Helen Burns - Apenas uma história
7 Orgulho.
A vida é tão tediosa. Para ser sincera. Percebo que nesses quinze anos eu não consegui fazer nada pela sociedade e muito menos por mim além de ler todos os livros da biblioteca de Lodwood.
– Srt. Burns. – Chamou Sra. Scatcherd. Que apesar de estar velha e enrugada, não mudava sua atitudes e muito menos arranjava um marido.
– Sim, Sra. Scatcherd. – Abri um sorriso raso e rasgo em minha face. Esses eram comentários que eu me dava ao privilégio de fazer apesar de saber que apanharia depois. Eu sinceramente não me importava.
– Sra.? A senhorita ousou me chamar de senhora? – Ela arrebatou o nariz já manchado para cima, colocando a mão na cintura. – Vá estudar menina. – Ela quase berrou assustando às outras alunas. Eu já estava acostumada. Ela não era nenhuma senhorita. Mas só ela mesma não se convencia disso.
Elevei o livro para que enxergasse da distância que estava. Em seguida abaixei o mesmo colocando-o calmamente de volta ao meu colo.
Um dia tudo isso acaba... Suspirei tentando me distrair novamente na leitura mas não conseguindo, porque antes que meus olhos pousassem nas gentis palavras eu senti novamente um estrondo de meu nome.
– Srt. Burns! – Miss Temple chamou. Ela eu realmente não me importava em atender. Ergui os olhos, ajeitando em seguida as madeixas que atrapalhavam minha visão.
– Sim? – Indaguei tentando parecer o mais saudável possível. Se soubesse que ela viria falar comigo em um dia frio como estava este incomum mês de setembro, eu teria até batido algumas vezes em minhas bochechas para que as mesmas se fizessem rosadas, e não pálidas como costumavam ser.
– Seu pai lhe enviou uma carta. – Ela sorriu correndo até mim com um pequeno envelope pardo na mão. Tentei evitar o sorriso, mas nem isso consegui. Agarrei o envelope. Fechei o que estava lendo e corri para o quarto. Já nele pude ler com a luz fracas das velas as dóceis e bem escritas palavras de meu pai.
“Filha,
Finalmente encontrei alguém. Acredito que sua mãe esteve ao meu lado este tempo todo me preservando, para finalmente me reservar uma tão boa esposa. Ela será uma boa Mãe quando terminar o colégio em seus 19 anos.
Não se preocupe. Casaremos ano que vem, e você terá todo tempo do mundo para se acostumar. Assim como ela.
Espero que compreenda.
Calorosamente aguardo a sua resposta. Com amor,
Papai.”
Não sabia se deveria rasgar a carta ou preservá-la. Uma mistura de sentimentos invadiram minhas ações e pensamentos. Finas lágrimas correram por meu rosto, juntamente com um dócil sorriso que se formava involuntariamente em meu rosto.
Para alegria do meu pai, no quarto fúnebre e vazio sorri e respondi calorosamente por entre os meus diversos pensamentos:
“Eu estou orgulhosa. Seja feliz.”
Não tinha certeza se era verdade. Mas era o que ele gostaria de ouvir. Dobrei a carta e não a respondi.
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