Herdeiros - Interativa
4 Conflitos
Notas iniciais
POV Angeline
Devia ser proibido o ano começar com a aula mais chata. Herbologia é um saco! Não sei como as pessoas gostam disso, é terrivelmente tedioso e estupido. Tudo bem que eu teria que saber pelo menos o básico, mas a profissão de Auror que eu seguiria não pedia especificamente isso.
Por sorte a aula pareceu voar, ainda mais quando o meu próximo alvo estava ao meu lado. James, 16 anos, sonserino, bonito e bom de pegada. Isso sim era um menino com o currículo completo.
– Desencana Angel, esse ai já tem namorada. – Minha melhor amiga sussurrou pra mim.
– Brooke querida, eu sei dividir. – Falo sarcástica a fazendo rir baixinho, mas chamando a atenção da velha professora Stella que parecia ter ouvidos biônicos.
– Senhorita Steaford, gostaria de nos contar do que tanto ri? – perguntou, mas antes que Brooke respondesse eu falei.
– Claro que não. Se ela quisesse que os outros rissem também teria dito em voz alta para todo mundo ouvir.
Fiz todos da sala darem algumas risadas por ter falado assim com a velhota, mas eu tinha o costume de defender meus amigos e Brooke era um deles, eu sabia que provavelmente ficaria de castigo pelo resto da tarde, mas eu não perderia a chance de debochar da cara da professora Stella.
– Castigo pelo resto da tarde, Senhorita Licantor! – Disse já alterada. – Nos vemos as 16:00h para cuidar das plantas para a aula de amanhã.
God! Porque as quatro da tarde? Iriamos começar a treinar Quadribol naquele horário! E logo em seguida daria alguns amassos no James porque com certeza ele não me negaria.
Agora eu estaria presa a Stella cuidando das suas plantinhas medicinais que me enjoavam. Porque eu mereço isso?
POV Brooke
Eu tive muita sorte por Angel ter respondido por mim, quase senti aquela garra negra me puxar mais uma vez para o obscuro, tudo porque a professora da matéria que eu mais odeio, me odeia.
Aposto que se o Matthew estivesse rindo ela nem mesmo ligaria. Ele era o seu preferido, por ser tão inteligente e aplicado em sua matéria, coisa que a maioria aqui não era.
Assim que ela decretou o castigo de Angeline, a aula acabou e todos saíram de lá o mais rápido possível, inclusive eu. Precisava ficar calma e nada mais me acalmava do que estar voando no céu da imensa Hogwarts.
Mas claro antes disso achei Angeline e a parei.
– Obrigado pelo o que você fez lá dentro. – Eu realmente estava agradecida.
– De nada querida, eu só me senti na obrigação porque eu fiz você soltar aquela risada escandalosa. – fez um sinal de drama típico.
– Na verdade ela que tem um ouvido biônico. – Rimos.
– Tenho Transfiguração agora e você?
– História da Magia. – Menti como se fosse a coisa mais fácil do mundo, o que realmente era. – E pelo o que vejo já estou atrasada.
Saí de lá, eu tinha um prazer enorme em mentir para os outros, mas odiava quando os outros mentiam pra mim. Confuso não? Mas é verdade, eu simplesmente gosto de mentir assim como gosto de voar.
Cheguei ao exterior da escola, peguei minha varinha e fiz com que minha Firebolt voasse até mim. Aquela palavrinha mágica chamada “Accio” resolvia tudo na minha vida, quantas vezes ela não havia me salvado nesses 7 anos aqui em Hogwarts.
Montei na vassoura e com um pequeno impulso estava no céu em segundos, ficava observando tudo a minha volta que ia diminuindo conforme o tempo. Eu me sentia livre lá em cima, sem preocupações, maldiçoes, medos, nada, eu me sentia como uma... Coruja!
Não, eu não me sentia como uma coruja, mas quase fui derrubada pela minha, Ginger vinha me trazendo uma carta no bico. Parei no ar e a peguei, acariciei o pelo dela como recompensa e ela saiu voando, abri a carta.
