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70 Capitulo sessenta e sete (June)
Notas iniciais
Pirem e sintam vontade e me matar em 3...2...1...
– Você fez uma boa prova? — perguntou Felipe.
– ENEM?– Sim.– Acho que sim. Não dá para dizer se você fez realmente uma boa prova no ENEM. E você?– Sim, acho que posso considerar que fiz uma boa prova. Caio saiu derrotado — ele falou rindo — No segundo dia disse que nunca mais ia fazer uma prova na vida.Gargalhei.– Que fracote!– Nem me fale! Então, vamos deixar de lenga-lenga e tocar?– Claro.Então eu sentei no banco do piano e Felipe ao meu lado.– Qual a música de hoje? — perguntei.Já fazia quase três meses que eu estava tendo aulas com Felipe (N/l: não liguem para a minha contagem de tempo na fic) e eu estava dominando a leitura de partituras... mas passá-las para as teclas era minha dificuldade. Tocar não era exatamente algo que eu conseguisse fazer com maestria, mas eu amava ver Felipe tocando, então eu não desistia do piano.– Hoje eu escolhi uma música que você vai gostar. Ele pegou a mochila ao lado e a abriu para tirar uma partitura. Eu quase gritei quando vi o nome: "La Valse D'Amélie" vinda diretamente do meu filme preferido. Quer dizer... nosso filme preferido.Felipe colocou a partitura no suporte.Eu posicionei meus dedos sobre as teclas e comecei, mas como esperado, eu não conseguia passar o que eu lia para a música.– Meu Deus, não! — exclamou ele.Tirei meus dedos do piano e suspirei.– Eu não consigo.– Calma. Você só precisa se concentrar. Comece de novo.Respirei fundo e tentei novamente, mas eu errava as teclas e a música saía completamente diferente.– Vamos tentar DóRéMiFá de novo?– De jeito nenhum, até um bebê sabe tocar DóRéMiFá. Vai de novo, com calma. Tenta sentir a música.– Eu não sei sentir a música.Ele se aproximou mais e passou um dos braços por mim para ficar com uma espécie de abraço em que suas mãos envolviam as minhas.– Vamos tentar de novo, eu vou lhe ajudar.Prendi a respiração, com nervosismo. Então abri os olhos e tentei novamente. Dessa vez, sempre que estava quase errando, Felipe desviava para eu acertar a tecla e a música saiu quase perfeita.– Viu como você consegue? — falou ele no meu ouvido — Agora feche os olhos e tente sentir a música. Eu vou guiar seus dedos.– Tá — consegui falar.Meu coração batia incrivelmente forte e eu agradeci que ele não conseguia senti-lo e rezei que minhas mãos não estivessem tremendo nem suando.Então eu fechei os olhos e ele começou. Era diferente "tocar" sentindo a música do que apenas ouvir. Mesmo que só Felipe estivesse tocando, ainda assim era incrível a sensação. E incrementada com a posição de Felipe me "abraçando" foi uma das melhores sensações que já tive.Então a música acabou e Felipe tirou sua mão da minha.– O que achou?– Incrível...Foi a única coisa que consegui dizer no meu estado abobalhado.– O que foi? — perguntou ele.– Nada!– Você está estranha...– Eu só... gostei de tocar desse jeito.Então ele ficou cor de rosa e olhou para baixo.– Desculpa.– Por quê? Eu disse que gostei...Então ele me olhou e começou a se aproximar devagar, sem desviar o olhar, como se pedisse permissão.Comecei a preparar meu coração, encarando aqueles olhos incríveis...Aí a porta se abriu e os dois deram um pulo para trás.– Oi Felipe — disse a secretária da escola entrando na sala — A sua namorada está aqui.– Ex — corrigiu ele rápido — Ex-namorada.– Desde quando?– Muito tempo. Eu estou em aula.– Ela disse que é urgente e a hora de vocês, na verdade, acabou.Ele me olhou, franzindo o cenho, como se não quisesse ir, mas tivesse que ir.– Ok — falei rápido me levantando — Então até mais.– Até...E eu fui embora amaldiçoando Amanda eternamente.
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