Hedonismo
17 O que esta havendo aqui?
Notas iniciais
Foi muito estranho ver aquele olhar de medo vindo dele.
Mas foi uma coisa que não durou muito tempo.
—--- O que estão fazendo aqui? ---- ele questiona ao pegar uma almofada qualquer e cobrir suas partes, (que Daisuke encarava com vigor).
—--- N-nada! ---- exclamo ainda em pânico e saio pela porta acabando por largar a sacola de “compras” dentro da casa.
Eu definitivamente corri da realidade a minha volta. Não queria saber, não queria ver!
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Minha mente “devassa” foi para recantos obscuros que eu temia.
Imaginei tudo o que eles poderiam ter feito naquele apartamento.
Meu irmão podia telo encontrado em algum canto qualquer, afim de ficar um pouco longe de casa e do hibrido. Não que Taichi odiasse o bebe, entretanto odiava a situação toda. Eles não eram melhores amigos, mas conversavam o que o faria confortar o amigo; quem sabe levar o cara ate seu apartamento já que agora ele morava sozinho.
E lá...
—--- Quem diria? Se alguém me falasse isso dela eu riria da cara da pessoa, ou esmurraria. Não sei ainda. ---- corresponde Yamato serio como sempre fora indo a cozinha pegar algumas latas de cerveja. ---- Mas como você esta aceitando tudo isso? Nossos irmãozinhos não são os anjinhos que as digievoluções de seus digimons demonstram.
—--- Isto é verdade... ---- ele logo pega uma lata e a abre. ---- Estou tendo de aceitar né. Nasceu mesmo fazer o que... Um dia Hikari iria namorar casar mas...
—--- Eu te entendo... Não sei o que é pior.
—--- Jura? Serio? Não seja cínico... O Takeru não fez nada de errado. Ou de...
—--- Vulgar? Hediondo ou simplesmente pejorativo? Já se esqueceu que ele...
—--- Ficou com vários caras? Idai o que tem de mais? Você já traçou metade da escola, e do colégio vizinho também. ---- o líder comenta entre risos, e logo Yamato também ri, começando a conversar sobre o passado, do digimundo e de suas vidas atuais.
Conversaram sobre suas conquistas e ate mesmo aquelas que tinham em “comum”, beberam e riram como se nunca tivessem brigado na vida. Mas não conseguiam esconder do assunto o fato de já terem “feito” um com outro.
O clima sempre fica estranho quando o assunto voltava a girar em torno de sexo, mas por algum motivo não conseguiam mante lo muito longe. E logo fica tarde e Yamato não poderia deixar o líder ir embora naquele estado, bêbado como nunca viu.
Ele sentia o clima estranho no ar, mas mesmo assim ainda era o guardião da amizade e o ajuda a se levantar do sofá o levando até o quarto extra que ainda estava abandonado o largando sobre a cama que cheirava a pó e abandono.
—--- Se precisar de alguma coisa, estou no quarto ao lado. ---- comenta já indo fechar a porta, e é quando sente a mão lhe puxando para baixo, ouvindo em um tom de voz baixa e pouco embriagada.
—--- Eu preciso de você.
O louro se espanta, mas quem já cedeu uma vez...
Se deixou puxar para cama e logo o líder se posicionou sobre ele ficando a se encarar por um tempo, até que ele pode sentir os lábios dele sobre os seus. O beijou carinhosamente e cedeu de uma vez, estava sentindo algo entre eles a noite toda; estava feliz, confuso e envergonhado, mas de alguma maneira sentia que não podia parar, não queria parar.
Se separaram para respirar por um breve instante, e o líder voltou a encarar o louro quase com o rosto colado dele sussurrou: ---- Escuta bem. O que estou fazendo não é efeito da bebida, eu realmente queria fazer isso.
—--- Podemos ate tentar... Vai ser algo bem diferente para mim, mas fico feliz de que seja com você...
—--- Diferente, sei. E a ultima vez? ---- indaga de modo maldoso encarando o corpo a sua frente mas logo o afasta, se sentando. ---- Mas... e a Sora? Vocês não estavam namorando?
