Heiwa No Mahou
4 Capitulo 3 – A Garota Idiota
Notas iniciais
Ao sul do Reino de Minakoku, vivia uma garota de cachecol lilás, seu nome era Azuma Namake.
Seu nome era pouco conhecido entre as pessoas e quando era lembrada, normalmente era como “ladra de tomates” ou como a NEET que vive às custas dos outros.
Azuma foi criada em uma pequena vila ao oeste de Minakoku, seus pais viviam lá até então. Atualmente ela mora em um lugar gelado e não há tantas pessoas morando lá, vivendo com seu amigo e colega Shouko Kami. Ninguém mais, ninguém menos que o príncipe do Reino Minakoku, que vive lá para treinar em paz, pois não aguenta as baboseiras de príncipe e realeza.
—Ai, Shouko! Eu vou dar uma visitinha nos meus pais, você quer que eu compre pão na volta?
Disse Azuma enquanto fechava seu casaco azul e ia até a porta.
—Espera... você sair de dia? A última vez que você fez que você saiu foi pra arrumar seu vídeo game quebrado.
—Sei lá. Só acho que ficar o dia todo em casa vagabundeando tá afetando meu ‘célebro’ ultimamente.
—É cérebro e não ‘célebro’.
—Você e suas palavras... você sabe que eu não sou boa em geografia! Já tô ficando com dor de cabeça.
—Então vá de uma vez! — Disse Shouko irritado
—Ok, ok, senhor certinho. Qualquer coisa eu te ligo. Fui!
—Não se esquece do pão! Ouviu?!
Ao sair de sua casa, olhou para cima e viu o Sol brilhando, logo depois sentiu uma brisa gelada passando, então, foi andando até a vila de seus pais.
—Talvez eu devesse comprar alguns salgadinhos na volta... é... salgadinhos... AH! E também umas balinhas... isso!
O caminho mais curto era indo até Minakoku e depois seguir ao leste. Depois de alguns minutos de caminhada, Azuma chegou até Minakoku. Lá ela começa a ouvir algumas pessoas falarem algumas fofocas e resolveu prestar um pouco mais de atenção, afinal, ela não costuma acreditar nas noticiais de internet.
—Você ficou sabendo? Dizem que aquela vila no Oeste foi atacada por um besouro gigante que cuspia fogo!
—Sim, sim, todos estão falando sobre isso. Parece que não teve sobreviventes. Que tragédia...
Conversavam duas senhoras ali numa praça em que Azuma passava.
“Vila do Oeste? Besouro cuspindo fogo? Acho melhor eu deixar as balinhas pra depois. ”
Pensou Azuma.
Correndo enquanto atravessava um caminho do bosque que ia até a vila de seus pais. Chegando na metade da trilha, ela começou a ouvir passos vindo da direção da vila. Ela se escondeu em uma arvore ali perto e ficou escondida até ver o que era.
—Bom... como eu ia dizendo, aquilo foi só o início. Talvez tenhamos que contratar alguns mercenários pra nos ajudar... hmm. O que você acha?
Começou a se ouvir vozes vindo da mesma direção dos passos, cada vez aumentando mais.
—Ah, é verdade, você não pode falar... eu esqueço disso as vezes.
Ela avistou uma elfa de capa verde e um garoto de preto conversando naturalmente. O garoto parecia segurar uma espada e a garota parecia estar falando sobre seus planos para o futuro.
"Eu nunca vi esses dois antes. E o que esses estranhos estavam fazendo lá? Será que o mercadinho do Rodolfo ficou tão famoso assim? Ou será que foi o ferreiro Jorge?”
Pensou Azuma.
“Acho que o jeito descer lá e perguntar.”
Azuma pula da árvore aterrissa quase caindo em frente aos dois viajantes misteriosos, ela se limpa um pouco, arruma seu cachecol e fala:
—Eae! Quem são voc...
—Quem é você e por que você estava em cima de uma arvore?
Disse a elfa com um tom de raiva.
—Ah... é... isso pareceu um pouco estranho não é? Bem, vou me apresentar primeiro então.
Azuma colocou a mão esquerda em sua testa, fez uma pose que viu em algum anime e disse bem alto e claro:
—Meu nome é temido por muitos e adorado por outros. Sou aquela que todos veem como uma divindade e o ser perfeito. Todos ao meu redor me adoram...
