Helena
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Obrigada também a quem está acompanhando a história.
Espero que gostem do capitulo.
O carro parou em frente a um beco conhecido, mas nenhum de nós dois saltou do carro. Ele apenas me encarava dando um meio sorriso.
- Você se lembra não? – sussurrou a pergunta enquanto eu olhava para o beco atentamente absorvendo as lembranças, sentindo meus olhos arderem um pouco de lágrimas e vendo algumas gotas de chuva cair no vidro.
- Lembro...
Estava tão confusa... Por que raios eu fiz aquilo? Estava ao lado de Cassie, a minha melhor amiga e ela estava ali, deitada, morta... Por mim.
Comecei a chorar desesperadamente com medo, eu e ela havíamos discutido novamente e ela veio para me bater e eu apenas revidando achei um caco de vidro, mas na hora eu não imaginava que poderia matá-la eu só queria me defender... Só queria me defender.
Acabei cortando-lhe o pescoço em um golpe e não senti remorso, mas depois parei e pensei no que eu havia feito me sentei ao lado de Cassie vendo-a morta e comecei a pensar.
E agora? Eu tenho quinze anos... Não posso ir para a cadeia por homicídio. E os meus pais? O que achariam de mim?
Peguei o caco de vidro e coloquei dentro da bolsa do colégio e comecei a arrastar Cassie pelos pés até atrás do lixo, aonde não pudessem vê-la.
Quando ouvi o barulho de uma moto estacionar perto do beco, entrei em pânico e comecei a rezar para que ninguém viesse até o fundo. Eram duas pessoas fiquei atenta escutando.
- Por que me trouxe aqui? – ouvi uma voz feminina animada.
- Sabe que gosto de você não sabe? – ouvi agora um homem com uma voz não muito rouca dizer.
Eles ficaram em silêncio por um tempo e comecei a ouvir passos, vindo para trás que eu imaginava ser da garota, já que estava de sapatos altos.
- John... Não precisa ser assim. – lamentou a menina, chorosa.
- Sabe que sim...
A mulher já estava no fim do beco encostada-se à parede de onde já dava para me ver... Mas ela não viu e eu me mantive quieta.
Depois só ouvi dois disparos e vi a mulher cair no chão, sangrando.
Comecei a chorar baixo até que quando o homem se aproximou e me viu me olhou com curiosidade e se aproximou.
Encolhi-me automaticamente.
- Não vou lhe machucar. – soltou a arma no chão e a chutou para o outro lado agachando-se na minha frente. – Meu nome é John. – sorriu.
- Helena... – sussurrei.
- O que você fez Helena? – perguntou e eu olhei para Cassie ao meu lado com o pescoço cortado ainda cheio de sangue.
Ele se aproximou de Cassie e analisou-a com cuidado e logo depois deu um risinho.
- Você fez isso? – apontou para ela.
- Sim... – gaguejei.
- Por quê?
- Eu... Não sei. – falei cabisbaixa. – Tive vontade de matá-la, mas depois pensei nas conseqüências... Tenho quinze anos, meus pais me internariam ou chamariam a policia qualquer coisa do tipo.
John sorriu um pouco mais fraco pra mim.
- Eu tenho dezoito anos. E meu primeiro homicídio foi aos quatorze. – explicou.
- Primeiro?
- É... Sabe algumas pessoas não nasceram para serem boas, Helena e eu sou uma delas... Depois que matei meu amigo eu fiquei em choque assim como você, fui para casa e acabei contando aos meus pais que me expulsaram de casa e pediu pra eu nunca mais voltar. Sorte que não me denunciaram, mas... Aprendi a me virar sozinho. – suspirou.
- Você sente prazer em matar? – perguntei.
- E você? Sentiu prazer em matá-la?
Encarei-o nos olhos por um momento e percebi como ele era bonito, olhos quase brancos de tão azuis e cabelos pretos como a noite. Era encantador.
Tinha um sorriso um tanto quanto sarcástico e eu me senti confortável ao lado dele.
- Sim. – respondi segura.
Der repente todo aquele medo e insegurança foi embora e eu comecei a sentir-me ansiosa para matar novamente, não entendi muito bem... Mas não tirei meu contato visual de John e ele ajudou-me a levantar.
Depois me ajudou a esconder o corpo de Cassie mais competentemente e deixou o corpo da outra mulher ali... Largado no beco visível para quem quisesse.
Entregou-me um capacete e eu subi na moto logo depois dele.
- Quem era aquela mulher? – perguntei.
- Só uma drogada. – deu de ombros e acelerou a moto dando partida. – É melhor se segurar. – Ri.
- Você era uma menina levada não? – perguntou-me John tirando-me de minhas lembranças.
- Talvez... – respondi em um suspiro e forcei-me á encará-lo.
A chuva estava cada vez mais forte e pela primeira vez em anos eu vi John como a primeira vez... Sendo aquele homem encantador.
- Por que nos separamos? – passou a mão por meus cabelos.
— Você sabe por que.
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