"- Demi, por favor, me escute... Me deixa terminar!" "- Eu não preciso ouvir mais nada" – então quando eu percebi estava correndo pra casa, mas eu estava fugindo dele. Da última pessoa no mundo que eu queria viver sem, porém as coisas mudaram e quando eu fui ver, não tinha mais controle de nada! Então a primavera acabou e eu vi o verão mais frio do mundo começar — eu não senti a diferença climática. Meu coração foi convertido a gelo. Talvez eu devesse parar com essa minha mais nova mania — tirar de vez essa máscara a qual me escondo e deixar prevalecer à verdadeira Demi -. Mas eu não posso fazer isso, porque se não eu posso me quebrar de novo, eu não quero me machucar de novo. Talvez eu não consiga me recuperar uma segunda vez, acho que nem da primeira eu me recuperei

ainda. Todos dizem que eu sou estranha, só porque eu estou dando um tempo pra vida? É, isso mesmo que você acabou de ler. Esse é o meu novo jeito de viver. Na verdade, eu não sei por que as pessoas se importam tanto comigo. Eu já tenho quase dezoito anos, terminei a escola, tenho o meu carro – que eu ganhei de aniversário dos meus pais, mas não me importa. Mesmo assim continua sendo meu. – e ao invés de ir pra uma boa faculdade eu quis mudar de rumo. Sai da minha cidade natal, Houston no Texas, e de verdade eu não gosto de falar porque eu quis mudar, prefiro não falar nada sobre o meu passado. Pois o que passou, passou! Nós não devemos ficar remoendo isso, certo? Errado, essa frase não serve pra mim. Logo depois que eu terminei o colegial, agora nas minhas férias de verão simplesmente decidi sair um pouco... Viajar. E por mais estranho que pareça os meus pais me apoiaram nessa decisão, eles sabiam que

isso era o melhor pra mim, o melhor pro meu coração. 0 "Só o tempo cura um coração ferido"– meu pai dizia isso pra mim. E agora eu realmente esperava que suas palavras fossem reais, que o tempo curasse as minhas cicatrizes. Eu disse adeus aos meus pais, aos meus irmãos e fui para Albuquerque, no Novo México. Onde minha prima mora sozinha em uma

casa e disse que havia espaço pra mim, sem pensar duas vezes já tracei a minha rota. A cidade de Albuquerque era realmente linda, o clima era geralmente seco e muito ensolarado, por isso minha prima Emma foi um gênio em comprar uma casa com piscina, todos os dias possíveis eu desfrutava daquela água deliciosa. Todos os dias possíveis, pois às vezes eu levantava sem ânimo

algum. Eu simplesmente me lembrava do real motivo pelo qual havia saído de casa e fica perfeitamente destruída. Emma era uma ótima conselheira amorosa. Ela já era bem mais experiente do que eu, já havia tido alguns namorados e também algumas tristezas juntas. Porém ela me disse uma vez: "Não é porque um garoto te deixou mal uma vez que a sua próxima experiência será ruim também". Eu já não pensava daquela maneira. O buraco que estava no meu

peito parecia de um tamanho estrondoso, um buraco sem fim. E cada dia que eu passava longe do dono do meu coração ele ia aumentando. Meu coração só gritava um nome, e eu não ia conseguir substituí-lo por outro alguém assim tão fácil. No início, eu enchia a minha cabeça de problemas, mas meu coração esvaziava a minha mente quando eu me lembrava dele. Coração burro! Como você pode se apaixonar assim? Então eu me lembrava dele dizer: "Para Todo o Sempre" e um rio de lágrimas transbordava pelos meus olhos. Minha prima viu algumas crises que eu tinha de madrugada. Ela tentava me ajudar, porem, no outro dia ela tinha de ir trabalhar – ela era gerente de um hotel em Albuquerque, e nas férias de verão aquele lugar ficava lotado — e eu estava interferindo a sua noite de sono. Passei duas semanas na casa de Emma e depois liguei pra minha mãe avisando que iria à casa da Vovó Lovato. 0 No dia seguinte arrumei minhas malas, dei até logo a minha querida prima Emma e parti. Fui pra Tulsa, em Oklahoma.

