Hell Protectors
3 Capítulo III. Segredos Obscuros
Notas iniciais
A garotinha loira cobria todo seu corpo com seu edredom de flores. Cobria até a boca e olhava espantada a porta aberta. Estava paralisada. Foi então que ele entrou.
†
O céu lá tem sempre a mesma cor, o tom anil nunca mudara. Teve essa cor desde sempre. Pelo que lembrara nunca mudou.
Deitada entre as flores Alie olhava o céu, porém o sol não queimara seus olhos. O vento a tocava fazia suas mechas castanhas flutuares, fazia as flores se agitarem.
Ao erguer-se se espantou ao ver uma garotinha de cabelos magenta. A menininha olhou para Alie, sorriu.
— Aquele sangue não se esvai, ele vai continuar lá, até a que a protetora consiga se proteger — falou a garotinha, saiu correndo até sumir no meio da imensidão de flores. As flores brancas assumiram um tom vermelho.
Alie se levantou e andou de volta à cabana, e ao entrar caminhou até a parte traseira, onde se encontrava a sua avó que tecia um vestido para sua neta. Sentou ao seu lado e ficou lá parada, olhando o curso do rio.
†
— Minha filha acorde. Lizzie, acorde — chamava a mulher mais velha
A menina acordou assustada e se agarrou a mulher. Apertando-a forte em seus pequenos braços.
— Calma. Calma. Passou...
A menina se levantou, mudou de roupa e foi tomar café e então constatou que estava só em casa. Olhou e na mesa havia o seu café-da-manhã. No prato havia torradas e panquecas, suco.
Um barulho a assustou. Não era nada de mais.
Seu pai vinha andando pelo corredor com seu irmão do meio junto dele.Ao ver que a Lizzie já estava acordada os dois sorriram.
— Pensei que estivesse no trabalho — disse Lizzie
— Ele teve que resolver um problema — replicou Tyler, o irmão do meio
— Eu já vou indo. Juízo crianças
O homem saiu pela porta ajeitando seus óculos. Trancou o portão e entrou em seu carro, indo para seu trabalho.
Do outro lado da rua estavam Jenny, Davis e Kayo, parados à porta da bela casa localizada no subúrbio.
— Não gosto desses tipos de caso. — falou Davis — Eles deixam a Alie muito agitada
— Não temos escolhas e você sabe disso — replicou Kayo — Eles são os próximos, temos que fazer o que fazemos sem colocar emoções
— Mas isso é muito perigoso para Alie, ela tem um coração fechado, tenho medo de o que acontecerá se ela o abrir
— Vamos com calma — disse Jenny — Vamos ficar de olho neles por enquanto. E em relação a Alie, vamos informá-la somente o necessário para que não haja excessos.
— Sim — disseram os dois em uníssono
— Eu fico com as crianças — falou Jenny desaparecendo em meio um brilho rosado
— Já que os pais trabalham juntos... Eu fico com eles — falou Kayo se materializando em meio a um brilho negro
— Me sobrou a irmã mais velha... Espero que eu sirva como professor
Um caminhão passou. Davis sumiu.
Dentro da residência a menina loira olhava atentamente para fora, procurando algo que não está mais lá.
— Tyler, os moços e a moça sumiram — disse Lizzie — Eles estavam agorinha lá e do nada sumiram
— Eu preciso parar de te deixar ver Power Rangers — Tyler se aproximou da janela, olhando para fora
Ele fechara a cortina e sentara no sofá. Olhava a TV, jogado de qualquer jeito. Lizzie sentou ao seu lado.
— O que foi isso? Como se machucou? — indagava Lizzie ao ver marcas roxas na barriga e nas pernas de seu irmão
— Não foi nada — replicou o garoto escondendo os hematomas com sua roupa — Eu estava jogando bola e me machuquei em um encontrão com um garoto
Lizzie abaixara a cabeça. Gotas pingavam no sofá de couro, elas escoriam e caiam no chão. A menina saiu correndo porta fora, batendo-a. Tyler nada fez, apenas abraçou seus joelhos e virou sua cabeça para o lado.
A menina corria. Passava pelas pessoas na rua, que mal a viam. Chegou a um prédio abandonado. Ela vivia lá anos atrás, e depois se mudara para a casa onde vive hoje.
Sentou-se no velho balanço no qual ficava toda a manhã antes de ir para a escola.No balaço ao lado sentou a garotinha de cabelos rosados. Balançavam em direções inversas.
— Por que estava chorando?
— Minha família me deixa triste
— Acredite, vai se sentir feliz um dia — disse a menina de cabelos rosa, colocando uma bala sobre a coxa de Lizzie. Baixinha e aparentando ter 5 ou 6 anos a garotinha, de nome ainda desconhecido, tinha a sabedoria de pessoas adultas
Ela saiu correndo ao ver que Jenny vinha andando na direção das duas. Seu cabelo rosado batia contra o vento, ela correu entre duas finas árvores e desapareceu.
