Sombras...

O senhor Kamoto saiu da sala e foi falar com o diretor, para ver se tinha acontecido algo com os geradores de emergência que já deviam de ter ligado. Eu voltava para sala, para ver se estava tudo bem, quando entrei no colégio vi algo estranho no fim do corredor, uma sombra deformada passava lá. Imagine o corredor em forma de um \"T\", eu estava na sua ponta de baixo, andando para o topo, e vi aquilo andando da ponta esquerda para a ponta direita, indo em direção a nossa sala. Era uma coisa estranha, não da pra explicar direito seu formato. Eu fiquei apavorado, confesso que não sou do tipo heróico, mas prezava pela segurança de meus colegas. Ao ver aquela coisa eu fiquei paralisado, olhando para o fim do corredor escuro, mas então pensei...

— Que diabos estou fazendo parado aqui, alguém deve estar correndo perigo, aquela sombra, pode ser alguma pessoa, tenho que ver como meus colegas estão.

Eu saí correndo para minha sala. Enquanto isso, na sala, estavam todos cautelosos pela falta de luz...

— Que droga, porque o senhor Kamoto não liga o gerador de uma vez?

Falava Suzy, meio assustada. Ela andava de um lado pro outro, impaciente, ela odiava esperar, foi até a porta e olhou para fora... Algo se aproximou por trás dela, foi chegando perto, mais perto...

-BOOOOO!!!

Ela deu um pulo, gritando de pavor, e correu para dentro da sala novamente...

-Hahahaha... Desculpe Suzy, não pude resistir...

Carlos, ele tinha dado um baita susto nela, estava quase morrendo de tanto dar risada na porta...

— Isso não teve graça, Raidam! — Falou Suzy, se ardendo de raiva.

Todos o conheciam por Raidam, acho que é por causa do nome de um personagem dele em um jogo, não sei direito.

— Teve graça sim, você deveria de ter visto sua cara Suzy...

Michael adorava dar boas risadas, pode se dizer que ele ria de qualquer coisa...

— Nem você viu a cara dela, Michael. Está muito escuro para ver qualquer coisa...

— Você adora cortar o barato dos outros, Kensuke...

Raidam ainda estava na porta, rindo... Mas ele olhou para frente, e também viu algo estranho no fim do corredor. Não digo que ele é medroso, mas logo correu para dentro da sala e se se encostou a uma carteira. Pedro olhou para ele...

— Algo errado cara? Você tava rindo lá na porta e de repente veio correndo para cá...

— Eu vi alguma coisa lá, no corredor, não sei bem o que era, parecia uma sombra...

Stefani saiu na porta e olhou para o corredor...

— Não tem nada aqui, você esta delirando, Raidam. Ou esta com medo da própria sombra.

— Eu vi, eu sei que vi alguma coisa lá...

— Provavelmente era só algum outro professor indo para a diretoria perguntar sobre o gerador...

— Não, eu senti algo estranho vindo daquela coisa...

Os dois ficaram discutindo por alguns minutos, até eu chegar na sala. Vim correndo e encontrei a Stefani na porta.

— Ah, resolveu voltar é... ficou com medo do escuro?

— Ha — ha — ha... Muito engraçado, to me matando de dar risada...

Ela entrou na sala, eu fui também. Lá estavam alguns dos japas e meus colegas...

— Aonde foi o senhor Kamoto? — Eu perguntei.

Disseram-me que ele foi para a diretoria perguntar sobre o gerador não fazia muito tempo. Fiquei pensando se aquela sombra que vi no corredor era o senhor Kamoto, estava ficando mais tranquilo ao ter achado uma possível explicação sobre aquilo, quando Raidam falou...

— Tem alguma coisa errada por esses corredores cara...

Eu me toquei na hora, ele devia de ter visto aquela mesma sombra...

— Você viu também, Raidam? — Eu perguntei.

— Eu vi uma sombra no corredor e...

Stefani o interrompeu...

— Ele apenas esta com medo da própria sombra...

— Não, eu vi alguma coisa também, quando estava voltando para a sala, vi uma sombra no fim do corredor, senti algo estranho vindo dela. Não era normal...

— Vocês estão me assustando... — Falava Suzy.

— Eu te protejo! Qualquer coisa que ousar encostar um dedo nos meus colegas eu arrebento a cara! — Michael, sempre dando uma de protetor.

— Assim é melhor, pelo menos enquanto aquela coisa devora você, nos temos tempo de fugir... — disse Stefani

Michel olhou para ela com uma cara do tipo \"o que você tem contra mim?\"

— Ok pessoal, vamos esperar o senhor Kamoto voltar, o gerador não deve demorar a ligar a luz, só temos que esperar. — Falou Pedro.

— Esse é o problema, esperar... Quanto mais eu espero essa luz voltar, mais nervosa eu fico.

— Tente se acalmar Suzy. — Disse Raidam, mas...

— O que o cara encostado na carteira acha que esta falando...

— O deixe Tefinha, estamos todos preocupados. — Disse Pedro.

Ficamos lá por mais alguns minutos. Quando ouvimos um barulho que parecia com uma explosão. Mais algum tempo e o senhor Kamoto entrou na sala, ele estava pálido, com uma cara de assustado. Um velho pálido e assustado, era uma cena deprimente...

— Vo-vo-vo... vocês estão bem? — Ele perguntou, sua expressão assustava mais do que aquelas sombras. Pedro o puxou para dentro da sala...

— Senhor Kamoto? O que houve? — Ele perguntou.

— E-e... Explodiu...

— Explodiu? Sim, nos ouvimos uma explosão, o que foi?

— O ge-ge... Gerador...

Suzy ficou com uma cara apavorada...

— Vamos ficar no escuro então!?

— Calma Suzy, daqui a pouco ja vai dar a hora de nos sairmos... Ou melhor, já esta na hora. São sete e dez, podemos ir embora agora... — Falava Pedro, com um ar de alivio.

O senhor Kamoto olhou pra ele...

— Não... Não vai dar...

— Como assim não vai dar? — Perguntou Pedro

— O colégio... Esta... Trancado...

Continua no próximo capítulo: Trancados...