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69 Capitulo sessenta e seis (Felipe)
Notas iniciais
Como prometido, mais um capítulo! Aproveitem o sábado!
— Caneta?
— Aqui.— Preta?— Opa.Então ele se virou e fuçou a gaveta até achar uma caneta preta.— Pronto. Aqui.Balancei a cabeça. Quando Caio disse que ia fazer o ENEM também, eu não acreditei que ele iria mesmo, porém aqui estava ele, no dia da prova, checando todos os itens comigo. Dava até orgulho.— Lanche?— Aqui.— Corretivo?— Aqui!— Então solte, você não pode usar corretivo.— Não pode usar corretivo? Que tipo de prova é essa?— Chama-se ENEM e ela é muito chatinha mesmo. Agora largue o corretivo, canetas de qualquer cor e qualquer tipo de cola que você possa ter.Ele olhou para mim.— Droga.Então tirou alguns papéis com tanta coisa escrita que estava 100% preto.— Caio, isso é sério! Se você for pegue colando, é desclassificado.— Ninguém ia me ver...— Além de ser trapaça. Não pode colar.Ele olhou para baixo.— Ok, sem cola.Então tirou mais papéis do bolso.— Caramba. Que vergonha alheia...— Cala a boca! Você é muito inteligente, eu não sou! Não consigo passar horas estudando como você faz, ou gabaritar provas como você.— Como assim? Você sempre tirou notas boas na escola...— Bem... Quanto a isso...— Você colava?— Eu era um cara popular! As pessoas faziam fila para me dar as respostas das provas! Eu só aproveitava!— E você nunca pensou que poderia precisar desse conhecimento?— Eu sempre pensei que a música fosse me sustentar pela vida. Eu sempre toquei muito bem, minha voz era boa, eu não precisava de mais nada!— Até você precisar...— Eu nunca pensei que fosse precisar. Eu não sou organizado como você, eu sempre fiz as coisas por intuição e elas normalmente falham.— Como a tentativa de pegar a namorada do Samuel?— A Alicia te falou sobre isso?— Sim.— Foi bobagem. Eu já superei.— Tem certeza disso?— Sim. Foi uma crueldade minha, eu não devia ter feito isso desde o começo.— Concordo.— Nem beijado a June.— Quê?— Eu não devia ter beijado June. Eu sinto muito.Pisquei, ainda sem acreditar.— Por quê?— Por que eu sou um idiota e nunca notei que você gostava da June. Eu juro que se eu soubesse, não a teria beijado.Sorri instantaneamente. Meu irmão estava ali, me pedindo desculpas por algo que não era culpa dele. Ok, era culpa dele sim, mas não inteiramente.— Está tudo bem. Ela sempre gostou de você e eu sempre soube disso.— Mas Felipe... ela gosta de você agora!— Eu sei. E pode parecer bobagem, mas eu sinto como se eu fosse o resto. Como se só eu tivesse sobrado e ela pensasse "se só tem tu, vai tu mesmo".Ele deu um sorriso triste.— Sabe, eu sinto a mesma coisa com... Amanda.— Então você sabe como eu me sinto.— Mas às vezes, você precisa deixar o orgulho de lado e se entregar.— Foi isso o que você fez?— Não — disse ele sorrindo — É isso o que eu vou fazer!— O que quer dizer com isso?— Que eu não vou desistir. Você devia fazer o mesmo.— Meninos vocês estão prontos? — perguntou mamãe da cozinha.— Sim, mãe! — gritei em resposta.— Vamos acabar logo com isso — disse ele colocando a cadeira para frente e indo em direção à porta.— Sim... vamos.E dessa conversa inocente, eu finalmente entendi melhor Caio. Meu irmão não era perfeito... nunca foi! E eu nunca entendi isso, mas agora eu via claramente: Caio era um humano como qualquer outro.E isso fez eu amar muito mais o meu irmão.
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