Hide & Seek

4 Eu estou me arriscando. Vai dar tudo certo.


Notas iniciais
Aqui está um novo capítulo!! Desculpa a demora, mas estou tendo que resolver muitas coisas de uma vez só... Vou tentar postar o mais rápido possível!!

Tomando muito cuidado para não ser pega por meu pai no meio do caminho, andei na direção oposta da que ele sempre vai quando está bravo ou coisa do gênero. Sei que é ariscado, mas eu precisava correr esse risco para descobrir o que o líder dos vampiros tanto queria esconder de mim. Qual é, sou uma pessoa curiosa!

A minha casa se encontrava um pouco distante da cidade, perto de uma grande estrada, movimentada durante o dia, mas deserta durante a noite, rodeada de uma gigantesca floresta. Infelizmente, eu nunca pude explora-la, pois meu pai achava que seria perigoso demais para qualquer mortal andar sozinho por aquelas terras. É claro que ele falava isso por se preocupar demais comigo, mas isso não vem ao caso.

O meu plano era basicamente voltar à mansão e tentar falar com o Alex, evitando a todo custo qualquer tipo de encontro com o Leon. Mas, como eu estava muito agitada e animada pela ideia de sair em uma espécie de missão sozinha, esqueci-me de pensar em pequenos detalhes importantes, tipo como eu iria voltar para lá. Demorei muito tempo tentando me lembra de qual foi o caminho e, quando finalmente tive uma ideia do percurso, comecei a segui-lo.

Eu até que estava indo na direção certa, porém tive a brilhante ideia de não seguir por perto da estrada tranquila e vazia, já que havia o perigo de ser identificada por sei lá quem, e segui por dentro da floresta deserta e assustadora, o que parecia uma boa ideia em minha cabeça acostumada a pensar como se minha vida fosse um filme ou algo do tipo. Mas, olha só, ela não é.

Fiquei andando por um longo tempo com a minha lanterna não muito potente até perceber que estava perdida dentro de um cenário perfeito para um jogo do Slender Man ou algo do tipo. Como não havia mais nada a se fazer a não ser continuar andando com medo e uma luz fraca e falha como guia ou descansar e esperar até o dia seguinte com sua suposta claridade, eu decidi a opção mais favorável a minhas pernas já doloridas de tanto andar.

Tirei da minha mala o meu kit de acampamento e rapidamente o montei, me cobrindo com um grosso manto e com a mala em meu colo em casos de acidentes, me apoiando em um dos troncos, abrindo um dos salgadinhos que eu decidi trazer e devorando-o em poucos minutos. Maldita ideia de trazer salgadinhos em vez de algo que realmente alimentasse!

Acabei por dormir nessa mesma posição, acordando somente na manhã do dia seguinte. Pelo menos, o que eu achava ser manhã. A floresta era tão densa que ficou difícil ver a posição do sol e, como saí sem grandes preparativos, não pensei em trazer qualquer coisa para me guiar nela, tanto em questão à localização quanto ao tempo cronológico e meteorológico. Ah, e é claro que começou a chover muito. Eu sou realmente sortuda, não?

Tive que me esconder do terrível temporal em uma minúscula e fedorenta caverna por um tempo que eu considerava como horas. Foi só depois de tudo isso que continuei a procurar o caminho para a mansão. Infelizmente, passei o dia inteiro, até que ficou tão escuro que eu não conseguia nem ao menos ver um palmo a minha frente. Novamente, peguei a minha lanterna de baixa qualidade e andei mais alguns metros, somente para que ela desse seu adeus e me abandonasse no completo breu.

Sem nenhuma outra escolha, eu acabei por sentar apoiada em uma grande árvore e acendi as velas que trouxe no caso de emergências e por falta de outros recursos fáceis de achar em casa. Cochilei depois de alguns minutos, nessa mesma posição, sem nem ao menos montar meu kit de acampamento. Só percebi esse meu erro quando o barulho de algo andando na minha direção me acordou. Tentei deixar os meus olhos meio abertos, mas o meu medo acabou por aumentar os meus batimentos e os passos se tornaram cada vez mais silenciosos, tornando claro que o rumo de quem ou o que quer que seja era a minha direção, além de me fazer esquecer por um tempo a fome, cansaço e frio que eu sentia.

Sem fazer movimentos bruscos, consegui lentamente pegar uma das facas que eu resolvi trazer por segurança e, quando senti que os passos estavam próximos demais, levantei rapidamente e apontei a faca para quem quer que essa pessoa seja. Sim, eu sei que eu deveria ter pensado em outras coisas antes da faca, mas essa foi a única coisa que se passou na minha cabeça enquanto eu planejava arriscar a minha vida por uma história.

