Herdeiros - Interativa
2 Ida à Hogwarts
Notas iniciais
Um mês antes do advento do colar misterioso...
POV Matthew
– Filho desça para o café! – Gritou minha mãe na cozinha.
– Estou indo, mãe! – Gritei em resposta.
Já estava quase pronto, já havia saído do banho e estava devidamente trocado para a nossa partida à estação da King Cross. Terminei de pentear o cabelo que quase nunca ficava como eu queria e desci.
Na cozinha, papai e mamãe estavam nos esperando pro café, olhei minha mãe e ela suspirou olhando para a cadeira de May, entendi o recado e subi até o quarto dela. Ela sempre estava atrasada, principalmente pra acordar.
– May? – bati a porta. – Está na hora do café.
– Só mais cinco minutinhos, mãe. – Ouvi seu grunhido.
Suspirei e abri a porta, fui até sua cama e puxei sua coberta, a fazendo se encolher e tremer de frio. Com os olhos ainda fechados ela se arrastou pela cama até cair no chão.
– Ai! – Emitiu colocando a mão na cabeça.
– Eu não entendo porque você tem que estar em contato com o chão para acordar. – Admiti.
– Nem eu. – Admitiu sorrindo e indo pro banheiro.
Comecei a arrumar sua cama, que na verdade parecia mais um ninho, cheio de coisas e onde ela passava a maior parte do tempo. Retirei de lá pratos, algumas roupas e livros.
Fiquei surpreso, quase nunca a via com um livro, mas agora parece que sempre encontraria algum por ai. O que mais me chamou atenção foi o sobre Herbologia, que era o único maior por ali.
É irônico que a matéria que ela tenha mais dificuldade seja a minha preferida. Por isso ao começo do ano ela me pediu ajuda com todo tipo de matéria, mamãe até achou que estávamos tramando alguma, já que começamos a passar muito mais tempo juntos.
Terminei de alinhar sua colcha perfeitamente e ouvi um “click” vindo da porta do banheiro, de lá minha irmã já sairá trocada e com os cabelos como sempre desarrumados, tínhamos sérios problemas na família em domar os cabelos, mas o da May era o mais rebelde.
– Vem May ou iremos nos atrasar. – Avisei saindo do quarto com ela em meu encalço.
Descemos à cozinha mais uma vez, me sentei e comecei a comer uma torrada acompanhada de suco de abóbora, May beijou a bochecha de papai e se sentou ao meu lado se servindo de torradas também.
– Até hoje não me acostumei que os dois tem o mesmo gosto para comida. – Admitiu mamãe sorrindo.
– Nem nós. – Falamos em uníssono.
Continuamos conversando até o carro, entrei pelo lado direito e me sentei passando o cinto. Olhei para May que estava com os fones ligados ao seu aparelho do mundo trouxa. Ele reproduzia músicas e ela sempre os deixava no alto.
– May abaixe isso, não quero ter que te aturar surda. – Falei puxando os fones.
– Eu te odeio sabia? – Perguntou bufando e abaixando o som, mas logo depois sorrindo.
– Eu sei que me ama, não precisa fingir que não.
– Cala boca. – Ordenou rindo. – Por Merlin Matthew suas piadas são péssimas.
Em pouco tempo estávamos na estação, colocamos nossos malões nos carrinhos e atravessamos a parede indo rumo a plataforma nove três quartos. Esperamos mais algum tempo com nossos pais, May ficava falando de Quaribol com o papai enquanto eu e mamãe falávamos da nova espécie de alga marinha que poderia ajudar os Medi-Bruxos.
Mamãe era a Medi-bruxa chefe do Hospital Sant’ Mungus, então sempre estava atualizada o suficiente para conversar comigo. Papai era Auror então não era tão atualizado disso, não que ele não soubesse, ele sabia, mas não entendia a minha fascinação por isso.
Mamãe até que me compreendia, porque se você quisesse ser o próximo e o melhor professor de Herbologia de Hogwarts, você tinha que saber de tudo aos mínimos detalhes, sempre estar preparado para algo. Provavelmente esse era um dos fatores para eu estudar tanto, além de que eu realmente gostava disso.
O Trem soou o apito, logo ele iria partir, me despedi dos meus pais e subi ao trem acompanhado por May, encontramos um vagão vazio, entramos e nos sentamos, um de frente ao outro, May apoiou os pés ao meu lado, era seu costume sempre me deixar preso entre os pés dela no trem. Ela ainda ouvia música, então peguei meu livro “Hogwarts: Uma história” e comecei a lê-lo.
Não se passara nem 10 minutos e ouvi:
– Se eu não soubesse que são irmãos, acharia que vocês se pegavam.
– Você não acha que essa piadinha está velha? – Perguntou May a Angeline D. Licantor, uma de suas únicas amigas da Sonserina.
May nunca se dera bem com nenhum Sonserino, talvez por ser da Grifinória ou talvez porque seus gênios nunca batiam, nada importava ela quase não tinha amigos da Sonserina, somente raras peças que ela particularmente adorava.
Angeline riu e com um sorriso no rosto arqueou uma sobrancelha como em desafio. May rolou os olhos e suspirou rindo.
