Hide & Seek
2 Eu ia conseguir. Faltava muito pouco.
Notas iniciais
Sim, eu fiquei dentro daquele armário pelo tempo mais aterrorizante e longo da minha vida, até que os gritos foram lentamente sumindo. Algumas vezes eu senti alguém tentando entrar, provavelmente alguma garota fugindo, mas antes que eu pensasse em abrir a porta, um grito mais alto e sangue entrando pelo vão da porta me faziam parar. Eu sentia que iria começar a chorar a qualquer momento, mas sabia que ia ser pega se fizesse qualquer barulho. Pânico era a melhor descrição para o que eu estava sentindo.
–Vocês gostaram do banquete desta bela noite? – era a mesma voz que anunciou o banquete, ou melhor, o massacre, muito perto de onde eu estava escondida.
–Estava simplesmente perfeito como todos os outros! – respondeu uma voz conhecida, meio ranzinza. Era Jake.
–Então por que está falando assim? – falou o homem, divertido.
–Eu deveria ter vencido, não o maldito Hank! – o loiro gritou, irritado.
–Olha, não precisa ficar com inveja! – gritou outra voz masculina, provavelmente do tal Hank. –Quem sabe na próxima? – havia um tom de superioridade um sua fala, ou melhor, grito.
–Ah, seu... — Jake provavelmente iria xingar o vencedor do massacre, quando uma voz o cortou.
–Pare com isso, vocês dois, ou não participarão do próximo banquete. –agora o tom de divertimento se transformou em algo como uma ordem.
–Desculpa, Leon. – eles falaram ao mesmo, submissos.
–Bom mesmo! – disse o tal Leon, calmo e até alegre.
Eu escutei os passos dos três se afastando e me acalmei. Por que eu não escutei aquela senhora? Será que ela está bem? Será que as garotas que não ouviram seus conselhos estavam sentindo a mesma culpa e arrependimento que eu? Bem, quero dizer, antes de morrerem dolorosamente. Isso não é importante agora, Trina! Preciso pensar em como vou escapar dessa situação, porém quanto mais eu penso, mais me parece impossível sobreviver. Eu gostaria de continuar planejando, mas um grito agudo familiar me impediu.
–Monstros, demônios! – eu não podia acreditar. Era a voz da senhora que tinha me ajudado.
–Ora, ora, vejam o que temos aqui. – era Leon, com uma voz autoritária e cínica.
–É melhor me largarem, suas criaturas desprezíveis! – ela falava sem nenhum medo, me fazendo admirá-la pela coragem.
Mesmo sendo velha e frágil, era ela que estava encarando aqueles assassinos sozinha, enquanto eu, uma pessoa jovem que na teoria tem muita mais força do que ela, estava escondida, tremendo de medo e em estado de pânico.
–Ou o quê? –perguntou Leon, com uma risadinha no final, sendo acompanhado por várias outras vozes. –O que uma velha como você vai fazer? –ele completou irônico.
–Realmente, não há nada que uma velha como eu posso fazer, mas uma jovem corajosa com bom coração e esperta pode fazer alguma coisa que “uma velha como eu” não, correto? – ela demonstrava muita calma e confiança na fala.
–O que você quer dizer com isso? – toda a sua ironia sumiu rapidamente, virando raiva em um berro que me arrepiou.
–Você é o líder deles, não? – agora era a senhora que tinha ironia na voz. –Então devia ser mais esperto. – ela começou a gargalhar, uma risada tão boa e tranquila que me fez sorrir. Ela era oficialmente minha heroína.
Mas, infelizmente, sua risada parou bruscamente, sem nenhum grito nem nada. Aquela senhora tinha se sacrificado por mim e eu nem sabia o seu nome. Isso, de algum modo, me deu um pouco mais de força para continuar vivendo, mas também me fez pensar em qual ameaça eu podia representar a eles.
–Quantas humanas cada um trouxe e quantas mataram? – Leon gritava, com muita raiva, me deixando com medo.
–L-le... – Hank começou gaguejando, provavelmente com medo, mas parou por um segundo. –Meu senhor, iremos ver isso imediatamente.
–O QUE AINDA ESTÃO FAZENDO AQUI? – parecia que a cada segundo sua raiva duplicava.
