Heróis Não Morrem Assim
1 Prólogo: O Preço da Glória
O ano era 2016, o auge da chamada Era dos Heróis. Décadas antes, poderes haviam surgido na humanidade, primeiro como um fenômeno misterioso, depois como parte da vida comum. Mas antes que o mundo aprendesse a lidar com isso, caos e tragédia se espalharam por todos os continentes.
A virada aconteceu com o evento que ficou conhecido como O Dia da Cinza Azul. Uma criatura colossal, gerada por uma explosão de energia desconhecida, devastou três países em sequência. Pessoas com poderes lutaram como puderam, alguns se sacrificando até o último instante. Após esse desastre, os governos finalmente entenderam que habilidade sem preparo trazia destruição.
Foi criado então o Projeto Atlas, um acordo mundial para formar academias de heróis em cada país. O objetivo era simples: treinar jovens para usar seus poderes com responsabilidade, proteger os fracos e impedir que tragédias como a Cinza Azul voltassem a acontecer.
Nos primeiros anos, funcionou. Os heróis inspiravam. Salvavam vidas. Representavam esperança.
Mas isso começou a mudar quando grandes empresas e a mídia perceberam algo: heróis davam audiência. E audiência dava dinheiro. Logo surgiram contratos milionários, rankings públicos, reality shows de combate, transmissões ao vivo de resgates e campanhas publicitárias com rostos sorridentes estampados em cada esquina.
A palavra herói perdeu seu significado.
E ganhou um preço.
Os verdadeiros protetores se tornaram raros, sufocados, às vezes até perseguidos. Alguns desapareceram. Outros morreram. E os famosos continuavam sendo chamados de "salvadores", mesmo que buscassem apenas fama e poder.
Ainda assim, algumas pessoas insistiam em acreditar no propósito antigo.
Entre elas estava Bartiriam.
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