É, arriscar a minha vida por uma história é idiotice, mas passava de simplesmente curiosidade. Saber que uma pessoa não aceitou desistir de sua vida quando ela estava cercada de criaturas sobrenaturais e tentou sobreviver me faz repensar um evento traumatizante de minha vida de uma forma menos terrível e fatal.

Mas, continuando, um chocado garoto de no máximo dezessete anos me encarava com curiosidade incredibilidade, se recuperando em poucos segundos e sorrindo de maneira gentil logo em seguida. Ele tinha cabelo castanho cacheado de tamanho médio, acompanhado de olhos de um tom de azul que parecia mais cinza. Sua face, a luz de velas, era mais angelical do que assustadora, me dando certa certeza da natureza desse garoto, percebendo o quanto eu estava poderia estar encrencada se ela se confirmasse.

–Olá, eu sou o Marc. Está tudo bem com você? Precisa de ajuda? – ele disse gentilmente, mostrando que em suas mãos não havia nenhum tipo de arma ao levanta-las ao alto de sua cabeça.

–Você é um dos vampiros do Leon? – eu sei que isso foi arriscado, mas foi a melhor ideia que eu tive naquele momento, pois todos os meus problemas escondidos pelo medo voltaram com força total.

–V-vampiro? Do que você está falando? – ele parecia realmente em choque pelo o que eu falei.

Droga, agora um cara normal pensa que eu sou maluca, mas pelo menos eu tentei. Respirando fundo, abaixei a faca e voltei a me sentar, agora envergonhada. Lentamente, o garoto se abaixou do meu lado e colocou uma de suas mãos em meu ombro como forma de me dar apoio, enquanto olhava com certa preocupação o meu rosto.

–Desculpe-me, você deve me achar uma lunática. – falei meio derrotada, mas pensando que ele poderia me ajudar a pelo menos voltar para casa e receber a maior bronca da minha vida.

–Não se preocupe com isso, eu não te acho uma lunática. – Marc respondeu, sorrindo de lado.

Eu ainda tenho quase certeza de que ele é um vampiro, talvez de outro clã, pois é impossível alguém ter esse tipo de beleza de maneira natural. Logo ele me ajudou a arrumar a mala perguntando aonde eu ia, o que hesitei em responder, pois ainda havia a dúvida se ele estava sendo gentil ou se queria o meu sangue.

Fiquei alguns segundos pensando em qual seria a minha resposta e resolvi dar a desculpa que tinha decidido acampar, mas me perdi do meu caminho e queria voltar à estrada.

–Eu nem sabia que podia acampar por aqui. – Marc tinha um tom surpreso em sua voz que eu não podia definir como sendo falso ou verdadeiro.

–Nem eu. – falei honesta, Era bem capaz de não ser possível, já que era bem fácil se perder nessa floresta. –Quer dizer, eu quis fazer algo impossível para passar o tempo, sabe?

A sua resposta foi a risada mais bonita que eu já escutei na minha vida. Ele se ofereceu a levar minha mala e segurar a minha mão, o que eu aceitei de bom grado, e andamos um pouco até ouvir uma voz masculina gritar por seu nome. Marc, da mesma maneira gentil que usou por esse curto tempo em que nos conhecemos, me pediu para esperar o seu amigo, algo que não pude negar, pois ele já estava fazendo muita coisa por mim. Que mal faria esperar um pouco, não?

O problema é que tal amigo deve a audácia de demorar muito para chegar onde estávamos, reclamando alto toda hora. Quando ele finalmente chegou, me virei lentamente para vê-lo e tive um dos maiores sustos da minha vida. Era o vampiro que havia tentado me atacar na mansão. Ok, eu estou exagerando, ele não tinha tentado me atacar, mas ele realmente me assustou. Pelo que eu me lembro, o nome dele é Damian ou algo do tipo.

–Você de novo! O que está fazendo aqui? – ele disse furioso, mostrando novamente as suas presas para mim, juntamente de seus olhos agora totalmente vermelhos.

Acabei entrando em choque e paralisei, pensando em como os meus instintos estavam certos em relação ao castanho ao mesmo tempo sentindo-me um pouco chateada pela mentira. Esse sentimento não durou muito, pois o gentil garoto se colocou na minha frente, como se fosse me proteger.

–Eu que quem deve estar perguntando isso, sou eu, Damian. Por que está me seguindo? – falei ameaçadoramente, pegando a minha faca recém-guardada nas costas do meu escudo-vampiresco e apontando para o moreno.

–Você também conhece essa humana? – Marc falou chocado, apontando para mim.