Escutei alguns passos rápidos passando por onde eu estava, me fazendo sentir mais agoniada do que antes. Quase comecei a rir com isso. Acho que estava tão nervosa e com tanta certeza de morte que eu queria rir! Isso é normal?
Passou um tempo, com os gritos furiosos de Leon dizendo coisas como “Vão mais rápido!” e “Vou destruir todos vocês!”. Ele era um líder brincalhão em um segundo, e no outro já era um ditador ameaçador.
–S-senhor... – Jake começou. Droga, acho que ele percebeu. –Uma de minhas humanas sumiu... –ele estava apavorado.
–Então você só percebeu agora? – o “Ditador” falou frio e calmo.
–D-desculpe-me, m-meu senhor! – o loiro deve ter ficado ainda mais apavorado com a calma do líder. –Mas que mal faz se uma simples humana adolescente escapar? Quem irá acreditar nela? – ele tentou falar como uma piada.
–Quem irá acreditar? – ele respondeu calmo demais para quem gritava como um louco há pouco tempo atrás. Não foi menos assustador do que antes. –Nossa, por que eu não pensei nisso antes? – ele disse irônico. –Será que é porque eu sou o líder, o mais velho e mais sábio daqui? – sua calma sumiu num grito ensandecido.
–D-desculpe-me! – O seu medo se tornou ainda mais evidente na voz chorosa e desesperada.
–É só isso que você sabe falar? – Leon tinha desprezo na voz. –Sabe que essas desculpinhas não vão ajudar em nada na sua situação! – depois disso, só consegui escutar um grito inumano.
Aquele grito parecia que nunca iria acabar e soava como se toda a dor pudesse ser posta em somente uma voz. Eu não aguentei e comecei a chorar, esquecendo que eles poderiam me achar.
–Agora, quem era essa humana? – perguntou ele, calmo, como se não tivesse acabado de torturar alguém. Ou melhor, algo.
–E-era uma t-tal de A-amy... – quase não escutei a voz afundada em dor daquele que me trouxe para o massacre.
–Amy... – Leon falou, pensativo. –Não, eu não me lembro de ninguém com esse nome.
–E-ela foi ao b-banheiro t-trocar de roupa e n-não vol-voltou mais. – ele falou com dificuldade.
–Mais alguma coisa a acrescentar? – perguntou, sem paciência, recebendo um fraco e sem vida “Não”. –Ótimo, por que eu não aguento mais ouvir você gaguejando.
O grito recomeçou, mas depois de alguns segundo parou. Agora eles estavam atrás de mim e Jake estava morto. Que maravilha. Eu tenho que escapar, mas como? Porque eu não escapei enquanto eles estavam conversando? Mas não, eu tinha que ser curiosa e escutar tudo! Que eu não pague com a minha vida por esse erro.
Parei de chorar e fiquei escutando o Leon mandando os outros se espalharem para me procurar. Parecia que todos começaram a falar nervosamente alto ao mesmo tempo em cima da voz dele, o que não deve tê-lo deixado feliz.
–Senhor, na pior das hipóteses, ela poderia ter já escapado? – perguntou alto Hank com medo.
–Eu já pensei nisso. –Leon, gritou irritado, provavelmente por ter que gritar. –Mas as garotas só conhecem uma saída e ela teria que passar por nós para isso.
–Entendi, mas e em relação a outra saíd... – perguntou, mas foi impedido.
–Já perdi um dos meus hoje. – ele gritou, provavelmente para Hank. –Não quero perder outro no mesmo dia.
–E-entendido. – Leon realmente é um cara maligno e poderoso, mesmo parecendo indefeso e fraco. Por favor, que ele não comece a me procurar, por que tenho a impressão que ele me encontraria rapidamente.
Eu consegui ver muitas sombras passarem rapidamente pelo vão da porta. Então a parte da lenda que fala que vampiros são rápidos é verdadeira. Bem, pelo menos eu acho que eles são vampiros. Mas eu precisava saber quais outras eram verdade... Será que eles morriam com uma estaca de madeira no coração e pela luz do sol? Ou seria pela decapitação, ou algo do tipo?
Meu corpo gelou quando percebi que alguém tocou na maçaneta da porta.