A minha vó morava sozinha, já era viúva e ela pareceu gostar da minha visita, até eu chegar lá.

— Demizinha. – ela me acolheu em um abraço apertado.

— Oi, vovó.– tentei não ser esmagada por aqueles braços "fofinhos".

— Você chegou bem na hora dos 'muffins da vovó' — ela me empurrou para dentro de casa.

Eu nunca ia conseguir fazer um regime na casa dela. A casa da minha avó não havia mudado nada desde que eu estive lá o que? Acho que três anos. O lugar estava com o mesmo cheiro da vovó, os móveis iguais – talvez ela tivesse mudado algumas coisas, mas eu não percebi. Fomos para a cozinha e eu senti o cheirinho dos deliciosos e disputados muffins da Dona Lovato. — Nossa você nunca erra a mão hein, vó. – comentei entre uma mordida e outra. — Claro, eu quero que você esqueça a tristeza que aquele garoto lha causou. – Se eu já não tivesse conhecido a minha avó há muito tempo pensaria que ela havia dito aquilo inocentemente, mas a minha vó não é assim. — Vovó não. – me lamentei... — Demi, cresça. Você terá muitos outros amores. – ela começou a ficar séria. — Vó porque você tem que estragar o meu muffin? — murmurei tristonha. — Demitria Devonne Lovato. Você tem que encarar as coisas de frente. Ele foi só um namoradinho, acabou. Você supera. Eu me levantei da bancada com muita raiva. Não queria responder a minha vó, mas bem que ela merecia... Porém eu estava na casa dela. Por que ela não poderia simplesmente fingir que eu estava ali para

visitá-la ao invés de tentar esquecer ele? Por que ela tinha que falar dele? Pra quê? Pra me causar mais dor ainda? Era isso? Sai da cozinha com passos pesados e corri até o quarto de hóspedes, enquanto fazia isso a ouvi gritar: — Para de agir como uma menininha mimada! Se ele te amasse de

verdade não teria feito o que fez. 0 Eu bati a porta com uma força excessiva e me joguei na cama. Essa era minha avó sempre com palavras amáveis. Sabia que a vovó faria isso, por que eu tinha vindo justo pra cá? Que raiva. Ela não consegue entender o meu lado, não consegue entender que... Que não é tão fácil assim! Se fosse, ela acha que eu teria "fugido" de casa assim? Que eu não teria continuado a procura de um outro alguém? Por que o meu pai tinha contado isso pra minha vó? Ele sabia muito bem como ela ia agir que ela com toda sua franqueza ia dizer essas coisas pra mim! Que... Ai que ódio! E eu comecei a chorar!

Naquela mesma noite eu telefonei pra minha mãe. — Mãe, você sabe que eu vou acabar respondendo ela. — Demi, você quem quis ir pra ai. Você pode ir embora se quiser. Não precisa agüentar isso. — ela me respondeu sussurrando, talvez meu pai estivesse ao lado dela, minha mãe não se dava muito bem com a sogra. — É isso que eu vou fazer mãe. – respondi decisiva. — Faça como bem entender querida. – tradução: Faça isso logo ou

então você vai enlouquecer. — É, mas agora vou visitar quem? – comecei a pensar no resto da minha família. Eu ainda tinha mais dois meses de férias, talvez uma viagem até New York ver a minha tia. Não era muito longe... — Filha, espera um pouco que a sua vó ta na outra linha.– mamãe atrapalhou a minha linha de pensamento. — A vovó Lovato? – bem, como eu estava falando do meu celular, talvez fosse ela pra dizer ao meu pai sobre o meu comportamento — Você não tem só uma avó, Demi. A minha mãe. Espera um pouco filhota. — Claro. – fiquei falando sozinha. Mas era óbvio demais, a minha vó Anna. Ela morava no Texas, era perto. Eu poderia ir à casa dela – ela sempre me cobrava uma visita. Minha mãe demorou três minutos – três minutos que eu contei no relógio do quarto de visitas – até me responder: — Demorei muito? – eu deveria ter dito que sim, quase uma eternidade, porém me contive. — Não, não. Mas mamãe. – comecei — A vovó ta bem? 0 — Mãe! Eu não me esqueci da vovó Anna. – resmunguei — Claro, claro. – ela pareceu não acreditar em mim... — Você fala que eu me esqueci dela e por isso acho que vou passar

