Herdeiros da Guerra

3 Capítulo III – Surpresas


– Não olhe! – alertou Tewdric.

– Não to olhando! – reclamou Kassyeh ainda assustada por não estar enxergando nada – Você amarrou essa venda bem até demais!

– Ótimo. – disse satisfeito — Não quero estragar a surpresa.

Kassyeh suspirou. Não entendia o porquê daquele mistério todo. Mas desde a noite em que Luxuriah e Lyndonna brigaram na estalagem, o guerreiro andava meio estranho. Saia de manhã e só voltava à noite. Foram assim por alguns dias, até que naquela manhã ele chegara todo sorridente e a vendara dizendo que tinha algo para ela.

Um presente era muito bem vindo devido à situação em que se encontrava. Luxuriah estava insuportável. Tinham brigado por causa da atitude dela em relação à Lyndonna. Não aceitava que a irmã não tinha tentado matar a orquisa, pouco se importando com o fato dela ser da guilda ou não. A discussão fora tão feia que Luxuriah preferiu sair da estalagem e ir para outra.

– Você viu Luxuriah hoje? – perguntou a Tewdric quando pararam de andar.

– Vi. Continua chateada com você. E com o fato de Lyndonna ainda estar viva.

– Ela ta pagando a reforma lá em Gryshka né?

– É. Mas esqueça disso por enquanto. – e se pôs atrás dela – Quero que você veja algo.

E tirou a venda.

Era uma casa. Não uma opulenta casa como as de Luaprata, mas uma bela casa aos moldes de Orgrimmar. Ela era feita de pedra, com degraus de ferro e dois andares. Havia uma caixa de correio bem na entrada e também um pequeno estábulo, onde o lagarto dourado de Tewdric e a falcoztruz de Kassyeh já estavam. A elfa olhou para o orc, incapaz de pronunciar uma só palavra. Será aquilo realmente o que estava pensando?

– Isso... – começou ela, mas perdeu a voz.

– Sim. – disse ele satisfeito – É nossa casa.

Kassyeh soltou um grito de alegria e se pendurou no pescoço de Tewdric. Depois, lhe deu um beijo demorado antes de correr para dentro da casa.

Por dentro a casa ainda não estava decorada. Tinha no chão de madeira as esteiras tradicionais das casas de Orgrimmar, mas nada além disso. Sem esperar pelo guerreiro, Kassyeh subiu às pressas para explorar o outro andar. Como no térreo, não havia nenhuma decoração nos três quartos, mas apenas uma cama no maior deles. Ela sentiu o rosto corar quando percebeu a intenção daquilo.

– Gostou? – perguntou Tewdric chegando logo depois dela.

– Muito! – disse em êxtase – Mas porque você não me contou que estava comprando uma casa?

– Ora, queria fazer uma surpresa. E você precisava sorrir de novo. Essa briga com Luxuriah não lhe fez bem.

Aquele sentimento forte e quente já bem conhecido da elfa tomou seu peito mais uma vez. Desde que o conhecera, Kassyeh sabia que não havia como não amar Tewdric. Havia algo nele que a deixava desnorteada e encantada.

Fazia três anos. Três anos, mas ainda lembrava bem daquele dia. Como sempre, a primogênita da família estava fora, ganhando a vida para sustentar as irmãs. Ela, Ashrial e Karensky ficaram em casa com a ordem que nenhuma delas saísse de Luaprata enquanto Luxuriah não voltasse. Normalmente não era difícil cumprir essa regra, já que na cidade encontravam tudo que precisavam. Como a mais velha na ausência de Luxuriah, era Kassyeh que tinha a responsabilidade de manter a casa funcionando. Foi por isso que quando a caçula ficou doente, com febre alta, e a maga percebeu que não tinham nenhuma das ervas necessárias para fazer o remédio em casa e nem no mercado, entrou em pânico. Preocupada, decidira que o bem estar de Karen era mais importante que as regras de Luxuriah. E também, não seria nada demais sair da cidade em busca de um pouco de raiz-telúrica.

E assim o fez.

Com o capuz da capa levantado para se proteger do sol, saiu da cidade levando uma pequena bolsa e uma faca para cortar as ervas. Tinha certeza que encontraria o que precisava o mais rápido possível e voltaria para fazer o remédio da irmã. Não seria perigoso enquanto mantivesse os muros da cidade ao alcance de sua visão. E então começou a sua procura.

Todavia, Kassyeh não conseguiu encontrar qualquer uma por perto da cidade e acabou se afastando mais que o que poderia ser considerado seguro. Andou por várias horas até que viu um vulto se aproximando. Era pequeno demais para ser um elfo e forte demais para ser uma criança élfica. Sentiu seu sangue gelar quando soube o que era. Um anão. Um ally.