–A porta está estranhamente trancada. Não lembro desse armário estar trancado antes. – uma voz masculina forte disse, rindo em seguida. Primeira coisa, como esse cara conseguia rir depois de tudo isso? Segunda, só tinham homens-vampiros nessa mansão do mal? Que maravilha. -E se tiver sido essa Amy que trancou a porta? Que garantia nós temos que não foi ela? – continuou feliz. Acho que é por pensar que tinha conseguido achar a presa de seu líder. Isso está ficando cada vez mais doentio.
–Que garantia nós temos que foi ela? E se ela não estiver aí, teremos sérios problemas com o Leon por termos quebrado um dos armários dele. – respondeu uma voz mais jovem e suave. –Do jeito que ele está hoje, não é uma boa ideia deixa-lo ainda mais irritado.
–Ok, você tem razão. – concordou o outro, meio nervoso com a ideia de ter que encarar um Leon bravo. –Mas você está sentindo esse cheiro de sangue fresco e ouvindo essa respiração? Alex, tenho quase certeza que ela está aí! – agora eu escutava sua voz se transformar em algo monstruoso, como um rosnado, fazendo o meu medo aumentar e meu coração bater mais rápido.
–Não seja ridículo, meu caro amigo. – a segunda voz, provavelmente esse tal de Alex, disse de maneira muito suave. -Olhe a quantidade de corpos cheios, ou nem tanto, de sangue fresco. É óbvio que esse lugar está impregnado com esse cheiro! – ele completou, como se fosse a ideia mais óbvia do mundo. – Sobre a respiração, essa garota aqui ainda não está totalmente morta. – depois disso, eu escutei uma tentativa de grito antes de um silencio mortal, assustando-me mais ainda. -Agora vá procurar em outro lugar ou falarei para o Leon que mais uma pessoa quer ter o mesmo fim que teve Jake.
Escutei alguns passos se afastando, pensando o que havia acontecido agora. Um vampiro controlou o outro, dando desculpas horríveis e matando uma garota inocente? Para quê? Para me matar e capturar ou para ganhar um prêmio do Leon?
–Eu sei que você está aí, Amy! – Alex falou baixo, com uma risada. Ele não tinha ido embora. Agora eu iria morrer. –Mas calma, eu não vou te matar. Eu nunca vi alguém escapar do banquete viva. Parabéns! – ele riu mais um pouco, parecendo se divertir com alguma coisa. –É melhor acalmar essa sua respiração, se não outra pessoa, se você considerar um vampiro como uma pessoa depois dessa noite, pode te encontrar, e eu não acho que ele será gentil como eu. Sorte sua ter tido toda essa confusão para poder se esconder.
Agora, pelo menos, eu já tinha a confirmação do que eles eram. Mas será que eu deveria confiar nele? Será que ele tinha apenas avisado o outro da minha presença e os dois tinham planejado alguma coisa contra mim? Isso também não faz sentido, pois eles poderiam ter quebrado essa porta sem nenhum problema. Então, se fosse assim, eu iria morrer de qualquer jeito.
–Você poderia me matar sem nenhuma dor? – perguntei infantilmente, com medo em minha voz. Queria ser que nem a senhora que encontrei falando de maneira corajosa enquanto tinha certeza de sua morte, mas minha covardia foi maior.
Pelo jeito, aquilo fez Alex gargalhar como se alguém tivesse contado a melhor piada do mundo. Passaram alguns segundo e nada dele parar de rir.
–Qual é a graça, Alex? – perguntou uma voz que eu infelizmente reconheci.
–Nada, Hank! – ele respondeu, ainda rindo um pouco.
–Então pare de rir ou Leon irá escutar e te destruir que nem fez com Jake! – ele respndeu rabugento.
–Pare de pensar negativo, Hank! – logo a risada começou a parar aos poucos. –Temos uma vida tão bela! Ou melhor, uma imortalidade tão bela! – e com essa tentativa de piada, ele começou a rir de novo.
–Você é um idiota, Alex! Desisto de você. –E com isso, acho que o vampiro se afastou, mas eu não consegui escutar seus passos.
–Oh, Amy! Você é hilária! – agora Alex voltou a falar baixo, rindo mais um pouco.
