Notas iniciais

1º Ato - Aquele Que Caiu

10 de Abril — 2009

Foi alguns dias antes da primeira morte, foi quando coisas estranhas começaram a acontecer, já tinha um mês que Pedro havia chegado em Osaka, estávamos todos no terceiro ano do ensino médio, nossas idades iam de 16 a 18 anos, a diretoria resolveu colocar todos na mesma sala, e lá estávamos nós, eu, Pedro, Carlos, Michael, Stefani, Kensuke e Suzy, ou outros haviam faltado no dia. Estávamos em uma palestra especial sobre qualquer coisa que me esqueci, era 10 de abril de 2009, às seis horas da tarde. Sim, estudávamos a tarde, as aulas iam até as sete, mas naquele dia, ficamos no colégio bem além disso. Tudo começa no meio da palestra, estavam todos na sala, menos eu que havia sido expulso por não calar a boca...

Lá estava o professor Kamoto, falando um monte de besteiras, tentando um português...

— Bem, e então, é assim. O aquecimento global esta causando muitos estragos no clima mundial e...

Eu o interrompi...

— Professor, por que você não coloca essa sua careca lá fora, talvez possa refletir um pouco de a luz solar e diminuir esse tal aquecimento...

Sim, pode me chamar um pouco de arrogante, mas não era isso, eu estava de cabeça quente no dia, não estava muito a fim de ficar escutando tudo aquilo que vemos nos jornais todo santo dia...

— Senhor Vanderlei, se não esta interessado na nossa palestra, por favor, pode se retirar da sala...

Eu não pensei duas vezes, fui logo saindo...

— Qual é cara, espere mais um pouco, esta quase no fim, não vai querer arrumar encrenca com o Kamoto agora, fique aqui, vai ser pior se você sair...

Foi o que o Michael, que todos chamavam de Piece, não sei porque, que falou isso...

— Foi mal, se eu continuar aqui vou ter um derrame cerebral escutando tudo isso...

Eu respondi saindo da sala...

— Garanto que reter um pouco de informação não lhe causará derrame algum...

A Stefani falou, mas eu já tinha saído. A palestra continuou por mais alguns minutos, era mais ou menos umas seis e meia, eu estava no corredor tomando uma água. Lá na sala...

— Nossa, estou com uma sensação horrível, que diabos é isso?

Perguntava Suzy, olhando para os lados, com uma cara de preocupada, Carlos virou pra ela e disse..

— Do que esta falando?

— Não sei, parece que algo muito ruim esta...

O Michael se vira para trás e a interrompe...

— Você anda assistindo muitos filmes de terror...

— Vocês três, querem sair da sala também?

Perguntava o senhor Kamoto, com aquele ar de velho chato que era. Eu ainda estava nos corredores, também senti algo errado no ar, não soube explicar o que era, mas tinha uma sensação muito ruim naquela hora. Sai no pátio do colégio para respirar um ar fresco e ver se aquela sensação parava. Lá fora, eu olhei para cima... o céu estava fechado, parecia que havia escurecido mais cedo, eu olhei no relógio e era umas seis e quarenta, foi quando um black-out atingiu a cidade, ficamos todos no escuro. Lá na sala, o senhor Kamoto tentava acalmar o pessoal...

— Eu sabia que tinha algo de errado!

— Nah, acalme-se Suzy! Foi só um apagão, aconteceram muitos nesses últimos dias...

Falava Pedro. Kensuke com aquele entusiasmo contagiante disse...

— Ótimo, mais uma noite no escuro, isso já esta virando rotina...

O senhor Kamoto saiu da sala e foi falar com o diretor, para ver se tinha acontecido algo com os geradores de emergência que já deviam de ter ligado. Eu voltava para sala, para ver se estava tudo bem, quando entrei no colégio vi algo estranho no fim do corredor, uma sombra deformada passava lá, estava bem perto da nossa sala...

Continua no próximo capítulo: Sombras...