Hell on us

14 Perigos


Notas iniciais
Oie oie oie! Sim, são quase uma da manhã e eu estou aqui postando capítulo novo... fazer o que né. Bom, nesse capítulo teremos um pouco dos flashback da Ayla contando um pouco mais como ela era antes de encontrar com Rick e sua turma. Quero agradecer aos comentários lindíssimos que recebi e dar as boas vindas aos novos leitores. E dizer que esse capítulo ficou um pouco mais comprido do que o de costume, mas não teria sentido algum dividir ele.

[...]

David bateu no vidro sujo do mercado fazendo barulho para que os zumbis fossem atraídos para aquele ponto onde estávamos. Ele e Alex — um rapaz mais novo que ele, o acompanhou na matança de todos os sete errantes que saíram do esconderijo. E não demorou para que o caminho já estivesse livre para entrarmos.

Eles seguiram na frente, verificando se ainda existia mais algum errante escondido ou preso em algum canto e depois de alguns minutos demorados, enfim liberaram a passagem.

Em pouco tempo, David acendeu sua lanterna iluminando uma parte do mercado onde havia apenas caixas de papelão, notei várias delas espalhadas por boa parte do chão deixando que o caminho se tornasse quase impossível de ser acessível. Alex caminhava silencioso até as caixas e com um pedaço de madeira que encontrara de alguma forma, remexeu em algumas delas, empurrou outras e assim, ele foi abrindo caminho para que conseguíssemos andar sem problema.

Fiz uma careta quando notei que de onde eles haviam saído havia uma mão já decomposta, os dedos pareciam ter sido comido pelos ratos e isso podia até parecer loucura, mas, aquela mão não parecia ser de alguém que ainda estava vivo quando fora cortada ou sei lá o que deve ter acontecido com ela. David passou a lanterna pelo rastro que os ratos haviam deixado seguindo-o até embaixo do caixa onde eles estavam escondidos, David olhou para Alex e depois me olhou ficando com uma expressão preocupada no rosto.

— Querem ouvir uma loucura logo no começo do dia? — Ele perguntou deixando a lanterna apontada para o chão e voltando a nos olhar.

— Nessa porra de mundo acha que alguma coisa será mesmo loucura? — Alex respondeu com outra pergunta. — Conta logo!

David coçou a testa rapidamente.

— Acho que devemos nos preocupar com esses ratos, se o que eu estiver pensando realmente for verdade e se realmente for possível, vamos ter outro tipo de problema além dos mortos!

— O que você quer dizer com isso? — Perguntei cruzando os braços.

— Eu acho que os ratos também estão infectados!

Eu e Alex ficamos em total silêncio pela primeira vez desde que nos juntamos, não sei quanto a ele, mas eu estava realmente surpresa com aquilo que David havia dito. Não achava que seria mesmo possível que animais também ficassem infectados com a mesma coisa que matava as pessoas.

— Puta que pariu! — Alex levou as duas mãos para a cabeça mostrando-se completamente surpreso com aquela nova péssima notícia. — Só ficamos ainda mais ferrados a cada dia que passa!

— Espera, se eles estiverem mesmo infectados, ficar aqui dentro não nos deixa em perigo também? Afinal, eles são iguais aos errantes não são?

— Eu não tenho tanta certeza assim, mas se isso for verdade mesmo, vamos ter que ser rápidos aqui e dar o fora antes que alguma coisa aconteça conosco. — Ele me olhou sério. — Vamos tentar ao máximo evitar qualquer contato com esses ratos e se outros como eles aparecem ou os matem, ou tentem não chegar muito perto deles. Não precisamos de mais incidentes do que já tivemos até agora!

Assentimos o olhando.

— Agora vamos logo fazer isso logo, Ayla vai com o Alex e enche essa mochila com tudo o que não está vencido! — Seu tom era firme. — Tenham cuidado e não façam nenhuma burrice!

Balançamos a cabeça e seguimos até o corredor onde havia vários enlatados e começamos a encher a única mochila que tínhamos naquele momento.

Sério David? Ficar com Alex? Pensei revirando os olhos rapidamente antes que ele percebesse isso.

Eu não tinha nada contra o Alex, mas em questão de maturidade eu conseguia ser quase uma idosa perto da infantilidade dele – Alex era cinco anos mais velho que eu e ele conseguia ser quase tão irritante quanto aquelas crianças chatas. Eu não o odiava, afinal, tínhamos algumas coisas em comum como, perdemos nossa família nessa droga de apocalipse e tínhamos sido “resgatados” por David. Dentre outras coisas, mas fora isso, eu não era tão amiga dele quanto eu era de David.

