Helena

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Desculpe pela demora. Obrigado pelos reviews ! *---*
P.S : Notas finais.

- Eu matei, não matei? – gritei no mesmo tom que ele.

Ele suspirou fundo, pegou uma faca e se aproximou da garota.

- Chegue mais perto. – riu. — Vou te ensinar como se faz.

Calei-me e fiquei a observar tudo que estava acontecendo, estática.

John se movimentou em um solavanco pegando a faca e apontando para a moça, seus olhos estavam vidrados, embriagados pelo desejo de vê-la morta e eu me lembrava de ter visto aquele olhar muitas outras vezes.

Ele arrastou a faca pelos pulsos dela com força deixando sua trilha de sangue, cada gota que caia no chão parecia me ensurdecer por mais que não fizesse barulho e eu só queria sair dali... Ou não?

- Para. – gritei.

John parou por trás da moça ainda com a faca nas mãos, sua camiseta estava suja de sangue, assim como seus braços e me olhou sarcástico.

- Sério? – riu, deixando a moça um pouco de lado e vindo em minha direção. – Gostava mais da antiga Helena. Era muito mais...

- Assassina.

- Divertida. – completou.

- Morte não é diversão. – adverti.

- Mas antes para você era não? – virou-se de costas e voltou a sua posição atrás da cadeira onde a moça estava. – Onde estávamos?

- Você não quer fazer isso John. Afinal... Pra que? Já matamos tanta gente e eu sei que você se lembra... Deixe-a. – tentei soar o mais friamente possível, mas estava receosa. John era imprevisível assim como a maioria dos psicopatas devem ser.

E do nada ele sorriu pra mim.

- Claro que já matamos... E esse é o ponto Helena. Depois que se começa a ser um assassino em série não tem cura. – falou friamente e cortou a garganta da moça o mais rápido possível.

Suspirei e olhei para baixo vendo aquele mar de sangue.

- Existe cura. – murmurei.

- Não, não existe. – Se alterou jogando a faca com força no chão. – Vai me dizer que não tem vontade de voltar a matar. – Se aproximou pisando forte. – Vai me dizer que depois de tudo isso Helena, depois de ter matado ele, não ansiou por mais? Você está decaindo e até o final desse desafio você estará de volta. – Parou a minha frente e eu pude sentir seus olhos quase brancos a menos de dois centímetros de distancia, me envolvendo.

— Não lhe desafiei com a audácia de matar novamente. – sussurrei.

- Sabe que isso é mentira querida. – alisou meu rosto. – Me desafiou com o propósito de uma desculpa para voltar a matar, e sabe que é verdade o que digo. Você é igual a mim. – cochichou ao pé do meu ouvido. – E não tem medo de mim por que sabe que eu não faria mal a você. Afinal... Só quero te ter de volta. – Voltou a olhar-me nos olhos. – Juntos.

- Você é um psicopata doente.

- Sempre fui. – riu. – E você era uma psicopata bem assanhadinha. – ironizou.

- Não vou voltar a ser.

Ele riu.

- Sabe que vai... Uma hora ou outra, afinal, esse baile você havia vindo a trabalho, um trabalho simples e hipócrita de jornalista, você narra a morte das pessoas com audácia e tenta se preencher com isso já que “não pode” mais matar. – abri a boca pra falar algo, mas ele só passou a mão pelos meus cabelos e perguntou com a voz mais rouca possível. – Estou errado?

Calei-me e sai de perto dele. Tínhamos que limpar aquela sujeira.

- Eu limpo o sangue. – afirmou. – Ali está a minha bolsa. – apontou para uma maleta preta. – Guarde os brinquedinhos, enquanto eu vou pegar os panos.

Suspirei mas assenti para ele.

Depois de tudo, mesmo o sangue ao meu redor, mesmo vendo aquele casal desacordado, mesmo John me influenciando a voltar a ser uma psicopata, eu me sentia limpa, horrivelmente limpa e sem vergonha nenhuma do que eu acabara de fazer.

Mas não ia me entregar, pela Jhulie e por mim eu não poderia fazer aquilo.

Depois que guardei todas as facas, John chegou perto de mim novamente pedindo ajuda para esconder os corpos. Quando o fizemos e jogamos atrás do lixo. Entramos no carro dele e logo meu telefone começou a tocar, era Caroline.

- Onde você está? – praticamente gritou.

- Estou bem. Vou ter que ficar fora da cidade alguns dias Caroline. – inventei e vi John abafar o riso. – Tem como ficar com Jhulie por um tempo? Vou voltar em um pouco mais de uma semana. No máximo.

- Tudo bem... – ouvi-a suspirar do outro lado da linha. – Só... Se cuida.

Caroline nunca soube dos meus tempos de psicopata ou de John... A menos que Jhulie tivesse contado, mas acho que não seria capaz.

- Pode deixar. – despedi-me e desliguei.

- Aonde vamos agora? – perguntei a John que sorriu enquanto parava em um semáforo.

- Vamos para minha casa... Amanhã temos coisas a fazer.

- Que coisas.

- Quero te fazer lembrar-se de umas coisinhas. – riu.

Ficamos em silencio o caminho inteiro, mas o clima que predominava dentro do carro não me assustava. Só me trazia lembranças, que na época, poderiam ser consideradas boas.

Notas finais
Próximo capitulo será um capitulo de lembrança por isso estará escrito em itálico. Reviews ??