Hermione

7 Sombras e promessas


POV Hermione


O sol da manhã brilhava sobre o Salão Principal, refletindo nas janelas altas, e eu me sentia estranhamente tranquila. O primeiro ano estava quase no fim, e, apesar de tudo, sobrevivemos. Flamel, a Pedra, o cão de três cabeças… cada desafio nos deixou mais fortes, mas havia algo que ainda pairava no ar: meu pai sabia que eu estava viva.


Harry estava ao meu lado, como sempre. Seus olhos brilhavam quando me olhavam, e eu sentia que nenhum perigo, por mais sombrio que fosse, poderia apagar a confiança que tínhamos um no outro.


— Hermione… você está pensando demais — disse ele, segurando minha mão. — Olha só para nós. Sobrevivemos! Primeiro ano terminado.


Sorri, sentindo meu coração bater mais rápido. Ele tinha razão. Por um momento, apenas sorrimos, e eu esqueci o peso do meu sangue, do passado e do que estava por vir.


Rony resmungou algo sobre as provas e notas, mas parecia menos preocupado do que eu esperava. Estávamos todos exaustos, mas juntos.

POV Voldemort


Mesmo fraco, minha mente estava desperta, buscando maneiras de recuperar força. A garota… minha filha… estava em Hogwarts. Cada passo dela, cada movimento do trio era perceptível, mesmo à distância.


Não havia conexão com Quirrell neste momento, e isso me permitia observar sem ser perturbado por outro corpo. Um plano começava a se formar, silencioso e calculado.


"O próximo ano… o diário será a chave. Ela não sabe ainda o que é, mas eu a encontrarei. E quando ela entender quem eu sou, saberá que não existe escolha fácil entre mim e ela."


O prazer do planejamento voltou. Não pelo ataque imediato, mas pela paciência e pela oportunidade de manipular, de criar peças em um jogo que ainda não começara plenamente. Minha filha seria uma peça central — quer ela quisesse, quer não.

POV Bellatrix (Azkaban)


A cela era fria, mas minha mente estava viva. Concentrei-me, tentando de novo criar uma conexão, desta vez indireta, com Voldemort. Ele precisava saber: a filha estava em Hogwarts, e Potter estava próximo dela.


— Ouça-me, meu Senhor — sussurrei, a voz ecoando apenas na minha mente. — Ela é inteligente e corajosa. Potter está lá. Não permita distrações, não a destrua… mas esteja pronto.


Uma sensação de expectativa percorreu meu corpo. Ele não reagiu ainda, mas estava atento. Minha filha estava segura por agora, e isso me deu forças para suportar mais um dia em Azkaban.

POV Hermione


O dia terminou com a cerimônia de premiação das casas. Gryffindor estava à frente, e pela primeira vez eu senti orgulho de pertencer ao Leão. Harry me olhou enquanto eu recebia a medalha, e por um instante, o mundo inteiro parecia se resumir àquele sorriso.


— Nós conseguimos — sussurrou ele, depois da cerimônia, quando caminhávamos pelo pátio iluminado pelo sol poente.


Sorri e segurei sua mão.

— Sim… juntos.


Havia risadas, abraços e a sensação de que, apesar do que eu sabia sobre meus pais, apesar do que Voldemort podia estar planejando, havia uma escolha que eu podia fazer. Uma escolha por amizade, coragem e… amor.


Harry inclinou-se, e desta vez não hesitou. Um beijo suave, cheio de promessa e confiança, e eu senti que, pelo menos por enquanto, estávamos seguros.


O primeiro ano terminava, mas as sombras ainda se moviam além das muralhas de Hogwarts. Meu pai começava a planejar seu retorno, Bellatrix observava de Azkaban, e o mundo lá fora continuava perigoso.


Mas eu estava pronta. Eu era Hermione Granger. E, pela primeira vez, sabia que podia enfrentar qualquer coisa — com Harry ao meu lado.

