Hermione
8 Diário e a câmara secreta
POV Hermione
O corredor estava escuro, o ar pesado, e eu podia sentir a magia negra pulsando à nossa frente. Cada passo que eu dava fazia meu coração disparar, mas Harry segurava minha mão com firmeza.
— Hermione… ele está perto — sussurrou Harry, e eu percebi o medo em seus olhos. Mas também a determinação.
Ginny estava caída no chão da Câmara, o diário aberto ao lado dela. Suas mãos tremiam e, de algum modo, ela parecia mais frágil do que jamais a vira. Palavras serpenteantes surgiam do caderno, quase vivas, sussurrando promessas e ameaças.
— Ginny! — chamei, correndo até ela. — Não! Você não precisa ouvir isso!
Mas antes que eu pudesse alcançá-la, uma forma se ergueu do diário: Voldemort, na sua versão mais jovem, magro, frio, e com os olhos que ardiam em ódio e ambição.
— Então… esta é a filha — disse ele, olhando para mim. — Hermione Granger. Filha do que criei e deixei para trás… tão corajosa, tão intrigante.
Meu estômago revirou. Era real, mas não totalmente. Ele era uma projeção, mas o poder do diário o tornava quase tangível. Meu sangue fervia, mas eu sabia que tinha que manter a calma.
Harry avançou à minha frente.
— Solta-a! — gritou. — Eu não vou deixar você machucar ninguém!
Voldemort sorriu, e sua presença parecia sugar o ar da Câmara.
— Ah, o famoso Potter… e você é mais do que imaginava. — Olhou para Harry com uma mistura de curiosidade e desprezo. — Você… carrega uma parte de mim dentro de si.
Meu coração gelou. Eu sabia do fragmento da alma que Harry carregava, mas nunca imaginara que Voldemort sentiria isso tão intensamente.
— Harry… você consegue! — eu sussurrei. — Ele depende do diário!
Harry assentiu, segurando sua varinha com firmeza. Respirou fundo, aproximou-se do diário, e gritou:
— Expelliarmus!
A varinha brilhou com uma luz intensa, e o diário começou a tremer. Palavras serpenteantes evaporaram, e a projeção de Voldemort gritou, perdendo forma aos poucos. Ginny caiu nos braços de Harry, chorando, mas finalmente livre da influência do diário.
— Está tudo bem, Ginny… — disse Harry, apertando-a com cuidado. — Está tudo bem agora.
Voldemort desapareceu com um último grito furioso, e eu senti um alívio profundo. A oportunidade de seu retorno imediato fora destruída. A Câmara estava silenciosa, e o diário estava em pedaços no chão.
POV Malfoy
Eu observava de uma distância segura, escondido atrás de uma coluna. Aquilo que eu vi não parecia real: Hermione Granger enfrentando o próprio Lorde das Trevas, e Harry salvando Ginny com força e coragem inacreditáveis.
— Isso… isso não é possível — sussurrei para mim mesmo. — Granger não é apenas esperta… ela é poderosa. E Potter… ele carrega algo dentro dele que ninguém esperava.
Eu recuei, assombrado. Sabia que aquele ano em Hogwarts jamais seria o mesmo.
POV Hermione
Quando saímos da Câmara, exaustos, sujos e com o coração acelerado, olhei para Harry.
— Conseguiu — eu disse, sorrindo com lágrimas nos olhos. — Conseguimos salvar Ginny… e impedir que ele voltasse agora.
Harry segurou minha mão, sorrindo timidamente.
— Sempre juntos — respondeu. — Nada vai nos separar.
E naquela noite, sob as estrelas de Hogwarts, senti que tínhamos enfrentado não apenas magia negra, mas também o destino. O segundo ano terminava, mas sabíamos que os desafios ainda estavam à frente.
POV Hermione
O terceiro ano começou com uma sensação estranha. Hogwarts parecia a mesma, mas todos sabíamos que algo havia mudado. Ginny estava recuperada, mas havia um peso em seus olhos, como se o diário tivesse deixado uma sombra dentro dela. Eu e Harry tentávamos distraí-la, mantendo a amizade e o amor que nos unia, mas a lembrança da Câmara Secreta permanecia viva.
— Ginny, você está bem? — perguntei uma noite, enquanto caminhávamos pelo pátio.
— Estou… — respondeu ela, hesitante — mas ainda sinto que algo está comigo.
Eu sabia exatamente o que ela queria dizer. O diário não existia mais, mas a influência que quase a controlou deixou marcas invisíveis.
— Não se preocupe — disse, segurando sua mão — você está segura agora. Nada vai te machucar.
POV Malfoy
Eu não podia deixar de pensar na Granger. Falava de “sangue sujo”, mas agora estava claro que ela não era apenas uma bruxa comum. Algo nela, na forma como enfrentou Voldemort, era diferente… perigosa.
— Potter e ela… — pensei — eles têm mais poder do que qualquer um percebe. E ela… ela sabe coisas que ninguém deveria saber.
Passei o ano observando cada movimento, cada conversa, cada gesto. A curiosidade se misturava com inveja e um certo medo. Hermione Granger não era uma aluna comum — ela era algo mais, algo que poderia mudar tudo em Hogwarts.
POV Bellatrix (Azkaban)
O diário havia falhado. A filha sobreviveu, e aquele Potter ousou destruí-lo. Fiquei furiosa, mas também fascinada. Aquele jovem, que desconhece completamente a parte da alma que carrega, foi capaz de salvar minha filha e impedir o retorno do Lorde.
— Senhor… — sussurrou meu espião — a filha sobreviveu, e Harry Potter está mais próximo dela do que nunca.
Sorri, sentindo uma mistura de orgulho e vingança.
— Isso não termina aqui. — murmurei. — Quando ele menos esperar, Hogwarts será nossa. Quando Voldemort se fortalecer, ele tomará o que é nosso… e a filha saberá seu verdadeiro lugar.
POV Voldemort (na memória do diário)
Minha projeção juvenil havia sido destruída, mas minha essência permanecia. Um dia, eu retornaria com mais força. E quando o fizesse, minha filha e Harry Potter seriam peças-chave. O fracasso do diário foi apenas um atraso, não um fim.
— Bellatrix — murmurei na mente do meu espião — continue a observar. Informe-me cada passo da filha e de Potter. O tempo da vingança está chegando… e ninguém poderá impedir que recupere tudo.
POV Hermione
Enquanto os dias passavam, Hogwarts parecia normal de novo, mas eu sentia que tudo havia mudado. Harry e eu conversávamos frequentemente, tentando entender a língua das cobras e nossa conexão com Voldemort. Malfoy nos observava, desconfiado, mas eu sabia que ele ainda não tinha ideia do que realmente somos capazes.
— Harry — disse uma noite — este ano será diferente. Não podemos mais ignorar o que somos… e o que ele é.
Ele apertou minha mão.
— Sei, Mione. Estamos juntos nisso, e nada vai nos separar.
E enquanto observava o céu de Hogwarts, senti que a guerra ainda estava distante, mas as peças já estavam se movendo. Bellatrix, Voldemort, Malfoy… todos estavam observando, esperando o momento certo para atacar. Mas nós também estávamos prontos para enfrentar o que viesse, juntos.
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