Hidden Feelings
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Seiya, em um momento de tranquilidade, admirava as imensas cataratas onde antes descansava a armadura do Dragão. Tal descia tão graciosamente, o longo fluxo de água era semelhante ao véu de uma noiva, era belíssimo ver os raios de Sol refletindo na cachoeira antes de se esconder do outro lado do mundo. Sua plena admiração por aquele espetáculo da natureza foi interrompida ao ouvir o quebrar de um galho, Seiya deu um pequeno pulo e olhou para trás. Soltou um suspiro aliviado ao ver seu amigo a poucos metros dali.
"Ah, é você, Shiryu."
"Sim, os outros estão se reunindo para o jantar, pediram para que eu viesse te chamar."
"Aaah... Vou depois, não estou com fome agora."
Shiryu assentiu e estava prestes a voltar para o pequeno chalé em que estavam, mas parou assim que o outro começara a falar.
"Sabe, fico feliz que tenhamos vindo tirar umas férias aqui, onde você treinou, é uma paisagem tão bonita, tô bem mais relaxado, precisava disso. Valeu pela sugestão."
"É, de fato é bela, uma pena que eu não possa mais contemplá-la."
"Vamos, não fique aborrecido com isso, estamos aqui para ficar de boa. Senta aqui comigo!"
Seiya deu alguns tapinhas no chão ao seu lado, Shiryu não negaria tal pedido vindo de Seiya, mesmo que seu estômago estivesse se contorcendo de fome, e, obedientemente, sentou-se ao lado de seu amigo.
O silêncio reinou entre eles por um tempo, agora, Seiya não encarava mais a grande cascata, e sim, inconscientemente, se perdia observando a serenidade expressa na face do outro, que iluminada pelo Sol, ficava ainda mais bela.
"Seiya, eu sou cego mas sinto seu olhar pesar sobre mim."
"A-Ah, desculpe, é que... É que..."
O Pégaso não entedia o porquê de sentir tanto nervosismo repentinamente, e, sem pensar, acabou dizendo algo constrangedor só para preencher a lacuna que havia deixado.
"É QUE VOCÊ É MUITO LINDÃO."
"O que?"
Por Atena, que diabos havia falado??? Definitivamente não poderia fazer uma escolha mais estúpida, não entedia o porquê desse desespero todo consigo mesmo. Muitas coisas se passavam na cabeça de Seiya naquele momento, mas não conseguia pensar em nenhuma possibilidade para consertar o que havia dito. Provavelmente iria ficar travado naquela expressão de choque se o outro não tivesse dito nada.
"Hahaha, você é divertido, Seiya."
Passou despercebido para o Pégaso que aquele riso foi uma tentativa do Dragão de esconder o rubor que havia surgido em seu rosto.
"A-Ah, sim, eu sou, hahaha..."
Shiryu esboçou um gentil sorriso.
"Sabe Seiya, deveríamos passar mais momentos assim, eu agradeço muito por ter sua amizade, sem você eu sequer estaria vivo. Além de que, me sinto muito confortável em sua presença e-"
"Shiryu."
"Hm?"
O coração do cavaleiro de Dragão começou a acelerar, por mais que não visse, sentia a respiração do outro muito próxima de seu rosto, e por mais que soubesse como ia acabar aquilo, não se afastou. Os lábios dos cavaleiros de bronze se encontraram, logo, aquele beijo passou a ser mais intenso, Seiya colocou todo o sentimento que até então estava guardado dentro de si e agora explodia, e com Shiryu não era diferente. Quando o contato acabou, ambos estavam ofegantes e ruborizados. Levou alguns segundos até que caísse a ficha do que acabara de acontecer.
"É... É... Er... Isso foi... Digo... Eu... É! ESTOU COM FOME! VOU JANTAR AGORA!!!"
Seiya levantou-se e correu dali, mergulhado em seus pensamentos confusos e incertos, desapareceu em meio as árvores.
Shiryu passou um longo tempo ali, sentado, recuperando-se do choque, estava tão perdido em sua mente quanto o outro, não acreditava que o Pégaso havia acabado de o beijar, e não acreditava ainda mais no fato de que, mesmo estando ciente de tudo que acontecia, em nenhum momento hesitou em retribuir o beijo. Não conseguia pensar em nenhuma explicação plausível para isso, a não ser a de que, talvez, aquele sentimento quente que sentia toda vez que estava com Seiya, fosse muito mais do que amizade.
Não, isso não era possível, estava se precipitando demais, talvez tivesse sido só um devaneio do outro, um momento de insensatez de ambos. Mas que de certa forma, havia mexido muito com o cavaleiro de Dragão.
