Herdeira Consorte
2 Capítulo 02
O Desprezo do Príncipe
Os jardins do palácio de Ametista eram famosos em todo o reino. Projetados por paisagistas famosos, abrigavam espécies raras de flores, fontes exuberantes e labirintos de buxo onde gerações de nobres haviam se perdido, alguns literalmente, outros metaforicamente.
Era num desses labirintos, no coração mais denso e esquecido do jardim, que Louis Ametista passava suas tardes.
- Você está diferente hoje — disse Eloá Marchand, tocando o rosto do príncipe com a ponta dos dedos, deu um beijo em seus labios. — Mais tenso.
Louis capturou sua mão e beijou a palma, gesto que aprendera com ela, pequenas intimidades que a corte jamais permitiria.
- Meu pai marcou a data do noivado. Em duas semanas, a comitiva do condado de Cristal chega para um encontro oficial. E estão aproveitando para firmar o compromisso real. — disse Louis com total desinteresse.
Eloá sentiu o sangue gelar, mas manteve a expressão calma. Era filha de comerciante, acostumada a esconder emoções atrás de sorrisos profissionais. Aprenderá cedo que, para uma mulher sem título, a sobrevivência dependia de ler os outros sem ser lida.
- Você já falou com ele? Com o rei?
- Falei. — a voz de Louis amargurou. — Foi como conversar com uma parede. Disse que amor é superestimado, que respeito e dever são mais importantes, que eu deveria agradecer por ter uma noiva como Louise Valliere.
- E você? O que sente por ela? — especulou ela com uma ponta de ciúmes.
- Nada. — a palavra saiu mais dura do que ele pretendia. — Absolutamente nada. Ela é uma estranha que me foi imposta desde os treze anos. Uma marionete perfeita que sorri nos momentos certos, diz as palavras certas, usa os vestidos certos. Como posso gostar de alguém que não tem vontade própria.
Eloá tocou seu rosto com suavidade. Não perderia para Louise Valliere.
- Talvez ela também esteja presa, Louis. Talvez ela também não tenha escolha. — comentou.
- Escolha? — Ele riu, sem humor. — Ela tem todas as escolhas. É filha do ministro mais poderoso do reino, tem dinheiro, status, influência. Poderia recusar o casamento se quisesse. Mas não recusa. Por quê? Porque quer ser rainha. Porque quer o poder, o trono, a coroa. Ela não se importa com nada.
- Você não sabe disso.
- Sei, sim. — Louis levantou-se, começando a andar de um lado para o outro no pequeno espaço do labirinto. — Já a vi em eventos da corte. Ela adora os holofotes. Adora ser o centro das atenções. Adora que todos a admirem. E eu? Sou apenas o meio para alcançar o que ela realmente quer.
Eloá permaneceu sentada, observando-o com olhos tristes. Conhecia Louis o suficiente para saber quando sua frustração se transformava em amargura. E sabia também que essa amargura, muitas vezes, encontrava alvos injustos.
- Você já conversou com ela? Já tentou convencê-la?
- Eu a odeio! Não consigo conversar com ele civilizadamente.
- Talvez se... — ela foi interrompida.
- Para quê? — ele parou de andar, encarando-a. — Para ouvir mais discursos ensaiados? Falando da importância desse casamento? Para vê-la fazer reverências perfeitas? Não, obrigado. Prefiro engolir pregos a ter que lidar com uma estranha ambiciosa e fingir que me importo!
O dele celular vibrou ele olhou o horário, e suspirou.
- Preciso ir — Louis disse, a voz cansada. — Meu pai convocou uma reunião de família essa noite. A maldita noiva estará lá, com seus pais perfeitos e seus modos perfeitos.
- Louis... — Eloá levantou-se e segurou suas mãos. — Prometa que não fará nada precipitado. Prometa que não se machucará.
Ele olhou para ela por um longo momento. Depois, puxou-a para um abraço apertado.
- Prometo tentar. Mas não posso prometer mais que isso. — Louis lhe sorriu.