Andamos pelo corredor procurando por outro tipo de comida que não fosse enlatado, passamos pelo corredor de doces e vimos várias caixas abertas e rasgadas, por sorte ainda tinha algumas que pareciam intactas. Peguei a primeira caixa que vi e antes de jogá-la dentro da mochila olhei o prazo de validade e para a nossa infelicidade aqueles doces estavam já vencidos durante meses.

Alex fez o mesmo pegando outras caixas e elas também estavam vencidas, nos olhamos por um tempo totalmente decepcionados com aquilo; desde que aquele inferno havia começado, não tínhamos tantas opções de comida e nem mesmo de sobremesa. Ter encontrado aquelas caixas de doces seria uma boa já que, eu havia praticamente me esquecido de como era o gosto de um.

— Quem sabe em outro mercado a gente não encontre algumas que não estejam vencidas. — Ele deu de ombros derrubando uma caixa no chão. — Como dizem: A esperança é a ultima que morre!

— A esperança nesse mundo já morreu há muito tempo. –Respondi me virando e voltando a andar pelo corredor.

***

— Ayla? — Ouvi a voz de Rick me chamar me tirando de todos os pensamentos que eu tinha naquele momento, ele estava com sua mão estendida na minha direção e parecia que estava assim já tinha um tempo.

Olhei para ele vendo que na sua mão estava uma lata pequena com alguma coisa que parecia sopa ou algum caldo parecido.

Eu não sei bem o que aconteceu comigo, só sei que estávamos sentados em volta de uma pequena fogueira e pelo que parecia, o dia já estava quase no fim — bom, era isso que eu achava. Sacudi a cabeça voltando para a realidade pegando a lata da mão de Rick e bebi um pouco.

Eu deveria ter sido um pouco mais esperta e ter assoprado aquilo antes de ir logo de cara bebendo aquilo, claro que acabei queimando a língua, mas tentei ao máximo não demonstrar a grande burrice que eu havia feito naquele momento. Antes de dar o segundo gole, assoprei o caldo e o levei a minha boca devagar e dando outro gole no caldo.

Mesmo não sabendo muito bem do que ele era feito continuei bebendo, não por estar gostoso, mas por estar quente. Com o vento frio que estava sentindo bater em meu corpo, foi muito bom se aquecer com aquele caldo — que estava realmente muito gostoso.

Rick serviu o mesmo caldo para Carl e Michonne enquanto ele dividia o dele com Judith, enquanto tomávamos a sopa ou caldo ficamos em silêncio ouvindo apenas o som das folhas balançando conforme o vento ficava mais intenso; olhei em volta vendo-as ficar já numa cor laranja e já estarem secas indicando que estávamos chegando no outono. Nenhum de nós vestíamos roupas realmente quentes e isso seria uma necessidade da qual teríamos que suprir o quanto antes.

Ouvimos gritos vindo de longe e isso acabou assustando a Judith que, logo começou a resmungar alto. Nós quatro nos levantamos do chão sendo pegos de surpresa com aquilo. Ouvimos um pedido de socorro e senti meu coração começar a disparar, olhei para o lado e vi Carl começar a correr na direção que os gritos vinham.

Sem pensar direito, fiz o mesmo correndo atrás dele e ouvindo Rick nos chamar logo atrás seguido por Michonne. O projeto de xerife parou sem que percebesse fazendo com que eu tombasse nele. Acabei batendo boa parte do meu corpo no dele quase o derrubando no chão, por sorte ele se segurou no tronco de uma árvore e eu aproveitando me segurei nele evitando a minha queda.

Um pouco à frente havia um extenso campo aberto onde um homem estava sendo cercado por vários errantes, ele conseguiu matar alguns, mas conforme ele matava um, mais três ou quatro apareciam de uma só vez deixando-o totalmente cercado. A cena que veio a seguir foi uma das piores que eu já havia visto em toda a minha vida, os errantes encurralaram o homem e em menos de um segundo eles começaram a devorar o pobre homem enquanto seus berros atraía mais deles.

Carl tentou correr na direção daquela cena e logo foi impedido por Rick, que o segurou com força impedindo que ele fizesse qualquer outro movimento.

— Carl nós não podemos ajudá-lo! — Rick o virou de costas mudando a visão horrível que acontecia a poucos metros de nós.

Ficamos parados naquele mesmo lugar enquanto ouvíamos os gritos do homem ficarem cada vez mais baixos até que o único som que se ouvia era dos grunhidos dos errantes que se alimentavam daquele pobre homem. Não demorou muito para que logo tivesse uma horda de errantes em cima dele, alguns subiam até mesmo um em cima do outro de forma desesperada como se lutasse para conseguir um pedaço do homem que haviam matado.

