Highschool Of The Dead - The Last Journey
13 Capítulo 13 - Pesadelo dos Mortos - Parte II
Amarrados e unidos por uma corrente, Saya e Kouta eram levados pelo grupo dos invasores do acampamento, supostamente pessoas que já estava naquela ilha a algum tempo, minutos atrás, os dois não tiveram escolhas a não ser irem a pedido do líder do grupo, Marshall, um japonês mestiço que parecia ser muito inteligente. O rapaz disse que havia uma lei imposta sobre o primeiro acampamento da ilha, onde ninguém poderia atravessar a fronteira da mata oeste, e caso o fizessem, haveria certa punição, e dessa vez, ele decidiu levar duas pessoas consigo para servirem como escravos ou membros do grupo. Analisando as habilidades estratégias de Saya e a ousadia e pontaria de Kouta, Marshall não teve dúvidas quanto a sua decisão. Agora, os dois jovens seguiam sozinhos sendo puxados por um brutamonte com suas vestes rasgadas, pela sua aparência, não demonstrava ter piedade de nada nem ninguém, não só ele mas, a maioria das pessoas daquele grupo possuíam caráter primitivo, e não se continham ao ter que matar ou morrer.
– Vocês fizeram uma boa escolha, sabe. Digo mais por você, garoto, você é um bom atirador, pelo que percebi, mas estando nessa ilha, e naquele grupo, não teria um bom futuro. Quanto a você jovenzinha, seria uma boa estrategista e nos causaria problemas, portanto, mantê-la ao nosso lado foi uma sábia escolha. Se não fosse a Raquel eu não teria te escolhido sabe, ela é uma boa observadora. – Enquanto Marshall se aproximava de Kouta e Saya que se mantinha enfurecidos e com olhar de desprezo para com o homem, este apontava seus olhos em direção a Raquel, que aparentemente liderava a ‘expedição’ das 17 pessoas que caminhavam de volta para o acampamento do grupo em algum lugar do centro daquela floresta quente e densa.
– Vocês só nos pegaram desprevenidos. Acha mesmo que seu grupo é capaz de nos aguentar? Rika, Takashi, Saeko, vocês fizeram uma grande besteira em tê-los deixado viver, cedo ou tarde vocês vão acabar como os mortos vivos, só que em um estado pior. – Kouta sorria ao dirigir suas palavras à Marshall, que levava as provocações do rapaz com naturalidade, mostrando sua superioridade ao não rebater suas previsões que não teriam chances de acontecer.
– Não vale a pena gastar mais tempo com eles, precisamos primeiro, achar aquele helicóptero que caiu. Sabe, não recebemos visita a mais de um mês, e em menos de dois dias essa ilha ficou toda tumultuada! É um caos! Eu não vou permitir a entrada de mais ninguém em minha casa, quem quer que tenha vindo com aquele helicóptero só vai nos dar mais munição e quem sabe algum sanduíche ou mantimentos enlatados. Estou com uma vontade danada de comer fast food, você não tá morrendo com isso não gordinho? – Marshall não entendia como Kouta havia aguentado tanto tempo em um apocalipse zumbi, ironicamente, apontava para o garoto demonstrando que sua sanidade não era das melhores.
– Ignore-o Kouta, eles tem a vantagem momentânea, é só isso. Mas eles não sabem o perigo que realmente os espera. – Saya olhava para baixo sem dar atenção a Marshall ou outras pessoas do grupo.
– Está falando dos seus amigos fraldinhas de novo? – Marshall cuspia no chão e em seguida coçava seu nariz.
– Na verdade, há algo aqui que vocês nem fazem ideia. – A afirmação de Saya deixou Marshall e demais membros daquela equipe curiosos e intrigados. Naquele momento, o tempo havia se fechado e as primeiras gostas finas de chuva caíam sobre a ilha.
Na praia onde o acampamento do grupo de Rika se recuperava do ataque que haviam recebido minutos atrás, Takashi se mantinha isolado sentado na beira do mar, as ondas batiam sobre seus calcanhares, apesar da chuva começar a engrossar, ele se mantinha estático, seu rosto fixo percorrendo sobre as ondas que ficavam violentas em consequência do forte vento. A maioria se protegia embaixo de uma pequena rocha perpendicular e algumas folhas de bananeira, mas o garoto queria ficar sozinho, afinal, não pode fazer nada ao ver aquele grupo levar Saya e Kouta enquanto riam e pisavam no orgulho de todos ali.
– Não adianta ficar se lamentando agora. Não seja fraco como eu, Komuro-Kun. – Saeko se aproximava de Takashi com seu corpo todo molhado, deixando assim, seus enormes peitos visíveis por baixo da camisa branca que usava. Takashi mantinha seu olhar focado no horizonte, sua expressão era de amargura, nada ou ninguém mudaria o fato de que, mais uma vez, eles perderam, não para zumbis, mas para outros humanos.