–E você realmente mentiu para mim, Marc. Você me disse que não era um dos vampiros do Leon! – respondi indignada, apontando a faca para ele.

–Como você sabe que eu sou um dos vampiros do Leon? – ele estava ainda mais chocado, mudando o olhar entre mim e o moreno.

–Você ainda não me respondeu, humana! E como você sabe o meu nome? – Damian mais rosnou do que propriamente disse, mas deixou bem claro a ideia de que não gostou de ser ignorado e o quanto era o seu desprezo por minha condição humana.

–Alex falou o seu nome quando chamou a sua atenção. E que outra humana você também conhece? – perguntei permanecendo de lado e encarando agora o moreno.

–Qual é a sua condição de me perguntar alguma coisa, sua criatura desprezível? Não tem nenhum vampiro te protegendo agora!– o moreno tinha tanto desprezo em sua voz que foi difícil acreditar na possibilidade de que um dia ele foi humano. –Acha que essa faca pode fazer alguma coisa contra nós?

O problema é que ele tinha razão, já que o meu plano era usar a faca em caso de emergências do tipo de seres vivos, como plantas, animais ou até pessoas se chegasse ao caso, mas encontrar vampiros antes de chegar na mansão me pegou de surpresa. Tinha que pensar em alguma coisa antes deles decidirem se unir e me matar.

Talvez eu pudesse chamar o meu pai, mas essa opção tinha muitos problemas junto dela, como o fato de que ele não pudesse me ouvir ou pior, que ele me ouvisse e percebesse o quanto estou longe de casa, no meio da floresta com dois vampiros depois de sumir por tanto tempo. Talvez eu pudesse esperar que Marc não fosse cruel e me protegesse. Espera, por que eu estou confiando tanto nele, quando há pouco havia mentido para mim?

–Olha, eu sei que existem vampiros idiotas como você que se acham superiores aos humanos, mesmo você tendo sido um humano em algum ponto da sua história, mas eu não ligo. Se tentar me matar, posso prometer que terá um vampiro bem poderoso atrás da sua cabeça, e esse vampiro não vai ser o Alex! – a minha voz passava o máximo de segurança quanto eu poderia passar, enquanto eu mudava o meu olhar entre os dois.

–Nossa, que medo, você vai chamar um vampirinho para me matar? – Damian falou extremamente irônico.

–Pare com isso, Damian, deixe a menina em paz! – Marc respondeu, como se estivesse acostumado a essa atitude do amigo. –Eu só quero entender o que está acontecendo aqui. Primeiro, onde se conheceram? Segundo, por qual motivo você sabe sobre a existência de vampiros? E, por último, como você sabe que o Leon é o líder dos vampiros dessa região?

–Ela estava na mansão há algumas horas atrás e por algum motivo chama o Alex de “tio”. – explicou o moreno rapidamente, se transformando na sua forma mais humana.

–É muito mais profundo que isso, seu sanguessuga babaca. – sussurrei sabendo que ele conseguiria me ouvir, recebendo um rosnado ameaçador dele como resposta. –Eu sou Lara Gall, filha de Clarisse e Gabriel Gall, sendo o último um antigo ex-membro do clã ou como quer que vocês chamam isso que o Leon lidera. Eu quero voltar para a mansão para poder terminar uma conversa com o Alex, quem eu conheço desde pequena, sem que o seu líder saiba disso.

–Espera, você é filha biológica desse vampiro? – Marc perguntou verdadeiramente confuso.

–Não, idiota, ela é filha de criação do Gabriel. Eu lembro muito bem dessa história que o Leon contou para alguns dos novatos, de como não poderíamos encostar na “família” de um aliado dele, pois “as relações entre vampiros fortes é necessária para continuar mandando numa região” ou algo do tipo. – o moreno respondeu com tédio, me encarando numa espécie de mistura entre irritação e raiva. –Não me chame de “sanguessuga”, humana, e me fale o que tanto quer com o seu amado “titio” se quiser continuar com o pescoço intacto.

–Nossa, eu nunca pensei que escutaria uma ameaça tão cliché, mesmo vindo de um babaca como você, e o que eu quero falar com o Alex com certeza não é da sua conta! – eu falei isso sem pensar, deixando os meus pensamentos saírem livremente pela a minha boca graças ao nervoso que eu estava passando. Bem, eu estou do lado de dois vampiros, sendo que um deles claramente quer me matar, então estou ferrada de qualquer maneira.

‘Pensando bem, vocês podem me ajudar a entrar na mansão e isso seria o bastante para eu não mandar o meu pai mata-los. – falei infantilmente, devo admitir, mas a primeira e única defesa que eu poderia usar era o ataque.