Senti uma mão me puxar e vi Michonne atrás de mim logo me puxando pelo braço para que saíssemos dali antes que a horda nos visse e como a vida sempre se mostrou ser craque em se mostrar imprevisível, vi de relance que alguns errantes se levantaram e começaram a nos seguir também.

Aumentamos nossos passos até que começamos a correr, Judith deu algumas reclamadas enquanto corríamos, mas Michonne pareceu ignorar a menina e não parou de correr.

Chegamos a um ponto onde acabamos saindo completamente da trilha que estávamos antes encontrando uma trilha de trem, havia uns quatro mortos comendo algum animal no meio dos trilhos. Rick e Carl foram em sua direção os matando um por um de maneira rápida, voltamos a correr seguindo agora os trilhos até encontrarmos finalmente uma casa quase que no meio do nada.

Entramos sem nos preocupar se tínhamos visitantes, Rick bloqueou a porta usando uma poltrona velha que havia ali dentro — quase a mesma façanha que Carl usou dias atrás.

Ele nos pediu que fizéssemos silêncio enquanto ficávamos ali dentro e foi isso que fizemos, Michonne cuidou de Judith para que ela não emitisse nenhum som mantendo-a naquele momento o mais distraída possível.

Ouvimos os mesmo grunhidos dos mortos ficando um pouco mais alto do lado de fora e também ficando mais próximos da porta, alguns bateram brevemente nela nos assustando de fazendo com que Rick rapidamente deixasse sua arma preparada para uso.

Esperamos mais alguns minutos até que os mortos finalmente pareceram deixar o caminho livre novamente, suspirei aliviada por termos conseguido escapar daquela horda e fiquei mais aliviada por Judith não ter feito escândalo enquanto estávamos escondidos. Valeu Judith!

— Vamos passar a noite aqui? — Eu perguntei olhando para Rick e depois para Michonne.

— Seria uma boa ideia já que está quase anoitecendo. — Michonne deu de ombros lançando um breve olhar para Rick.

— Bom, pelo que está parecendo, acho que vamos mesmo... — Rick coçou a testa. — Podemos procurar comida aqui e roupas limpas. O que acha?

Michonne assentiu dando um breve sorriso.

— Acho que já deveríamos fazer isso!

— Podemos olhar os quartos? — Carl olhou para o pai.

— Podem, mas tenham cuidado lá em cima. Não queremos mais incidentes do que já tivemos.

Carl e eu concordamos e logo caminhamos para a escada que nos lavava para o segundo andar daquela cada, subimos as escadas com calma até chegarmos no segundo andar e vimos quatro portas que, provavelmente daria para os quartos e talvez o banheiro. Resolvemos vasculhar a primeira porta e Carl lentamente a abriu; nos deparamos com o quarto de casal e ao entrarmos nos assustamos com um corpo de uma mulher que estava pendurado no ventilador do teto.

Fiquei olhando para aquilo sentindo meu estômago se revirar diversas vezes, a errante continuava viva mesmo depois de ter sido enforcada e se movia tentando se soltar daquilo de algum jeito.

— Vamos ver nos outros quartos! — Virei meu rosto para não olhar mais para aquela cena que me dava enjôo e sai do quarto esperando por Carl.

Andamos até a outra porta e dessa vez Carl a a abriu com um pouco mais de calma, levantei a faca que Michonne havia me dado me preparando para usá-la caso lá dentro contivesse algum errante também. Carl lentamente foi abrindo a porta do quarto até que eu conseguisse ter uma visão de todo o seu interior, ele deu um berro alto me assustando e me fazendo dar um pulo para trás por causa do susto e logo começou a rir por ver que havia conseguido me assustar, eu o olhei séria mostrando que eu não havia achado nada engraçado aquilo e semicerrei os olhos revirando-os logo em seguida.

— Você é muito sem graça. — Falei enquanto entrava no outro quarto, esse era dos filhos; havia duas camas dessa vez, uma com a roupa de cama florida e a outra com estampas de foguetes.

— Se você tivesse visto a cara que você fez estaria achando graça disso também. — O projeto de xerife respondeu rindo alto.

Eu o olhei ainda sem dar uma única risada e comecei a vasculhar as gavetas procurando por alguma roupa limpa, deixei a faca em cima da cômoda onde eu conseguia vê-la e pegá-la caso eu precisasse fazer isso. Peguei uma blusa amarela e uma camiseta limpa fechando a gaveta logo em seguida e peguei a faca a prendendo no cinto.

