Herdeiros dos Nórdicos -interativa
23 XXIII-Kerli
Notas iniciais
Estava sentada numa mesa redonda toda feita de madeira,sobre ela havia uma toalha branca com algumas partes bordadas e sentados ao meu redor,tomando chá comigo,estavam meus bonecos. A boneca de Bifrost estava cortada ao meio,a boneca de Lena estava ao lado do boneco de Henry,Bianca estava com seu belo cabelo arrumado em um rabo de cavalo,Alaska estava toda coberta por casacos e luvinhas,Ann tinha um gato em sua cabeça,Lucy estava segurando sua xícara,Matt estava com um punhal em seu peito,Lynn estava meio caída pro lado,Liesel estava com uma expressão meio seria e claro Uriah estava sentado ao meu lado e meu irmão Alexander estava caído no chão.
Ria algumas vezes ao escutar a conversar das bonecas e tomava mais um pouco de chá. Estava tudo perfeito até um pouco de sangue vir na minha direção e manchar a toalha branca. Coloquei a xícara delicadamente na mesa e me levantei.
–Licença.-disse e me virei para aqueles malditos Draugr.-Pare!
Draugr eram um tipo de zumbi,quando vida eram grandes guerreiros que ao serem enterrados foi posto com eles suas riquezas e para protegê-las voltavam a vida e devoravam quem atrevesse chegar perto. São criaturas realmente nojentas,seus olhos brilham mostrando que não são zumbis normais e além de um brilho diferente que sai de seus corpos,mas sua carne e podre e fede,os vermes rastejam pelos seus rostos. Sua pele é escura por estar podre,mas seus dentes continuam perfeitos,isso é uma coisa estranha. São criaturas poderosas já que são capazes de matar qualquer um e diferente dos zumbis,eles não morrerem com um mero tiro na cabeça,claro que eles tem cérebro,se não tivessem não teria como eu controla-los. Claro que um dos motivos para me obedecerem e que tive de escavar alguns túmulos e roubar alguns tesouros de seus inimigos e da para esses mortos.
Os Draugr estavam devorando uma garota de uns 10 anos ou menos que havia aparecido ali. Ela gritava e implorava para que parasse,mas não seria eu que negaria comida para meus servos,mas infelizmente essas pilhas de carnes mortas não conseguem comer sem fazer uma enorme sujeira.
Os zumbis simplesmente me ignoraram e continuaram a devorar a garotinha fazendo a mesma bagunça.
–Tsc...-revirei meus olhos e andei para fora daquele salão. Tinha achado uma mansão próxima a um penhasco que dava para a praia. Os donos? Todos eles são minhas novas bonecas e estão bem guardados junto com as outras.
Ao lado de fora o vento era frio e cortante,mas isso não me irritava nenhum pouco. Olhei ao redor e fui até a praia,que como sempre,estava vazia e o mar estava agitado. Fiz um pequeno corte na mão e coloquei minha mão,que agora estava suja de sangue na água salgada do mar. Não demorou muito para ver alguma coisa se mexendo na água na direção da praia. Abri um sorriso de canto. Estava tão concentrada que acabei me assustando com uma voz que vinha de trás de mim.
–Não deveria brincar com as criaturas marinhas. Sabe,tão bem quanto eu,que não obedecem ninguém .-falava o garoto ruivo que tinha um de seus olhos cobertos por sua franja. Seu sorriso era malicioso e suas roupas era do século XIX,ele parecia ter uns 19 anos.
–Acho que Jörmundgander seria um bom presente para seus amiguinhos.-falava voltando meu olhar pro mar que agora parecia mais calmo.-Não acha,Oliver?
–Não sou tão baixo assim.-respondia o ruivo cruzando seus braços.
–Não é tão baixo?-comecei a ri.-você prendia semideuses para se alimentar deles por séculos.
Oliver deixou suas presas a mostra e ameaçou avançar em mim,mas se conteve.
–Qualquer um iria ficar louco depois de tantos séculos sem me alimentar!-gritou o garoto.
–Oh claro. Seu irmãozinho não foi o suficiente,certo? Digo,mata-lo deve ter sido o pior momento da sua vida né? Rasgar o pescoço da unica pessoa que não te achava um monstro,devorar a carne lentamente enquanto ele gritava por socorro.
–Sua...-Oliver veio para cima de mim,mas consegui impedi-lo e joga-lo para longe de mim e depois puxa-lo sem fazer nenhum esforço. Com um mero gesto de mão o deixei levantado sobre a água do mar.
–Te tirei do Nifheim. Não me obrigue a manda-lo de volta para sua prisão. -dizia jogando Oliver de novo na areia e caminhei para mais perto do mar,tirei minhas botas e deixei a água do mar tocar meus pés.-Aqueles idiotas estão perto do litoral e só questão de tempo até serem mortos por um criatura. Talvez uma sereia acabe com eles.
Enquanto falava isso olhava para uma parte da praia que era repleta de rochedos,já estava acostumada a ver ossadas de sereias naquela parte. Abri um pequeno sorriso e disse num tom baixo:
–Serias dariam uma ótima morte para eles.
