Hide & Seek
5 Eu tenho que ignorar o medo. Preciso continuar otimista.
Notas iniciais
Marc foi muito gentil em me acompanhar, mesmo tendo a possibilidade de usar a sua super velocidade, enquanto falava sobre coisas relativamente banais, como o clima e o quanto a floresta era assustadora de noite. Infelizmente eu tinha a impressão que ele estava tentando usar o seu charme para descobrir mais sobre o assunto entre mim e o Alex, então decidi responder todas as suas perguntas com simples “sim” e “não”. Isso até chegarmos à estrada, onde o moreno estava nos esperando estava nos esperando em um carro de aparência caríssima.
–Damian, de onde você tirou esse carro? – perguntou o castanho com medo da resposta que receberia.
–Bem, vamos dizer que um casal me cedeu esse lindo carro de maneira espontânea, junto com todo o sangue dos corpos mortais deles. – ele respondeu sombriamente, apontando para um dos arbustos, no qual uma mão ensanguentada poderia ser notada.
Devo admitir que entrei em choque naquele mesmo instante, hesitando muito antes de ficar mais próxima ao carro roubado.
–O que foi humana, está com medo? – ele deixou claro as suas presas sujas de sangue enquanto me observava como um predador observava a sua presa e sorria irônico.
Respirei fundo e entrei sem responder a sua provocação, sentando-me no banco de trás, percebendo a janela da frente levemente quebrada. Em vez de ficar imaginando a maneira horrível que ele deve ter matado o casal, achei melhor ignorar da melhor maneira que eu poderia, já que tinha aceitado a ajuda deles.
Pude escutar uma parte da bronca de Marc no moreno, na qual ele dizia que os vampiros só poderiam caçar em uma das noites, sendo essa a do Banquete, até os dois entrarem no carro, o castanho com um sorriso gentil no lugar do motorista e o Damian com um olhar irritado.
–Parece que alguém levou uma bronca. – sussurrei, tentando quebrar o clima frio e estranho no qual estávamos, ao mesmo tempo em que fingia mostrar o quanto eu era corajosa.
–Você gosta de brincar com o perigo, não, garota? – o vampiro mais irritado respondeu, rindo baixo e me encarando com uma expressão saudosa. –Honestamente você me lembra de alguém do meu passado e isso é extremamente irritante.
–Por mais incrível que pareça, você é a segunda pessoa a me falar isso. – falei, deitando no banco de trás e fechando os meus olhos.
Eu tenho noção de que o caminho foi provavelmente demorado, mas tive a impressão de só piscar e, em apenas um segundo, já estarmos estacionados em uma rua que eu não conhecia. Marc me acordou gentilmente como sempre, explicando que não estacionou na mansão, pois isso teria o mesmo efeito de gritar o nome do Leon. Esse cara realmente é muito controlador e assustador. Mas, continuando, andamos em um ritmo normal humano, até escutarmos uma voz chamar Marc.
–Ei, Marc e Damian, quem é essa garota? – um homem de mais ou menos vinte anos gritou de longe, olhando preocupado para a minha figura. Ele tinha cabelo loiro curto e olhos verdes.
–Essa é uma das meninas que quer ser modelo, Hank. – Damian respondeu sorrindo, colocando em seu rosto a expressão mais gentil possível e me abraçando com o seu braço em volta dos meus ombros.
–É isso mesmo, eu quero muito ser modelo, mas os rapazes estavam me contando que os testes serão só no mês que vem! – usei o meu tom de voz mais parecido com uma patricinha.
Os dois demonstraram um pouco de choque pelo meu conhecimento da data dos banquetes, mesmo que de leve, porém não comentaram nada.
–Ah, entendo. Só estou preocupado desse jeito por que a filha de um dos amigos do nosso chefe acabou por sumir há mais de um dia e todos estamos procurando por ela, já que esse amigo parece ser um agente muito importante. – Hank tentou passar a mensagem de maneira discreta, mas eu sabia exatamente sobre o que ele estava falando.
–Você sabe se esse agente ainda está na mansão? – perguntei como quem não quer nada, mas causei certa desconfiança. –Sabe, pela minha futura carreira.
–Não, me desculpe, mas ele saiu há alguns minutos atrás. – ele disse parecendo sincero. –Depois de terminar esse assunto com essa bela moça, seria bom a ajuda dos dois para a procura dessa garota, pois o chefe realmente quer encontrar essa jovem. – seu tom tinha certa urgência e um pouco de medo.
Não demorou muito para Hank ir em direção à mansão, sumindo em pouco tempo.
–Droga, o meu pai já estava desconfiado da minha conversa com o Alex e deve ter vindo aqui pensando que o Leon me capturou ou algo do tipo. Isso vai dificultar tudo, não vai? – declarei o óbvio, mas era sempre bom confirmar as coisas.
–Sim, vai dificultar tudo, mas temos que fazer isso. – Marc falou sério e pensativo. –Tive uma ideia, mas vocês dois tem que permanecer no carro até a minha volta sem ninguém perceber, entendido?