Ah, de nada adiantaria ficar parado ali. Levantou-se e rumou para o chalé, onde pretendia, finalmente, depois de sua barriga tanto roncar, ter uma boa refeição.
Não demorou muito para que chegasse lá, mas assim que entrou, foi abordado por Shun.
"Heh? Shiryu?? Você demorou! Nós já terminamos de comer, e onde está o Seiya?"
"O que? Ele não voltou?"
"Não, pensei que tivesse ido buscá-lo."
"É, eu fui, mas..."
Recordou-se da cena de poucas horas atrás, inevitavelmente, seu coração acelerou e suas bochechas coraram. O que não passou em branco para os demais.
"Você está agindo estranho, Shiryu."
Disse Hyoga, enquanto se ajeitava em uma posição mais confortável no sofá.
"N-Não, não estou. Eu fui procurá-lo, e ele disse que estava vindo. Deve ter acontecido alguma coisa, vou checar."
Imediatamente, o Dragão deu meia volta e saiu da cabana, deixando um ar suspeito por lá. Não fazia ideia de onde o outro podia ter se metido, já estava escuro e ele poderia se perder na floresta a noite, aquilo estava o preocupando tanto.
Após o contato que tiveram mais cedo, por mais relutante que estivesse em admitir aquilo para até si mesmo, Shiryu queria ter novamente, queria beijá-lo, abraçá-lo, agarrá-lo e fazer muito mais que isso. Não, não queria não, balançava a cabeça negativamente, não era possível que aquilo tivesse mexido tanto com ele. Sempre havia se sentido confortável com Seiya e aproveitava sua presença ao máximo, mas nunca considerou a possibilidade de estar apaixonado por ele, e agora estava em um puta conflito interno. Porém, a prioridade era encontrá-lo, o que seria difícil naquela enorme floresta.
"SEIYA!!!"
Gritava e corria por todo bosque, mas não obtivera nenhum resultado. Considerou que, talvez, fosse melhor voltar. Isto é, se soubesse como.
Enquanto isso, os demais cavaleiros descansavam no chalé. O Cisne, que jazia na sala, foi surpreendido pela aparição de Seiya, que antes estava tocando violão na parte de trás da casa.
"Eai, ainda tem rango? Estou morrendo de fome."
"Sim, ainda há um pouco lá na cozinha."
Respondeu Hyoga, com seu característico sotaque, mas antes que o outro saísse do cômodo, o indagou:
"Espere um instante, onde está o Shiryu?"
"Não sei, por quê? Ele não voltou ainda??"
"Voltou sim, estava esquisito e depois saiu para te procurar, isso faz umas 2 horas..."
"Ele já deveria ter voltado, não?"
"Obviamente, não fui atrás dele porque imaginei que estivesse com você, sabe, agora que estão bem mais próximos."
"O QUE!? VOCÊ SABE DE ALGO?"
"Não, era um palpite. Mas agora tenho certeza que algo aconteceu entre vocês."
"Ah, cara..."
Seiya apoiou uma de suas mãos na testa, numa tentativa de esconder o quão vermelho estava.
"Fala sério, você é muito óbvio, fico impressionado como Shiryu nunca notou."
"É, você tá certo... Mas isso não importa agora! Temos que achá-lo."
"Sim, vou chamar os outros."
E logo partiram, Hyoga e Shun foram em uma direção e Ikki, junto a Seiya, seguiu em outra. Gritavam o nome do cavaleiro do Dragão inúmeras vezes mas não obtiveram respostas. Um tempo depois, separaram-se em uma bifurcação e Seiya continuou sozinho.
Era difícil dizer onde estava passando e por onde já havia passado sendo aquelas árvores todas iguais. Quando estava ficando sem esperança, indescritível foi sua felicidade e alívio quando viu uma figura muito familiar vindo na direção oposta do caminho. Céus, era Shiryu!
"SHIRYU!!"
"O que? Quem está ai!?"
O Dragão assustou-se, estava tão distraído em seus pensamentos que não reconheceu a voz de seu amigo. Ao ouvir passos aproximando-se tão rapidamente, entrou em posição de batalha, e recebeu Seiya, que pretendia dá-lo um abraço, pois estava com imensa preocupação, com um chute.
"OUCH-- Isso doeu, Shiryu..."
"SEIYA!? DESCULPE, PERDOE-ME! EU NÃO VI QUE ERA VOCÊ, TÁ TUDO BEM?! PENSEI QUE FOSSE-"
"N-Não, não. Eu estou bem. Não deveria ter vindo em sua direção tão repentinamente, é que eu estava muito preocupado..."
