Here We Go Again - Jesse Pinkman
1 Back to hell
Notas iniciais
Eu nunca pensei que voltaria tão cedo para Albuquerque novamente. Depois que eu terminei o ensino médio eu comecei minha faculdade o mais longe possível, em Phoenix. Me formei em letras e voltava para casa dos meus pais em feriados foi quando eu descubro que eles estão se divorciando, brigavam o tempo todo e isso só piorou quando me colocaram no meio de tudo isso, me pedindo para escolher um favorito. Consegui um emprego de professora de literatura no ensino médio em Phoenix, fiquei lá por dois anos, tinha um relacionamento de um ano com o homem perfeito, Harry William. Bom, minha vida estava perfeita longe de Albuquerque, mas tudo mudou rapidamente.
Meu namorado "perfeito" me traiu com minha melhor "amiga", ela era professora de natação na mesma escola que eu dava aula. Eu estava trancada no meu apartamento a dois dias quando recebi uma ligação da minha tia Chloe, uma notícia como a cereja no pior bolo da minha vida. Meu pai morreu de ataque cardíaco enquanto comia um x-bacon gorduroso, aquilo foi o suficiente para me fazer largar o emprego e voltar para Albuquerque no meu pior estado.
"Pelo menos você ainda tem uma mãe"
Pensei isso quando parei em frente a minha casa antiga, eu cresci lá e o jardim estava exatamente do mesmo jeito. Suspirei pronta para abrir a porta, mas uma voz me chamando por trás me fez virar. Encontrei os olhos azuis e a cabeleira loira da Sra. Pinkman, nossa vizinha da frente desde que me conheço por gente.
ㅡ Lisa? Lisa Miller!
ㅡ Olá, Sra. Pinkman. Como vai? — eu a abracei rapidamente, ignorando uma lembrança antiga.
ㅡ Bem. Eu achei que nunca mais te veria. — ela me olhava sorrindo com um brilho nos olhos.
ㅡ Eu não pretendia voltar, mas depois que meu pai... — eu não consegui terminar a frase, ele tinha morrido apenas a três dias e eu nem fui ao seu funeral. — Achei que seria melhor eu voltar para casa.
ㅡ Sinto muito pelo seu pai, ele era um bom homem.
ㅡ Obrigada. — sorri sem mostrar os dentes, palavras nunca seriam o bastante para me deixar bem.
ㅡ Eu só não sei o que faz aqui. Sua mãe não contou que vendeu a casa?
ㅡ O que? — eu não acreditei no que ouvi.
Na verdade tinha quase certeza que podia ser verdade, minha mãe virou uma louca depois que se divorciou, eu nem a reconhecia mais. Já meu pai, depois do divorcio se focou somente em sua carreira de advogado, minha tia contou que ele tinha crescido muito mais no ramo.
ㅡ Ela vendeu a casa a um mês, pegou o dinheiro e agora viajou para um cruzeiro depois que seu pai morreu. — eu automaticamente agarrei meu celular do bolso do casaco, mas um sinal na tela mostrava que estava sem bateria.
ㅡ Droga, estou sem bateria.
ㅡ Quer usar o telefone de casa, querida? — Sra. Pinkman sorriu gentil enquanto eu estava quase entrando em pânico.
ㅡ Claro, seria ótimo.
Caminhávamos para a casa da frente, ela abre a porta e a segura me esperando entrar, mas meu corpo trava. Minha mente lembrando exatamente todas as vezes que eu entrei por aquela porta quando ainda estava no ensino médio. Sra. Pinkman notou meu olhar congelado e suspirou.
ㅡ Pode entrar, não se preocupe. — Diane estava com um olhar triste, éramos duas mulheres magoadas pelo mesmo garoto.
Eu apenas entrei e tentei afastar qualquer memória que aquele lugar me trazia. Me direcionei para o telefone na parede da cozinha, larguei minha única mala de rodinhas no canto e disquei o numero da minha mãe, depois de chamar cinco vezes minha mãe atendeu.