“Estamos espalhados pela escola,
Quatro dos dezesseis irão nos herdar,
Nos protegerá do grande mal,
E nos será leal”
Mas que porcaria era aquilo? Não tive muito tempo pra pensar porque perdi a estabilidade e cai. A última coisa que vi foi meu corpo em contato com a grama.
POV Katherine C. Hills
As aulas haviam passado tão rápido que eu mal percebi quando estava me dirigindo a minha mesa da Corvinal, realmente quando você gosta de estudar a aula passa tão rápido que você mal percebe.
Me sentei ao lado de Ally, Anne e Noah. Alguns dos meus inúmeros amigos de Hogwarts, conversamos animadamente, não éramos tão antissociais como muitos achavam. Os Corvinos tem lá a sua interação com o mundo social e ainda gostamos de estudar.
Estávamos falando sobre a aula que havíamos acabado de ter, vulgo a preferida de todos, Defesa contra as Artes das Trevas. O Professor Steven era provavelmente o preferido de toda a escola, todos os alunos gostavam dele, gostando da matéria sim ou não.
Enchi meu prato com doces variados, que particularmente eu adorava, e comecei a come-los, o assunto era realmente interessante, mas não mais interessante do que aquela perdição na mesa da Sonserina.
Ian Lahey. Provavelmente a minha paixonite desde o terceiro ano aqui em Hogwarts, enquanto o mesmo estava no quarto ano.
Percebi que o estava secando quando errei o doce de direção, ele quase entrou no meu nariz, limpei o glace rapidamente antes que alguns dos meus amigos percebessem.
– Katie. – Sussurrou Ally em minha direção me dando uma leve cotovelada. – Você o está secando de novo.
Olhei para ela envergonhada, ela era a única que sabia que eu era apaixonada por Ian, mas eu confiava ela então, sabia que meu segredo estaria guardado. Larguei o prato e me levantei.
– Vamos treinar? – Propus.
Noah e Anne Carter se entreolharam e se levantaram, nos três havíamos decidido que jogaríamos pra vencer esse ano, mostrar que podíamos ganhar de qualquer jeito.
Já no campo usamos o feitiço “Accio” para termos nossas vassouras em mãos. Minha Firebolt foi a primeira a chegar, montei e os esperei lá em cima, logo em seguida Noah e sua Cleansweep Onze chegou ao meu encontro.
– Espero que esse ano você e a May não tentem se matar de novo. – Brincou.
– Não tentamos nos matar. – Expliquei pela milésima vez.
– Só tiveram uma intriga pôr a Corvinal ter perdido mais uma vez para a Grifinoria. – Anne completou minha explicação pela centésima vez em um único ano.
Eu sou muito fissurada em Quadribol assim como a Pequena May, mas quando a Corvinal perdeu para a grifinoria, só Merlin deve saber quantas vezes, eu perdi a cabeça e briguei com ela, não foi nada muito “Ual! Elas estão tentando se matar!”, mas também havíamos perdido a cabeça uma com a outra, agora isso virará quase uma piada, já que May é minha amiga agora.
Começamos a treinar dispostos a ganhar pela Corvinal.
POV Anne
Treinamos por um bom tempo, como Noah era o capitão do time, podíamos ter disponibilidade as bolas e pelo visto esse ano todos estavam dispostos a ganhar o torneio.
Tivemos que brigar com Lary pelo campo, mas obvio que ganhamos, ou não estaríamos aqui treinando. Mas paramos em pouco tempo, quando avistei um corpo no chão.
– Aquilo é um corpo? – Perguntei.
– Onde? – Katie parou ao meu lado preocupada.
Apontei e vi Noah descer até lá, o acompanhamos. A primeira coisa que prestei tenção foi na Firebolt quebrada, depois percebi que o corpo era feminino e todos nos conhecíamos.
Brooke Steaford a sonserina californiana. Ela parecia ter desmaiado ou algo do tipo, descemos de nossas vassouras e chegamos perto.
– Ela está respirando. – Noah afirmou. – Melhor levarmos ela até a enfermaria.
Quando ele ia pega-la no colo, ouvimos o farfalhar das folhas e olhamos para o lado, o time da Grifinoria se aproximava, na verdade o grupo era bem conhecido por ser feito por 6 meninas e somente um menino o que antigamente era ao contrário.