POV Hermione


O comboio estava novamente cheio de vozes animadas, mas eu não conseguia me concentrar. O primeiro ano tinha sido intenso, e agora a expectativa do segundo ano misturava medo e curiosidade. Harry estava ao meu lado, sorrindo para mim, e por um instante esqueci tudo — até que ouvi aquela voz irritante.


— Olá, Granger… ou devo chamar de “filha de sangue sujo”? — disse Malfoy, com aquele sorriso arrogante.


Revirei os olhos. Ele não sabia nada sobre minha verdadeira linhagem, mas parecia decidido a me provocar como sempre.


— Sou apenas Hermione, Malfoy — disse, firme. — E vou ignorar você.


— Ignorar? — riu ele. — Tsc… sangue de lama, lembra?


Harry estreitou os olhos, e eu segurei sua mão discretamente. Por dentro, sentia vontade de mostrar a ele a verdade… mas ainda não era o momento. Para Malfoy, eu continuaria sendo “a Granger”, a filha de pais adotivos e sangue-misturado.

POV Bellatrix (Azkaban)


A escuridão de Azkaban parecia eterna, mas minha mente estava desperta. Havia um espião em Hogwarts — um bruxo jovem e discreto que passava despercebido pelos professores. Ele me contava tudo: os passos da filha, quem estava perto dela, cada sorriso que Harry dava a ela.


— Ela é preciosa — sussurrei, com um sorriso sombrio. — Proteja-a… mas observe tudo.


Mesmo de Azkaban, eu podia sentir a tensão entre Hermione e Harry, e a curiosidade de meu Senhor por sua filha crescendo. O momento certo para agir ainda não chegara, mas estava próximo.

POV Voldemort


O inverno ainda não tinha começado completamente, mas minha mente estava desperta. O diário estava guardado, e eu sabia que ele seria minha chave no próximo ano: recuperar força, influenciar a mente de uma inocente e abrir a Câmara Secreta.


Ginny… a garota de cabelos ruivos, inocente e ingênua… perfeita para os meus planos.

"Ela não sabe ainda, mas servirá aos meus propósitos. Quando chegar o momento, tudo se encaixará."


A presença da filha em Hogwarts complicava algumas coisas, mas também oferecia uma oportunidade. Ela era poderosa e corajosa, mas ainda humana. Isso me permitiria observá-la, manipular situações e preparar meu retorno.

POV Hermione


Chegando à escola, eu sentia o frio do ar de setembro misturado com o calor do coração batendo por Harry. Malfoy continuava a provocar, fazendo comentários sobre sangue e Grifinória. Eu só podia sorrir por fora, mas dentro, a determinação crescia: eu não era a filha dele, nem do sangue que ele desprezava.


Nos corredores, percebi algo estranho: pequenos sinais, notas escondidas, olhares suspeitos… Alguém estava observando. Uma sensação familiar percorreu minha espinha — Bellatrix? Não conseguia imaginar como, mas sentia sua presença, ainda que distante.


— Hermione, cuidado — Harry sussurrou, percebendo meu olhar para a sombra de um corredor. — Alguém nos observa.


Segurei sua mão.

— Sei… mas não importa. Estamos juntos.


E naquele momento, percebi que o segundo ano seria ainda mais perigoso. A ameaça de Voldemort não era mais abstrata; seu plano estava começando a se desenrolar, e eu estava bem no meio dele.

POV Bellatrix


O espião continuava a observar.

— Senhor… — informou — ela está firme. Harry Potter segurou sua mão depois do insulto de Draco, e ela parece determinada a não se abalar.


Senti meu coração bater mais rápido. Ela era corajosa, mas ainda criança. E Voldemort… ele precisava estar ciente.

— Continue a observar — ordenei — e mantenha tudo registrado. Cada palavra, cada gesto. O mundo precisa saber o quanto nossa filha é valiosa… e perigosa.


E mesmo presa, sorri com satisfação. O jogo apenas começava, e a presença da filha em Hogwarts ia acender faíscas que ninguém poderia apagar.