Se tudo fosse conforme como planejado, ele iria se livrar de Louise.
Ele deu alguns passos e depois voltou para Eloá, lhe deu um beijo e finalmente a deixou ir.
A reunião familiar estava marcada para as cinco da tarde, nos aposentos privados do rei. Louis atrasou-se propositalmente, um pequeno ato de rebeldia que lhe custaria sermões, mas que aliviava ligeiramente sua alma oprimida.
Foi quando virava o corredor que levaria à ala real que a viu.
Louise Valliere caminhava em sua direção, escoltada por uma dama de companhia. Vestia um traje azul-claro, simples e elegante, e trazia nos cabelos um penteado discreto. Seus olhos estavam fixos à frente, postura ereta, expressão serena, exatamente como Louis imaginava que ela seria em todos os momentos de sua vida.
Por um instante, considerou virar-se e seguir por outro caminho. Mas era tarde demais, ela já o vira.
- Alteza. — Louise parou e fez uma reverência impecável. — Que honra encontrá-lo.
Louis parou a alguns passos de distância, mantendo uma frieza deliberada. Até o ar que ela respirava parecia irritá-lo.
- Senhorita Valliere. — disse a contragosto.
O silêncio se estendeu por segundos constrangedores. A dama de companhia de Louise trocou olhares com o guarda que acompanhava Louis, ambos desconfortáveis.
- Segue para a reunião com o rei? — Louise perguntou, tentando preencher o vazio.
- Sim. — foi tudo que ele disse.
- Eu também. Que coincidência agradável.
- Coincidência. — a palavra saiu carregada de desdém. — Ou talvez não tão coincidência assim. Os aposentos do rei são o único caminho.
Louise manteve a expressão, embora algo em seus olhos tenha se fechado ligeiramente.
- De fato. Devo acompanhá-lo?
- Tem outra escolha?
Começaram a caminhar lado a lado, mas a distância entre eles era palpável. Louis andava mais rápido, forçando-a a acelerar o passo para acompanhá-lo. Não ofereceu o braço, não fez qualquer gesto de cortesia.
- Os preparativos para o casamento estão avançando — Louise comentou, tentando manter a conversa. — Sua mãe está encantada com a escolha das flores.
- Que bom.
- O mestre de cerimônias disse que o senhor não tem comparecido aos ensaios. Há algum problema?
Louis parou abruptamente, virando-se para encará-la. Seus olhos azuis estavam gelados.
- O problema, senhorita Valliere, é que tenho um reino para governar. Não posso perder tardes inteiras dançando em círculos enquanto há questões de Estado para resolver.
- Compreendo. — a voz de Louise manteve-se calma, mas algo em sua postura enrijeceu. — Apenas pensei que... sendo nosso casamento...
- Nosso casamento. — Ele repetiu as palavras como se fossem amargas. — Sim, nosso casamento. O evento mais importante do ano, não é? Onde a filha do ministro Valliere finalmente se tornará princesa. Será se isso realmente vai acontecer?
- Alteza, eu...
- Não precisa se explicar. — Louis retomou a caminhada, mais rápido ainda. — Sei muito bem o que este casamento significa para sua família. Para você.
Louise parou por um instante, processando o golpe. Depois, com a dignidade de quem fora treinada a vida inteira para não demonstrar fraqueza, apressou-se para alcançá-lo.
- Alteza, se há algo que eu tenha feito para ofendê-lo...
- Ofender? — ele riu, sem humor. — Sua existência é insignificante, você não me ofende, senhorita Valliere. Você simplesmente... existe. E por existir, eu estou aqui, preso a um compromisso que nunca pedi, com uma mulher que nunca escolhi.
O silêncio que se seguiu foi pesado como chumbo. Louise abriu a boca para responder, mas nenhuma palavra saiu. O que poderia dizer? Que também não escolhera? Que também estava presa? Que também sonhava com algo diferente? Na verdade, não tinha ambições ou sonhos, o que lhe foi dito como o certo, ela apenas seguiu a risca.