—--- Ela e eu terminamos.
Logo o moreno sorri e voltando a o beijar e este por sua vez começa a desabotoar seu pijama enquanto escapava de seus lábios mirando em seu pescoço indefeso, percorrendo seu tórax descendo a barriga; já podendo ter uma boa noção do quanto era desejado pelo colega.
—--- Assuma que gosta de fazer isso comigo. ---- o líder sussurra uma ordem em seu ouvido enquanto pega sua mão a direcionando ate seu falo. ---- Ninguém precisa saber. Pode ser nosso segredinho... ---- brinca em um tom cúmplice vendo o louro começar ao massagear, murmurando sons enquanto afagava meus cabelos louros.
—--- Esta bem... Mas não ache que vou levar sempre a pior. ---- pontua o louro com ar de violência e autoridade, recebendo um riso maldoso em troca. ---- Estou falando serio.
—--- Certo. De suas condições. ---- o líder volta a puxar o louro o deitando sobre a cama de casal que havia sido abandonada com a mudança.
E lentamente encosta os lábios aos do louro o tomando para si lentamente, exigindo que este cedesse, que o desejasse tanto quanto ele o desejava. O que eu estava fazendo? Que pedido foi aquele?
Se acariciavam sem escrúpulos ou vergonha, checando o corpo um do outro como a quem tateia uma parede no escuro para não esbarrar ou cair; entregando-se e não se importando de que aquilo poderia ser certo ou errado, se alguém poderia os descobris. Como se não existisse o amanha para os fazer recordar, para os julgar.
Parecia que esperavam por aquele beijo há anos e podiam sentir milhares de sensações únicas, os corações batiam acelerados em um mesmo ritímo a serem ouvidos, o calor de seus corpos aumentavam e logo chegaria ao ponto de decidirem quem iria “ceder” primeiro.
Mas ambos já haviam feito isso antes e não tinham medo do fato, apenas um certo receio que o líder teimava em frisar não possuir. A todo custo demonstrava sua coragem, mas acima disso jogava na cara do louro o quando ele gostava de sucumbir; e por conta disto ele acabou sendo o primeiro.
Se sentindo um pouco errado ao fazer tal coisa com o colega e ainda no antigo quarto de seu pai, o louro se retém assim que é invadido, vendo o próprio rosto e “performance” ser refletido em um espelho que não havia notado ate então. Um espelho vil, que retratava seu rubor e prazer; alem de tudo o que o líder fizera em seu corpo.
Sentia-se lascivo e estranhamente isto aumentava os arrepios em seu corpo, o misto de dor com prazer e agora a vergonha imposta por sua própria imagem ali a o encarar dedurando todo seu ato, coisas que preferia não pensar agora eram bem visíveis.
—--- Calma, não cabe. ---- bronqueia o louco ao empurrar o líder de si, sentindo deslizar para fora e um alivio rápido percorrer seu corpo junto de uma leve ardência.
Queria sair e tirar o espelho, quebra-lo.
Mas é detido. Assim que ergue do leito é puxado com violência. ---- Não vale arregar. Nem comecei... ---- o timbre autoritário o irrita, mas ao cair com seu peso sobre o colega que o esperava seu corpo trava. ---- Pronto fiz caber.
—--- Isso... vai ter volta. ---- murmura de cabeça baixa sentindo o corpo pulsar, evitava a todo jeito erguer o rosto e se deparar com sua imagem refletido no espelho que tanto odiava.
Focava-se tanto em evitar sua imagem que não evita as estocadas ferozes do amigo, que o arranca gritos e o faz se contorcer.
Não podendo evitar segurar a face a cobre com as mãos, se tornando ainda mais vulnerável as vontades do colega que não tem piedade de seu corpo.
—--- Que legal. Achei seu ponto fraco... ---- a voz cruel chega a seus ouvidos enquanto este o tirava as mãos do rosto o forçando a encarar o espelho e o que estava fazendo. ---- Olha só não é um bom ângulo? Da pra ver tudo... Viu como cabe ele todinho.