Como ele viera parar ali nas praias próximas à capital dos elfos sangrentos foi uma coisa que nunca soube. Talvez fosse um espião. Talvez um náufrago. O certo é que, assim que a viu, empreendeu uma caçada feroz perseguindo-a. Enquanto corria loucamente, deixou a faca e a bolsa caírem. Desesperada, só pensava em fugir, pois, por mais que seus feitiços pudessem subjugá-lo, não queria matar ninguém. Não queria conflito. Então só restava correr. Correu até que suas sandálias começaram a machucar seus pés. Correu se livrando da capa que enganchara numa árvore. Correu até que não percebeu a depressão que surgiu sob seus pés, fazendo-a cair dolorosamente em meio aos arbustos. Levantou-se disposta a correr mais, só que não conseguiu. Foi quando percebeu que a longa trança que prendia seus cabelos escuros estava presa.

Nunca sentira tanto medo em sua vida. Teria que lutar? O anão, que portava um grande machado, sorria malignamente. Mas foi por pouco tempo. Uma enorme força o empurrou para o lado, fazendo-o cair. Era uma figura enorme, vestida numa armadura cinzenta, que investiu para cima do anão. Kassyeh assistiu o estranho partir o ally em dois, fazendo com que o sangue jorrasse e salpicasse o rosto da elfa. Ainda paralisada de medo, viu quando a figura imponente tirou o elmo e a encarou.

– Ta machucada elfa? – perguntou o orc.

Ela não respondeu. Era o maior orc que já vira. Tinha uma postura ereta, diferente da maioria dos orcs que andavam um pouco curvados. Ele emanava poder, força, uma energia que a prendia e a deixava tonta. Ficou tão fascinada com a força do guerreiro, de como fora impiedoso com seu perseguidor, que não conseguiu falar nada, apenas continuar encarando-o.

Como ela não respondeu, o orc se aproximou e a pegou pelo braço. Sem nenhuma delicadeza, a ergueu. Com o movimento, o cabelo que estava preso fez sua cabeça doer e ela soltar uma exclamação de dor. O guerreiro então analisou aquela longa trança presa e, sem delongas, puxou uma faca, cortando-a fora.

– Assim é melhor. É mais seguro não ter cabelão. – e dando uma boa olhada na elfa ainda calada, completou – E bonitona como você é, isso não vai fazer falta.

Bonitona? Ela? Aquele guerreiro a achava bonitona? Ela, cujo corpo magro nunca chamava a atenção de nenhum elfo, que mal conseguia realizar qualquer tarefa sem que criasse uma enorme confusão?

Kassyeh só soube que estava fazendo uma “cara estranha” anos depois, quando Tewdric lhe contou. Mas naquele dia, a única coisa que conseguia pensar era que estava diante da criatura mais impressionante que já conhecera, e por isso não conseguia esboçar nenhuma reação. Vendo a elfa com aquela expressão, o orc julgou que ela estava machucada e assustada demais para falar. Por isso, nem ao menos perguntou nada. Pegou-a inesperadamente e pôs nos braços.

Somente quando viu que ele tinha a intenção de levá-la de volta a Luaprata foi que Kassyeh reagiu.

– Espere! – falou assustada com a voz que de repente lhe pareceu a de uma criança pequena.

Tewdric parou na mesma hora.

– Estou lhe machucando elfa? – perguntou.

– Não! – respondeu ela rapidamente – Eu estou bem, é... – sua voz se perdeu quando encarou os olhos dele. Eram azuis. Não sabia que os orcs podiam ter olhos dessa cor – Minha irmã... Preciso colher raiz-telúrica pra fazer remédio pra minha irmã...

O guerreiro a encarou antes de olhar para um lado e para o outro.

– Não entendo de mato, não posso lhe ajudar.

Sem saber o porquê, Kassyeh sentiu um aperto no coração ao ouvir aquelas palavras.

– Tudo bem, pode me por no chão. Eu vou continuar procurando...

Ele a pôs no chão.

– Obrigada. – disse ajeitando a saia do vestido – Desculpe por atrapalhar seu caminho guerreiro. Vou ficar bem.

Para sua surpresa, ele começou a rir.

– Atrapalhar? Adorei partir aquele ally em dois! – ele cuspiu no chão ao dizer a palavra ‘ally’ – E se tem uma coisa que sei é que eles são como baratas na Cidade Baixa, quando aparece uma é porque tem mais por ai. Vou ficar por aqui, depois você pode me dizer onde tem uma comida que preste em Luaprata.

Satisfeita por ter companhia, ainda mais uma que podia partir um ally em dois, Kassyeh assentiu e continuou sua busca pela erva. Tewdric a seguia, mas mal olhava para ela. Parecia atento a tudo à sua volta. Ás vezes tinha a impressão que ele estava observando-a e quando o olhava, o orc desviava a vista. Tempos depois, ele confirmou que a impressão dela era verdadeira. Mas naquele momento, só pensava na sua irmã. E apenas depois de algumas horas é que Kassyeh achou o que procurava, a raiz-telúrica. Como havia perdido sua faca, Tewdric lhe deu uma faca órquica imensa, que ela empunhou desajeitadamente na hora da coleta. Quando terminou, estendeu a faca para o orc, que a recusou.