Caminhei até o banheiro que havia dentro do quarto e um pouco antes de abrir a porta tirei a faca do cinto e abri a porta ficando pronta para o ataque, mas nada apareceu ali dentro. Fechei a porta e troquei a roupa suja que eu usava por uma que estava limpa e que iria me esquentar mais do que a que eu estava usando antes.

Me troquei rapidamente e assim que saí, vi Carl colocando um moletom escuro com touca. Ele colocou o chapéu de xerife de volta na cabeça escondendo aquela grande cabeleira que ele tinha.

— Se deixar o seu cabelo crescer mais um pouco, logo logo você vai ficar parecido comigo.

Ele me olhou fazendo uma careta e rindo ficando um pouco sem graça.

— Só que eu serei uma versão mais bonita de você! — Ele rebateu me fazendo rir alto.

— Só se for em outra vida... — Torci os lábios fazendo bico. — Vai sonhando xerifinho!

Saímos do segundo quarto ficando um pouco no corredor, ouvimos fortes batidas que vinham do final do corredor onde havia a última porta, Carl e eu nos olhamos por um tempo como se estivéssemos pensando no que iríamos fazer, mas acho que estava meio óbvio o que seria o correto a ser feito.

— Será que é errante ali dentro? — Carl me olhou mudando totalmente sua expressão naquele momento.

— Você ainda tem dúvida de que não seja? — Respondi caminhando até a escada. — Deve ter mais de um ali dentro!

A batida ficou mais forte.

— Podemos dar conta deles...

— Não vamos fazer isso Carl, vamos falar pro seu pai e ver o que ele vai resolver fazer com isso!

Eu pensei que Carl não fosse concordar com aquilo, mas eu estava errada quando pensei isso dele. Carl e eu descemos os degraus vendo Rick e Michonne ainda na cozinha a vasculhando em procura por comida, Michonne dizia que seria bom para nós passarmos a noite ali dentro por causa da horda que poderia voltar a aparecer e ao ouvir aquilo eu e o projeto de xerife nos olhamos.

— Tem um quarto com errantes dentro. — Carl a interrompeu atraindo a atenção de Rick e Michonne para nós dois. — Pelas batidas deve ser vários lá!

Rick nos olhou em silêncio por longos segundos pensando no que Carl havia dito dito antes, Michonne alternou seu olhar de Carl para mim e por último olhando para Rick parecendo estar surpresa com isso.

— Acho que conseguimos dar conta deles... — Ela deu de ombros mantendo seu olhar em Rick. — Pelo tamanho da casa não deve ser tantos assim e também seria arriscado demais sair daqui quando já está quase anoitecendo!

Rick balançou a cabeça concordando com Michonne e também a olhando, ambos agora se encaravam como se discutisse mentalmente o que iríamos fazer. Caminhamos de volta para a sala ficando próximos a porta bloqueada pela poltrona velha que havia ali dentro.

Rick e Michonne ainda estavam calados quando chegamos lá e quando finalmente pensei que eles haviam entrado em um acordo, grunhidos baixos começaram a preencher todo o lugar. Olhamos todos ao mesmo tempo para trás nos deparamos com vários errantes que haviam entrado na casa — como, eu realmente não sabia dizer.

— Droga! — Ouvi Rick gritar e atirar logo em seguida em dois errantes que se aproximaram. — Michonne e Ayla tentem matar o quanto puder enquanto eu desbloqueio a porta!

Antes que eu pudesse perceber, Michonne já havia dado Judith para Carl e com rapidez usou a katana para matar mais três errantes. Tirei a faca do meu cinto e comecei a ajudá-la matando mais dois e depois mais quarto deles.

— Anda logo com isso Rick! — Ela gritou cortando a cabeça de dois errantes ao mesmo tempo.

Não disfarcei minha cara de espanto quando a vi fazer isso e digamos que senti uma pequena inveja por ela ter feito isso. Realmente foi algo que me deixou de queixo caído.

Um dos errantes conseguiu segurar meu braço com força me fazendo perder um pouco do equilíbrio, dei alguns passos para trás conseguindo me manter de pé e rapidamente cravei a faca que eu usava no crânio apodrecido daquele errante.

— Vamos! — A voz de Rick se sobressaiu pelos grunhidos dos tantos errantes fazendo com que eu e Michonne olhasse para trás.

Paramos de matar os errantes e começamos a correr para fora da casa ouvindo mais dois disparos da arma de Rick.

