Herdeiros - Interativa
3 Primeiro dia de aula
Notas iniciais
POV Allyson
Os primeiros raios de sol já atravessavam timidamente a janela do dormitório feminino da Corvinal chegando em minha cama, se estivesse dormindo, teria acordado com a claridade, mas passei a madrugada toda em claro pensando. Estava enrolada nos lençóis encolhida, abraçando minhas pernas com os braços. Havia prometido não chorar mais. Entretanto, essa promessa é um pouco difícil de cumprir, ainda mais para mim.
Minha cabeça estava cheia, preocupações, frustrações... Ficar lembrando do passado não é nada saudável quando se tem apenas lembranças ruins para recordar. Suspirei pesadamente. Contei até dez mentalmente e levantei da cama.
Ontem à noite eu estava tão empolgada ao encontrar os meus amigos depois de tanto tempo sem nos vermos. A cerimônia foi tão tranquila e inspiradora. Pude ver meu irmão feliz como nunca, a recepção dos alunos novos é sempre animadora. O problema é que eu não contava com a notícia de que minha avó, assim que nos deixou na estação King Cross passou mal e teve de ser encaminhada para o St. Mungus.
Quando a Hermes, minha querida coruja, trouxe aquela carta quando a cerimônia já estava no fim, toda a magia da noite desapareceu, literalmente. Não quis preocupar o Aaron então nem comentei com ele sobre isso, talvez hoje o encontre na classe de Feitiços, mas mesmo assim, não sei se devo lhe contar. Nossa avó é a única pessoa que temos, por isso quando trata-se dela, ficamos desse jeito.
Comecei a arrumar minha cama, iria logo para a classe de Feitiços, ainda estava cedo, mas precisava andar um pouco para colocar a minha mente em ordem. E esse pedacinho da manhã é o melhor horário, pois os corredores estão vazios, sem ninguém para lhe perturbar, e a maioria dos alunos ainda estão dormindo. Ou quase todos.
– Já está de pé? – Uma voz ainda sonolenta veio da cama ao lado, era minha querida amiga Katherine Clarke, devia ter acordado com o meu choro.
– Sim, estou muito empolgada, Kathy! – Disse tentando esconder o choro enxugando o rosto do as mãos.
– Você não engana ninguém, Ally. Pode contar, amiga. – Ela bocejou e logo sentou-se na cama me encarando enquanto eu dobrava os lençóis.
– Mais tarde quem sabe...
Não aguentei e saí dali o mais rápido possível, lágrimas começaram a brotar dos meus olhos e eu não queria que ninguém me visse chorar. Nunca mais.
POV Katherine Winchester
Eu corria pelos corredores do castelo com tanta pressa, já eram nove horas, não devia ter ido dormir tão tarde. A aula de Transfiguração já devia ter começado, não queria perde-la justo no primeiro dia de aula.
Logo avistei a impetuosa porta de madeira, respirei fundo colocando a mão na maçaneta e adentrei na sala. Ah, mas essas portas de Hogwarts me pagam. O barulho das dobradiças rangendo chamou a atenção de todos, que estavam prestando atenção numa fala da Angeline, inclusive da professora que estava de pé andando pela sala e me jogou um olhar por cima de seus óculos redondos.
A sala estava cheia, alunos de todas as casas estavam espalhados pelas carteiras, avistei minhas as amigas da Grifinória: Cristiana, Hanna e Kimberly, sentadas bem na frente acenado para mim. Avistei uma carteira vazia bem atrás de Hanna, com certeza poderíamos colocar as fofocas em dia durante a aula, mas quando comecei a caminhar para a carteira a voz da professora me surpreendeu.
– Senhorita Winchester, estávamos todos esperando por você, porque não se junta ao Dylan. – Disse roucamente apontando para a carteira vazia ao lado daquele pedaço de mau caminho... Ops, do Dylan. – Perdoarei esse atraso dessa vez por conta do seu histórico impecável nessa matéria. Mas estou de olho em você.
– Muito obrigada, professora Agatha... Eu acho.