As provocações do líder o fazem estremecer ainda mais, sentia raiva por se ver tão exposto ter de passar por aquilo e ainda ouvir aquelas palavras. Mas que o havia obrigado? Estava bom; muito bom. Sentia o corpo tremer e pulsar.
—--- Quero ver se você encara o espelho; desgraçado. ---- murmura baixo e fraco ao se levantar, sentindo que o amigo já “terminava”. ---- Vem levanta. ---- ordena firme apontando para a cômoda. ---- Apóie-se ali, vamos ver se você mantem esta panca toda se olhando no espelho.
O líder engole seco com o desafio, mas sorri firme. Teimoso não iria demonstrar nenhum tipo de fraqueza. ---- Tudo bem. Faça o seu pior, vamos ver se consegue me abalar.
~~ºº~~
—--- A onde você vai? Por que sua primeira reação é fugir? ---- o ruivo me segura e acabamos debatendo no corredor. Não é que eu queria fugir da situação, mas não dava para ficar ali, né. ---- Tah bem... foi um susto daqueles... Mas isso quer dizes que o seu irmão e ele...????
—--- Eu não quero pensar nisso!
—--- Isso explica por que ele ficou tão puto com você.
—--- Eu não quero pensar nisso!!!
—--- Mas Tak...?
—--- Chega! Serio chega!
Parto descendo as escadas enquanto ele volta ate o apartamento.
Eu queria gritar. Bater em alguém! Qualquer um...
Estava bem no meio de uma crise de nervos das piores. E sobraria para o primeiro que aparece-se na minha frente.
—--- Esta tudo bem? Takaishi...? ---- era Mimi, com sua voz leve e meiga e modo angelical de falar, trazendo com sigo um doce e contagiante sorriso.
—--- Não. Não esta. Eu não tenho uma vida mansa que posso viajar pra todo canto do mundo como você Mimi. –--- eu disse que ia sobrar para o primeiro.
—--- Ei que isso Takaishi? Ficou louco é? Você não pod... ---- o nerdezinho tenta defender mas... acabo dando um soco nele. Eu avisei que estava bem alterado. ---- Endoidou? Ta parecendo o seu irmão.
—--- Meu irmão...
Murmuro ainda irritado e saio.
Se ficasse por lá muito provavelmente acabaria agredindo ele novamente.
Ouço eles debaterem algo sobre eu ter brigado com o Yamato novamente ou algo deste gênero; mas eu não me importo. Estava tão irritado que me estressava apenas em pensar; pensar em qualquer coisa já me irritava.
Mas permaneço um tempo a caminhar pela cidade.
Não sei quanto tempo.
Talvez o dia todo, porque quando dou por mim já esta escurecendo.
Agora um pouco mais calmo sido ate o local a onde tudo tinha começado. Eu tinha que saber o que realmente estava acontecendo ali, mas não tinha saco para falar com o meu irmão agora e definitivamente não iria falar disso com Daisuke.
Toco a campainha e ela atende.
—--- T.k.? Entra! ---- ela sorri e me da passagem saindo em direção a cozinha a onde pega uma mamadeira logo testando se estaria muito quente para o pequeno hibrido. ---- Que cara é esta? O que ouve?
—--- Pequei o seu irmão com o meu hoje...
—--- O que??? ---- ela quase enfarta, tropeçando nos tapetes e caindo para traz.
—--- Hikari! ---- grito e vou ate a cozinha assustado; devia ter falado de um modo... melhor. Mas tinha modo melhor de falar isso? ---- Desculpa eu...
Ela não tinha caído não chão como esperava, Gatomon era muito ligeira e hábil afinal seu nível evolutivo se igualava a Angemon.
—--- Uffa...
—--- O que você disse? ---- ela murmura limpando o leite que havia sido espalhado por todo o chão e me junto a ela, afinal a culpa tinha sido toda minha.
—--- Eu não sei. Não pequei exatamente o ato mas... Taichi estava nu na casa dele, e eles tinham trancado Patamom.