Lizzie olhava para sua frente, sem mais estranhar quando alguém desaparecia na frente dos seus olhos, porém, se assustou ao ver um colar sobre seu colo.
Ela o olhava com curiosidade, até segurá-lo em mãos e erguer o pingente em forma de pentagrama na altura dos seus olhos.
— Lizzie Walters... — falou o colar com voz afeminada
— Sim. Sou eu... Eu reconheço esse olhar de algum lugar
— Feche os olhos e eu te mostrarei
Lizzie fechou os olhos e viu a cena acontecida minutos antes. Era ela olhando da janela.
— Você é a moça que desapareceu lá do outro lado da rua! — Exclamou com um leve sorriso — Como virou um colar?
— Lizzie... Eu e meus amigos somos protetores, chamados de Hell Protectors. Nós te protegemos de um perigo inevitável.
— E o que acontece com a pessoa que produz esse perigo?
— Isso eu não posso te dizer, mas eu garanto que há felicidade após essa proteção
A menina pensou. Olhou para o céu, como quem espera ma resposta.
— Vou aceitar pelo meu irmão e por mim — Lizzie colocou o colar no pescoço e o apertou contra o peito
— Quando quiser me invocar diga, “Hell Protectors a Devil Key vos invoca.”
Lizzie continuou balançando, sua face se mantinha triste ao lembrar-se dos momentos de aflição que passou com seu irmão. Tinha pena, pois algo a dizia, a alma de quem os Hell Protectors matavam ia para o inferno.
Do alto do prédio antigo os olhos violetas permaneciam fixados sobre Lizzie. Algo na garotinha a trazia lembranças, não tão boas. Ao fechar seus olhos lembrou-se.
Um homem acertou um golpe de pá na nuca de garota, fazendo-a desmaiar. A menina foi vendada, amordaçada, e acorrentada. Jogada do alto de um penhasco pelas pessoas apavoradas temendo morrer.
A garotinha se afogava no mar escuro, ia para o fundo.
O vento bateu contra seu rosto fazendo-a sair de seus pensamentos.
†
Na empresa a mãe de Lizzie passava de um lado para o outro. Ela era a secretária de seu marido, toda hora ela entrava na sala dele, trazia sempre papéis a serem assinados.Seus olhos carregavam as marcas de noites mal dormidas; muitas em claro. Nunca foi vista sorrindo após o nascimento de sua filha mais nova.
—... Ela está sempre assim, correndo, entrando na sala do marido levando coisas para ele assinar. Um dia encontrei chorando, ela dizia “Me perdoe minha filha” — contou um recepcionista
Kayo ajeitou os óculos e afrouxou a gravata. Estava com um terno azul escuro que deixava sua pele morena em evidência. Sentado da recepção via a mulher indo e vindo. Algo aflitivo e interminável.
†
— Todos os alunos para a piscina! — exclamou Davis disfarçado de professor de educação física
— Mas professor a água está fria... — argumentou Tezzie, a filha mais velha dos Walters, a semelhança entre os irmãos era incrível
— A não ser que queira ficar com zero... — disse Davis ficando frente a frente com sua aluna — Uma marca de nascença bonita... Uma lua... Entre na água!
Davis a empurrou. Todos os alunos olharam e começaram a pular dentro d’água, todos brincavam, uns jogavam água nos outros e alguns nadavam.
Davis sentou-se na arquibancada e vigiava os alunos. A menina de olhos violeta apareceu ao seu lado, olhando diretamente para Tezzie.
— Não devia estar aqui — disse Davis — Não quero que se estresse
— Não vou... Apenas quero examinar de perto — Alie não piscava um segundo sequer, como se seu olho pudesse ver o que os outros nunca veriam
— Eu quero cuidar de você
Alie nada respondeu, apenas olhou para Davis que não retornou o olhar. Deu uma última olhada emTezzie, desapareceu deixando uma névoa violeta.
†
O tempo passou no mundo humano. O céu agora estava escuro. À noite a assusta, trazia uma sensação ruim, um frio na barriga. Olhando pela janela de seu quarto viu as últimas faixas alaranjadas da tarde sumirem.
Em sua mesa havia um diário aberto, no topo estava escrito “Querido Diário” mais abaixo estava o colar Devil Key. A maçaneta foi torcida.
— Venha jantar Lizzie — disse seu pai com um sorriso simpático
— Já vou indo — objetou a menina com o diário fechado em mãos
— Estamos esperando
O homem saiu fechando a porta. Lizzie retirou o colar de dentro do diário e colocou dentro de sua gaveta. Calçou os chinelos e desceu.
O jantar foi silencioso. O pai tentava interpor uma conversa com seus filhos, porém, não recebia nada além de respostas vagas e que não davam margem para aumentar a conversa.
Lizzie estava tomando banho, eis que escuta um barulho dentro do banheiro. Ao puxar a cortina, viu uma linda garota de olhos violeta escorada à beira do lavabo. Ela usava um fino vestido curto, que deixava à mostra suas roupas íntimas.