– Fique com ela.

– Tem certeza? – perguntou surpresa com a oferta.

– Sempre tenho certeza do que faço elfa. – e sorriu enigmático.

Sem saber o porquê, Kassyeh corou ao ouvir aquelas palavras.

– Kassyeh. – murmurou ela – Meu nome é Kassyeh.

Novamente ele lhe sorriu.

– Tewdric. Agora me mostre o lugar da comida.

Todavia, ela não o levou para a estalagem. Estava ciente que devia sua vida e a de Karen ao guerreiro, então fez questão que ele o acompanhasse até sua casa. Sua comida não era a melhor do mundo, mas dava pra comer. Pelo menos a carne de cervo que preparava era muito boa.

Quando chegaram Ashrial estava na porta da casa, com a expressão de preocupação. Ao ver a irmã, correu em sua direção.

– Ainda bem que você chegou Kass! Karen piorou! – e encarando a irmã, perguntou espantada – O que aconteceu com seu cabelo??!

Kassyeh não respondeu. Adentrou a casa apressadamente, esquecendo-se totalmente do orc que trouxera até ali. Rapidamente entrou em seu quarto e misturou as ervas necessárias para produzir o remédio. Só depois de Karen estar medicada foi que se lembrou de Tewdric. O encontrou sentado na cozinha, devorando uma enorme coxa de cervo sob o olhar assustado de Ashrial.

– Quem bom que achou o caminho da cozinha, Tewdric. – disse achando a situação engraçada.

– Você me enganou elfa. – falou ele de boca cheia — Disse que ia me mostrar a melhor carne de Luaprata. Mas essa aqui é a melhor que já provei em Azeroth!

Depois que soube quem era o orc, e o que ele tinha feito, Ashrial ficou mais tranquila e até fez perguntas a Tewdric sobre suas aventuras. Ele acabou passando o dia todo lá, e só foi embora quando chegou o momento de procurar uma estalagem.

– Por que não fica aqui? – perguntou Kassyeh sem saber por que queria que ele ficasse – Temos quartos de hóspedes.

– Eu até aceitaria Kassyeh. – disse ele com uma expressão indefinida – Se tivesse certeza que iria conseguir ficar longe de seu quarto.

E antes que Kassyeh pudesse processar o que tinha ouvido, ele a beijou.

******************************

Luxuriah trocara a bebida órquica por um chá tauren. O chá a fazia se sentir mais tranquila e com menos vontade de caçar a orquisa chamada Lyndonna pelas ruas de Orgrimmar. Só um pouco menos. Todavia, quando Grey sentou a sua frente na mesa da estalagem onde se estabelecera, a vontade de partir crânios voltou com força total.

– Você deveria ir embora. – sibilou ela.

– E você deveria vir comigo. – completou ele calmamente – Sua irmã já está marcada pelo orc, não há nada que você possa fazer.

– Não me lembro de ter pedido sua opinião Grey.

– Mas eu a dei mesmo assim, Lux.

Ela fez uma careta.

– Não me chame assim.

Grey deu um pequeno sorriso.

– Não é isso que você pede quando estamos sozinhos... – murmurou com a voz rouca.

Luxuriah lhe lançou um olhar gélido.

– A culpa de tudo isso é sua sabia? – rosnou ela – Se você tivesse se mantido longe daqui, eu não precisaria ter pedido nada a Tewdric e teria percebido que aquela orca estava lá e não teria deixado minha irmã sozinha!

– Orquisa. – corrigiu Grey suavemente – O certo é orquisa.

– Orca, orquisa, tanto faz! – explodiu a elfa — Ela quase matou a idiota de minha irmã! Por sua causa!

Sem perder a compostura com a ira de Luxuriah, Grey a encarou serenamente.

– Quando você vai deixá-las crescer Lux? Quando vai deixá-las viverem suas próprias vidas? E principalmente, quando você vai admitir para elas que eu faço parte de sua vida?

– Nunca! E não se atreva a procurá-las Grey! – Luxuriah praticamente cuspiu ao dizer aquela frase.

– Será que devo levar em consideração suas palavras? – provocou ele fingindo uma expressão de indecisão.

Com a fúria tomando conta de seu peito, Luxuriah não pensou duas vezes e jogou todo o chá na cara de Grey. Enquanto ele xingava e gritava, ela se retirou do bar da estalagem e foi na direção dos quartos. Mas não teve tempo de fechar a porta. Grey segurou-a pelos ombros, para depois empurrá-la para dentro do quarto e trancar a porta.

– Abra isso já! – ordenou Luxuriah.

Ele não respondeu. Beijou-a com desejo, pressionando seu corpo contra o dela. Bem que a elfa tentou reagir, mas não conseguiu resistir ao desejo que pulsava em seu interior. Toda a raiva se misturou à vontade de tê-lo, e teve a mesma ânsia retribuída, talvez com muito mais fúria e vontade que a sua.