ㅡ Mãe, sou eu. — eu tentei manter minha calma, ainda mais que Diane me observava sentada na mesa da cozinha.
ㅡ Lisa, minha filhinha! Como está em Phoenix? — minha mãe parecia meio bêbada e tinha um som alto no fundo.
ㅡ Mãe, eu estou em Albuquerque. Por que não me contou que vendeu a casa?
ㅡ O que faz em Albuquerque, querida? Tirou férias do trabalho? — ela parecia evitar o assunto, e vozes ficavam mais altas na chamada.
ㅡ Eu te contei ontem que voltaria. Por que vendeu a casa? — minha paciência com minha mãe estava se esgotando.
ㅡ Olha, Lisa. Essa casa é um poço de lembranças que eu não quero mais lembrar. Estou em uma nova fase da minha vida agora. Você deveria se livrar de algumas coisa velhas também, querida.
ㅡ Como você se livrou do papai? Acho que a única coisa velha que resta eu me livrar é você, já que vendeu a casa que eu cresci! Tenha um bom cruzeiro e eu espero que nenhum iceberg destrua seu navio, Naomi. Tchau. — eu coloquei o telefone na parede com força, minha irritação me deixava vermelha e meus olhos estavam molhados, mas eu recusava deixar alguma lágrima cair.
ㅡ Lisa, quer conversar? — Sra. Pinkman perguntou com sua voz calma e triste.
ㅡ Não sobre isso, desculpe. — suspirei. — Obrigado, mas eu tenho que procurar um lugar para passar a noite agora. Foi muito bom ver você de novo. — tentei por um sorriso, mas deve ter parecido o sorriso mais forçado que já dei.
ㅡ Você pode ficar aqui. Está ficando escuro, é muito perigoso na rua essas horas. E temos um quarto sobrando.
ㅡ Não quero incomodá-la, Sra. Pinkman. — eu não queria me incomodar na verdade. Aquele era o segundo pior lugar de lembranças ruins que tinha em Albuquerque.
ㅡ Eu e o Adam ficaríamos felizes com sua companhia, gostamos muito de você, Lisa. Por favor, aceite. — Sra. Pinkman implorava com seus grandes olhos azuis brilhando para mim.
ㅡ Tudo bem, uma noite não incomoda ninguém.
[...]
Já faz cinco dias que estou dormindo na casa dos Pinkman, era muito desconfortável ter que ficar no quarto dele, na verdade era difícil dormir ali. Por mais que Diane estivesse magoada com o filho primogênito, ela ainda mantinha as coisas antigas dele no quarto, a cama com os mesmos lençóis, o mesmo papel de parede, um baú cheio de brinquedos e trabalhos da escola. Ainda tinha uma fotografia nossa na mesa de estudo do quarto, uma foto tirada quando tínhamos dezessete anos na escada da casa, sorrisos mostrando nossa felicidade, a foto foi tirada antes de uma explosão de brigas acontecer entre nós. Eu fiz questão de esconder a foto no baú, junto com todas as outras tralhas.
Eu ficaria só mais uma noite ali, estava negociando um apartamento pequeno no centro, tinha acabado de fazer uma entrevista de emprego em uma escola particular da região sul, era perto, tinha um bom salário e eles estavam desesperados para alguém preencher a vaga.
ㅡ Já ligaram para você sobre o emprego? — Sr. Pinkman pergunta para mim, estávamos jantando.
ㅡ Por enquanto não, faz só um dia. Mas eu encontrei um apartamento legal no centro, estou negociando. — falei vendo os sorrisos em seus rostos.
ㅡ Adoramos ter você aqui, mas estamos muito felizes por você estar conseguindo o que quer. — Diane falou.
ㅡ Obrigada. — sorri, observado o quanto o filho mais novo deles estava quieto essa noite. — Como está na escola, Jack?
ㅡ Tirei dez na prova de algebra. — o menino responde, era costume tirar notas altas, chegava a ser chato.
ㅡ Ele é muito parecido com você, inteligente e aplicado. — Adam me fala.