–Sim, pode contar conosco. – falei séria, indo em direção ao carro.
–Não me lembro de ter concordado, mas tudo bem. Faz tempo desde a última vez que as coisas ficaram animadas nesse lugar morto. – o moreno respondeu animado, me dando um pequeno susto por ter aparecido do meu lado e sorrindo ironicamente.
Voltamos para o carro e o Damian se sentou no mesmo lugar, colocando o seu banco o mais deitado possível, enquanto eu me sentava o mais distante possível dele.
–Você não pode me contar nem um pouco sobre esse segredo tão perigoso? – ele começou um assunto, sorrindo para mim como se isso fosse mudar a situação.
–Desculpe-me, mas não confio nem em Marc a esse ponto, imagina você! – disse sincera, causando nele um riso.
–Vamos, não sou tão ruim assim. – ele falou se virando para mim.
–Sim, você é tão ruim assim. – ri um pouco com o pensamento, olhando para a tentativa de fazer uma expressão de tristeza fingida que ele fazia.
–Você é uma humana muito cruel, sabia? Eu sou um cara muito legal. – ele falou brincando, me mostrando suas presas e seus olhos vermelhos, tentando deixar o clima mais ameno.
A minha resposta foi rir, encarando a rua deserta em que estávamos. Depois disso ficamos em silencio até que uma batida de leve na janela me assustou.
–Marc, por que demorou tanto? – o moreno perguntou rindo, encarando as malas que o castanho carregava. –Isso é realmente o que eu estou pensando? – havia cinismo e um tom de brincadeira em sua voz.
–Sim, provavelmente é o que você está pensando e pare de ser tão idiota. Não consegue perceber que isso é importante nesse momento? – ele respondeu irritado, me entregando uma das malas.
Eu a abri lentamente, vendo um kit de maquiagem e perucas de diversas cores, percebendo quase imediatamente a ideia de Marc. Tentei me arrumar o mais rápido possível, prendendo o meu cabelo num coque e colocando uma peruca loira curta e lisa, lentes azuis e uma maquiagem bem rosa, até o ponto de ficar quase irreconhecível.
–Bem, está quase tudo pronto. Temos que alterar o cheiro dela ou o Leon a encontrará bem facilmente. – o pior era que o idiota do Damian tinha razão.
A decisão dos dois foi colocar muito perfume com um odor adocicado em mim, quase me matando de tanto espirrar. Depois disso, Marc me trouxe um vestido rosa brilhante e saltos prateados, muito mais altos do que eu estava acostumada.
–Sinceramente, eu estou odiando usar isso. – falei andando da maneira mais normal possível e felizmente acertando.
–Bem, se você quiser nos falar logo sobre o que se trata tudo isso, talvez não precise ter que usar tudo isso. – o moreno falou irritante como sempre.
–É melhor usar isso do que correr o risco de contar para vocês, sem ofensa. – e essa era a minha real opinião.
–Não, estamos nos sentindo extremamente ofendidos. Conte-nos o segredo e talvez poderemos te perdoar. – ele não parecia que desistiria tão cedo.
–Pare com isso, Damian. – Marc disse nervoso, provavelmente pela nossa “missão”, ainda com o seu tom gentil.
–Qual é, foi uma tentativa! – ele gritou de volta, rindo um pouco.
Eu e o castanho andamos em um ritmo mais apressado devido a nosso nervosismo, enquanto Damian parecia entretido. Não demoramos muito para entrarmos na mansão, com algumas garotas tirando fotos na frente do chafariz enquanto belos garotos andavam apressados procurando por algo, que nesse caso era eu.
Logo Damian desapareceu da nossa vista e Marc começou a fingir que me explicava informações sobre os agentes e a mansão, enquanto entrávamos e procurávamos o Alex, até o momento em que vi moreno vindo junto do loiro em nossa direção. Minha alegria foi gigante, porém nada nessa vida vem tão fácil assim.
Infelizmente, um grupo de três pessoas entraram no caminho e fizeram tanto nós pararmos quanto Damian desviar. Elas eram todos aqueles que não poderíamos encontrar de jeito nenhum. O meu pai estava furioso, com os olhos avermelhados e os seus braços em volta da minha mãe de maneira protetora, enquanto o Leon parecia estar muito irritado. Ambos pareciam ter discutido por horas e o stress deles parecia estar acima do limite.
–Gabriel, é melhor você ir para a sua casa para que os dois se acalmem, pois além de estarem muito estressados, estão prejudicando o nosso grupo que, nesse exato momento, está atendendo algumas clientes. – o líder dos vampiros falou o mais calmo possível, com o punho fechado como se se controlasse para não pular no pescoço do meu pai.
–Se a minha filha não aparecer logo, o grupo terá que se preocupar com outra coisa. – ele respondeu ameaçadoramente.
–Vamos logo para casa, querido. Quem sabe a Lara já não está lá. – minha mãe falou em um tom choroso e doloroso, quase me fazendo abraça-la.