Era sempre assim, com uma paixão ardente que beirava a insanidade, que eles se amavam. Roupas foram rasgadas e jogadas no chão, como se fossem elas as culpadas de toda a raiva que ardia nos corpos sedentos por aquela paixão louca. Luxuriah empurrou Grey para a cama e, daquela vez, ele não reagiu. Deixou que sua elfa o montasse com vontade, não sem antes sentir a mão pesada dela estapear seu rosto.

– Eu te odeio... – murmurava ela enquanto mexia seus quadris em direção aos dele – Você não sabe quanto eu te odeio...

Ele sorriu, puxando-a para um beijo, e depois sussurrando:

– Sim, eu sei que você me ama...

****************

As sombras começavam a tomar conta do céu de Orgrimmar. O sol ia aos poucos sumindo, dando lugar a uma noite sem lua. Kassyeh observou o dia indo embora, deitada na cama, único móvel de sua nova casa, abraçada ao corpo nu de seu orc, que dormia tão tranquilamente que ninguém acreditaria que ali repousava uma das lendas de Azeroth.

Kassyeh se ergueu um pouco e olhou para fora. Da sua janela podia ver as sombras da grande muralha da capital da Horda, que mais que nunca respirava guerra. Suspirou. Luxuriah tinha razão, viviam em um mundo de guerra. Tinha como uma irmã uma caçadora determinada e como companheiro um guerreiro implacável. Já percorrera o mundo, enfrentara monstro, quase morrera muitas vezes.

Então porque se sentia como se nada pudesse atingi-la?

Talvez tudo tenha começado com aquele beijo em Luaprata. O primeiro que recebera. A primeira vez que realmente se sentira desejada. Não tivera medo quando ele pressionara seu corpo contra o dele. Nem quando aquelas mesmas mãos que partira um anão em dois apertaram sua cintura.

A guerra deixara de existir naquele momento. Por que agora seu coração estava inundado de amor.

Claro que na época não pensara isso. Não sabia o que era aquele sentimento se esgueirando para dentro de seu coração. Só sabia que sentira um vazio imenso quando Tewdric a largou, piscou o olhou e foi embora. Ficou como uma boba olhando para o nada, e só lembrou que ainda existia quando Ashrial a chamou para jantar.

E naquela noite mal conseguiu dormir.

O que significara aquele beijo? O que ele sentia? Poderia um orc amar como um elfo amava? Claro que não, respondeu logo Kassyeh. Os elfos amavam com palavras, com flores, e com muita, muita frivolidade. E porque estava pensando em amor quando ele lhe dera apenas um beijo? Talvez fosse assim que os orcs se despediam. Talvez fosse assim que qualquer uma elfa se sentia quando era salva e também beijada pelo seu heroi. Ou talvez só estivesse supervalorizando aquilo.

Então, decidiu acreditar que tudo fora apenas uma brincadeira. O orc brincara com ela, apenas isso. Pensar nisso doeu, mas foi a resposta que conseguia aceitar.

Fora uma brincadeira, apenas isso.

E ainda assim não conseguiu dormir.

Quando amanheceu, Kassyeh achou melhor deixar aquelas ideias para lá. Tinha outras preocupações: suas irmãs para cuidar e Karen ainda não estava totalmente recuperada. Por isso, após preparar um bom café da manhã para ambas, decidiu voltar ao mercado na esperança que daquela vez houvesse ervas para fazer remédios. Não queria arriscar sair de novo da cidade, nem esperar que a febre de sua irmã voltasse. Qual a chance de ser atacada e salva de novo?

Tewdric voltou a sua mente, mas ela preferiu espantar aquela memória e continuar seus afazeres. As ruas de Luaprata estavam razoavelmente vazias. Aquilo era bom, podia passear entre as lojas sem preocupação. Para sua alegria as ervas que faltavam no dia anterior agora eram oferecidas em abundância. Comprou a quantidade que achava suficiente e já se encaminhava de volta para casa, quando uma sombra se projetou sobre ela.

– Kassyeh. – falou Tewdric com sua voz rouca e grave.

A elfa não entendeu porque todos os pelos de seu corpo se arrepiaram diante da simples menção de seu nome. Parou de caminhar e voltou-se na direção da voz.

– Oi... – murmurou ao encará-lo.

Ele a olhou de uma forma estranha. Parecia estar analisando-a.

– Estou voltando para Orgrimmar. – disse o orc sem rodeios.

Claro que ele iria voltar para Orgrimmar. Ele era um orc, mas Kassyeh o encarou sem entender porque de repente sentia um aperto no coração. Engoliu em seco. No final, seus pensamentos estavam corretos, fora apenas uma brincadeira... Mas não entendia porque isso a deixava triste.

Tão triste.

Por que tinha vontade de chorar?

Mal se conheciam.

Eram de raças diferentes.

Ele salvara sua vida.

Ele a beijara.