A menina andou em sua direção, entrou no Box, mexeu em uma mecha do cabelo, de Lizzie, colocando-a para trás. Lizzie não conseguia falar. As luzes do cômodo piscavam loucamente.
A porta foi aberta pelo homem mais velho trazendo Lizzie para a realidade.
— Lizzie está tudo bem? — indagou curioso, sem se intimidar por ser sua filha nua
— Sim... Está... — O homem fechou a porta. Lizzie ficou atônita sem saber se o que tinha presenciado tinha sido real ou não.
Foi para se quarto para dormir, mas antes passou no quarto da irmã mais velha e pediu sue bênção. Deitou em sua cama e fechou os olhos.
†
O céu azul anil estava com várias nuvens e com um vento agradável, estavam os dois parados à beira da pequena doca, a espera de alguém que não devia ter saído.
— Onde será que ela foi parar? — indagou baixo Davis
— Isso é perigoso, ela não devia se envolver tanto — falou Kayo
— Devíamos ter analisado melhor este caso, agora ela está correndo risco — Davis estava se exaltando, o nervosismo com o que aconteceria com Alie
— Mesmo sendo delicado, este caso terá um bom fim. De acordo com o que temos. Agora silêncio.
Davis não entendeu, mas aceitou a ordem de Kayo. Os dois ficaram parados olhando a imensidão, a união entre um rio e as flores metamórficas, as mesmas repentinamente se tornaram negras.
Davis e Kayo e entre olharam.
Uma borboleta negra passou e pousou no alto de uma árvore.
†
No meio da noite Lizzie acordou. Levantou com um olhar triste, colocou o colar Devil Key e saiu porta a fora. Abriu a porta do banheiro e ficou estarrecida. Viu seu pai na banheira com sua mãe e seu irmão do meio entre eles.
Tyler ficou assustado ao ver Lizzie dentro daquele cômodo.
— Lizzie saia daqui! — vociferou Tyler, levou uma bofetada no rosto, sua mãe o segurou contra seu corpo
— Calma Lizzie, não precisa ter medo, eu não vou te machucar — disse o homem levantando e saindo da banheira
— Deixem a mim, a minha mãe e a meu irmão em paz! — vociferou a garota colocando a mão no colar
Ela saiu correndo do cômodo sendo seguida pelo homem nu. Tezzie foi acordada pelos passos pesados, ela levantou e viu água no chão, logo pressentiu algo ruim.
Andou e chegou à escada, desceu alguns degraus, visualizando seu pai nu com Lizzie em sua frente.
— Hell Protectors a Devil Key vos invoca — disse Lizzie no fundo daquele cômodo, o homem que havia em sua frente se materializou desaparecendo em pleno ar
Tezzie ouviu gritos, voltou correndo e encontrou Tyler nu deitado na porta do banheiro, estava vivo. Após arrombar a porta do banheiro viu o cômodo todo ensangüentado até o teto e na banheira estava sua mãe com um buraco no lugar do coração.
Pegou o garoto no colo e o levou para seu quarto, quando virou de costas viu Lizzie na porta chorando. Ela correu e a abraçou.
— Acabou mãe... — disse a garotinha entre um soluço e outro, Tezzie a apertou forte — Agora eu, você e meu irmão podemos ser felizes
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Ao longe Jenny e Alie vinham caminhando, atravessando o campo de flores. Davis foi correndo na direção de Alie, ela desmaiou sendo segurada por Davis. Alie riu e entrou em inconsciência.
Kayo olhou para a borboleta, que saiu voando.
†
A manhã estava chuvosa. A nova família Walters estava reunida no enterro da matriarca. Na verdade ela era só mãe de Tezzie, pois teve complicações durante o parto. Tyler era adotado e Lizzie era filha de Tezzie com o pai da mesma.
No peito da jovem garota havia a marca, do colar Devil Key.
Agora seu coração estava leve.
“Nós extrairemos a dor de dentro do seu coração.”
- Alie
Mais um cordão dourado, na medalhinha o nome Lizzie Walters.
†
— Como podemos ter deixado Alie abrir seu coração? — indagou Kayo
— Não foi culpa nossa... — contestou Jenny — Ela sabia o que aconteceria se abrisse seu coração
— Mesmo assim... — contrapôs Kayo — Somos sua família agora. Tínhamos que ter cuidado dela melhor
— Se desesperar não vai ajudar — disse Jenny — Vamos continuar as proteções
— Tem razão — concordou Kayo
— Alie... Onde estarás? — indagou-se Davis
Por fim: Luz Guia
Notas finais
mas eu vo logo começar postar a 2 temporada =] e vo ligar as duas histórias com a série extra (também da Hell Protectors) chamada: Lendas Infinitas.
Vanity, menina vc não lê na TBW pra lê aqui XD
pelo menos vc já ta adiantada
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