Notas iniciais
Como eu disse, é apenas um sonho bobo, mas que nunca deixará de existir...
Se você não gosta/odeia Ryden por favor não leia isso, não te fará bem haha :)

Será que ele ainda pensava em mim? Será que ele ainda sorria quando ouvia meu nome? Ou talvez quando olhava nossas antigas fotos? Era impossível que ele não o fizesse, afinal até eu, o egoísta e orgulhoso eu, não conseguia esconder o sorriso ao ver qualquer coisa relacionada a Ryan. O meu Ryan.

Eu estava deitado do meu lado da cama, que antes costumava ser o dele mas que agora tinha tomado pra mim, pois não aguentaria ver qualquer outra pessoa deitada ali que não fosse Ryan, enquanto olhava alguns e-mails antigos e vídeos bobos que há muito tempo haviam se perdido em minhas memórias. Nossa, como nós éramos felizes... porque será que tudo aquilo acabou? O que aconteceu conosco? Na verdade eu sabia a resposta para ambas as perguntas. Eu tinha acabado com tudo, eu e minha idiotice sem fim. Eu e meu medo de assumir o que realmente sou. Ryan estava pronto para se arriscar, mas eu ainda não. Eu ainda tinha medo e esse medo acabou levando-o pra longe de mim. Mas eu não queria mais aquilo e acho que era a minha única certeza no momento.

Sarah chegou em casa por volta das sete da noite e eu ainda estava lá, imóvel em minha cama. Ela se aproximou para me beijar, porém eu afastei seu rosto do meu ao mesmo tempo em que levantava da cama, colocando o notebook de lado.

-Não Sarah, já chega! – eu disse olhando profundamente em seus olhos que estavam parados em minha frente.

-Como assim Brent?! O que está acontecendo?? – ela perguntou fingindo estar confusa, mas ambos sabíamos o que estava acontecendo.

-Eu cansei tá bem!? Cansei de ficar me enganando com essa mentira que estamos vivendo!! E não faça essa cara de desentendida, você sabe muito bem do que estou falando! – eu disse firme, de um jeito que jamais havia conseguido falar com ela antes.

-Ah é?! – ela disse com aquela sua voz que a essa altura era a coisa mais irritante do mundo – E você pretende fazer o que Brendon? Sair por aí gritando pro mundo que é uma bicha louca e que ama o Ryan???!! É isso?!

-E se for?! – eu falei convicto do que faria daqui pra frente – Todos nós sabemos a verdade e eu estou cansado de me esconder! Não vou mais me casar com você, mas isso não significa que eu vá me vestir de mulher e sair por aí falando fino... só quero parar de fingir pra mim mesmo ser alguém que não sou! Só quero ficar com que eu amo sem me importar com o que os outros pensam!!

-Mas Brend... – ela tentou dizer, porém eu não queria ouvir mais nenhuma palavra que viesse a tentar mudar minha decisão.

-Mas Brendon nada! – eu disse me dirigindo até a porta – Acabou Sarah! Você pode pegar suas coisas e ir embora daqui o mais rápido possível ok... Vou sair e não sei se volto essa noite, você tem até amanhã de manhã pra estar fora daqui!

Após acabar meu discurso, fui até a sala, peguei meu casaco que estava jogado em cima do sofá e saí do apartamento, sabendo exatamente aonde ia. Antes porém liguei para Spencer, já que provavelmente faltaria ao ensaio daquela noite.

-Mas o que aconteceu Brendon?! – ele perguntou meio preocupado no telefone – É alguma coisa com a Sarah?! Você sabe que a gente vai ter vários shows em breve e...

-Eu sei Spencer, e eu realmente peço desculpas – eu respondi tentando acabar logo com a conversa – Olha, não é com a Sarah, quer dizer, na verdade é também... mas enfim, eu tenho uma coisa muito importante pra fazer e é algo que não posso mais adiar. Desculpa mesmo cara, mas prometo que não faltarei mais, acredite, o que vou fazer hoje pode até me inspirar para novos projetos...

-Bem, se é algo tão importante assim então está tudo bem – ele respondeu parecendo entender – E se isso vai te ajudar a se inspirar então melhor ainda! Porque você sabe que as coisas andam complicadas ultimamente... haha – ele disse rindo, mas era verdade. Eu já não conseguia compor uma linha sequer de música decente e tocar também estava se tornando complicado, já que era extremamente difícil pra mim cantar/tocar qualquer música do Pretty Odd.