E não queria que ele se fosse.

– Entendo... – murmurou, mesmo sem entender – Bem... – porque sua voz falhava? — Boa viagem.

Tewdric não se mexeu. Continuou encarando-a.

– Eu quero você. – disse por fim.

Confusa, Kassyeh sustentou o olhar.

– Como? – perguntou se sentindo uma idiota.

– Eu quero você. – repetiu sem nenhum constrangimento – Quero comer você. E quero que você goste disso.

Levou um momento para Kassyeh perceber que o ‘comer’ a que ele se referia nada tinha a ver com o ato de se alimentar. Já tinha ouvido sua irmã usar aquele termo várias vezes, mas era completamente estranho ouvir aquilo aplicado a ela. Sentiu o rosto arder, o coração bater mais forte em seu peito e um certo incomodo se instalando entre suas pernas.

Tewdric parecia estar esperando uma resposta.

– E-eu... – gaguejou ela – E-eu... I-isso é um po-pouco difícil de responder assim... Er... A gente ma-mal se conhecer e...

– Não é difícil responder. – cortou o orc – Apenas diga sim ou não.

Aquilo foi rude e Kassyeh se sentiu um pouco ofendida. Mas percebeu que, além de ser um orc, uma raça conhecida por sua falta de tato, ele também tinha razão. Era só dizer sim e provavelmente acompanhá-lo até um quarto na estalagem, ou dizer não e voltar para casa.

– E-eu... – gaguejou novamente.

Ela queria.

Queria ir.

Como queria.

Mas não fazia ideia do que ia fazer quando chegasse lá.

– Desculpe! – falou de repente muito rápido – Não posso!

E saiu correndo, em pânico.

Kassyeh não conseguiu segurar a risada ao lembrar daquilo. Se soubesse o que a aguardava, teria se atirado nos braços dele e exigido que a levasse dali. Mas era inexperiente. Tinha medo. Medo daquele sentimento que pulsava dentro dela. Do poder que emanava dele. Da sinceridade dele. Dele.

Depois daquele dia, Kassyeh soube de Tewdric apenas por rumores que entreouvia entre os guardas orcs que estavam em Luaprata. Fora embora no mesmo dia em que a abordara para a Cidade Baixa e de lá voltou para Kalimdor. Enfrentou a Aliança. Enfrentou monstros. E seu nome cresceu dentro da Horda.

Pensou que nunca mais o veria.

Duas estações passaram. Era uma noite enluarada e fresca e também era solstício de verão. Luaprata estava toda enfeitada, preparada para uma das principais festividades dos elfos sangrentos. Fogueiras foram acesas ao redor da cidade, barracas foram montadas com jogos e imensas mesas de comida e bebida serviam os elfos bem como os vários membros das outras raças da Horda que vieram participar daquela festa.

Luxuriah andava ao lado de um grande tigre branco, exibindo o corpo em um macacão muito apertado e decotado, arrancando suspiros e elogios de praticamente todos os elfos presentes. E como de costume, ignorava todos. Ashrial, apesar dos protestos, não ganhara uma roupa igual a da primogênita e desfilava com um vestido azul, cheio de fitas prateadas. Karen tinha adorado o vestido rosa que ganhara, e corria ao lado das outras crianças em volta das fogueiras, atirando bombinhas que explodiam e lançavam faíscas de todas as cores. Era uma noite de alegria e paz.

Kassyeh andava entre seus semelhantes, segurando a barra de seu vestido branco para impedir que ele enroscasse nos enfeites espalhados pela grama. Tinha todos os motivos para estar feliz, mas naquela noite sentia uma estranha saudade de algo que não sabia o que era. E os enfeites, as luzes nas árvores, as fogueiras e as risadas só pioravam aquela sensação.

Não estava com vontade de conversar, de beber, de ser ela mesma. Queria desesperadamente ficar só. Caminhou lentamente, evitando qualquer pessoa até chegar a um banco afastado do burburinho e sentou-se, contemplando a felicidade tão prezada, mas quase sempre tão rara em seu povo.

Os sin'dorei mereciam aquela pequena amostra de paz. Haviam feridas ainda abertas e outras preocupações, como a pequena quantidade de crianças sanguinélficas, a presença do flagelo em suas terras, a ameaça da Aliança. Todavia a noite estava linda e eles estavam felizes. As preocupações que aguardassem o dia seguinte.

Alguém sentou do seu lado. Kassyeh se assustou. Estava tão imersa em seus pensamentos que não percebeu ninguém se aproximando. Quando se virou para ver quem estava interrompendo seus pensamentos, sentiu o sangue esvair de seu rosto. Seu coração se acelerou, e aquele sentimento voltou a se infiltrar dentro dela.

Tewdric estava ao seu lado.

Não conseguiu formular nenhuma frase.

– Seu cabelo está comprido. – disse ele em tom de advertência – Não deveria estar.