Azuma tira rapidamente a mão de sua testa, faz um sinal de V com seus dedos apontando para os dois e disse:
—MEU NOME É AZUMA NAMAKE! 19 ANOS! DESEMPREGADA E OTAKU NAS HORAS VAGAS!
*Silencio*
Azuma então ficou vermelha de vergonha, colocou as mãos rapidamente na frente de seu rosto para esconde-lo e disse alto.
—E-E quem são vocês d-dois? E-Eu nunca vi v-vocês por aqui!
—Você não bate muito bem da cabeça, não é? Enfim... meu nome é Magy Inko e esse é meu meio-irmão Shuji Inko. Nós estamos de passagem.
—B-Bem... v-vocês não deviam andar por aqui!
—E por que exatamente não?
Azuma tira as mãos de seu rosto e faz uma cara de confusa.
—Todos do reino estavam falando sobre um besouro gigante que atacou a vila. Ah também falaram que ele cuspia balas! Ou era fogo... não lembro agora.
—Essa garota é idiota de mais, vamos dar o fora.
Sussurrou Magy para Shuji.
—Não havia nenhum besouro gigante quando passamos por lá, deve ser apenas boatos e histórias para assustar crianças bobas e medrosas.
Azuma coloca a mão no seu queixo e começa a pensar.
—É... Acho que tem razão. Então eram mentiras... sabia que devia confiar mais na internet ao invés de velhinhas conversando na praça.
—Se era só isso que você tinha, por favor, nos deixe passar.”
—Ah. É. Claro. Desculpa o incomodo.
Os dois foram andando para a direção do reino. Chegando do lado de Azuma, Magy diz baixinho.
—Algo me diz que eremos novamente. Com licença.
E os dois foram embora, deixando Azuma parada confusa no meio do caminho.
—Ufa... aquela história de besouro era mentira afinal. Acho melhor eu ir indo.
Azuma se recompôs e foi com um grande sorriso até seus pais.
Ao chegar na entrada de sua vila, ela estava toda destruída. O grande besouro estava destruído, assim como tudo na vila. O fogo se espalhava por todos os cantos, casas iam desabando cada vez mais. O sangue derramado no chão, nas casas e no besouro eram desumanos.
Azuma caiu de joelhos, ainda com aquele sorriso bobo em seu rosto, porém de desespero. Lagrimas começaram a sair de seu rosto. Ela socou o chão com todas as suas forças e começou a falar sozinha.
—Por que eu não me preocupei com eles antes? Por que eu não vim correndo quando descobri sobre o besouro? Por que eu não liguei pro Shouko? Aqueles dois... mentiram pra mim? Por que?”
Socando o chão cada vez mais forte, sua mão já estava doendo e vermelha de tanto socar.
—IDIOTA, IDIOTA, IDIOTA!
Ela pegou seu celular, discou o numero de Shouko e ligou.
—Alô? Aqui é Shouko falando.
—Shouko... Eu não vou conseguir comprar o pão na volta, eu acho...
—Azuma? Do que você está falando? Tá tudo bem ai?
—Por favor... só chame ajuda pra cá.
Depois de alguns minutos, Shouko, bombeiros e a polícia chegaram ao local que um dia foi a vila de Azuma.
—O que aconteceu aqui, garota?
Perguntou o policial a Azuma.
—Um besouro gigante.
—Então era verdade... droga! Deveríamos ter mandado alguém olhar a área antes.
—Está tudo bem... a culpa não é de vocês.
—A culpa é de quem então?
—A culpa é daquela garota e daquele garoto...
—Garoto e garota? Azuma! Quem você encontrou no caminho?
Perguntava Shouko.
—Idiota... idiota...
Azuma estava em choque ainda.
—Seu guarda, se você me permitir gostaria de leva-la para casa.
—Tudo bem, meu príncipe... depois perguntaremos o que ela viu e esses dois que ela viu.
Azuma estava com um lençol a cobrindo e continuava a dizer repetidamente a palavra “idiota”.
—Hey, eu sei o quão triste deve ter sido isso, mas... se eu puder te ajudar eu ficaria feliz...
—Idiota, idiota, idiota...—
—Que tal se a gente comprasse umas balinhas na volta?
—Idiota, idiota, idio...
—...
—Eu... eu achei que só eu que era idiota, Shouko...
—O que?
—Mas você é péssimo em ajudar os outros... meu senhor deus...