-É, eu sei... mas pretendo mudar isso! Agora preciso ir, até mais... – eu me despedi enquanto entrava no carro e dava a partida.

-Até mais Bden... e boa sorte com o que quer que seja isso que você vai fazer!

-Obrigado! – eu agradeci desligando o celular e o jogando no banco de trás.

Não pretendia atender a mais nenhuma ligação naquela noite, na verdade só havia uma coisa que eu iria fazer. Me encontrar com Ryan e tentar consertar as coisas. Tentar ver se dentro dele ainda havia um pouco do que tínhamos sentido no passado ou se eu tinha destruído tudo. Eu torcia para que ele ainda sentisse algo, nem que fosse raiva. Se ele quisesse me dar um soco ou gritar comigo eu agradeceria, já que da última vez a única coisa que Ryan fez foi olhar pra mim com indiferença e ficar em silêncio. Aquilo tinha me matado. Essa última vez tinha sido quando eu contei a ele sobre Sarah, esperando que ele brigasse comigo ou chorasse ou até mesmo jogasse uma mesa em mim. Mas como disse, ele não fez nada. Na verdade ele fez algumas perguntas depois, mas era tudo que eu não queria. Perguntas. Eu não queria responder perguntas, queria que ele me dissesse que eu era um idiota e que deveria ficar com ele. Mas tudo que recebi foram perguntas. E depois indiferença e mais indiferença...

Liguei o rádio em uma estação qualquer enquanto dirigia, e para minha infelicidade estava tocando a única música que eu não queria nunca mais ouvir. Eu reconheceria aqueles acordes em qualquer lugar, reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Era Nothern Downpour, e pior, era a parte do Ryan. Meu RyRo. Lágrimas começaram a rolar em meu rosto e eu não conseguia controlá-las, e logo meus olhos viraram dois grandes rios que se encontravam em seus caminhos até minha blusa. Eu também não era capaz de trocar a estação de rádio, pois ao mesmo tempo em que desejava parar aquele choro também queria ouvir a voz dele, lembrar de quando ainda éramos felizes. Enfim a música acabou, e quando me dei por mim já estava na frente do apartamento de Ryan.

Estacionei o carro bem em frente ao prédio e fiquei ali parado por um longo tempo, apenas olhando para a janela de seu apartamento e lembrando de tudo que já tínhamos passado ali. Era até difícil pensar em como as coisas estavam agora, que dizer, era totalmente o contrário do que eu tinha planejado para meu futuro. Para o nosso futuro. Tantas vezes eu e Ryan tínhamos subido ao térreo daquele prédio, onde podíamos ver toda a cidade e suas luzes, apenas para ver o tempo passar e fazer mil planos para nossas vidas. Eu queria aquilo de volta, queria que aqueles planos não tivesse sido feitos em vão. Precisava consertar o presente para que o futuro que sonhávamos ainda fosse possível. A esse pensamento resolvi enfim sair do carro e enfrentar de vez tudo aquilo.

Ainda me lembrava de tudo ali, então fui direto até as escadas e subi lentamente. O elevador estava sempre quebrado e, mesmo que dessa vez não estivesse, eu não podia correr o risco de ficar preso lá (o que já tinha acontecido uma vez) e perder a chance de falar com Ryan. Quando cheguei ao corredor de seu apartamento senti um arrepio percorrer todo o meu corpo e a cada passo que me levava para perto daquela porta eu sentia mais dificuldade de respirar. Eu não sabia se ele estaria lá, e se estivesse não tinha ideia do que ia dizer. Na verdade eu sabia exatamente o que diria, já tinha até ensaiado, porém não sabia se conseguiria dizer. Quando visse aqueles olhos, aquele sorriso... ah não, eu não ia conseguir...

Pensei em voltar atrás, mas agora eu já estava na frente de sua porta e minha mão ameaçava tocar a campainha. Minha mente gritava para que meu corpo saísse correndo dali, meu coração gritava para que ele ficasse e tocasse a maldita campainha e meu corpo, confuso, permanecia ali paralisado. Eu mesmo não sabia o que fazer, mesmo sabendo o que DEVERIA fazer. Vamos Brendon, seu gay, faça logo o que tem de ser feito.