Aproximei da carteira e cumprimentei aquele sujeito de cabelo de fogo que me tira suspiros desde a primeira vez que o vi, mas é claro que nunca disse isso para ninguém, nem mesmo para as minhas amigas. Coloquei meus materiais na mesa e tentei prestar atenção na professora que continuou com sua explicação do que parecia ser algum tipo de metamorfose animal, como peguei a explicação pela metade estava difícil de entender.
– É a transformação de animais peçonhentos em insetos indefesos. – Ouvi um sussurro vindo do meu lado e olhei discretamente.
Quando percebi de onde veio aquele sussurro meu corpo gelou. Ele estava sorrindo para mim. ELE ESTAVA SORRINDO PARA MIM! Eu posso contar nos dedos as vezes em que conversamos... E agora ele veio de livre e espontânea vontade falar comigo. Senti que ele ficou um pouco sem graça, pois devia ter percebido a minha reação.
– O-obrigada, D-Dylan... – Acho que não me contive e berrei tão alto que até gaguejei.
Ele deu uma pequena e imperceptível risada por conta da minha fala, ou da tentativa dela.
– Katherine, o que está havendo?!
A voz da professora me tirou da êxtase, e fiquei ainda mais vermelha ao perceber que novamente a atenção toda da sala voltou-se para mim.
– Nada, me desculpe pela interrupção professora.
Como se o Dylan conversando comigo fosse nada, eu só podia estar maluca mesmo... Mas bem, quem não ficaria maluca pelo ruivinho?
POV Ian
Aquela sonsa da Katherine, além de chegar atrasada e interromper a resposta da Angeline para a professora que poderia valer uns vinte pontos para a Sonserina, fica de frescura com o estúpido do Dylan. Não que eu esteja com ciúmes, mas aquela garota consegue me tirar profundamente do sério.
Voltei minha atenção para a professora e quando percebi a aula já estava terminando. Infelizmente a Lary não estava ali comigo me apoiando por ter de aturar um bando de grifinórios e lufanos sentados à minha volta. Se não me engano ela deve estar na aula de Poções, belo jeito de começar as aulas. Ela é uma das poucas pessoas com quem converso, talvez por sermos da mesma casa.
Finalmente a aula terminou, é horrível assistir uma aula quando já sabemos a matéria. Isso se chama perda de tempo. Mas confesso que já pude aprender muitos encantamentos interessantes para o meu repertório de feitiços com a professora Agatha, então não posso reclamar muito.
Todos haviam formado seus “grupinhos” e caminhavam para a saída. Passei por todos o mais rápido que pude, até trombei com alguns idiotas que estavam bloqueando o caminho, todos da Grifinória. O que fiz para merecer esses grifos no meu pé?
Quando já estava cruzando o corredor, não sei o que me deu, mas olhei para trás e pude ver a Katherine de frente para o Dylan rindo de algo que possivelmente ele havia contado. Aquilo me deixou morrendo de raiva, senti vontade de ir até os dois e... E... O que está havendo comigo?!
Me voltei para meu caminho e fui marchando para o mais longe dali. Desde que cheguei à Hogwarts... Desde ontem à noite na cerimônia de boas-vindas eu estou me sentindo assim tão estranho. Fitei a Katherine durante o evento todo, ela estava na mesa da Grifinória bem à frente do meu lugar na mesa da Sonserina com aquele sorriso e inconfundível e... Ok, desisto!
Melhor ir para o banheiro tomar um bom, quente e relaxante banho de banheira cheio de espuma para tirar esses pensamentos da cabeça. O que está acontecendo comigo?
POV Lary
Algo brilhava à minha frente, o que seria aquilo? Uma porta talvez? Um amuleto? Eu realmente não sabia... Mas aquilo brilhava mais do que uma estrela cadente, talvez até mais do que o cabelo ruivo de certas pessoas... Eu me aproximei, estava tão perto que meus olhos doíam, os fechei, mas quando os abri...
Abri os olhos, estava em minha cama. Tinha sonhado com algo tão luminoso que não consegui identificar o que era. Suor pingava da minha testa. O que seria aquilo? Talvez fosse apenas bobagem. Então resolvi deixar de lado. Olhei no relógio, pulei da cama.
Estava perdendo minha aula preferida! Não podia perder uma sequer aula de Poções, não queria começar o ano já fazendo a minha casa perder pontos. Me troquei às pressas e sai do dormitório da Sonserina, corri aceleradamente até a sala de aula, parei quando percebi que os alunos estavam saindo, pois a aula havia acabado.