Mas Vallieres não se queixavam. Vallieres não se expunham. Foi assim que foi ensinada.
- Lamento que se sinta assim, alteza — conseguiu dizer, a voz firme apesar do tremor interno. — Farei o possível para tornar nossa união... suportável.
- Suportável. — Louis a encarou com algo que parecia quase pena. — Você realmente acredita nisso, não é? Que podemos tornar isso suportável. Que com tempo e paciência, tudo se ajeita.
- É o que me ensinaram.
- Pois eu aprendi outra coisa. — ele se aproximou, reduzindo a distância entre eles de forma ameaçadora. — Aprendi que quando algo é errado desde o início, nada pode consertar. Aprendi que dever sem amor é prisão. E aprendi que você, senhorita Valliere, pode até conseguir o que quer: o trono, o título, a coroa, mas nunca terá meu respeito. Eu sequer gosto de você!
Antes que ela pudesse responder, Louis virou-se e entrou nos aposentos do rei, deixando-a paralisada no corredor.
A dama de companhia de Louise aproximou-se, hesitante.
- Senhorita? Você está bem?
Louise respirou fundo. Depois de novo. E de novo. Não havia tempo para analisar a rejeição.
- Estou. — endireitou os ombros, ajustou o vestido, compôs a expressão. — Vamos. Não podemos fazer o rei esperar.
Entrou nos aposentos com a postura impecável de sempre, como se as palavras de Louis não tivessem perfurado cada defesa que construíra ao longo de anos.
Como se não doesse. Como se não importasse.
Mas doía.
O rei e a rainha já estavam acomodados quando Louis entrou seguido de Louise. O ministro Valliere e sua esposa também aguardavam, sentados em cadeiras indicadas.
- Finalmente! — O rei exclamou, visivelmente irritado. — Louis, você está atrasado. E Louise, querida, sente-se aqui ao meu lado.
Louise obedeceu, ocupando o lugar indicado sem olhar para Louis. O príncipe sentou-se o mais longe possível dela, próximo à janela, como se o contato visual pudesse contaminá-lo.
- Convoquei esta reunião para alinharmos os últimos detalhes — começou o rei. — A comitiva de Cristal chega em duas semanas. Teremos três dias de negociações comerciais, seguidas da cerimônia oficial do noivado.
- Três dias? — Louis interrompeu. — Por que tão rápido?
- Porque o inverno no norte começa cedo, e a família real de Cristal precisa retornar antes que as estradas fiquem intransitáveis. — O rei olhou para o filho com severidade. — Algum problema?
- Nenhum. — a resposta foi seca, fazendo uma leve reverência
- Ótimo. — O rei voltou-se para Louise. — Querida, sua mãe e a rainha estão organizando um jantar privado para as famílias na noite anterior à cerimônia. Apenas os noivos e os pais. Será uma oportunidade para vocês se conhecerem melhor.
- Será uma honra, majestade — Louise respondeu, educada.
Louis não disse nada. Apenas cruzou os braços e fixou o olhar na janela, como se o mundo lá fora fosse infinitamente mais interessante que a sala.
- Louis? — O rei chamou sua atenção. — Você tem algo a dizer?
Contrariar o rei em público era no mínimo pouco eficaz.
- Não. — a palavra foi um tiro seco.
- Excelente. Então prosseguimos.
A reunião durou mais uma hora, com discussões sobre protocolo, sobre presentes, sobre discursos. Louise participou ativamente, fazendo perguntas pertinentes, oferecendo sugestões, encantando o rei e a rainha como sempre.
Louis permaneceu em silêncio, respondendo com monossílabos quando questionado diretamente, ignorando completamente a noiva.
Ao final, quando todos se levantavam para sair, o rei chamou o filho à parte.
- Fique.
Louise e seus pais despediram-se e saíram. A rainha também se retirou, lançando um olhar preocupado ao filho antes de fechar a porta.