– Alice... Kouta... Saya. Quem vai ser depois? A Shizuka ainda está gravemente ferida, como isso aconteceu? Como aconteceu porra! – Takashi se exaltava, ele se levantava e segurava os ombros de Saeko enquanto os apertava sem conter a fúria que se estendia em seu coração arrependido.
– É muito bom que se enfureça, que se lamente, isso vai lhe fazer melhor, mas não se esqueça que ainda não acabou. Nós fomos pego em território inimigo, mas agora que conhecemos o contexto real dessa ilha, vamos entrar de verdade no jogo. – Saeko parecia decidida com suas palavras.
– E o que pensa em fazer? São quinze pessoas, e todas bem armadas. Nós somos... só nós! Nossas armas foram roubadas, sorte que Rika conseguiu esconder algumas antes de tomar conhecimento do ataque, talvez ela já havia previsto isso, mas na situação em que nos encontramos, só iríamos lá pra morrer. – Takashi, ao perceber que estava machucando a menina em sua frente, se afastava envergonhado, sua fúria ia diminuindo conforme a chuva ficava mais forte, Saeko segurava a mão de Takashi o levando de volta para o acampamento.
– Sempre há algo pra se fazer, não se esqueça, nós somos um grupo, e creio eu que nossos laços são mais fortes do que daquelas pessoas. Não desista porque perdeu uma vez ou duas. O Komuro que conheço não é assim. – Saeko sorria ao virar seu rosto para Takashi apertando sua mão como se não pudesse mais soltá-la. O rapaz se sentia novamente motivado, ao menos, perto dele, havia pessoas cuja quais valiam a pena entrar no campo de batalha.
Chegando encharcado para o local onde o restante do grupo estivera, Takashi percebia que Rei o olhava de lado, estava nitidamente com ciúmes e curiosa para saber o que ele e Saeko estava conversando anteriormente, e por vê-los de mão dada, a garota, mantendo seu orgulho como de costume, mal encarava o rapaz, mantendo sua cabeça erguida e agindo como se tudo estivesse bem.
Shizuka estava fora de riscos de vida, ela era mantida deitada em uma cama com palha e folhas de bananeira, coberta por alguns pedaços de pano que Rika havia conseguido. Yasu e Teresa não conseguir resistir aos ferimentos causados por Scot, e agora, o grupo teria que lidar com dois problemas.
– Como já estão todos aqui, não vou mais ficar de lenga lenga. Scot não é uma pessoa normal, como já puderam ter percebido. Ele capturou um de nós, e eu não consigo entender porque, mas pior que isso, aqueles malditos da floresta levaram dois de nós e ainda nossas armas, ou seja, há dois grandes problemas a serem enfrentados, e agora, só há 12 de nós. Não bastasse isso, fomos enganados pelo outro acampamento. Os filhos da mãe não disseram nada sobre as ‘regras’ citadas pelo Tarzan de mais cedo, apenas para que entrássemos em seu território e tomássemos flechadas. Eles queriam reduzir o número de pessoas da ilha, mas acho que falharam nisso. – Rika acendia um cigarro com sua face demonstrando traços de tensão e raiva.
– Eu infelizmente tenho que concordar com a Rika. Não temos o que fazer agora, a não ser, nos arriscarmos em uma busca suicida. Aquele grupo tem a vantagem por conhecer o território, então, vamos priorizar encontrar Scot e Alice, esse cara é uma tremenda ameaça, maior que os selvagens, diria eu. – Miyamoto trocava os curativos de Shizuka enquanto pensava em uma estratégia ideal para salvar Alice.
– Pelo que Shizuka disse, eu posso prever para onde eles foram. – Finalmente, depois de vários dias, a garota de cabelo vermelho cuja identidade, caráter e tudo que se embasasse em sua característica era desconhecido, falava de maneira ríspida e firme, surpreendendo todos presentes ali.
– Então você fala, hein. – Frau balançou a cabeça positivamente demonstrando seu espanto pela atitude repentina da menina que continuava a falar.
– Eu não tinha porque falar antes. Não gosto de abrir minha boca sem necessidade, é esse o meu jeito de viver, mas agora que as coisas ficaram um pouco mais complicadas e, visto que vocês não tem mais alternativas, eu acho que vou ter providenciar auxílio a vocês. – Ela abaixava o seu capuz que usava com sua blusa e Rika arregalava seus olhos demonstrando admiração.
– O que foi? Viu um fantasma? – Howard não entendia porque Rika olhava para a menina em sua frente como se ela fosse alguém importante ou um fantasma, mas logo, todos descobriram o porquê de seu comportamento.
– Você é ela não é? Mary Devons, agente número 7 da CIA encarregada de pesquisar essa ilha. Foi por sua causa que Howard conseguiu autorização para usar o navio e vir pra cá, todos nós só estamos aqui por você! – Rika se levantava deixando seu cigarro cair. Todos no momento não sabiam o que pensar, não podiam ver uma garota de provavelmente 18 anos no máximo sendo uma agente da CIA.