POV Hermione


O castelo parecia mais sombrio este ano. Não sei se eram as nuvens de setembro ou apenas a sensação de que algo estava errado. Depois do insulto de Malfoy, comecei a notar pequenas mudanças: correntes de vento nos corredores, portas que rangiam sozinhas e… um silêncio estranho que parecia seguir Ginny Weasley.


— Harry, olha — murmurei enquanto caminhávamos pelo corredor perto da Biblioteca — você já percebeu como Ginny anda estranha? Ela quase não fala com ninguém, e às vezes parece… assustada.


Harry franziu a testa.

— Sim… notei. Mas ela é nova e sempre foi tímida.


— Não é só isso — insisti. — Tem algo errado.


Enquanto falávamos, ouvi risadas vindas do corredor principal. Malfoy e Crabbe estavam provocando outro aluno, mas parecia que minha atenção estava voltada para Ginny, que segurava algo que parecia um caderno. Ela o escondia rapidamente quando percebeu que a estávamos olhando.


— Harry… isso é estranho — sussurrei. — Não é apenas timidez. Ela parece… controlada por algo.


POV Voldemort


O diário estava pronto, selado com minha presença. Ginny não tinha como resistir, era jovem, ingênua e confiava nos seus próprios sentimentos. Uma vez aberta a página, minha voz seria sussurrada em sua mente, sutil, controlando lentamente seus pensamentos.


"Ela servirá. O castelo será meu palco, e a câmara… será aberta novamente."


A presença da filha em Hogwarts complicava o plano, mas também era uma oportunidade de observar minha linhagem em ação. Ela estava protegida por Potter, mas cada passo da garota me mostrava que ainda podia manipular os eventos de longe.

POV Hermione


Eu não conseguia tirar os olhos de Ginny. Algo estava errado, e minha intuição dizia que não era apenas medo de Malfoy ou brincadeiras de estudantes.


— Vamos investigar? — Harry perguntou, vendo minha expressão preocupada.


Assenti.

— Sim. Precisamos descobrir o que está acontecendo antes que seja tarde.


Durante os próximos dias, seguimos pequenos sinais: Ginny carregando secretamente o diário, desaparecendo nos corredores vazios, sussurrando palavras que ninguém mais ouvia. Cada pista reforçava minha suspeita: havia algo mágico e perigoso acontecendo, algo que ninguém ainda entendia completamente.


— Harry — sussurrei em uma noite, escondidos atrás de uma tapeçaria — tenho certeza que isso é magia negra. Alguém está controlando a mente dela.


Harry apertou minha mão.

— Então descobrimos antes que seja tarde. Estamos juntos nisso.


E naquele momento, senti que, apesar do medo, estávamos mais fortes juntos. Hermione Granger e Harry Potter. Unidos pelo perigo, pelo amor… e pelo mistério que ainda aguardava no castelo.

POV Hermione


O castelo parecia diferente à noite. O silêncio pesava, e mesmo os corredores que eu conhecia tão bem agora pareciam esconder segredos. Mas algo me chamava atenção: Ginny.


Percebi que ela estava mais retraída do que antes, segurando algo debaixo do braço — um caderno antigo e gasto. Cada vez que alguém passava perto, ela escondia, como se tivesse medo de ser vista. Harry e eu a observávamos de longe, tentando entender.


— Harry, olha — sussurrei — ela não consegue mais esconder. Isso não é normal.


Harry franziu a testa.

— Você acha que é o mesmo tipo de coisa que enfrentamos no ano passado?


— Não sei… mas é magia — respondi. — E… é inteligente.


Ao nos aproximarmos, Ginny tropeçou e deixou o diário cair. Eu me abaixei para pegá-lo antes que alguém percebesse. As palavras na capa pareciam quase se mover. Senti um frio percorrer minhas mãos.


— Harry… — murmurei — isso é perigoso. Algo nesse diário não é natural.


Ela não sabia o que estava fazendo, mas já estava começando a ser influenciada. Um sussurro quase imperceptível parecia sair das páginas, chamando-a, atraindo-a para coisas que ela não entendia. Eu sabia que isso só podia ser obra de alguém muito poderoso… Voldemort.