Kimberly, a capitã, se aproximou rapidamente e se ajoelhou ao lado de Noah:
– O que aconteceu com ela? – Perguntou preocupada.
Noah ficou sem resposta por um tempo fazendo a menina de madeixas negras e olhos azuis se irritar.
– Perdeu a língua, Noah? – Perguntou.
– A encontramos assim, não me culpe. – Respondeu como se tivesse voltado a realidade.
– Precisamos leva-la para a Enfermaria logo. – Alertou May.
May se preocupava com todos facilmente, claro, sempre que não estava em cima de uma vassoura, porque quando subia nela, nada mais importava a não ser pegar o maldito Pomo de ouro.
Noah pegou Brooke no colo e corremos com ele para a enfermaria, 10 pessoas correndo pelos corredores de Hogwarts com suas vassouras apressadamente acabou em algo cômico, como se era de esperar, mas chegamos lá.
Madame Jullians nos atendeu prontamente, ficamos esperando na sala de espera. Ninguém dizia nada, mas era nítido que todos estavam pensando “O que ela estava fazendo lá?”
Madame Jullians nos deixou tranquilo dizendo que estava bem e que logo ela acordaria, mas que teria quebrado o braço, Angeline que chegou assim que soube, ficou frustrada. Brooke era artilheira do time e a Sonserina seria a primeira a jogar daqui a duas semanas.
– O jogo será contra quem? – Perguntou Cristiana.
– Contra vocês Queridinha. – Falou indiferente.
Mas claro, madame Jullians tranquilizou Angeline dizendo que em pelo menos uma semana Brooke estaria bem de novo e pronta para jogar. Nos tranquilizamos e saímos de lá, mas o clima havia ficado tendo, o Quadribol nunca seria só um esporte pra gente.
POV Aaron
Estava na mesa da Lufa-Lufa na hora do almoço, me empanturrando de comida junto com Dylan quando minha irmã gêmea, Allyson me chamou para uma conversa em particular. Essas conversas nunca eram boas, então o receio me dominou.
Só esperava que fosse qualquer outra coisa, menos algum menino tentando fazer gracinhas com ela. Não que eu fosse ciumento em relação a ela, mas sempre precisamos proteger nossa família não?
– O que foi Ally? – Perguntei assim que nos separamos do restante do pessoal.
– Ontem eu... – Ela respirou fundo tentando me olhar sem os olhos ficarem cheios de lagrimas.
Realmente era difícil não estarmos tristes sempre, com o que passamos em nossa infância, quase não tínhamos motivos reais e concretos para sorrir, mas mesmo assim achávamos melhor sorrir do que chorar.
– Ontem Hermes me trouxe uma carta do Hospital... – Ela nem precisou completar eu já imaginei o pior.
– Não me diga que ela... – Não conseguia dizer aquelas palavras não sobre minha avó que cuidou tanto de nós.
– Ela foi parar no St. Mungus depois de nos deixar na King Cross. – Fungou. – Não sei se o estado dela está pior ou melhor, mas ela está lá Aaron...
A abracei, me sentia melhor sabendo que ela estava em meus braços e não em perigo, pelo menos não ela...
Depois da conversa o dia pareceu passar num borrão, não me lembrava de nenhum conteúdo das aulas e nem nada, só pensava em como minha avó estaria no hospital.
Ela era muito importante para nós dois, ela foi a nossa salvação no fundo do poço quando conseguiu nossa guarda, depois que ficou sabendo que aquele troglodita tinha a coragem de levantar a palma da mão aos filhos.
Me lembrava de quase todas as surras que levei dele e esses pensamentos não eram agradáveis, nunca seriam, mas eu também nunca os esqueceria. Infelizmente teria que conviver com isso, quer eu gostasse ou não.
Já estava de madrugada e eu resolvi de uma vez por todas tentar dormir, sabia que o outro par dinâmico de gêmeos estariam tão acordados quanto eu, mas diferente deles eu não tinha pais para se preocupar comigo.
Agora com minha vó no St. Mungus, talvez só sobrasse eu e Ally para nos cuidarmos, somente os dois, contra a vida e o grande mundo. Mas por hora eu só queria uma boa noite de sono, sem tristeza, dor... Sem todo mundo.
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