Essa minha hesitação pareceu chamar a atenção tanto de Gabriel quanto de Leon, que me encararam com suspeita. Meu pai pareceu perceber alguma coisa, então comecei a mexer em meu olho delicadamente para desfaçar e colocar a mão no meu rosto para esconder a minha identidade. A minha sorte foi que a minha mãe começou a lhe empurrar e os dois foram em direção à saída, tão preocupados que não notaram a presença de Alex ao lado de Damian logo atrás deles.
–Quem é essa bela jovem, Marc? – o vampiro mais cruel que eu conheço disse, sorrindo de maneira inegavelmente educada e olhando alguns papeis, para a minha sorte.
–Eu sou a Jenny e quero ser modelo profissional. – falei com a voz mais nojenta que eu poderia, olhando em volta com uma expressão sonhadora de quem não escutou nada a sua volta, tentando diminuir a sua suspeita sobre mim.
–É muito bom ver uma jovem com tanta força de vontade como você, querida Jenny. Seja bem-vinda à nossa mansão e que os seus sonhos se tornem realidade. – ele disse educado quase em piloto automático, sem me encarar em nenhum momento.
Sem perder muito tempo, nós saímos de perto dele e voltamos a procurar o Alex e o Damian, que haviam andado apenas um pouco.
–A culpa é minha, totalmente minha! Sabia que não deveria ter falado nada para aquela menina e agora ela está desaparecida. Tenho medo de que ela venha atrás de mim e isso cause problemas tanto para Leon quanto para os pais da criança. – Alex realmente estava preocupado, deixando de lado o seu tom brincalhão de sempre. –Você me promete que, se ver essa garota, vai me avisar imediatamente? – ele estava muito sério e triste ao mesmo tempo.
–Eu prometo, Alex. Não precisa se preocupar tanto. Aposto que logo ela irá aparecer. – Damian tentou reconforta-lo o máximo que o seu coração frio deixava.
–Então agora eu tenho que retomar as buscas. Fique de olho, jovem Damian. – ele disse rapidamente e saiu no mesmo momento para o interior da mansão.
–E assim o nosso primeiro plano acaba. – o moreno disse em tom de desistência. –É melhor seguirmos o melhor e mais fácil plano, no qual você nos conta o que é essa droga de segredo e tudo fica mais fácil, não concorda? – ele encarava a mansão com certa irritação, enquanto começava a andar em direção à saída.
–Ele pode ter certa razão, “Jenny”. – Marc disse me encarando gentilmente. Isso até que, de repente, sua expressão se tornou desesperada. –Porém agora esse é o menor de nossos problemas. Tudo o que temos que fazer é ir para o carro, agora. – o seu tom de pânico estava muito claro, fazendo com que o cara mais irritante virasse e ficasse com uma expressão assustada.
–Você tem toda a razão, Marc. Vamos logo antes que mais alguém perceba. – ele respondeu me empurrando, com a mesma expressão de pânico.
–O que está acontecendo? – perguntei assustada.
–Uma de suas lentes caiu e eu aposto que não vai demorar muito para algum vampiro acha-la. – o castanho me respondeu olhando de maneira muito disfarçada para tudo o que estava em nossa volta.
Não demorou muito para chegarmos ao carro e, sem perder tempo, Marc logo acelerou, saindo o mais rápido possível daquela rua medonha. Fomos indo por um caminho aleatório, sem rumo exato até que algo chamou a minha atenção.
–Tem uma moto atrás do nosso carro já faz um bom tempo. Temos que nos preocupar com isso? – talvez eu esteja sendo muito paranoica, mas tinha medo de ser pega pelo Leon e acabar morta.
–Sim, e muito. Esse é o Hank, aquele mesmo cara que nos parou antes. – o moreno falou calmo encarando o retrovisor. –Droga, aposto que ele, como um bom bichinho de estimação já contou para o seu dono. É, ele contou, já que tem mais duas motos atrás dele.
–E agora, o que vamos fazer? – minha respiração estava ofegante e o meu medo estava cada vez maior.
–Bem, vamos fazer que nem nos filmes de ação e tentar despistar esses idiotas! – Marc falou relativamente animado, acelerando mais e ultrapassando muitos carros.
–Não é muito comum você falar algo idiota. Está nervoso, não? – o amigo dele falou, rindo de maneira cruel.
–É claro que eu estou nervoso, estamos sendo perseguidos pelos nossos próprios companheiros. Eu avisei que isso seria uma má ideia, mas ninguém me escutou. – ele falou afobado, acelerando ainda mais e dirigindo como um louco. –Agora vamos todos morrer, como eu tinha avisado.
–Pare de ser pessimista e relaxe. – Damian falou calmamente, colocando as mãos eu sua cabeça como se estivesse relaxando em uma rede numa praia paradisíaca.
–Bem, vamos morrer de qualquer maneira, então do que adianta ficar estressado, não? – o seu nervoso era tamanho que começou a me deixar nervosa.
Eu estava com muito medo, mas se eu cheguei até aqui, teria que continuar seguindo em frente. Não havia mais como simplesmente desistir agora e deixar os vampiros me matarem. Eu tenho que ignorar o medo. Preciso continuar otimista.
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