"Mas está certo de que tá tudo bem? O chute foi meio forte... Quer ajuda para levantar??"
Pégaso acenou negativamente e pôs-se de pé com uma mínima dificuldade. Após isto, seguiram de volta para reencontrar os outros, desta vez, sem se perder. Aquela longa caminhada estava acompanhada de uma atmosfera constrangedora para ambos, e o silêncio contínuo não ajudava em nada. Porém, aquele inquietante silêncio foi interrompido por um ronco estrondoso, que fez com que Seiya desse um pulo assustado.
"Que diabos foi isso?? Há ursos aqui???"
"Não, Seiya. Perdoe-me, foi apenas o meu estômago."
Para o Dragão, aquilo só fez com que a situação ficasse ainda mais constrangedora.
"ORRA?! Mas você não comeu?!"
"Não, hoje não consegui comer nada. Estou com fome desde que fui te chamar na cachoei-"
Se interrompeu, pois sabia que recordar daquele momento só traria mais vergonha à tona.
"A-Ah, sim... Acho que tenho certa culpa nisso, então... Desculpe..."
Disse Seiya, enquanto coçava sua nuca nervosamente.
"Ah, tudo bem..."
E o silêncio voltou a reinar entre eles, e permaneceu até que Ikki, Shun e Hyoga, que estavam em frente a cabana, os avistassem.
"Finalmente!! Vocês estão bem?"
Indagou Shun assim que os viu, correndo a encontro de ambos.
"Estamos sim, devo agradecer pela preocupação e me desculpar pelo tumulto que causei. Deveria ter sido mais racional."
"Não se importe, o importante é estamos todos bem."
"Pois é." Intrometeu-se Seiya. "Mas agora algo mais importante ainda..."
A expressão de Seiya apresentava seriedade, uma atmosfera tensa surgiu, todos olhavam curiosos para o cavaleiro de Pégaso.
"TAMO COM FOME, CARA! VOU LÁ ACABAR COM O RANGO!"
E entrou correndo no chalé.
"O QUE!? Mas eu tinha guardado pra mim comer depois!!"
Disse Ikki, em seu clássico tom alto e grave, que fazia parecer com que estava gritando, mas desta vez, realmente estava gritando.
"Eu também estou faminto, então, com licença."
O cavaleiro de Dragão adentrou também, seguido pelos outros. Após um longo tempo em que passaram conversando e contando piadas, onde Seiya teve que suportar os olhares maliciosos de Hyoga sempre que estava com Shiryu, cada um foi para seu determinado quarto descansar. Isto é, com exceção do Dragão e de Andrômeda.
"Shun, espere. Como você é o mais compreensivo, eu quero falar sobre algo com você."
"Hm? O que?"
E na próxima meia hora que se passou, Shiryu explicou o ocorrido e como estava confuso em relação a tudo aquilo. É evidente que Shun não se surpreendeu, pois como Cisne havia dito antes, Seiya era extremamente óbvio a respeito de seus sentimentos pelo outro. O cavaleiro de Andrômeda ajudou o de Dragão a aceitar os seus sentimentos e tentava o encorajar a ir falar com o Pégaso, este, obviamente, roncava tranquilamente em seu quarto.
"N-Não, eu não sou capaz de falar sobre isso com ele."
"Mas você precisa!"
Neste momento, Hyoga, que apenas pretendia ir tirar a água do joelho, apareceu no cômodo.
"Ainda não foram deitar? O que se passa?"
"Não, nad-"
"Hyoga, por favor diga ao Shiryu que ele precisa se entender com Seiya!"
"Ah, sim. Isto é imaginável, vamos Shiryu, vá falar com Seiya."
O Cisne empurrava o cavaleiro de Dragão em direção ao quarto, que protestava inutilmente. Acabou que, foi largado em frente a porta, na qual estava reunindo forças para bater, o que estava demorando demais.
"Ah, pelo amor de Atena."
Hyoga, frustrado com tanta demora, entrou na frente da porta e bateu, deixando Shiryu espantado.
"O que está fazendo?"
Não veio nenhuma resposta do outro lado. Hyoga bateu novamente. Nada. Hyoga bateu novamente. Nada. Hyoga bateu novamente. Nada. Hyoga ficou impaciente.
"Com licença, Shiryu."
Seguido de um enorme estrondo, uma porta voou, fazendo com que o coração do rapaz que dormia ali quase pulasse para fora. Satisfeito, Cisne deu alguns tapinhas nas costas do Dragão e saiu.
"Agora é com você."
Shiryu estava parado, boquiaberto. Seiya saiu do quarto, desesperado.
