Hidden of the past

4 Was born to be Somebody


Notas iniciais
“O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.” - Fernando Pessoa

1968

Franco estava impaciente, aguardava ansiosamente pelas papeladas para dar início a construção de seu hospital. O dia havia acabado de amanhecer, mas Franco já estava de pé. De repente ele ouviu a campainha tocar e foi abrir a porta.

− Já era hora. Trouxe os documentos?

− Estão todos aqui.

− Entre, por favor.

Franco indicou o caminho, em direção a uma mesa, ao homem e ele o seguiu e se sentou a mesa.

− E então, já está tudo certo?

− Sim, só falta o senhor assinar a papelada.

− Tem uma caneta?

− Mas é claro, só um instante.

O homem pegou a caneta e quando Franco foi para pegá-la o homem a puxou de volta.

− Escute. Você quer mesmo dar inicio a esta construção?

− Mas é claro. Lang Wood precisa de um hospital. − Franco estava extremamente ansioso, a construção desse hospital seria uma de suas melhores realizações, além de ajudar vários habitantes de Lang Wood.

− Porque você insiste tanto nisso?

− Minha filha morreu dentro de casa, se tivesse um hospital aqui ela estaria comigo até hoje. E agora minha mulher está grávida, não quero que ela tenha um filho em casa.

− Já entendi senhor, se puder ser rápido tenho um compromisso.

− Como quiser. Pode me dar a caneta?

Franco leu os papeis e logo em seguida assassinou.

− Ok. Amanhã daremos inicio a construção do hospital.

− Ótimo, é um prazer fazer negócios com o senhor. − O homem ficou olhando para Franco por um momento como se quisesse dizer algo, mas não disse, apenas deu um sorisso irônico

− O prazer é tudo meu.…

1969

Anne estava deitada em sua cama quando Franco Gibbson entrou pela porta.

− Bom dia Anne! Como está se sentindo?

− Estou bem. − Antes de voltar a falar novamente Anne fez uma pausa, o que deixou Franco bem preocupado. Ele foi até a cama onde ela estava e se sentou. − Onde você estava?

− Eu estava no hospital querida, tinha várias coisas para resolver…

− E só chegou agora? Você teve mesmo que ficar neste maldito hospital e me deixar aqui sozinha? Eu estou grávida, caso não se lembre.

− E porque eu não lembraria?

− Ultimamente tudo o que você faz é para este hospital e não se preocupa mais comigo, como se preocupava antes de Mary…

− Não diga isso! Não é verdade. Sabe que eu dou toda a atenção para o nosso filho.

− Eu posso morrer nesse maldito parto!!!!

− Não diga isso.

− Agora você lembra que tem uma mulher grávida e um bebê que correm risco de vida?

− Anne, me desculpe, prometo que vou passar mais tempo com vocês.

Anne ficou calada por um tempo, se sentiu zonza, suas pernas começaram a ficar molhadas. Sua bolsa havia rompido.

− Franco… Acho…

− O que foi?

− A bolsa… Rompeu…

− Calma − Disse Franco desesperado.

− Como vou ter calma, meu filho vai nascer, your motherfucker!*

− Tem razão, vamos imediatamente para o hospital.

Franco rapidamente pegou Anne, no colo e a levou para seu carro.

Rapidamente chegaram ao hospital e Anne já fora atendida e estava na sala de parto segurando a mão de Franco. Anne gritava muito, e fazia muita força, mas o bebê não vinha.

− Teremos que fazer cesariana.

Anne olhou com um olhar tenso para Franco, e vice versa.

− Não podemos fazer uma cesariana, ela não iria aguentar.

− Será preciso, o bebê está sentado.

Anne soltou a mão de Franco, mas ele ainda segurava a mão dela.

− Franco, será preciso… Mas não quero que veja… − Disse Anne olhando para Franco.

− Eu não vou a lugar algum, vou ficar aqui com vocês.

Anne estava com lágrimas no rosto, mas deu um sorriso para Franco.

− Não quero que veja, por favor.

− Anne, é o parto do meu filho…

− E a minha morte!

− Não diga isto, você irá ficar bem.

− Não vou, sabe disso melhor do que eu.

− Não quero ir. − Franco agora estava chorando.

− Vá.

−…

−...

−...

− Por favor.

− Tudo bem. − Franco passou a mão em seu rosto para secar as lágrimas.

− Só prometa que vai cuidar dele.

− Claro que vou.

Franco ficou olhando para Anne por um tempo até uma enfermeira pedir para ele sair.

− Eu te amo Franco, lembre-se sempre disso, e diga sempre a ele o quanto eu a amava.

− Também te amo querida − Franco inclinou-se para dar seu último beijo em sua amada. − Sempre te amarei.

Do lado te fora da sala Franco viu uma enfermeira sair da sala com dois recém nascido.

Franco ficou pensando em qual seria seu filho, queria logo pegá-lo nos braços. A única coisa que Franco queria era pegar algo que o lembrace de sua mulher. Não sabia o que aconteceu com ela, mas a probabilidade dela sobreviver eram minimas.

A enfermeira veio em sua direção deixou as duas crianças em seus braços.

− Sinto muito…

Pela voz da mulher só se podia concluir uma coisa, mas ele não se surpreendeu. Se sentiu triste.

Sua mulher havia morrido, mas em troca ela deixou duas vidas para Franco. Ele colocou a menina e o menino entre seus braços e os abraçou.

Novamente estava chorando. Havia perdido sua filha uma vez e se lembrava de todos os detalhes da dor que sentiu e agora estes fantasmas voltaram para assombra-lo.

− Tudo ficará bem, eu estou aqui.

Dito isso Franco desmaiou, caiu no chão, mas ainda segurava os filhos firmemente. Foi um alvoroço para os médicos que estavam perto, pegaram os filhos de Franco e o colocaram em uma maca.

Franco estava frio, e respiração acelerada. Acordava, mas após segundos desmaiava novamente. Era medicada uma quantidade bem pouco de adrenalina em Franco. Toda vez que acordava só conseguia pensar em uma única coisa. “Como manteria a promessa de cuidar dos filhos?” e “Como iria manter a promessa feita diretamente aos filhos de que tudo ficaria bem?” e desmaiava novamente.

Notas finais
*Seu filho da puta! O que acharam?