POV Malfoy


Eu estava observando Hermione, rindo por dentro de suas tentativas de parecer confiante. Mas algo começou a me intrigar. Ela não era apenas uma garota esperta; havia uma presença, uma força nela que eu não esperava.


— Sangue sujo ou não, ela está se segurando bem — pensei. — E Harry Potter parece ainda mais grudado nela do que eu imaginava.


Cada vez que ela se levantava para ajudar Ginny ou investigar algo no castelo, eu sentia que havia mais nela do que podia ver. Era irritante, porque minha confiança em atormentar os outros parecia inútil contra alguém assim.


E ainda havia algo mais… uma sensação estranha, como se ela tivesse segredos que ninguém podia tocar. Mal podia esperar para descobrir o que era.

POV Hermione


Naquela noite, decidi que não podia esperar mais. Ginny precisava de ajuda, mas ainda não podia revelar tudo sobre o diário. Eu e Harry começamos a observar discretamente, procurando padrões, tentando entender quem ou o que estava influenciando a amiga.


— Precisamos protegê-la — disse Harry, segurando minha mão — mas sem assustá-la.


— Sei — respondi. — E também precisamos descobrir se alguém mais percebeu o que está acontecendo. Malfoy, talvez… ele já está olhando para nós de um jeito estranho.


E naquele momento, percebi que o segundo ano seria ainda mais perigoso. O diário de Voldemort já estava começando a mover suas peças, Ginny estava vulnerável e Malfoy começava a perceber que eu não era apenas uma “sangue sujo comum”.


O perigo estava crescendo… e Hogwarts nunca mais seria a mesma.

POV Ginny


Não entendia exatamente o que estava acontecendo comigo. O diário sussurrava constantemente, prometendo poder, conhecimento, e uma atenção que me fazia sentir especial. Eu queria obedecer, queria seguir o que ele dizia, mas… havia uma parte de mim que tremia, que não queria machucar ninguém.


Eu tentava me afastar, mas a influência era mais forte do que eu imaginava. Cada vez que o diário falava, eu sentia minhas mãos se mover sozinhas, cada vez mais conectada ao que estava dentro dele.


POV Malfoy


Passei pelo corredor e parei de repente. Harry Potter e… Granger? Sussurravam algo, mas as palavras eram estranhas, sibilantes, quase serpentes em forma de som. Meu coração disparou.


— O que… eles estão fazendo? — pensei. — Só os verdadeiros herdeiros de Salazar Slytherin falam assim…


Uma mistura de medo e desconfiança me percorreu. Se Granger pudesse falar a língua das cobras, isso significava que ela não era apenas uma simples “sangue sujo”. E Potter… bem, ele sempre foi estranho, mas agora parecia perigoso de uma maneira que eu não entendia.


POV Hermione


Harry segurou minha mão e olhou para mim.

— Precisamos protegê-la… — disse, referindo-se a Ginny. — Mas não podemos deixar que Malfoy ou qualquer outro perceba o que sabemos.


Assenti.

— Sim. E precisamos descobrir como o diário funciona, como ele influencia a mente dela.


Enquanto falávamos, ouvimos o sussurro do diário ecoando nos corredores. Palavras antigas, serpentes invisíveis deslizando pelo chão de pedra. Hogwarts nunca havia sido tão silenciosa, e ao mesmo tempo, tão cheia de perigo.


— Harry… — murmurei, sentindo a tensão subir — a Câmara foi aberta… e eu sei que Ginny está no meio disso.


Ele apertou minha mão com força, os olhos brilhando.

— Então vamos encontrá-la. Juntos.


E naquele momento, senti que o segundo ano de Hogwarts estava apenas começando. Entre mistérios, perigos e magia negra, sabíamos que a verdadeira prova ainda estava por vir — proteger Ginny, desvendar o diário e enfrentar a sombra que estava se movendo no coração da escola.