—Se você não quiser eu não compro.
—...
—E então...?
—Você...
—Eu...?
—Vai pagar...?
—E quando é que eu não pago?
—Minha mãe sempre disse pra eu nunca desperdiçar comida... então acho que por ela... eu topo.
—Seus pais têm orgulho de você, Azuma. Tenho certeza que eles estão torcendo por você em um lugar melhor.
—É... você deve ter razão. Você sempre tem razão.
Na saída da doceria, eles encontraram uma amiga deles.
Seu nome era Kurone Senno, uma garota com os braços e pernas robóticos. Loira, de olhos amarelos.
—Hey, vocês dois. O que fazem aqui? Vocês não são muito de sair daquela geladeira que chamam de casa.
—Azuma me ligou dizendo que um besouro gigante estava atacando uma vila no oeste daqui e eu vim checar a área. Sinceramente, isso não trabalho para a policia fazer?
—Você que é o príncipe daqui, isso é problema seu.
Azuma engoliu sua bala e disse.
—Kuro-Chan?
—Hã? O que foi Azuma?
—Quando você vai tomar banho, você tira seus braços e pernas ou você toma com eles?
—De novo essa pergunta...
—É uma pergunta séria e pelo bem da ciência!
—Pela última vez... meus braços e pernas são aprova d’água...
—Hihihi! E você também vai ao banheiro?
—C-Como assim?
—Ou será que aquela coisa sua também é robótica? Hihih-
Shouko puxou Azuma pela orelha e começou a arrasta-la embora.
—Foi bom te ver Kurone, mas acho melhor irmos. Não é, AZUMA?
Shouko fez uma cara de raiva enquanto olhava para Azuma.
—Ai! Ai! Para de puxar! Tá doendo!
Os dois foram embora, enquanto Korone ficou parada em frente a doceria.
—O que aquela garota tem? Ela acabou de perder os pais e parece tão... normal.
Chegando em casa, Shouko se preparava para cozinhar a janta e Azuma subia até seu quarto. Ela se jogou em sua cama e ficou pensando nos seus pais.
"Eu podia ter ajudado eles... que tipo de heroína eu sou afinal?”
O barulho de alguém subindo as escadas correndo estava aumentando, o que se tornou depois o barulho de alguém socando a porta de seu quarto.
—AZUMA, É UMA TRAGEDIA!
Disse Shouko desesperado abrindo a porta do quarto de Azuma
—Hã? O que aconteceu agora?
—Esquecemos do pão!
—...
—Não faça essa cara de decepcionada pra mim, é algo importante!
—Idiota.
Enquanto isso, Magy e Shuji estavam hospedados em um hotel fuleiro de Minakoku. O lugar era precário, havia duas camas velhas e rasgadas. No banheiro a pia estava quebrada e usar a privada não parecia ser muito saudável.
—Não é a melhor cosia do mundo, mas é o que temos pra hoje.
Disse Magy para Shuji.
—Amanhã cedo, vamos ter que sair daqui o mais rápido possível, acho melhor irmos para Kuzuma, lá deve ter alguns mercenários que fariam tudo por alguns trocados.
De repente, quando a lua chegou ao céu, começaram a se ouvir gritos de homens e passos tentando fugi. O barulho vinha da rua.
Olhando pela janela, Magy e Shuji viram que havia vários bandidos desmaiados no chão e o carro da polícia estava lá para prende-los. Foi então que Magy olhou para o telhado de um prédio em frente ao hotel e viu alguém com uma capa marrom e encapuzado, não dava para ver seu rosto, mas era possível ver o brilho azul de seus olhos. A pessoa misteriosa carregava uma katana longa, brilhante e com o cabo roxo.
—Será que... poderia ser o que eu estou pensando?
Magy deu uma risada, olhou para Shuji e disse:
—Se eu estiver correta, aquilo deve ser um dos guardiões tentando fazer justiça com as próprias mãos. Que desperdício.
A pessoa misteriosa olhou para os dois, percebeu que estava sendo vista e pulou do telhado para outro prédio, indo embora.
—Tenho certeza que essa não vai ser a última vez que nos veremos. Acho melhor descansarmos por enquanto.
A lua cheia, brilhante e solitária, assim como essa pessoa misteriosa, traz muitos mistérios, para alguns traz conforto, para outros traz medo e insegurança.
Esse é o destino de um guardião.
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