Hermione

6 Segredos e primeiros riscos


POV Hermione


Acordei com o sol entrando pelas janelas do dormitório da Grifinória. Ainda sentia o calor do abraço do Harry e a lembrança do nosso primeiro beijo me fez sorrir sozinha. Mas, no fundo, meu coração estava apertado. Sabia que ser filha de Voldemort não era algo que se resolvesse com palavras doces — e que o perigo rondava mais perto do que eu queria admitir.


Sentei-me rapidamente e arrumei minhas roupas para a aula de Poções. Harry já estava esperando por mim no corredor.


— Bom dia, Mione. — disse ele com aquele sorriso que me derretia por dentro.

— Bom dia, Harry. — respondi, tentando soar calma, mas meu estômago dava voltas.


No caminho para a aula, passei pelo Salão Principal e vi Neville treinando sozinho com sua vassoura, tropeçando a cada segundo. Sorri, lembrando-me do feitiço da Perna Presa de alguns dias atrás. Hogwarts parecia normal, mas eu sabia que nada seria normal este ano.


Na aula, Snape estava mais rígido do que nunca. Talvez fosse a minha presença ou talvez o meu nome — não importava, ele parecia farejar algo. Enquanto misturava ingredientes, meus pensamentos voltavam para Flamel. Precisava descobrir mais sobre a Pedra Filosofal. E se Voldemort soubesse da sua localização?


Depois das aulas, arrastei Harry e Ron para a biblioteca.


— Temos de encontrar algo sobre Flamel antes que seja tarde — disse eu, puxando um livro enorme sobre alquimia.

— Você acha que ele vai nos perseguir por causa disso? — perguntou Harry.

— Não sei — respondi sinceramente — mas precisamos estar preparados.


Horas se passaram entre páginas amareladas e anotações. Cada vez que encontrava algo sobre a Pedra, sentia um frio na espinha. O cachorro de três cabeças, guardando a pedra, não era apenas um mito — era real. E eu tinha um pressentimento terrível: ele não seria o único obstáculo entre nós e Voldemort.


Mais tarde, antes de jantar, fui dar uma volta pelo castelo. Senti um arrepio quando passei pelo corredor proibido. Algo me dizia que não estávamos sozinhos. E, naquela noite, antes de dormir, uma voz ecoou em minha mente, uma lembrança que não era minha, mas familiar: “Ela é minha filha… e um dia saberá de tudo.”


A manhã seguinte prometia mais mistérios, mais treinos de Quadribol, e a primeira oportunidade de testar coragem e magia contra o desconhecido.

POV Bellatrix (Azkaban)


A cela estava fria, mas minha mente queimava com a lembrança da filha que havia encontrado. Mesmo presa, eu sabia que não podia ignorar Voldemort. Ele precisava saber.


Fechei os olhos e concentrei-me, invocando uma conexão que poucos ousariam tentar. A escuridão de Azkaban tremeu em resposta, e uma voz familiar ecoou em minha mente:


“Fale, Bellatrix. O que descobriu?”


— Ela está viva — murmurei, tentando manter o controle. — Nossa filha. Em Hogwarts.


Houve um silêncio, apenas a sensação de mil olhos invisíveis observando. Finalmente, a voz fria e gelada de Voldemort respondeu:


“Nossa filha… em Hogwarts? Diga-me mais.”


— Ela é inteligente… muito mais do que poderíamos imaginar. E está perto de Potter.


O silêncio foi quase insuportável. Então ele disse, quase como um sussurro:


“Então observe. Mas não interfira… ainda.”


Senti um arrepio. Eu queria protegê-la, mas sabia que Voldemort pensaria em outros planos. Mesmo assim, meu coração se aqueceu. Minha filha estava viva.

Horas se passaram entre livros e notas sobre Flamel. Cada página parecia trazer mais perguntas do que respostas. Senti um arrepio percorrer minhas costas. Não sabia se era o frio ou a sensação de que algo me observava.


— Você está bem? — Harry perguntou, colocando a mão sobre a minha.


Senti o calor da mão dele e tentei sorrir. — Sim, só cansada. — Mentira. Sabia que não podia contar a ele ainda sobre meu pai.


Enquanto os últimos raios de sol desapareciam do Salão Principal, minha mente vagava para a conexão que Bellatrix e Voldemort poderiam ter. Eles sabiam que eu estava viva. Eles sabiam que eu estava aqui. E, apesar de tudo, eles sabiam que eu estava perto de Harry.


Algo me dizia que o próximo perigo estava mais próximo do que eu imaginava. E, naquele instante, prometi a mim mesma: não importa quem sejam meus pais, eu não seria apenas um peão. Eu escolheria meu próprio caminho.

POV Hermione


O ar frio do corredor proibido arrepiava minha pele. Cada passo ecoava nas paredes de pedra, e eu podia sentir meu coração batendo tão rápido que parecia quase ouvir a própria magia do castelo. Harry segurava minha mão, firme, e Rony caminhava logo atrás, ainda resmungando sobre minha coragem — ou imprudência.