–O que tem de tão engraçado no que eu falei? – respondi sem pensar que estava falando com uma criatura que poderia arrancar essa porta e me matar sem qualquer esforço. –Uma pessoa não pode mais ficar com medo? Se vai me matar, mate logo, sem enrolação! – agora falei com mais confiança, irritada por ter sido considerada uma piada.
–Agora eu vejo uma atitude que se fosse usada de outra maneira, poderia te ajudar a sobreviver! – ele falou animado. – Olhe, quando eu avisar, corra para perto do banheiro, mas ao invés de entrar na porta à esquerda, entre na direita.
–Para virar uma daquelas garotas mortas? Por acaso pensa que eu sou idiota? – quase gritei, mas acabei lembrei que eu poderia acabar chamando algum outro vampiro ou quem sabe Leon. Melhor não arriscar.
–Calma, Amy! – Alex falou na defensiva. –Pelo menos você não ficará surpreendida com os corpos. – ele disse pensativo. –Mas continuando, tem uma saída no final da sala, uma porta minúscula, sem qualquer segurança. – ele explicou com o que eu acho que foi sinceridade.
–Se tem essa saída e eu, hipoteticamente, estou perto do banheiro, como vou saber que não terá segurança? – perguntei desconfiada.
–Poucos têm autorização de entrar lá, já que há muito sangue armazenado em um só lugar. Os novatos enlouquecem e acabam com todo o estoque, deixando Leon muito bravo. Mas com o que ele não fica bravo? –Alex começou a trocar de assunto.
–Não muda de assunto e fala logo! – eu não tinha muito tempo para gastar falando do Ditador sanguinário que queria me ver morta.
–Ah, ok! – agora ele parecia mais concentrado. –O que eu quero dizer é que ele mandará pessoas conferirem lá depois de algum tempo do seu sumiço, não agora. – ele falou, resumindo. -Além disso, se você fosse como a maioria das garotas histéricas que caçamos, como Leon acha que seja, gritaria quando entrasse no quarto e seria fácil de te achar.
–Ok. Estou confiando em você, Alex. – falei sincera.
–Me sinto tão honrado! – ele brincou, falando como se estivesse emocionado.
Minha resposta foi uma risada tímida que eu aposto que ele escutou. Como eu conseguia rir em uma situação assim? Acho que a tensão é tão grande que me parece saída de pesadelo irreal o qual, sendo bem sincera, espero que termine logo.
–Agora pode ir. A maior parte está procurando no jardim e os que estão dentro do banheiro são idiotas novatos que não sabem controlar ou confiar seus instintos, então corra! – Alex falou sério, e eu, confiando, saí do armário.
Pelo menos ele não mentiu para mim, pois o corredor realmente estava vazio. Corri, sem ao menos ver como ele era, entrando na segunda porta à direita e seguindo o corredor. Parei de correr um pouco quando escutei vozes no banheiro das meninas, risadas e comentários realmente idiotas sobre garotas. Eles pareciam tão distraídos que não escutaram meus passos. Pelo jeito, Alex não tinha mentido até aqui, pois eles realmente pareciam crianças idiotas. Falando nisso, nem tive a chance de ver como ele era. Esqueça isso e concentração!
Entrei na última porta à direita e estava tão distraída em olhar para trás que não percebi que tinha um corpo logo na minha frente. Acabei trombando com ele, fazendo um barulho imenso graças ao ferro que o segurava. Droga!
Em um momento de pânico, procurei qualquer lugar para me esconder e encontrei um corpo no chão, com um ferro preso, ou melhor, fincado, no braço de uma garota. Ela não parecia ter mais que treze anos, com o cabelo preso em duas tranças e um rosto extremamente angelical. Retirei o ferro de suas mãos, passei a minha mão no sangue da menina, espalhando-o em meu pescoço e tentei fingir ao máximo que minhas mãos estavam fincadas, colocando-me, em seguida, no varão em que os corpos estavam pendurados como pedaços de carne, e, fechando meus olhos, escutei passos.
–Tem certeza que escutou alguma coisa aqui? – perguntou uma voz, que parecia ser de um jovem, nervosa. – Se alguém passasse por aqui, os dois vampiros que estão no banheiro teriam percebido e você sabe que é restritamente proibido entrar aqui.