ㅡ Eu me esforçava. — forcei um sorriso. Sr. Pinkman se referia assim por causa das aulas semanais que eu dava a Jesse ao longo do ensino médio. Não se passa um minuto nessa casa que eu não acabe me lembrando dele.
Ouvimos um barulho nos fundos do jardim, largamos os talheres e nos olhamos em silêncio esperando ouvir mais alguma coisa. Um ladrão? Mas as luzes da casa estão acesas. Algum guaxinim?
ㅡ Alguma coisa no jardim. — Diane fala, todos nos levantamos seguindo o Sr. Adam.
A luz dos fundos foi ligada, o Sr. e a Sra. Pinkman foram os primeiros e sair e pararem encarando o que estava diante de seus olhos, surpresos. Quando sai para o jardim meus olhos encontraram as íris azuis dele, senti um nó na garganta e talvez meu jantar voltando por onde entrou. Ele parecia mais surpreso que eu, me olhou dos pés a cabeça como se estivesse analisando um cubo mágico com as cores mais misturadas e complicadas. Algo que eu diria ser difícil de consertar. Eu sabia que tinha a chance disso acontecer, mas Diane tinha tanta certeza que ele não voltaria tão em breve. Acho que evitar isso sempre foi inevitável.
ㅡ O que faz aqui? — Adam pergunta ao filho.
ㅡ Decoração nova no jardim? Bonita. — Jesse tinha destruído uma das cadeiras de sol, uma entrada desajeitada, igual a ele.
Eu deixei meu corpo me guiar para o andar de cima, entrei no quarto sentindo minha respiração ofegar. Eu precisava sair de lá o quanto antes. Mas acima de tudo, tinha que me acalmar e mostrar uma postura superior. O passado ficou no passado e eu tinha que mostrar que superei e estou melhor agora. Uma grande mentira, minha vida não está nada certa nessas últimas semanas. Depois de alguns minutos eu ouço batidas na porta, eu me levanto da cama e a abro sabendo o que me esperava.
ㅡ Oi, Lisa. — ele parecia nervoso, até mais que eu.
ㅡ Oi. — fingi um sorriso e dei espaço para ele entrar.
Jesse usava uma touca preta, jeans largos, camisa e casaco grandes até mesmo para ele. Era totalmente o contrário que Harry, meu ex-namorado traíra. Harry usava gravatas, sapatos sociais e o cabelo sempre com uma boa quantia de gel. Agora eu me pergunto, qual é meu tipo? Acho que não tenho mais.
ㅡ Eu não sabia que tinha voltado, nem que estava aqui. — ele passava o olhar pelo quarto, as mãos um pouco inquietas. Eu não sei como estou conseguindo olhá-lo.
ㅡ Eu não tinha onde ficar quando voltei, seus pais foram gentis em me deixar ficar.
ㅡ Mas e sua casa? Seus pais? — Jesse parou para me analisar de novo, estava curioso. Me pergunto se Diane comentou alguma coisa para ele antes de subir.
ㅡ Longa história. — suspirei desviando o olhar para uma pilha de cobertores e travesseiros. — Vou deixar você dormir no seu quarto.
ㅡ Não. Pode ficar, eu durmo no chão, cheguei depois. — ele sorriu nervoso.
ㅡ O chão? — franzi o cenho. — Do quarto? — a ideia não parecia boa para mim, mas não podia reclamar na situação em que estou.
ㅡ Eu coloco isso e tudo bem. Sério. — Jesse pega as cobertas em cima da cama e joga no chão.
ㅡ Tá. Boa noite.
Fui para o banheiro colocar meu pijama, aproveitei para ver meu rosto, era notório que eu não estava nada bem, mas acho que deu para disfarçar. Eu voltei para a cama, me tapando por inteira. Jesse já estava deitado no chão de olhos fechados. Eu estava sem sono, obviamente não iria conseguir dormir sabendo que ele estaria no mesmo quarto que eu. Tão perto, perigosamente perto.