Seu cabelo? Ele estava falando de seu cabelo enquanto o mundo explodia dentro dela? Como ainda podia se sentir assim depois daquele tempo? Estava ficando maluca? Respirou fundo e rezou para que seu cérebro não a deixasse na mão naquele momento.

– É... Está comprido. – se sentiu uma idiota por falar aquilo, e puxando toda a coragem que ainda possuía, perguntou – Você acha mais bonito o cabelo curto?

“Que pergunta idiota Kassyeh!” se xingou logo em seguida.

– Cabelo curto é mais prático. – falou Tewdric – Cabelo longo pode ser usado contra você em combate.

Sem entender porque, aquilo lhe soou tão engraçado, que Kassyeh caiu na risada. Um elfo uma vez elogiou seu cabelo e usou todos os adjetivos presentes no vocabulário de sua raça numa tentativa de agradá-la e ela achou a coisa mais entediante do mundo. Mas aquele orc não se preocupava com elogios. Cabelo curto é pratico. Só isso. Não quero saber de sua beleza monumental, de seus fios negros como a noite. Cabelo curto te ajuda no combate. Só isso.

Tewdric não entendeu porque Kassyeh começou a rir, mas confessou a ela, tempos depois, que pensou que tinha dito alguma piada que só os elfos entendiam. E por isso começou a rir também. Ficaram rindo durante algum tempo, até que o orc se cansou de rir e interrompeu a risada beijando-a.

Outro beijo. Também de surpresa. E mais uma vez aquele sentimento.

– Eu ainda quero você. – disse ele após o beijo, sem soltá-la de seus braços.

Por um momento Kassyeh cogitou a possibilidade de ele ter atravessado o oceano e vindo aos Reinos do Leste apenas por ela. Mas chutou o pensamento para o fundo de sua mente.

– Por que? – perguntou confusa – Por que você me quer?

Tewdric pareceu confuso.

– E precisa de um motivo? – questionou – Eu quero você. Apenas isso.

Como ela desejou que seus sentimentos fossem tão simples e descomplicados.

– Você me quer? – insistiu o orc.

Delicadamente ela se desvencilhou do abraço. Tewdric não tentou impedi-la.

– É complicado... – disse por fim.

– Por quê? – quis saber ele.

“É, por quê?” perguntou a si própria. Sua raça não exigia virgindade para o casamento, e pouco se importava para a vida sexual de seus membros. Muito pelo contrário, nos últimos tempos estavam sendo incentivamos a procriar. Mas seu caso ali era totalmente diferente. Seria pelo puro prazer do corpo. Não haveria sentimentos ou compromisso. Pelo menos era isso que a situação deixava a entrever. E qual futuro um relacionamento com um orc teria?

Quando anos depois conversaram sobre aquela hora, Tewdric lhe confessara que achou que ela tinha nojo dele, que achava-o um monstro. Mas que ele estava tão obcecado por ela, que iria insistir o quanto fosse. Ele também não sabia o motivo, mas desde que vira a pequena elfa com o olhar fixo nele enquanto matava o anão, o fato de não ter tido medo dele, nem reclamado do sangue em seu rosto, e por ter aceitado o beijo tão intensamente o havia deixado fascinado.

Ah, e ela preparava a melhor carne de cervo de Azeroth.

Mas naquele momento Kassyeh não sabia de nada daquilo. E tinha que tomar uma decisão. E era uma decisão que teria que ser honesta e estar preparada para as consequências. Olhou mais uma vez para seu povo comemorando. Já haviam perdido tanto, mas ainda sorriam.

O que ela tinha a perder? Já havia perdido a si própria quando os pais morreram e vivia apenas para suas irmãs.

Uma aventura.

Apenas ela.

Decidido por ela.

– Sim, eu quero. – disse por fim.

Tewdric lhe deu um sorriso satisfeito, exibindo suas presas. Ergueu-se e fez o gesto para ela se levantar.

– Agora? – perguntou assustada.

– Por que não?

Ela se levantou, mas não o seguiu de imediato. Esperou que ele parasse ao perceber que não era seguido e se virasse para ela. Então, respirou fundo antes de falar:

– Olha... Eu peço que não espere muito de mim... — e corando drasticamente, revelou – Nunca fiz isso antes.

Encarando-a, ele ficou em silêncio, antes de coçar o queixo como se tentasse assimilar a nova informação.

– Eu sou virgem. – falou Kassyeh achando que ele não tinha entendido – Nunca tive nenhum elfo ou... Qualquer um, enfim, eu...

– Já me chamaram de monstro. – cortou Tewdric. Parecia que ele adorava fazer aquilo. – Por uma elfa que se deitou comigo. Disse que fui um monstro com ela.

Kassyeh se sentiu incomodada. E percebeu que não pelo fato dele ter sido um monstro, mas porque ele tivera uma elfa antes dela.

– Você... Teve quantas elfa? – quis saber.

O guerreiro pensou um pouco antes de responder.