***

Estávamos de baixo do caixa quando os errantes começaram a passar, eu tentava respirar fundo para me manter calma naquele momento, mas foi uma tentativa que não deu muito certo. Não tinha como ficar calma num momento como aquele onde qualquer mínimo som que fizéssemos poderia resultar na nossa morte.

Em outras palavras, estávamos bem ferrados.

— A gente precisa arrumar algum jeito de conseguir sair daqui Ayla! — Alex sussurrou me olhando; pela primeira vez sério.

— Eles vão nos ver! — Respondi mordendo os lábios.

Ouvimos algumas caixas caindo no chão fazendo um som alto perto de onde estávamos escondidos, arregalei meus olhos quando notei que eles estavam fazendo o caminho contrário e senti meu corpo ficar ainda mais tendo quando um parou bem na nossa frente. Meu coração disparou de uma forma que eu realmente pensei que ele fosse saltar do meu peito e sair ali mesmo.
Alex também ficou tenso, a aproximação daquele errante poderia atrair outros e isso iria acabar do pior jeito possível. Com a nossa morte.

— Precisamos pensar em alguma coisa pra sair daqui! — Alex segurou meu braço com força.

— Não vamos usar as armas, isso só vai atrair mais deles pra nós! — Respondi sentindo minha voz ficar ainda mais tensa.

— Ayla, isso é algo necessário! Não temos outra escolha! — Falou. — Vamos passar por baixo do outro caixa e saímos com o David!

Balancei a cabeça concordando, mas ainda sim sentindo uma grande dúvida em fazer o que estávamos prestes a fazer. Respirei fundo e começamos a engatinhar passando pelo outro caixa que havia do lado do que estávamos. Ao finalmente conseguirmos passar, nos apressamos em se levantar para sair logo de dentro daquele mercado.

Alex me ajudou a levantar e me deu um pequeno empurrão para que eu fosse na frente dele, enquanto corria, destravei a arma que eu carregava presa no cinto ouvindo o mesmo som vindo da arma de Alex. Passamos pelo corredor de enlatados e derrubamos algumas prateleiras no chão para atrasar os errantes e assim conseguimos uma vantagem a mais na fuga.

Alex derrubava mais uma prateleira quando foi surpreendido por um errante que segurou seu braço puxando-o para trás e o derrubando no chão. O errante se jogou em cima de Alex e de repente vários mortos fizeram o mesmo começando um banho de sangue enquanto o devoravam sem qualquer tipo de piedade. Alex gritava enquanto seu corpo servia de alimento para aqueles desgraçados e eu não suportei aquilo.

Peguei um pedaço grande de madeira que encontrei no chão e quando fui na direção dos errantes para tentar matar o maior número possível, David me segurou pelo corpo me fazendo derrubar a madeira no chão. Eu o chutei algumas vezes me recusando a ser impedida de ajudar Alex e quando pensei que não poderia ficar pior do que já estava, David ainda me segurando começou a correr.

Mais errantes apareceram na nossa frente e ele acabou usando a arma -fazendo mais barulho e atraindo os que devoravam Alex para nós-. Ele me colocou no chão me entregando outra arma para que eu o ajudasse e eu o fiz.

Corremos pelo corredor matando o maior número de errantes até conseguirmos sair de lá dentro, demos a volta nos escondendo dentro do carro que havíamos usado antes para chegar até aquele mercado e esperamos que a horda passasse.

— Que droga pensou em fazer ali Ayla? — David me olhou sério. — Poderia ter morrido lá!

— Deveríamos ter ajudado o Alex! — Falei mudando de assunto. — Ele sempre nos ajudou e a gente retribui isso deixando ele morrer ali dentro.

David bufou.

— Não tinha como ajudar ele naquele momento e você sabe disso melhor que eu!

Eu fiquei calada, não valia a pena discutir com David — ainda mais quando ele conseguia ser mais cabeça dura do que eu —, virei o rosto vendo a horda que antes nos seguia passar direto da onde estávamos e sumindo do meu campo de visão. Eu não acreditava que Alex havia sido pego também pelos errantes, mais um havia morrido e eu não consegui impedir que isso acontecesse.

Eu já estava cansada de tantas mortes! Eu não aguentava mais isso!

Notas finais
Bom gente, como todos sabem o enem é sábado agora e eu vou fazer, por isso eu não tenho tanta certeza se vou conseguir postar o próximo capítulo nessa semana ainda. Ele já está na metade mas não sei se vou conseguir fazer isso. Tentarei ao máximo fazer isso porque vocês merecem, mas se eu não conseguir espero que entendam. Beijinhos da Sami e até mais!!