– Pra você nada está velho não é? – Perguntou.
– Acertou May, brincar com a sua cara nunca ficará velho. – Disse sentando-se ao lado dela.
– Mas e então como foram as férias? – Perguntou May se virando para ela.
– Boas, sem muito o que fazer. Como o paraíso. – Disse olhando para o teto como se imaginasse o seu céu.
– Então, continua com o Sebastian? – May perguntou do último ficante de Angel.
– Já havíamos ficado por mais de duas semanas, passei do meu limite. – Explicou como se não fosse nada.
– E depois não quer que eu diga que é uma destruidora de corações. – Brincou May rindo da atitude da amiga.
– Destruidora de corações ela sempre foi. – Brincou mais uma chegando ao recinto.
– Se não quiserem morrer é melhor ficarem de boca fechada. – Avisou Angel.
– Seu nome é de Anjo, mas você é o contrário. – Brincou Katherine Winchester, uma Grifinoriana do sétimo ano.
O que ela fazia aqui? Ela era prima da melhor amiga de May, então consequentemente acabou nos conhecendo e como todos nesse grande mundo, virou amiga da minha irmã.
May era um Imã de amizades, sempre estava rodeada dos amigos. Ela conhecia pelo menos quatro quintos de toda Hogwarts, e o melhor, todos adoravam ela.
– Matthew! tudo bem? – Me perguntou Kath.
– Hum... Sim. – Eu nunca conseguia ficar à vontade quando os amigos de May me notavam.
– Você é uma gracinha tímido. – Admitiu me fazendo erubescer.
– Obrigado... Eu acho. – Sussurrei me colocando o livro a minha frente mais uma vez.
Elas continuaram conversando. Pois é, parece que o dia vai ser longo.
POV Katherine
Chegamos a Hogwarts, já estava vestida então desci do trem e fui para as carruagens, entrei na primeira que avistei e dentro dela já pude ver Cristiana, Kimberly e Hanna. Me sentei ao lado da minha prima.
– Como vai a vida meninas? – Perguntei me sentindo um pouco tímida, já que não conhecia Cristiana muito bem e nem Kimberly.
– Bem, e você? – Perguntou Cristiana um pouco baixo.
– Indo... – Respondeu Kimberly. – Como você nos conhece?
– Ah, por causa da minha prima. – Falei apontando para Hanna.
– Hum, então você é a famosa Katherine? – Perguntou Kimberly.
– Sim. – Respondi sorrindo. – Mas por que famosa?
– Talvez eu tenha dito que você gosta de jogar Quadribol, mesmo não estando no time como nós. – Revelou Hanna sorrindo.
– Ela disse que você é ótima, você bem que podia entrar no time. – Propôs Cristiana.
– Eu no time? – Perguntei incrédula com a ideia.
– Realmente Tina, seria pedir pra perder se colocássemos ela no time. – Brincou Hanna.
– Vá se ferrar Hanna. – Dei-lhe um toquinho no ombro rindo. – Mas todas as três jogam?
– Sim. – Disseram em uníssono.
– Clubinho do Quadribol agora? – Perguntei rindo.
– Calada Kit Kath. – Mandou minha prima rindo.
– Isso mesmo calada Kath. – Ordenou Kimberly rindo um pouco.
– Acho que chegamos meninas. – Avisou Cristina.
Descemos da carruagem constatando que realmente havíamos chegado, Kimberly se despediu e foi para perto de outra menina, Hanna se isolou um pouco, e ficamos só eu e Cristiana juntas na fila.
– Legal da sua parte ser do último ano mais ainda arranjar tempo pra falar conosco. – Elogiou a mesma.
– Obrigada. – Agradeci. –Mas então, tem família aqui em Hogwarts também?
– Não, mas...
– Mas? – Incentivei.
– Nada, esqueça. – Falou como se tivesse lembrado de algo triste.
Preferi não perguntar de novo. Sabia que algo a incomodava, mas ela não queria falar naquele momento. Talvez fosse algo pessoal, assim como quando perguntam se eu moro com os meus pais anda, e eu me sento estranha em dizer que moro sozinha em um apartamento, com meu Elfo Argos, por ter fugido de casa... Mas bem, o pior não é falar, são os olhares.
Por isso repugno pessoas que me olham de esgueira só por saberem disso. Mas de uma coisa eu tenho certeza, não importa o que eles saibam ou digam, o que meus inimigos dizem não me atingem.
Entramos e nos sentamos a mesa da Grifinória, fui para perto dos meus amigos do sétimo ano, conversar baixinho enquanto esperávamos os pequeninos do primeiro ano serem encaminhados para suas casas.
Quando tudo aquilo acabou, o diretor, Neville Longbottom, nos desejou um bom retorno e disse que esse ano, andar pela escola depois das 22:00 era proibido a todos, somente os Monitores podiam ter a liberdade de tal ato para monitorar os corredores em seus turnos, mas nada mais que isso seria tolerado.
Aquilo era estranho, eles nunca reforçavam essa regra, nem mesmo a citavam muitas vezes, já que essa era a regra mais quebrada desde os primórdios. Mas então, o que seria tão importe pra eles nos lembrarem disso?
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