- Sente-se. — o rei indicou a cadeira, esperou o filho obedecer antes de continuar.
Louis obedeceu, mas sua postura era de desafio.
- O que houve com você? — O rei começou, a voz cansada. — Louise Valliere é uma jovem admirável. Inteligente, dedicada, amada pelo povo. Qual é o problema?
- O problema é que eu não a amo.
O rei suspirou, um som cansado que parecia vir de muito fundo.
- Você acha que fui apaixonado por sua mãe quando nos casamos? Acha que algum de nós, nesta corte, casou por amor?
- Sei que não. Mas isso não significa que eu deva repetir o erro.
- Erro? — o rei ergueu uma sobrancelha. — Sua mãe e eu construímos um reino estável, criamos um herdeiro, respeitamo-nos mutuamente por trinta anos. Isso é erro?
- É falta de amor.
- Amor? — o rei suspirou. — Louis, quantas vezes preciso repetir? Amor não sustenta reinos. Dever sustenta. Respeito sustenta. Lealdade sustenta. Amor é superestimado, Louis. Respeito, lealdade, parceria isso dura. Amor passa.
- O meu não passará. — replicou ele.
- Você não pode dar essa certeza!
- E o que sustenta um homem que passa a vida ao lado de alguém que não escolheu?
- A certeza de que fez o que era certo. — o rei inclinou-se. — Escute, filho. Sei que há... outras pessoas em sua vida. Sei da jovem Marchand.
Louis empalideceu.
- Como...
- Eu sou o rei. Sei de tudo. — a voz do monarca era grave. — E estou sendo generoso ao não intervir. Mas isso tem limite. Se você envergonhar esta família publicamente, se fizer algo que manche a honra da coroa, não poderei protegê-lo.
- Proteger-me? — Louis levantou-se, a voz tremendo de raiva. — O senhor chama isso de proteção? Prender-me a um casamento que não quero, com uma mulher que não amo, e chamar isso de proteção?
- Chamo de dever. — o rei também se levantou. — Você é príncipe herdeiro, Louis. Não um plebeu que pode escolher por amor. Tem responsabilidades. Tem obrigações. E uma delas é casar-se com Louise Valliere e dar herdeiros a este reino.
- E se eu não puder?
- Poderá. Ou será deserdado.
O silêncio que se seguiu foi absoluto.
- Pense no que eu disse — o rei completou, a voz mais suave. — E, por favor, tente dar uma chance a senhorita Valliere. Ela merece mais do que seu desprezo.
O rei levantou-se, indicando que o assunto terminara.
- Você cumprirá seu dever. A senhorita Marchand receberá uma compensação financeira e terá minha proteção. Mas o casamento com Louise Valliere acontecerá. Está decidido.
O rei saiu e Louis ficou sem responder.
Ele saiu do palácio em fúria, não suportava a ideia de que teria que um dia casar de verdade com Louise. Não aceitava.
No dia seguinte ele foi ao encontro de Eloá no mesmo labirinto de sempre. Ela o esperava com uma cesta de pães e frutas, um sorriso ansioso no rosto.
- Como foi?
- Um desastre. — Louis sentou-se na grama, exausto. — Meu pai sabe de nós.
Eloá empalideceu.
- Sabe? E... o que vai acontecer?
- Nada. Por enquanto. Disse que está sendo generoso. — ele riu, amargo. — Generoso. Como se meu amor por você fosse um crime que ele perdoa.
- Louis, talvez possamos fugir...
- Para onde? Seríamos encontrados em uma semana. E você seria punida. Não posso permitir isso.
- Então o que faremos?
Ele segurou suas mãos, os olhos brilhando com uma determinação assustadora.
- Já pensei em tudo. Se me forçarem a ir em frente com esse casamento, eles perderão o herdeiro que tanto prezam.
- Louis, não! — Eloá apertou suas mãos com força. — Não fale assim. Não faça isso.
- É a única saída digna.