Acho que são poucos os que sabem que as sereias de água doce são na verdade fadas e as de água salgada são demônios com filheiras de dentes afiados que podem cortar qualquer coisa. Suas garras são enorme e mesmo fora da água você ainda correr perigo pelo pequeno fato de que elas são como harpias. Dentro da água são peixes,mas quando então em contato com o ar são aves. Muitos humanos somem desse jeito. Tentando fugir delas,mas elas conseguem pega-lo e afoga-lo.
Peguei meus sapatos e caminhei pela areia macia de volta para a mansão.
–Vai ficar ai,Oliver?
–Não...-disse o ruivo que ainda estava observando o oceano.
Kerli pov off
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Oliver pov on
~Flash back~
Corria o mais rápido que podia,sendo seguido por Lois e por uma velha irritada com nosso pequeno furto.
Depois de muito correr conseguimos despistar a mulher no bosque e podemos aproveitar as comida que tínhamos roubado daquela velha.
Lois era meu irmão mais novo,ele tinha apenas 10 anos. Seu cabelo era loiro e sua pele branca como a minha. Seus olhos eram verdes e ele sempre estava rindo de alguma coisa. Eu tinha apenas 12 anos.
–Acha que aquela velha vai nos procurar ainda?-perguntou Lois dando uma mordida na sua maça.
–Talvez sim.-disse rindo e arrancando um pedaço do pão.-Mas de qualquer forma,todos já estão acostumados com isso.
Lois olhou ao redor e pude ver que seu olhar estava focado em um narciso,era realmente raro uma flor como aquela aparecer em um bosque norueguês e acho que foi por isso mesmo que Lois se focou tanto na flor branca. O menor a arrancou e ficou a observando.
–Ela é linda.-comentava o loiro.
Meus pais,quando vivos,haviam me contado a história daquela flor umas mil vezes. Era uma lenda grega,mas por algum motivo meus pais tinham um certo interesse nessas coisas.
Sorria para o menor e fiquei prestando atenção no narciso que estava em sua mão. Acho que ficamos a tarde toda perdidos por ali,mas de noite os bosques eram lugares perigosos demais então tínhamos de voltar para cidade.
Era 1349 e as pessoas eram idiota pois qualquer coisa que aparecia era motivo de medo. Alguns corpos de doentes estavam jogados pelas ruas,algumas vezes recolhiam outras vezes não,mas isso não incomodava Lois e eu por sabemos que era apenas mais uma das novas besteiras que a Inglaterra criaram para assustar os outros países.
Caminhava de volta para a nossa mansão e no meio do caminho um homem de meia idade veio cambaleando em nossa direção,na sua pele haviam manchas negras,suas roupas estavam totalmente sujas de sangue. Coloquei Lois longe daquele velho e fiquei apenas observando aquele maldito que se aproximava mais. Ao ver eu e meu irmão o homem veio em nossa direção pedir ajuda,ele caiu de joelhos no chão e tentou segurar em minha blusa,mas me afastei.
–Não toque em mim!-ordenei.
O homem agora chorava e implorava com ajuda e finalmente conseguiu agarrar minha blusa,peguei meu punhal que levava comigo e preparei para acertar a cabeça do velho,mas antes disso o homem tossiu um pouco de sangue no meu rosto.
–Seu miserável!-gritei cravando o punhal na cabeça do homem. Na mesma hora ele me soltou e caiu morto no chão.
–Irmão,você está bem?
–Sim.-respondia limpando meu rosto com a manga da blusa.-Esse miserável me sujou todo. -limpei o sangue do homem em minha blusa e voltei a caminhar para casa.
Meus pais haviam deixado a mansão no nosso nome e toda a fortuna,mas claro que não tínhamos direito a nada,ainda não. Só depois dos 18 anos e claro que isso foi o suficiente para o advogado corruptor de nossa família roubar tudo e declarar de que isso era o melhor para nós,ninguém escutava crianças. Sabia que era questão de tempo até ele nos tirar da mansão.
Os dias passaram devagar e cada dia que passava me sentia mais fraco,não conseguia mais correr como antigamente e algumas manchas negras apareciam em meu corpo. Um dia enquanto corria para fugir de uma velha acabei caindo no chão.
–Oliver!-gritou Lois voltando para me ajudar,mas ele foi impedindo por alguém.
–Não toque nele!-dizia um homem.
–Ele é meu irmão!-gritava Lois.
–Seu irmão está morto!-disse outro homem.
–Não está! Ele está se mexendo!
–Você não entende garoto? Seu irmão ta com a peste negra!
Ergui minha cabeça e olhei para Lois. Ele me fitava e seus olhos estavam cheios de lagrimas,tentava vir na minha direção mais não conseguia.
–L-Lois...-Estendi minha mão,mas senti alguém me puxar.
–Soltem ele! Ele ainda não está morto!-gritava Lois.
–Garoto,se um homem forte morrer com isso,imagine uma criança e melhor para ele.
Fui posto em um tipo de carrinho e junto comigo só havia cadáveres. Tentava gritar,mas não conseguia e logo fui jogado em uma cova coletiva. Era o único vivo ali. Eu tentava me levantar,mas não tinha força para isso,sentia jogarem terra sem cima de mim. Não sei como,mas consegui cavar até minha mão chegar a superfície,mas não conseguia mais. Minha mão estava para fora e não tinha como continuar...
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