Heiwa No Mahou

2 Capítulo 1 - A Elfa e o Garoto


Se eu perguntar para você que está lendo isso agora se você se lembra do exato momento em que nasceu, de quando tudo era escuro e finalmente você conseguiu ver a luz da realidade fora da barriga de sua mãe, provável que você não saiba responder, bem, isso é o que aconteceu comigo.

Eu não pedi para nascer, eu não tive mãe ou pai, não tive infância ou amigos, a única coisa que eu tive foi uma lamina e sangue em minhas mãos.

Me lembro bem como foi... eu estava deitado no meio de um bosque escuro, minha visão ainda embasada, minha respiração ofegante. Confuso e sem saber o motivo da minha existência. Eu não tinha voz, não poderia gritar ou perguntar o que estava acontecendo. Porém, depois de muita confusão comigo mesmo, percebi que ao meu lado havia uma elfa de joelhos, ela usava um manto verde longo com uma toca, ia da sua cabeça até os seus pés, seus olhos roxos brilhavam como a lua e seu sorriso parecia alguém que iria rir de desespero e alegria.

Ela tinha olhos de anjo e um sorriso de demônio.

Ficamos encarando um ao outro por alguns segundos, até eu ver uma lagrima saindo de seu olho e escorrendo pelo seu rosto, foi então que eu percebi que em seu rosto havia uma espécie de marca, parecia uma foice com asas de morcego, parecia mais aquelas tatuagens de chiclete do que algo místico.

Ela me abraçou rapidamente e disse com lagrimas em seu rosto:

“Finalmente... Eu não acredito que isso deu certo... eu estou tão feliz e orgulhosa! O mundo finalmente será purificado e irá para melhor! ”

Purificação? O que deu certo?

“...”

“Ah claro, eu esqueci que você não pode falar e no momento deve estar confuso. Bem... eu sou o que você pode chamar de sua criadora, Magy Inko. ”

Criadora? Eu sou algo criado a partir de alguém? Esse é meu proposito na vida?

Ela limpou o rosto, voltou com sua cara de séria, olhou para mim e disse:

“Seu nome é Shuji Inko, eu te criei para que juntos possamos conseguir os cristais dos guardiões. Eu te fiz com essa aparência simples, cabelo preto e olhos pretos vazios, assim ninguém ira desconfiar tanto de nós. ”

Guardiões? Cristais?

“Eu também criei essa espada de duas mãos para você. Você sabe como usar ela né? Eu sei que você nasceu faz tipo três minutos, mas é só balançar ela tentando acertar em alguém. ”

Ela me deu uma espada de dois gumes, longa e brilhante, sua base era preta e dourada e tinha quatro espaços vazios. Talvez esses cristais fossem colocados ali?

“Se levanta logo, tenho umas coisinhas a acertar com uma vila aqui perto. Podemos chamar isso de seu ‘treinamento’”

Magy sorriu maliciosamente e andou em direção da vila, eu ainda estava lá no chão deitado, as formigas estavam começando a subir em mim.

“Você sabe como levantar, não é? ”

Me levantei meio cambaleante, havia grama em meu rosto. Eu a segui.

“A vila aqui perto me tratou como lixo nos últimos anos, disseram que não aceitariam orelhas pontudas como eu. Isso deveria ser considerado racismo. ”

Chegando próximo a vila, Magy e eu ficamos atrás de umas arvores e arbustos, escondidos.

“O plano é: eu vou criar uma distração para os moradores da vila, você se infiltra em algumas casas e começa a jogar fogo nelas. Se alguém entrar no seu caminho você elimina sem piedade, entendido? ”

Fogo? Tudo isso para se vingar? E que tipo de distração ela faria?

Antes de perceber, Magy já tinha avistado um besouro ali perto, o esmagou com o pé e com sua magia Criacionism criou um besouro gigante de pedra, a partir de umas pedras ali próximas e o corpo do besouro morto.

Ela acabou de criar um besouro gigante de pedra e ele está atacando os moradores ali próximos. O que é essa garota e por que ela precisa de mim?

“A distração foi um sucesso, agora você entra lá! ”

Corri até uma das casas da vila, para minha sorte era a casa do ferreiro, era fácil fazer aquilo pegar fogo. Peguei um pedaço de pau ali próximo de umas caixas e coloquei no fogo até pegar incendiá-lo, então comecei a espalhar por toda casa.

“FOGO! A CASA TÁ PEGANDO FOGO! CHAMA O BOMBEIRO LÁ ”

Os moradores gritavam.

Ao tentar sair, me deparo com dois homens furiosos carregando com eles espetos gigantes para feno.

“Então é você o pivete que fez isso?! ”

Saquei minha espada e mesmo antes de perceber, já estava lutando contra os dois moradores.

Um deles era forte e o impacto de seu garfão era difícil de segurar, ele veio com tudo para cima de mim, eu tive que pular para o lado para desviar do golpe. O outro era mais rápido e eu quase não conseguia acompanhar os movimentos dele, porém ele era fraco no impacto, mas mesmo assim acertou meu braço, doeu um pouco, mas ainda conseguia usar ele. Ao bater minha espada em seu garfão, eu o empurrei para trás e o joguei nas caixas próximas, o derrubando e deixando ele inconsciente. O outro veio furioso para cima de mim, eu não ia conseguir desviar o golpe outra vez, meu braço já doía. Foi então que eu peguei a tocha jogada no chão e rapidamente joguei nele, não para feri-lo e sim para distrai-lo. O cara das caixas estava levantando e o mais forte estava distraído com o fogo, então peguei minha espada e desferi um golpe em seu peito, enfiando minha espada em seu peito e o matando.

“Desgraçado... você vai pagar...”

Foi o que disse o morador ali com minha espada em seu peito.

Eu fugi o mais rápido possível antes que o outro pudesse vir atrás de mim, aparentemente ele foi tentar ajudar seu amigo.

O fogo se espalhou pelas casas, quem não morria pelo fogo morria esmagado pelo poderoso besouro de pedra. Um verdadeiro massacre.

É isso que ela quis dizer com purificação? Isso foi mais para um genocídio sem sentido. Corri até Magy e fugimos de lá.

Corremos até chegar num outro bosque, porém nesse havia um caminho.

“Se andarmos por aqui chegaremos até o Reino Minakoku, talvez dentre uma ou duas horas de caminhada. Aquela vila era ao oeste do reino. ”

Magy parecia calma, mesmo depois de acabar com tantas vidas em poucos segundos. A purificação é algo que eu não entendo.