeko interrompeu a explicação de Saya para dar uma opinião.

- Seria um fator responsável para eles continuarem a se movimentar? Talvez como um veículo, eles necessitam de algum combustível, afinal, se eles não estão totalmente mortos, precisam de comida, talvez a parte do cérebro que ainda prevalece nos mesmos é o instinto de se manterem vivos, e assim, são como cães treinados unicamente para pegarem suas presas, como na idade média, onde lobos eram treinados para matarem camponeses que entrassem em terras de seus proprietários. Não que isso importe, essa explicação toda não nos trará sentido algum, visto que, independente do que os faz viver ou não, temos que exterminá-los até não sobrar mais nenhum. – Os olhos da mulher, naquele instante, eram violentos e sedentos por sangue. Saya concordava com a parte em que tal explicação não faria sentido no atual momento, então, ela partira unicamente para o assunto a ser debatido de início, o assassino.

- Ela tem razão, foda-se o que eles são ou deixam de ser, alguma hora eles vão ser extintos, eu garanto. Voltando ao assunto em pauta, considerando o primeiro ataque, que foi ao navio. Alguém da equipe de Rika ou de Howard que estavam no porto a algum tempo, foram os responsáveis pela tragédia que aconteceu. Pelo que pesquisei, apenas Scot, Rika, Urui, Howard, a garota que não fala, Teresa e Yasu eram os únicos no local. Segundo os relatos de Urui e Scot, que estavam de vigia quando Koukai morreu, ninguém se levantou das tendas, o que coloca como suspeitos, Frau, Teresa, Masataki, Scot e Urui. – Shizuka fazia uma pequena pausa ao indagar Saya.

- Mas por que Urui e Scot?

- Você é loira mesmo? Os dois estavam de vigia, primeiro Urui, depois Scot, ou seja, um deles poderia ter mentido, se fosse o assassino. Os outros três por estarem na barraca do Koukai. Agora, a atitude de Frau ao ter ido falar com Takashi é bem suspeita sabe... – Saya fez uma breve pausa ao ver alguém saindo correndo do meio da mata rasteira a poucos metros do acampamento. Se tratava de Scot todo ensanguentado que chegou ofegante pedindo por socorro.

- Por favor, alguém, alguém! – O homem se ajoelhava no chão com um enorme rasgo em sua barriga onde o sangue escorria rapidamente.

- O que aconteceu cara? – Urui foi o primeiro a atende-lo, o deitou na areia e verificou seus ferimentos, o corte em seu corpo parecia ser semelhante ao feito no estômago de Koukai, o que deixou Urui curioso.

- Quem diabos fez isso?- Antes que o soldado pudesse perguntar, Miyamoto aparecia com uma arma em suas mãos tentando entender o motivo dos gritos.

- Ele está lá, aquele maldito, ele está na floresta, perto do riacho... – Scot se contorcia de dor, seus olhos ficavam fechados enquanto seu rosto se enrigecia ao ter sua ferida tratada por Urui que pegava seu equipamento médico e prestava os primeiros socorros.

- Quem é ele em questão? – Saeko já se preparava para partir em ação dependendo da resposta de Scot.

- Aquele monstro maldito! Ele matou o Masataki-Kun! Se vocês não correrem, o Howard... ele... – Agonizando em dor, Scot não conseguia mais falar, foi então que Rika tomou uma atitude.

- Peguem algumas armas e quem quiser vir, me acompanhe. Vamos acabar com essa palhaçada. – Portando uma calibre 29 hm, a mulher pediu para que Urui e Shizuka ficassem no acampamento cuidando de Scot e chamou quem a quisesse acompanhar.

- Vocês querem ficar aqui parados sem ter o que fazer? – Takashi se virava para seu grupo sorrindo e empolgado.

- Parece que essa ilha não vai nos deixar relaxar mesmo, não é? – Kouta recarregava sua metralhadora e seguia os passos de Rika juntamente com o resto do grupo, que foram acompanhados por Miyamoto, Frau, a garota sem nome e Jouchi. No acampamento, ficaram Shizuka, Alice, Urui, Teresa e Yasu.

Os dez partiram em busca da criatura causadora de todo aquele caos, e ao chegarem no local indicado por Scot, a alguns quilômetros do acampamento, depois de uma caminhada de 15 minutos, Rika, que estava no comando e se dirigia na frente de todos, se deparou com o corpo de Miyamoto espedaçado no chão. Seus dois membros de cima foram arrancados, sua boca estava quebrada e aberta até a extensão de sua testa, seus joelhos estourados e assim como Koukai, sua barriga fora mutilada e os órgãos todos esmagados.

- Isso não pode ser obra de algum humano... – Rei sentia ânsia ao olhar para aquela atrocidade, mesmo diante de todas as situações pavorosas que vivenciou até o momento, não viu nenhum dos zumbis arregaçar um corpo de maneira tão engenhosa, como se o mesmo tivesse consciência de seus atos, contradizendo a explicação de Saya.