— Temos mesmo de vir aqui? — sussurrou Harry, sem perder a mão que segurava a minha.

— Sim — respondi, tentando soar confiante. — Flamel… a Pedra… isso pode mudar tudo.


O corredor estava silencioso demais. Eu podia jurar que algo me observava, mas ao mesmo tempo não conseguia dizer se era medo ou apenas a minha própria imaginação. Cada sombra parecia ter vida própria.


De repente, chegamos a uma porta enorme, coberta de runas antigas. Era o que restava da seção restrita que ninguém ousava explorar. Meu coração disparou.


— É aqui — murmurei. — Sinto algo… algo muito antigo.


Rony estremeceu. Harry respirou fundo e empurrou a porta. Uma luz fraca iluminou o chão empoeirado, e ali, guardando a entrada de um túnel estreito, estava ele: o cão de três cabeças. Suas cabeças enormes giraram em nossa direção, os dentes brilhando à luz fraca.


— Hermione… — sussurrou Harry, apertando minha mão. — Lembra-se do que aprendemos…


— Sei — respondi, engolindo em seco. — Só temos de passar sem tocar nada.


O cão rosnou, uma mistura de dor e alerta, e moveu-se em círculos, testando nossa coragem. Eu podia sentir cada respiração dele, cada passo de suas patas gigantes no chão de pedra. O medo me esmagava, mas olhei para Harry. Ele sorria, tentando me dar coragem. Meu coração se aquietou por um segundo.


— Juntos — sussurrei. — Nós três.


Caminhamos lentamente, cada passo calculado, desviando das presas enormes do guardião. A tensão era quase insuportável. Eu podia sentir a magia da Pedra, sua energia pulsando à distância. Cada músculo do meu corpo estava tenso, mas a mão de Harry na minha me dava forças.


Quando finalmente chegamos ao outro lado, ofegantes e com as mãos suadas, percebi algo que me fez parar: no chão, havia runas antigas que brilhavam levemente. Era um aviso — não apenas da Pedra, mas de quem a protegia. Eu sabia, naquele instante, que não era apenas o cão que guardava Flamel. Alguém mais estava atento… alguém que sabia quem eu era.


Harry olhou para mim, os olhos cheios de preocupação:

— Hermione… o que foi?


Engoli em seco e olhei para o corredor vazio.

— Não sei ainda… mas sinto… que meu pai sabe que estamos aqui.


Rony pigarreou, sem acreditar:

— O quê? Voldemort? Agora?

Eu apenas balancei a cabeça. Era verdade. E, por mais que tentasse, não conseguia afastar o medo — mas também não queria que Harry percebesse o quanto isso me afetava. Olhei para ele, e ele me sorriu. Um sorriso que dizia: não importa quem seja seu pai, estamos juntos nisso.


E naquele momento, uma certeza se formou dentro de mim: não seria apenas uma filha das trevas. Eu seria Hermione Granger, corajosa, esperta e capaz de enfrentar qualquer perigo — mesmo se meu próprio sangue estivesse contra mim.

POV Hermione


O corredor à frente parecia ainda mais sombrio do que antes. O cão de três cabeças estava imóvel, mas suas cabeças enormes giravam lentamente em nossa direção, dentes à mostra. Eu sentia a pulsação da Pedra, como se ela estivesse chamando por nós, mas o medo era quase paralisante.


— Precisamos pensar — disse Harry, sussurrando. — Não podemos simplesmente correr.


Olhei para ele e respirei fundo. Suas mãos segurando as minhas me davam coragem.

— Juntos — murmurei. — Se estivermos sincronizados, conseguimos.


Rony resmungou algo sobre não gostar de monstros gigantes, mas se alinhou conosco. Caminhamos devagar, os olhos fixos no chão, tentando não chamar atenção. Cada passo parecia ecoar, mas o cão apenas nos observava, rosnando baixinho.


Quando chegamos perto das runas que brilhavam levemente, percebi que não eram apenas símbolos de proteção — eram uma espécie de feitiço anti-intruso. Tremi, lembrando-me da sensação estranha que sentira antes. Voldemort sabia que eu estava ali. E isso significava que o perigo era real.


— Hermione… — Harry sussurrou, olhando para mim. — Está tudo bem?


Engoli em seco.

— Sim… só… foquemo-nos na Pedra.


Atravessamos lentamente o corredor, e o cão moveu-se apenas um passo, testando nossa coragem. Harry fez um gesto sutil com a mão, e percebi que ele estava tentando distrair o guardião, usando um feitiço de luz suave que aprendera nas aulas. O cão latiu, mas voltou a se concentrar no chão, deixando um pequeno espaço para que passássemos.


Meu coração quase saltou quando conseguimos atravessar. Eu podia sentir a energia da Pedra mais forte, pulsando em direção a nós. Mas, no instante em que estendi a mão para tocar a porta que levava ao túnel secreto, ouvi um sussurro na minha mente:


"Ela está perto…"


Congelei. Era a voz de Bellatrix, ou pelo menos parecia. Uma sensação gelada percorreu minha espinha. Voldemort sabia. Ele estava atento.