Depois de duas hora que ainda estava acordada, o quarto estava quieto e a lua iluminava uma parte do cômodo. Eu sento e rastejo até os pés da cama vendo Jesse dormir, ele tinha tirado a touca e eu pude ver que seu cabelo estava maior que a última vez que nos vimos, muitos anos atrás. Ele não mudou nada, e não posso garantir que sua personalidade também, o que me faz ter que sair de perto dele o quanto antes. Era arriscado ficar perto de Jesse Pinkman.
ㅡ Ei, professora Miller! — o loiro chamou minha atenção com o novo apelido que eu avia recebido do mesmo. Eu fecho o livro que lia e observo Jesse se aproximando com a mochila nas costas, caminhava do seu jeito desajeitado, sorrimos quando nossos olhares se encontraram.
ㅡ Acho que estou começando a gostar desse novo apelido. — falei o vendo se sentar na grama junto comigo, ele avia jogado a mochila de qualquer jeito atrás de si e se inclinou me dando um selinho.
ㅡ É sexy, combina muito com você. — Jesse sorriu, se aproximando de mim e agarrando minha cintura para que eu também ficasse mais próxima dele, seus lábios foram trilhando um caminho pelo meu pescoço até o lóbulo da minha orelha.
ㅡ Você não pode me distrair hoje, temos muita coisa para fazer. O Sr. White precisa ver seu esforço e te dar um B+ dessa vez. — falei o afastando de mim, pelo menos um pouco, eu também não tinha tanta força para ficar longe dele.
ㅡ Porque um B+ e não um A? — ele franziu o cenho me olhando.
ㅡ Eu acredito muito em seu potencial, amor, sério. Mas, você já viu a sua letra? Qualquer professor descontaria nota dela. É um desastre. — respondi rindo, pegando o livro de ciência para começarmos.
ㅡ Você pode me ensinar isso também, é mais uma desculpa para ficar perto de você.
Jesse se deitou para trás repousando sua cabeça em sua mochila e me puxando para cima dele. Meus cabelos caíram, formando uma cortina em volta de nossos rostos. Jesse segurou com uma mão uma parte de meus cabelos até chegar em minha nuca, sua outra mão apertava minha cintura contra sua pélvis. Eu mordia o lábio olhando seu rosto inteiro com a iluminação do dia, seus olhos verdes estavam com um brilho e nos seus lábios tinha um sorriso, ele estava feliz, eu estava feliz.
ㅡ Eu amo esse lugar, podemos ficar sozinhos, sem ninguém para atrapalhar. — Jesse falou, acariciando minha bochecha com o polegar, eu retribuía as caricias, passando meus dedos por seus cabelos loiros.
ㅡ É um bom lugar para estudar. — eu concordo e ele riu.
ㅡ Não é sobre isso que eu estou falando. — sorriu puxando meu rosto.
Jesse colou nossos lábios, ainda com a mão agarrada em meus cabelos me guiando com o beijo que começou lento mas aos poucos tomou uma profundidade e ficou apressado. Eu senti ele apertar minha cintura e comecei a sentir o volume que criou em sua calça e roçava em minha intimidade. Eu tentei afastar meu rosto mas Jesse continuou se aproximando, não deixando que o beijo terminasse. Ele começou a subir sua mão para a barra da minha blusa a levantando, mas antes que ele chegasse no meu sutiã eu segurei sua mão e me afastei dele, colocando minhas mãos em seu peito para o manter deitado.
ㅡ Jesse, não. — pedi respirando fundo, ele estava com os lábios vermelhos, os olhos com desejo e suspirou profundamente. Ele fechou os olhos e concordou. — Você concordou em não apressar as coisas.
ㅡ Tudo bem. — ele levantou as mãos em forma de rendição e eu sai de cima dele o vendo sentar e colocar a mochila no colo.
ㅡ Obrigada. — suspirei e ele pegou na minha mão e acariciou o dorso.
ㅡ Vamos começar, eu tenho um compromisso em duas horas.
ㅡ Vamos.
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