– Duas. Uma me chamou de monstro e a outra disse que foi a pior experiência que ela já teve. – ele falou aquilo despreocupadamente, como se tivesse certeza que a informação não mudaria a decisão dela – Mas nunca tive uma virgem. De raça nenhuma. Acho que vou ter que pegar leve com você.

– Pegar leve? – de repente ela se sentiu muito feliz em saber que ela seria a primeira virgem dele.

– Sim. Dizem que sou muito bruto, mesmo para um orc. – ele sorriu satisfeito – Gosto de fazer com força. Muita força.

Kassyeh corou e seu coração bateu em expectativa. Queria provar aquela força dele. Tinha visto-o partir um anão em dois e gostara daquilo. Tinha certeza que gostaria de outra demonstração da parte do orc.

– Vamos. – murmurou ela.

Ele fez um sinal com a cabeça para que o acompanhasse. Quando começou a caminhar ao lado dele olhou rapidamente para a festa. Suas irmãs estavam distraídas e provavelmente não notariam sua ausência tão cedo. Melhor assim, provavelmente pensariam que ela voltara para casa, como sempre fazia nessas festas. Acompanhou Tewdric pelas ruas vazias de Luaprata, em direção à estalagem que ficava no coração da cidade. Kassyeh se sentia estranha, andando tão despreocupadamente a caminho do que seria a maior experiência em sua vida. E tudo que conseguia pensar era que queria ir de mãos dadas com ele.

– Tewdric. – chamou num sussurro, como se não quisesse perturbar o silêncio da cidade.

O orc parou.

– Diga.

Parecia muito idiota o que ia falar, mas já que estava decidida a ir tão longe, seu pedido seria simplório.

– Podemos ir de mãos dadas? – corou até a raiz dos cabelos ao falar aquilo.

Tewdric não responde, apenas tomou a pequena mão e segurou firme entre seus dedos. Kassyeh passou a acompanhar seus passos de perto, e tomou coragem suficiente para encostar-se a seu braço forte e aspirar seu cheiro. Ele cheirava a ferro e sangue. E aquilo lhe pareceu extremamente tentador.

Não havia ninguém na estalagem. Melhor assim, não queria que ninguém visse seu rosto em chamas ao acompanhá-lo até o quarto. Já estivera na estalagem uma vez, quando seus pais morreram. Ela e as meninas foram levadas até ali, enquanto as coisas se acalmavam na cidade. Sacudiu a cabeça eliminando aquele pensamento. Não queria nenhuma lembrança em sua cabeça. Queria registrar tudo que aconteceria, sem influência de mais nada a não ser de seus próprios sentimentos.

Se o orc percebeu alguma mudança em seu humor, nada falou. Abriu a porta do quarto e fez gesto para que ela entrasse. Kassyeh entrou rapidamente, antes que sua mente tivesse tempo de mudar de ideia. Pelo menos o quarto era completamente diferente daquele em que ficara com as irmãs. Era muito, muito mais luxuoso. Imaginava que como guerreiro famoso, Tewdric podia pagar por regalias. Mesmo assim, a garrafa de néctar doce estava fechada, e os doces intocados. Caminhou até a cama e alisou os lençóis. Seda pura. Estava embevecida com o ambiente quando vou o som de algo pesado atingir o chão.

Tewdric havia tirado toda sua armadura. E também sua roupa. Ele estava completamente nu na frente dela e parecia que não nutria nenhum tipo de pudor, pelo contrário, estava bem à vontade. Inúmeras cicatrizes marcavam seu peito, onde os músculos eram tão definidos que poderia servir de molde para qualquer estátua de herói. E havia... Ela não conseguiu encontrar palavras para descrever o membro intumescido entre as pernas dele.

– Nunca viu um macho nu? – perguntou o orc com um certo divertimento na voz vendo sua expressão.

– Só tenho irmãs. – foi a resposta que conseguiu encontrar sem conseguir tirar os olhos do membro dele.

– Não vai tirar a roupa? – quis saber ao se aproximar.

O coração de Kassyeh quase saiu pela boca.

– A r-roup-pa? – gaguejou.

Nunca ficara sem roupa nem na frente das irmãs.

– Se você não tiver a vontade para isso, sem problema. – disse despreocupado – Só tire a calcinha.

E sob o olhar flamejante do guerreiro, ela colocou timidamente as mãos por baixo da longa saia de seu vestido e tirou a roupa de baixo. Sentiu-se muito mais nua com aquilo do que quando tomava banho totalmente sem roupa. Tewdric pegou a calcinha de sua mão e a cheirou. Exibiu um sorriso muito satisfeito e Kassyeh teve a impressão de ver o membro dele se tornar maior, se é que isso era possível.

– Sente. – falou apontando para a cama.

Kassyeh obedeceu.

– Vamos começar devagar Kass. – a elfa se surpreendeu que ele ainda lembrasse o apelido carinho pelo qual suas irmãs a chamavam. Será que realmente teria ido até ali por ela?

– O que eu faço? – perguntou num fio de voz.