— Hermione? — Harry chamou, preocupado. — Está tudo bem?


Sorri, tentando não mostrar o medo.

— Sim… só… precisamos continuar.


Atravessei a porta e senti o ar mudar. Era como se a magia da Pedra tivesse vida própria, observando cada um de nós. Rony e Harry estavam ao meu lado, e por um instante, senti a força da nossa amizade. Mas o perigo ainda estava à frente, e sabia que não seria apenas o cão que teríamos de enfrentar para chegar à Pedra.


Olhei para Harry, e ele segurou minha mão de novo. O calor dele me deu coragem.

— Vamos conseguir — disse ele.

— Sim — respondi, sentindo meu coração bater forte. — Juntos.


E naquele momento, percebi que não importava quem fossem meus pais, nem o que Voldemort planejava. Eu era Hermione Granger. Corajosa, determinada… e, acima de tudo, capaz de enfrentar qualquer perigo — mesmo o meu próprio sangue.

POV Hermione


O ar dentro do túnel era pesado, carregado de magia antiga. Cada passo ecoava, e a luz das minhas mãos tremeluziam sobre as paredes de pedra. Harry e Rony estavam ao meu lado, atentos a cada sombra. A energia da Pedra pulsava, chamando por nós, mas o perigo parecia dobrar a cada segundo.


— Hermione… olha isso — disse Harry, apontando para símbolos brilhantes no chão. — Runas antigas. Devem ser algum tipo de feitiço de proteção.


Engoli em seco.

— É exatamente isso — respondi, tentando controlar o tremor da voz. — Se pisarmos errado…


Eu não terminei a frase. Um rugido ecoou pelo túnel. O chão tremeu. Uma série de plataformas suspensas surgiu à nossa frente, flutuando sobre um abismo profundo que parecia não ter fim.


— Temos de atravessar — disse Rony, pálido. — Mas… como?


Harry segurou minha mão e sorriu.

— Juntos, Hermione. Se confiarmos uns nos outros, conseguimos.


Respirei fundo. Cada plataforma era instável, e a magia que a sustentava parecia sentir nosso medo. Harry foi primeiro, com passos firmes, e eu o segui, sentindo o coração bater tão forte que parecia querer sair do peito. Rony tropeçou em uma das plataformas, e eu estendi a mão, segurando-o com força.


— Concentre-se! — disse. — Nós conseguimos juntos.


Quando atravessamos a última plataforma, a sala seguinte se abriu: um labirinto de espelhos mágicos refletindo cada um de nós, mas também imagens estranhas — sombras de rostos que eu conhecia, e outros que não reconhecia. O mais assustador… era que uma das figuras me lembrava Voldemort, olhando diretamente para mim.


— Hermione… — sussurrou Harry, percebendo minha tensão. — Eles são só reflexos.


Mas eu sabia melhor. A sensação de que meu pai e Bellatrix estavam observando não me abandonava. Tremi, mas senti Harry colocar a mão sobre a minha.


— Estou aqui — disse ele suavemente. — Sempre.


E naquele momento, algo dentro de mim mudou. O medo ainda estava lá, mas o calor da mão dele, o olhar dele… eu sabia que não precisava enfrentar nada sozinha. Antes que pudesse pensar mais, Harry inclinou-se e me beijou novamente, desta vez mais firme, mais intenso. Meu coração disparou, e por um instante, o túnel, o cão, os reflexos — tudo desapareceu.


— Hermione… — ele sussurrou, encostando a testa na minha. — Nós conseguimos juntos.


Sorri, sentindo uma força que não vinha apenas de magia, mas de confiança, coragem e algo maior — amor.

Quando nos afastamos, percebemos que à frente havia uma última barreira: uma porta enorme, protegida por runas de Flamel, pulsando com luz dourada. A Pedra Filosofal estava logo atrás.


— É aqui — disse Harry, firme. — Mas precisamos ter cuidado.


Olhei para ele, e então para Rony, e senti que, não importava quem fossem meus pais, ou o que Voldemort planejava… nós éramos mais fortes juntos.


— Vamos — sussurrei, com determinação. — Não há volta agora.


E, com Harry segurando minha mão, atravessamos a porta, prontos para enfrentar qualquer coisa que estivesse à nossa espera.

Quando nos afastamos, percebemos que à frente havia uma última barreira: uma porta enorme, protegida por runas de Flamel, pulsando com luz dourada. A Pedra Filosofal estava logo atrás.

— É aqui — disse Harry, firme. — Mas precisamos ter cuidado.

Olhei para ele, e então para Rony, e senti que, não importava quem fossem meus pais, ou o que Voldemort planejava… nós éramos mais fortes juntos.

— Vamos — sussurrei, com determinação. — Não há volta agora.

E, com Harry segurando minha mão, atravessamos a porta, prontos para enfrentar qualquer coisa que estivesse à nossa espera.

Mas eu sabia: não seria para sempre. Voldemort ainda nos observava, e descobrir que sua filha estava viva em Hogwarts não seria algo que ele deixaria passar.