– Droga... – Sussurrei para mim mesma.
Esperaria todos os alunos saírem do corredor e tentaria falar com o professor, ele me amava mesmo por eu ser uma das suas melhores alunas, talvez ele considerasse a minha falta. Mas claro, nada ocorreu como o esperado... Porque? Por causa daquele ruivo idiota. Eu o odiava desde o primeiro ano quando nos conhecemos.
Flashback On
“Estávamos esperando o professor na sala de aula, ele estava centrado estudando, resolvi puxar papo.
– Você é tão estudioso assim ou é só pra fazer charme? – Às vezes minha sinceridade é cruel.
Ele me olhou e ficou me encarando por um tempo, achei que ele havia se encantado porque ele me olhou minuciosamente por tanto tempo que eu quis dormir de tanto espera por uma resposta.
– Você é tão intrometida assim ou é congenital? – Perguntou me fazendo ficar sem uma resposta imediata.
– Me dê mais uma resposta assim e verá o começo do seu inferno. – Respondi e voltei a me sentar quando o professor Spencer apareceu.
A aula seguiu, mas eu fiquei demarcando o garoto, ele tinha algo que me incomodava, até que eu descobri quando o professor perguntou o nome dele.
– Certa resposta, Senhor...?
– Érr... Noah Granger. Noah Granger Weasley.
Flashback Off
Eu não gostava muito de grifinorianos, ainda mais um filho dos dois grifinórios que completavam o trio de ouro? Era só o que me faltava. Fui até o professor, mas antes de chama-lo o Weasley trombou comigo. Cai no chão fervendo em raiva. Ele era cego ou o que? Me levantei antes dele.
– Meu dia estava bom demais pra ser verdade... – Falou se levantando do chão e pegando seu material.
– Eu que o diga, Weasley, eu que o diga. – Tentei passar, mas ele estava na frente. – Ô Granger? Vai me deixar passar ou não?
– Ou não. – Ele me olhou e voltou a pegar seus materiais.
Bufei de raiva, ele era o cumulo da minha paciência! Se ele não ia sair dali por bem, sairia por mal então. O empurrei, mas ele se segurou nos meus pés me fazendo cair junto com ele. Por infelicidade, ele conseguiu me prender abaixo dele. Realmente hoje não era o meu dia de sorte.
POV Noah
A aula de poções havia passado voando, me levantei com o material já arrumado e olhei em volta, sempre era o último a sair, o professor estava com tanta pressa que já tinha atravessado a porta, não ficaria ali por muito mais tempo. Me encaminhei para a porta, mas assim que a ultrapassei dei de cara com a última pessoa que eu desejaria ver.
Lary Eaton Ravenwwod. A pessoa que eu mais odiava na face da Terra, já que a mesma me odiava igualmente, nunca nos demos bem, na verdade eu não me dou bem com nenhum arrogante astuto presunçoso, então...
– Meu dia estava bom demais pra ser verdade... – Falei me levantando depois dela do chão e pegando meu material que estava espalhado.
– Eu que o diga, Weasley, eu que o diga. – Os poucos segundos que ela ficou calada depois disso foram os melhores até agora. – Ô Granger? Vai me deixar passar ou não?
– Ou não. – Olhei-a incrédulo e voltei a pegar meus materiais.
Nunca confie em uma Sonserina, Lary tentou me derrubar, mas eu sou mais rápido do que ela. Logo depois de sentir suas mãos traiçoeiras me empurrarem, agarrei suas pernas, a fazendo cair e rolarmos até eu ficar em cima dela.
– Vai continuar de gracinha, Lary? – Perguntei segurando seus braços.
Ela relutou falhamente, bufou mais uma vez e me olhou.
– Solte-me, Weasley. – Ordenou, mas eu não me mexi. – Por favor...
Ela me encarou atentamente, por um instante pude perceber um olhar sincero. Fiquei sem reação e larguei seus braços, no entanto, ficamos parados. Nos encarando sem esboçar reação. Até percebemos o que estava acontecendo e ambos ficamos vermelhos. Tratamos de sair dali o mais rápido possível sem dizer uma palavra.
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