–Nossa, devo admitir que estou apavorado pela ideia da humana ir chamar o seu papaizinho. Acho que seria bom leva-la para o Leon, pela nossa própria segurança, e contar para ele o que essa garota perigosa planejava. – o moreno mais irritantemente babaca falou com pura ironia, gargalhando em seguida.

–Não conte para o Leon, por favor! – quase gritei em pânico. O Leon já me odiava, se soubesse que eu estava indo atrás de mais informações sobre algo claramente proibido pelo mesmo, ele seria capaz de me matar.

–Ela tem razão nesse ponto. – Marc sussurrou alto o bastante para que eu escutasse, causando indignação em seu amigo e surpresa em mim.

–O quê? Sobre o que você está falando, Marc? – seu desprezo pela concordância do amigo comigo era muito clara em seu tom de voz.

–É muito simples, Damian. Se nós ousássemos levar a filha de um dos aliados do Leon, morreríamos na mesma noite e como o Leon não deve gostar do assunto dessa conversa entre o Alex e essa garota, eu não duvidaria que ele a mataria e nos colocaria como culpados por isso. – o castanho provavelmente tinha razão. Eu conseguia ver claramente o líder dos vampiros fazendo isso sem nenhum problema.

‘Leva-la para o pai dela é, por enquanto, a única possibilidade plausível. Tudo bem que ela provavelmente ficará de castigo por toda a eternidade por estar perdida no meio de uma floresta, mas as chances de acabarmos mortos seriam menores. Pensando melhor, essa opção é igual a outra, pois eu aposto que ela diria que tentamos ataca-la e o pai, pelo jeito super protetor, acabaria por nos matar. –ele ficou um tempo quieto depois disso, provavelmente pensando nas probabilidades e coisas do gênero.

–Você está louco, Marc? Do que você está falando? – o moreno disse apenas para deixar claro que era contrário ao rumo em que as coisas estavam indo, pois tanto eu quanto ele sabíamos que era verdade.

–Para a sua infelicidade, a nossa maior chance de sobrevivência seria ajuda-la a descobrir mais sobre esse assunto, pois teríamos provavelmente um segredo para poder usar como uma moeda de troca pela nossa vida e ela teria uma saída para escapar da fúria de dois vampiros, sendo que um a mataria sem qualquer hesitação. Porém é claro que é arriscado demais para levarmos ela para a mansão em tempos nos quais o mau-humor do Leon está gigante. Teremos que descobrir tudo de maneira mais discreta e por nós mesmos, sendo a nossa melhor chance você começar a contar o que você sabe. – ele terminou, me encarando com gentileza num pedido silencioso que eu cooperasse.

–Desculpe-me, Marc, mas eu ainda não confio tanto em vocês, então acho melhor pelo menos uma tentativa para falar com o Alex. – a minha resposta era sincera e confiante.

–Bem, ter um segredo contra o líder mais mal-humorado, chato e entediante do mundo não seria de todo ruim. – Damian respondeu, sorrindo com a ideia de chantagear o vampiro mais perigoso que eu já tinha visto em toda a minha vida.

–Tudo bem, Lara, podemos tentar falar com o Alex, mas vai ser muito perigoso, quase suicídio. – Marc estava tão sério que me fez, por um curto segundo, repensar essa minha ideia.

–Qual é, Marc, deixe de se preocupar com tudo! Pela primeira vez eu concordo com a humana patética mais do que com você. – o moreno falou, provavelmente sendo o mais gentil que um babaca sem coração como ele poderia ser.

–Se morrermos, a culpa é de vocês dois! – o castanho gritou desesperado, causando um ataque de riso no moreno.

–Pare de falar besteiras e vamos logo. Não temos todo o tempo do mundo! – Damian falou com um sorriso cruel no rosto, me puxando de maneira rude.

–Ei, cuidado! – gritei brava, encarando-o com raiva.

–Opa, esqueci o quanto humanos são fracos e frágeis. – já comentei que ele é extremamente chato e irritante?

Não demorou muito para ele ir com a velocidade vampiresca dele para algum lugar que eu não sabia onde, me deixando sozinha com o Marc.

–Eu juro que, no fundo, ele é uma boa pessoa. – o castanho começou a dizer, sorrindo para mim.

–Bem, se ele for uma boa pessoa, é bem no fundo mesmo. – respondi rindo, seguindo-o a uma direção totalmente desconhecida.

Posso estar sendo extremamente irresponsável, mas, como uma pessoa otimista, tinha confiança de que, no final, valeria a pena. Eu estou me arriscando. Vai dar tudo certo.