um tempo na casa dela. – sorri — Ela vai adorar a notícia. – mamãe parecia mais alegre. — Será que você pode falar com ela mamãezinha? É que só agora a Dona Lovato foi dormir e como eu não queria ver a cara dela então me tranquei no quarto, mas estou com fome agora.. — Não acredito que você não comeu nada até agora Demitria! – ai como as mães são preocupadas. — Eu to indo mamãe, também te amo e amo o papai. Tchau. – não queria ouvir esse sermão sobre 'como a alimentação é importante' e tudo mais, eu já sabia muito bem. Abri a porta com o maior silêncio e de meias desci as escadas calmamente. Fui até a cozinha, abri a porta da geladeira e fiz um assalto. Fiz um belo de um sanduíche e quando dei a primeira mordida a luz da cozinha foi acessa. — Finalmente você saiu do quarto. – vovó estava encostada na porta da cozinha. Eu estava assustada e só fui capaz de sorrir amedrontada enquanto comia meu lanchinho noturno. — Olha, vó. – deixei o lanche na bancada de dividia a cozinha em duas, que naquele momento era a minha parte e a da vovó. – Eu não quero brigar com você... Então eu vou ir embora amanhã, ta legal? — Por que você sempre foge dos problemas? – ela iria começar outra briga. — Eu não fujo dos problemas. – respondi tentando me acalmar. — Ah não? O que você fez depois que o Trace se foi mesmo?... Ah é! Você começou o seu 'tour' pela casa dos seus familiares... Agora ta fugindo de mim. – ela abaixou os óculos até a ponta do nariz. Como eu odiava quando as pessoas tinham razão e eu não! 0 — Vó, você não entende... Eu não fugi do Trace! – doía demais dizer o nome dele depois de tudo o que eu havia passado — E não estou fugindo de você... Só não quero brigar com você por causa disso então achei melhor seguir meu “tour” como você mesma disse. — fiz aspas com as mãos ao dizer aquela palavra. — Olha Demi, faça o que você quiser. Só que se você acha que eu não te entendo você está errada. – eu a olhei surpreendida – Eu já tive a sua idade, eu já sofri por amor e eu estou tentando lhe dizer é que sim! Você vai conseguir superar isso. — Vó, não é fácil sabia? Eu amava demais aquele garoto... — Viu você ta superando. — Do que você ta falando? – eu perguntei confusa. — Você disse: “Eu amava demais aquele garoto” não “Eu amo demais aquele garoto” — Agora isso não ta fazendo diferença vó. Eu saí da casa porque tudo ali me lembrava ele, só que eu não consigo esquecer! – comecei a sentir as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. — Demi, querida – ela caminhou até mim e me abraçou – Você é mais forte do que pensa, você vai conseguir esquecê-lo. — Mas dói demais vó... – eu não conseguia mais falar. — Querida, você sabe que eu vou estar aqui do seu lado pra te ajudar... Para todo o sempre. Quando ela disse aquelas palavras toda a dor que habitava o meu pequeno e destruído coração saiu em um jorro de lágrimas. Eu pude ouvir a voz dele dizer na minha mente: “Para Todo o Sempre Minha Demi" — Você precisa dormir, vamos. – minha vó me aconselhou enquanto caminhávamos até o quarto de hóspedes e ela me deixou um pouco só. Naquela noite choveu muito e eu fiquei mais tranqüila com isso, pois os raios eram mais estrondosos do que os meus gritos.

Notas finais
Merece reviews?