– Isso é verdade Rika-San? – Rei também se levantava, se aproximava da garota de cabelos vermelhos e a virava para si, mas quando colocou a mão em seu braço, Mary o agarrou rapidamente, e, antes que Rei pudesse perceber, ela já estava de costas no chão com um rápido movimento da garota que demonstrava possuir ótimas habilidades em combate.
– Não temos tempo pra trivialidades como essa ou apresentações. Sim, podem me chamar de Mary, e não podemos mais ficar conversando aqui. Eu quero que Takashi, você caída aí, Rika e a loira venham comigo. O restante vai ficar aqui e dar a volta até o acampamento que estávamos, Saeko, conto com você pra fazer uma emboscada pra aqueles putos. Você também Rika, vamos extrair deles tudo que sabem sobre os nativos, além de pegarmos suas armas e mantimentos, eu tenho um bom plano pra isso, mais cedo, conversei com a Saeko a respeito, ela já sabe de tudo e orientará vocês. Agora, vamos. – Sem contestar, o grupo se dividia em dois para cumprir as tarefas exigidas por Mary. Takashi, Rei, Mary e Rika iriam atrás de Scot pelo caminho apontado por Shizuka, já Howard, Saeko, Frau, Masataki, Jouchi e Miyamoto, se encarregariam de colocar o outro acampamento contra a parede. Shizuru ficaria responsável por cuidar de Shizuka, mesmo a garota não concordando imediatamente. Uma guerra civil havia sido traçada em um local inapto para a sobrevivência.
Quando o grupo de Marshall chegou ao local do helicóptero caído, só puderam encontrar restos de destroços e equipamentos de primeiros socorros dentro do mesmo. Nenhum corpo, armas ou suprimentos foram deixados para trás, quem quer que estivesse nele anteriormente, havia desaparecido com o vento. A chuva que caía não era propícia para procurar alguém aos arredores da floresta, mas para Marshall, não podia simplesmente deixar que prováveis inimigos circulassem em seu território livremente.
– Escute aqui, em menos de trinta minutos quero esses miseráveis sem suas cabeças, elas devem estar feridos com a queda, não vi ninguém pulando de paraquedas nem nada do tipo, não tem como um humano normal não se ferir com a magnitude da queda, visto a aparência em que o helicóptero ficou. – Marshall demonstrava não ser apenas um selvagem, Saya percebia que ele era astuto e um bom líder, o que a preocupava.
– Ei chefe, Koki achou um rastro de sangue, devemos seguir? – Marshall olhava para o rapaz em sua frente com um olhar mais do que óbvio.
– Por que não fizeram isso antes? Não precisam da minha permissão pra matar intrusos porra! Por precaução, Yugiri, Shimada, Koki, Andrew, Vic e Hotaru, achem essas pessoas, não devem ser mais que 3, isso eu garanto, vamos esperar aqui enquanto vasculhamos o helicóptero. – Depois da ordem do líder, as seis pessoas seguiam precisamente a trilha de sangue deixada por um dos passageiros do helicóptero. Alguns minutos depois, enquanto seguiam a trilha que não parecia terminar, os seis haviam parado em um local aberto, com algumas rochas formando uma superfície circular que era coberta por várias árvores secas, e ao olharem para frente, viam que não havia meios de se seguir em frente.
– Mas que porra é essa? Termina aqui? Ele parou de sangrar depois daqui? – Koki coçava sua cabeça intrigado e pensativo sobre onde deveriam ir naquele momento.
– Vocês são mesmo pessoas que viveram aqui antes? Isso é bem decepcionante, sabe.
– Ao olhar para o lado, Koki via que Andrew e Shimada haviam perdido suas cabeças que caíam no chão e rolavam enquanto o sangue de suas artérias jorrava para todos os cantos com seus corpos despencando no chão. Os quatro restantes atiravam em todos os cantos daquele círculo, mas somente uma risada era ouvida ao cessar das balas.
– Nem atirar sabem, vejo que nessa ilha, vocês são o grupo mais fraco. Vamos acabar logo com isso. – Surgindo de uma árvore a poucos metros dali dando um salto até o círculo onde os quatro estavam, Satan aparecia com sua katana cortando rapidamente os corpos de todos que ali permaneciam sem enxergar a presença do trio diabólico.
– Que chato cara, e pensar que viemos pra Katsujima em busca de diversão. – Lúcifer pegava uma das cabeças decapitadas por Satan e a lambia demonstrando sentir muito tédio.
– Paciência cara, você sabe que o nosso alvo é outro, esse tira gosto nem foi tão ruim assim, minha espada precisava mesmo de um pouco de sangue humano depois daquele dia na ponte. – Satan, Lúcifer e Asmodeus apareciam em Katsujima 2 naquele helicóptero, mas qual seria o objetivo dos três tirando a sede de sangue?
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