- Digna? — ela soltou suas mãos, os olhos marejados. — Você chama isso de dignidade? Deixar-me sozinha, com a culpa de ter causado sua morte? É isso que você quer para mim?
- Quero que seja livre. Que encontre alguém que possa amar sem esconderijos.
- Não quero ninguém. Quero você. Vivo.
Louis a puxou para um abraço, sentindo o cheiro familiar de lavanda em seus cabelos. Lavanda, não os perfumes caros da corte. Simplicidade. Verdade.
- Não sei o que fazer — confessou, a voz abafada. — Estou preso. Todos os caminhos levam à mesma prisão.
- Então lute. — a voz de Eloá era determinada. — Lute do jeito certo. Enfrente seu pai, mas com argumentos, não com violência. Mostre a ele que pode ser um bom rei mesmo casando com quem ama.
- Ele não vai ouvir.
- Talvez não. Mas pelo menos terá tentado. E eu estarei ao seu lado, não importa o que aconteça.
Louis ficou em silêncio por um longo momento. Depois, beijou sua testa.
- Você é boa demais para mim.
- Sei. — ela sorriu, trêmula. — Mas estou aqui mesmo assim.
[...]
Louise estava em seu quarto, sentada à escrivaninha, tentando se concentrar nos livros de protocolo. Mas as palavras dançavam diante de seus olhos, ilegíveis.
- Filha? — sua mãe entrou sem bater, algo que só fazia em momentos especiais. — Posso entrar?
- Claro, mãe.
A senhora Valliere sentou-se na cama ao lado da filha, observando-a com olhos preocupados.
- Aconteceu algo antes da reunião? Você parece... diferente.
- Estou bem. — o automático.
- Louise. — a mãe tocou seu rosto. — Sou sua mãe. Sei quando você está bem e quando não está. Conte-me.
Louise hesitou. Vallieres não se queixavam. Vallieres não se expunham. Mas sua mãe... sua mãe era diferente.
- Encontrei Louis no corredor, antes da reunião.
- E?
- Ele foi... frio. Disse que nosso casamento é uma prisão. Que nunca terei seu respeito. Ele disse que não gosta de mim! — mesmo dizendo essas coisas sua postura estava rígida e contida.
Amanda Valliere fechou os olhos por um momento, processando a informação. Depois, puxou a filha para um abraço.
- Me desculpe, minha querida. Me desculpe por não podermos dar a você o que merece.
- Não é culpa sua, mãe.
- É, sim. Aceitamos esse acordo há anos. Acreditamos que era o melhor para você. E agora...
- Agora é tarde para mudar.
- Nunca é tarde. — a mãe afastou-se, segurando seu rosto. — Se você quiser, podemos falar com o rei. Podemos desfazer o noivado. Eu faço um protesto!
Apenas sua mãe era capaz de uma coisa dessas, mas Louise havia puxado para ao pai. Um compromisso feito deveria ser honrado.
- E causar um escândalo? Envergonhar nossa família? Arruinar a aliança que meu pai passou anos construindo? — Louise balançou a cabeça. — Não, mãe. Eu assumo minhas responsabilidades. Como sempre fiz.
- Mas a que custo? Não segure correntes que a fazem sangrar...
- O custo não importa. O que importa é o dever.
Amanda olhou para a filha e viu, refletida nela, a mesma rigidez que via no marido. A mesma determinação inabalável. A mesma capacidade de sacrificar a própria felicidade em nome de algo maior.
E doeu.
Doeu como só uma mãe pode doer ao ver o filho sofrer.
- Se você mudar de ideia — disse, levantando-se — Estaremos aqui. Seu pai e eu. Sempre.
- Eu sei, mãe. Obrigada.
Sozinha novamente, Louise voltou-se para os livros. Mas antes de retomar a leitura, permitiu-se um momento de fragilidade.
Apoiou a cabeça nas mãos e fechou os olhos.
- Você consegue — murmurou. — Vallieres não desistem.
Mas naquela noite, pela primeira vez em anos, Louise Valliere questionou-se se valia a pena continuar.
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