–Não tem problema algum estar aqui, se for para cumprir o que o “lorde supremo” mandou. Além disso, aqueles dois são idiotas e não devem ter escutado nada. Confia em mim, eu tenho uma audição muito boa e tenho certeza que ela está aqui. – respondeu uma voz que eu reconheceria mesmo depois de um milhão de anos, com cinismo. –Então era isso que eles escondiam de nós... Bom saber.
–Damian, você é novo aqui! É melhor não se meter com o Leon. – sussurrou o outro, como se as paredes pudessem escutá-lo. Segurei minhas lágrimas e continuei a escutar a conversa.
–Eu não tenho medo do Leon! – O meu melhor amigo nunca soube respeitar as autoridades ou um poder maior que o dele. Mas será que esse era o meu amigo mesmo? Será que ele foi capaz de deixar toda a sua vida para trás e participar de coisas doentias como o massacre que acabara de acontecer?
Eu não consegui resistir a abrir os olhos, me deparando com uma versão dele mais bonita e maligna do que me lembrava, acompanhada de um garoto magro e baixinho, com olhar apavorado. Esse novo Damian tinha o mesmo cabelo liso, espetado e preto. Ele estava longe de mim, de costas, mas quando percebi que iria virar a cabeça, fechei os olhos.
–Leon não é qualquer um, moleque. Você não viu, ou melhor, ouviu com a sua super audição o que ele fez com o Jake? – a voz tinha medo, quase pavor.
–Jake foi burro. Não devia ter deixado essa tal de Amy escapar. – ele falou, me assustando com seu tom de divertimento. –Devia ter conferido se todas as humanas estavam lá no momento do banquete, para não perder nenhuma gota de sangue, como eu fiz. – até a sua risada era assustadora! O que aconteceu com você, Damian? Eu não posso acreditar que ele participou disso, é um pesadelo, só pode ser!
–Não tem ninguém aqui! Vamos sair antes que alguém perceba que entramos aqui. – parecia que o medo desse cara aumentava a cada milésimo de segundo.
–Só vou sair por que temos que procurar essa tal de Amy, que eu quero muito conhecer. – ele estava animado. –Já posso até ver a patética cara de assustada dela! – sua risada era maníaca.
Escutei seus passos se afastando e a porta se fechando. Sem perder tempo, corri em direção à pequena porta não me importando com o barulho ferro caindo no chão. Eu precisava sair daquele lugar imediatamente. Percebi que estava de dia no lado de fora. Espero que a lenda sobre vampiros queimarem no sol seja verdadeira!
A porta abriu atrás de mim e eu escutei um rosnado monstruoso se aproximando. Eu não podia perder tempo olhando para quem havia entrado, então só continuei correndo. Senti uma mão pegando no meu ombro, cravando as garras e fazendo-me dar um reprimido grito de dor.
–Peguei você, fofinha. – era ele, com um sorriso cruel no rosto, deixando as suas presas bem aparentes e olhos vermelhos como sangue. O que aconteceu com os lindos olhos castanhos que sonhavam com uma vida melhor para a própria mãe? Quando ele percebeu quem eu era, ficou chocado. –T-trina?
Sem perder tempo e aproveitando seu choque, dei um soco em sua cara, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto e deixando-o paralisado. Provavelmente o soco não teve efeito nenhum, mas o seu choque parecia tão grande que eu não poderia perder a chance de escapar. Ignorando a dor na mão e ombro, fiz a única coisa que eu poderia fazer no momento: Correr.
Corri em direção à porta, cada vez mais rápido, sem pensar no que poderia estar a minha volta. A porta, a minha liberdade e a minha vida estavam tão perto. Senti a maçaneta na minha mão. Não conseguia pensar se aquele que um dia foi meu irmão de consideração se recuperou do choque, ou se o companheiro covarde dele estava por perto ou não. Tudo a minha volta pareceu se desligar, tanto os corpos quanto qualquer tipo de som. Senti medo, alivio, alegria e tristeza ao mesmo tempo, implorando para que estivesse tudo sendo um pesadelo ou que essa sensação de braços me cercando naquele momento fosse ilusória. Eu ia conseguir. Faltava muito pouco.
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