"MAS O QUE DIABOS FOI ISSO?? FOI VOCÊ??"
"N-Não, foi o Hyoga. É que preciso falar com você."
"Hm?"
A noite estava estrelada, o luar, encantador e a brisa, refrescante. Os cavaleiros foram conversar no lado de fora da cabana, estavam sentados sobre a grama. Após alguns instantes sem dizer nada, Seiya indagou:
"Então... Sobre o que você queria conversar?"
"Er... Bem... Sobre hoje mais cedo..."
Um frio na barriga congelou Seiya naquele momento.
"...Você, quando estávamos voltando para cá, pediu desculpas por ter feito aquilo, e eu... Eu não acho que tivesse necessidade."
"O que quer dizer?"
"Quero dizer que não vejo motivo para se desculpar, p-porque eu apreciei cada instante daquele beijo."
Talvez nem mesmo o Meteoro de Pégaso fosse tão rápido como o coração de Shiryu batendo. Sua face era comparável com um tomate, não só a dele, mas a de Seiya também. O tempo em silêncio, apenas ouvindo o cantar dos grilos, pareceu passar bem devagar, mas era o tempo necessário para que se recuperasse. O cavaleiro de Pégaso estava em choque, aquela não era a reação esperada, mas, de certa forma, misturada com a surpresa, havia uma sensação de felicidade que vinha surgindo.
"E-Então, isso significa que você-"
Antes que terminasse a pergunta, Seiya foi puxado para um intenso beijo. A expressão de perplexidade assombrou o rosto do cavaleiro por uns bons instantes, mas logo relaxou, e se deixou levar por aquele momento. Parecia que estava sonhando, sentia de medo de a qualquer segundo acordar em seu quarto e perceber que nada era real, mas, por mais que fosse difícil de acreditar, era. Assim que o contato cessou, o cavaleiro de Pégaso o encarava impressionado.
“S-Seiya...”
“Hã?”
Pégaso voltou para a realidade, em um pequeno susto quando o outro o chamou. Shiryu, por outro lado, sentia as borboletas em seu estômago baterem as asas mais loucamente do que nunca, reunindo toda coragem que tinha para dizer o que tinha em mente. Respirou fundo, e botou tudo pra fora.
“...É o seguinte... Eu te amo. Provavelmente há muito mais tempo do que tenho noção. Minha vida não estaria completa sem você, sou eternamente grato por tudo o que fez por mim. Obrigado por sempre permanecer ao meu lado.”
Foi como se tivesse jogado uma bomba no outro, que estava mais chocado ainda. Este, mal sabia o que dizer, mas não podia deixar aquilo passar em branco.
“N-não posso dizer que comigo é diferente. Eu também amo você.”
E mais uma vez os lábios de ambos se encontraram. Aquela noite, mais do que qualquer outra, se tornaria inesquecível para os cavaleiros.
Na manhã seguinte, os cinco tomavam café. A conversa estava boa, e a comida também. Mas, novamente, aquela atmosfera constrangedora que se tornara rotineira nos últimos dias veio à tona após uma pergunta de Shun.
“Então, agora vocês estão juntos?”
Perguntou, referindo a Seiya e Shiryu, fazendo com que os dois, junto a Ikki (que era o único que não fazia ideia do que estava acontecendo), cuspissem todo o chá que estavam bebendo.
“O QUE? ELES ESTÃO NAMORANDO?”
Gritou Fênix, absurdamente surpreso.
“Isso não é óbvio?”
Disse Hyoga, levando ainda mais constrangimento ao casal ao seu lado. Shiryu, tentando manter a serenidade, mas falhando miseravelmente (praticamente virando uma lagosta), respondeu.
“É-É, estamos.”
“Nossa! Puts! Eu estava tão preocupado imaginando que algo estava acontecendo entre Hyoga e Shun que sequer reparei! Mas felicidades à vocês!”
Os cavaleiros de Cisne e Andrômeda, os únicos que anteriormente não havia cuspido o chá, agora o fizeram, manifestando-se uma coloração vermelha na face de ambos. Inevitavelmente, uma pequena confusão surgiu na mesa, desviando a atenção que antes era atribuída a Seiya e Shiryu. O cavaleiro de Pégaso aproveitou aquela pequena distração para, rapidamente, dar um delicado beijo na bochecha de seu amado, que ruborizou ainda mais.
Durante toda refeição, ninguém percebeu as mãos de ambos entrelaçadas debaixo da mesa, independente do que o futuro os reservasse, os cavaleiros, como as suas mãos naquele momento, estariam entrelaçados pelo seu amor.
Fale com o autor