Ainda hesitante e confuso, eu enfim toco a campainha e fico parado esperando ofegante. Porém passam-se alguns minutos e ninguém vem atender a porta. Eu pensei em tocar de novo, porém Ryan sempre atendia a porta na primeira vez ou então gritava para que a pessoa esperasse, ele com certeza não estava lá. E agora?! O que eu iria fazer?!

O pior de tudo era que mesmo que minha racionalidade tentasse me dizer que não, eu sabia exatamente o lugar onde encontraria Ryan. Como eu não tinha pensado nisso antes?! Eu não tinha pensado porque estava muito apavorado para fazer qualquer coisa obviamente. Me afastei da porta ainda um pouco ofegante e corri para as escadas, agora realmente sabendo onde ir.

Quando cheguei na porta que dava para o térreo, demorei um pouco decidindo entre abri-la ou ir embora, mas a essa altura eu sabia que já não tinha uma segunda opção. Abri a porta lentamente e logo o vi. Era Ryan. Era meu Ryan. Ele estava com os braços apoiados no parapeito do prédio observando a cidade e talvez pensando em mil coisas que eu nunca saberia. Eu não sabia se ele tinha me notado ali, mas resolvi me aproximar de qualquer forma.

-Ela não podia acreditar não é mesmo?! – ele perguntou ainda olhando para a imensidão de prédios a sua frente, mostrando já ter me visto ali e também parecendo saber exatamente o que levara até lá naquela noite de lua cheia. Na verdade ele sempre sabia o que eu pensava ou o que sentia.

-Pois é... – eu respondi parando ao seu lado e também olhando para a paisagem a nossa frente – Mas eu já esperava... na verdade você sabe bem no que eu sempre acreditei... e não tem nada haver com ela...

-Pensei que você tinha decidido viver no mundo normal ,cheio de poses e mentiras... – ele disse ainda sem me olhar.

-Eu sei que o mundo é cheio de falhas, mas as vezes acho que devemos chamá-lo de casa... – eu disse olhando para ele e esperando qualquer reação.

-Então é isso, você veio aqui pra me dizer como o mundo lá fora é bom e que eu devo me render a ele?! – por fora eu parecia calmo, mas por dentro eu implorava para que Ryan me lançasse ao menos um olhar.

-Não Ryan, na verdade... – eu disse voltando a olhar pra frente – Eu só vim até aqui pra dizer que... que o mundo não tem mais graça sem meu único e solitário cata-vento... – ao dizer isso olhei de volta para ele, e vi que um sorriso havia aparecido em seus lábios e seus olhos estavam pousados em mim, com um brilho que a muito tempo eu não via.

-Você tem certeza disso?! – ele perguntou, não mais com dúvida, mas sim com entusiasmo – Quer dizer, se quisermos fazer isso certo teremos de lidar com muito mais do que felicidade, teremos muitas tempestades pela frente...

-Eu sei, mas não pretendo mais fugir delas... dessa vez eu tenho certeza Ryan, eu não quero enfrentar nada disso se não for pra ser ao seu lado! – eu falei segurando seu rosto em minhas mãos e olhando profundamente em seus olhos.

-E eu não quero ficar mais um minuto longe de você meu Brenny! – ele disse com lágrimas nos olhos, me abraçando tão forte quanto pôde.

-Meu RyRo... você não sabe como eu senti sua falta!

-E eu a sua meu BrennyBear! – ele falou me beijando, porém sem me soltar de seus braços.

Eu enfim tinha conseguido. Eu tinha enfrentado meus medos e admitido o que realmente sentia. Eu amava o Ryan e nunca deixaria de amar, ele era tudo pra mim. Só ele me entendia, só ele sabia o que dizer e quando dizer sempre que tudo dava errado. E agora estávamos ali, um nos braços do outro, no lugar de onde nunca deveríamos ter saído. Eu pedia para que aquela noite nunca acabasse, para que a Lua não fosse embora jamais. Ei amiga, será que você pode se esquecer de ir embora?! Só hoje?! Por favor Lua, não se vá...

Notas finais
Esse seria meu final feliz para Ryden... ;)
Aguardo reviews e comentários, kisses *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!