- Não, isso é praticamente obra de um humano! – Jouchi arregalava seus olhos ativando o seu modo esquizofrênico mais uma vez. Miyamoto apontava seu revólver para o mesmo mas, antes de expressar qualquer ameaça, Rika a impediu:

- Espere. Vamos ver o que ele tem a dizer. Diga, por que isso parece obra de um humano? – Rika olhou de maneira tensa para Jouchi, o mesmo deu de ombros para a mulher e sorriu orgulhoso:

- Porque eu já vi isso antes! Aqueles zumbis que atacaram o meu grupo, eles não eram monstros comuns, eram mais parecidos com... humanos. Eu estou certo. ERAM humanos. – Todos ficaram em silêncio por alguns segundos quando Kouta atirava repentinamente ao ouvir um barulho saído da floresta.

- Que caralho foi isso!? – Frau se virou assim que ouvira o tiro, e rapidamente, Howard dava as caras saindo de trás de um arbusto com as mãos para cima.

- Esperem, esperem, sou eu droga!

- Por que não avisou antes? – Kouta olhava para cima como se não fosse culpado do tiro quase ter acertado o capitão.

- Vaso ruim não quebra mesmo hein. – Rika olhava com desaprovação para o rapaz que permanecia vivo em sua frente.

- Eu não iria morrer tão facilmente idiotas, de qualquer forma, por que vieram aqui? Ele já foi embora? Vocês o pegaram? – Todos olhavam sem entender o que o homem dizia.

- Quem foi embora? – Takashi se aproximava de Howard e via que ele estava com um rasgo em seu braço semelhante ao que Scot tinha em seu peito.

- Não brinca comigo porra! Cadê ele? Cadê o Scot!? – Rika tentou acalmar o rapaz que parecia eufórico e sem controle.

- Se acalme, ele está vivo, ficou na praia sendo tratado pela Shizuka e o Urui. – Com a frase da mulher, Howard arregalou seus olhos, quase saltando-os de seu rosto, e segurando nos ombros da mesma, ele se lamentou;

- Então já era. Ele vai matar todos, vai matar todo mundo!

- Hã? – Rei começava a tremer ao pensar no que o homem acabava de dizer.

- O que quer dizer velho? – Frau segurava o braço de Howard exigindo uma resposta mais concisa.

- Foi o filho da puta, eu vi tudo! Ele parecia um demônio ao fazer isso com o garoto com suas próprias mãos, aquele cara é um monstro! – A surpresa e espanto de todos foi unanime. Sem perder tempo, mesmo abatida pela notícia, Rika correu de volta para o acampamento, juntamente do restante das pessoas.

Ao chegarem na praia, não podiam crer em um absurdo daqueles.

- Isso é mentira, né? – Saya caía no chão ao ver os corpos de Shizuka, Teresa, Urui e Yasu espalhados na areia branca manchada de sangue e vísceras. Rika correu em direção a sua amiga, e percebeu que a mesma ainda respirava, mesmo que lentamente.

- Shizuka-San! O que aconteceu aqui? Onde você foi ferida? – O grupo de Takashi, comovido com o acontecimento também se dirigiram até Shizuka, desesperados.

- Merda, merda! Nós caímos em uma maldita armadilha, aquele filho da puta nos enganou! – Takashi não podia se perdoar, havia sido enganado e por consequente, todas aquelas vítimas foram feitas.

- Alice... ele levou Alice, ele não foi a muito tempo. – Shizuka abria somente um dos seus olhos enquanto cospia sangue. Rika junto de Saya e Rei socorriam a mulher que estava no leito da morte.

- Onde? Pra que direção o maldito foi? – Enquanto chorava, os olhos de Kouta transmitiam uma aura assassina que Saeko e Takashi jamais haviam visto antes, seus dentes rangiam e sua fúria era suficiente para matar quem chegasse perto do mesmo.

- Pra... lá. – Assim que Shizuka apontou para a região norte da ilha, Urui, ainda vivo, ao se levantar, cambaleando, pegava sua arma e corria naquela direção, mas antes que passasse uma pequena palmeira no caminho, uma flecha acertava sua nuca perfurando seu crânio e arrancando um de seus olhos. O homem caía morto no chão, agora, por definitivo, com seu olho restante aberto enquanto o sangue escorria e entrava em sua boca que também permanecia aberta.

- Mas quê? – Rei olhava para a direção de onde a flecha teria vindo e como em um enxame, várias pessoas saíram do meio da floresta, apenas de bater o olho, a garota percebeu que haviam mais de 20 humanos, todos sujos e com as roupas rasgadas portando facas, machadinhas e arcos em suas mãos.

- Ninguém se move, ou vão acabar como aquele presunto ali. – Um homem com os cabelos longos e vermelhos, pele morena e uma aparência grotesca, segurando um arco e flecha, ficava a frente de todas aquelas pessoas ordenando para que ninguém se mexesse.