– Me toque. – não parecia um pedido, nem uma ordem. Parecia que ele implorava por aquilo.

E ela o tocou. Em seu membro. O pegou entre as mãos, explorando, analisando, como uma criança que ganha um presente novo. O orc rugiu de satisfação e colocou suas mãos sobre as delas, mostrando como deveria tocá-lo. Kassyeh fez exatamente como ele queria, mexendo cada vez mais rápido enquanto ele segurava seus ombros.

– Você é boa Kass... – murmurou – Tão boa que quase estou desistindo de pegar leve com você...

Kassyeh não respondeu, apenas começou a movimentar as mãos mais rápido que antes.

– Isso... – ele apertou seus ombros — Mas vamos fazer outra coisa. – e segurou seu rosto – Abra a boca.

Ela abriu. O membro dele preencheu sua boca, mas ela ainda o manteve entre as mãos. Se o cheiro dele já a tinha deixado arrepiada, o gosto dele se mostrou ainda mais enervante. Nunca provara algo tão forte, tão inebriante. Seguindo as orientações dele, passou a língua em toda a extensão do membro dele, parando apenas para descer a boca em direção aos testículos. A essa altura o orc já urrava de prazer, e Kassyeh esperava que ele a tomasse a qualquer momento com a mesma fúria com que rosnava. Mas ele não o fez. Chegou ao clímax em suas mãos e inundou sua boca com seu prazer. Pega de surpresa, a elfa engasgou sem entender o que estava acontecendo, mas acabou engolindo tudo. Quando acabou, olhou para Tewdric, que sorria.

– Você está se mostrando melhor do que eu esperava Kass. – e se ajoelhando em frente a ela, pôs as mãos na barra do vestido e disse — Abra as pernas.

Com as mãos tremendo, ela puxou a saia do vestido e separou os joelhos. Já imaginava o que iria acontecer. E Tewdric a beijou onde toda sua ansiedade latejava. Ele não apenas beijou, ele a acariciou com sua língua, fazendo com que sentisse a melhor sensação do universo tomando de conta de seu corpo. Quanto mais ele a acariciava com a boca, menos força no corpo tinha para se manter sentada. E no momento em que ele colocou um de seus dedos dentro dela, soltou uma exclamação e acabou caindo de costas na cama, se retorcendo de prazer.

– Vamos devagar... – ouviu ele dizer.

Tewdric passou a penetrá-la com um dedo enquanto continuava acariciando-a com a língua. Foi a vez dela se perder entre gritos e fechar as mãos com força entre os lençóis. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, ele colocou outro dedo dentro dela. A sensação se ser invadida daquela forma era ainda melhor, e Kassyeh se pegou desejando que ele parasse com aquilo e fizesse logo o que ele queria, com a força que ele queria. Sim, queria com força.

– Não! – se pegou dizendo.

Tewdric parou o que estava fazendo e a olhou.

– Não o que Kass?

Ela estava ofegante.

– Não pegue leve comigo. – implorou.

Não precisou repetir o pedido. Tewdric praticamente se jogou em cima dela, e com os dentes rasgou o vestido dela. Kassyeh gritou assustada, sem saber como chegaria em casa sem roupa, mas o pensamento não durou muito. Sentiu a boca dele se fechar em seus seios com voracidade, provocando prazer e dor ao mesmo tempo. Parecia realmente que ele iria comê-la, no sentido literal da coisa. Com o tempo iria descobrir que prazer e dor seria parte de seu relacionamento com Tewdric. Não havia como o orc segurar a natureza selvagem dele, e mesmo que ela gostasse daquilo, seu corpo frágil às vezes reclamava. Mas aquilo pouco importava. O prazer se sobrepôs à dor enquanto ele apertava seus seios com força e passava a língua em todo seu corpo. Quando menos esperava, ele a penetrou. Não com o cuidado que tivera ao introduzir seus dedos. Ele fez com fúria e desejo. Kassyeh gritou novamente, sentindo-se invadida, aberta, violada. E gostou. Gostou de senti-lo completamente dentro dela. Abriu ainda mais as pernas para acolher o corpo enorme do orc, que investia para dentro dela com a mesma força que partira o anão. E houve momentos em que Kassyeh achou que iria se partir também.

E quando ela menos esperava, uma explosão aconteceu dentro dela. Uma explosão que começou entre suas pernas e partiu para as outras partes de seu corpo. Ela gritou com mais força e enfiou as unhas na pele dele. Tewdric também rugiu, e o mesmo líquido que invadira sua boca invadia agora seu corpo, enquanto o orc a mantinha segura entre seus braços como se ela fosse fugir. Kassyeh sentiu então as forças abandonando seu corpo, e se aconchegou ao corpo do orc, com a respiração entrecortada dele em seu pescoço.

– Venha comigo para Orgrimmar. – disse ele em seu ouvido.

E ela desejou desaparecer naquele momento e aparecer na capital da Horda, e nunca mais voltar.