—--- Nossa... eu não sei o que pensar. O maninho nunca pareceu “disso”. ---- ela me entreolha inda incrédula indo fazer outra mamadeira, enquanto eu guardo os panos. ---- Sabe o que quero dizer... ele...?
—--- Eu sei. Por que acha que desisti dele? ---- me sento sobre o sofá me sentindo rendido, ainda estava furioso com o mundo.
Ela senta ao meu lado e me entrega uma xícara grande de leite com chantilly e canela, pegando o pequeno ser no colo, que ainda grunhia de maneira angelical.
Sempre me achei branco de mais perto de Hikari, mas o pequeno hibrido superava a qualquer coisa; parecia um pequeno floco de neve envolto de uma manta azul com pequenos desenhos abstratos. Ele encarava a tudo com seus grandes e expressivos olhos de cor avermelhada enquanto esta o dava de mamar.
Não sei o por que mas aquela cena me acalma.
—--- Não tem problema eu o amamentar na sua frente?
—--- Não. Por que a pergunta? Mas... Por que estava fazendo uma mamadeira se você ainda da de mamar?
—--- Treinando. Ainda não acerto o ponto e não quero deixar para aprender na hora de fazer. Minha mãe esta me ajudando mas... Ela é péssima com cozinha. ---- ela sorri e automaticamente o bebe ri também. Aquela risadinha gostosa e baixinha que só um bebe consegue dar. ---- Então a Yolei esta me ajudando. Mimi foi comigo comprar roupinhas, ele esta crescendo rápido.
—--- Então é menino... Desculpa nem vim aqui depois... Qual o nome?
—--- Você vai me bater se eu disser que não consegui decidir? Todo mundo fala um... ---- ela sorri sem graça e logo o telefone toca. ---- Alo? Oi maninho! Ainda esta ai? O T.k. esta aqui. Unm... sei... Takeru o maninho falou que você deixou uma sacola lá. Quer que ele traga aqui?
—--- Não! Não tem problema eu vou lá buscar! ---- tinha me esquecido completamente dos brinquedos. Por que a droga do Daisuke não pegou?
—--- Relaxa ele já esta voltando, ai vai trazer sua sacola e o Patamom. ---- ela desliga e eu sôo frio. Não queria ver Taichi agora, muito menos com aquela sacola.
—--- Não eu pego! ---- me ergo ainda em pânico da sacola chegar aqui e Hikari a ver, mas sou segurado por algo. Ao ver o que me prendia me deparo com uma pequena mãozinha e olhos amendoados cheios de emoção, sorria para mim e brincava com minha camisa. Dava vontade de rouba-lo dos braços de Hikari e esmagar em um abraço forte.
—--- Iai! Como você é fofo! ---- ela própria o aperta e ele faz um pequeno ruidinho como um gatinho que não sabe miar ainda. ---- Mas serio sobre o maninho, eu fiquei curiosa. Não acho que você esta mentindo, mas acho que deve ter algo ai.
—--- Concordo. ---- murmuro entre os dentes e volto a me sentar. Aos poucos consigo roubar o pequeno dos braços da mãe e o deito sobre o sofá brincando como se fosse um filhote. Enquanto ela desaparece do meu ponto de vista.
—--- Bebes são fofos. ---- Gatomom se apóia sobre o sofá e fica a brincar com o pequeno. ---- Você e o Daisuke também vão ter um bebe?
—--- Não podemos ter bebes... Só se pode ter quem for de sexo diferente. ---- explico meio sem graça, era como falar com uma criança.
—--- Entendi. ---- ela logo para de brincar com o pequeno e me encara. ---- Como Beelzebumon pode ter um bebe?
—--- Eu também não entendi. Digimons são um mistério para mim.
E logo ela se cala ficando a encarar o pequeno ser. Não sabia se era ciúmes, já que agora Hikari o dava toda sua atenção ou outra coisa. Parecia ser outra coisa...
—--- Aqui esta. ---- ele praticamente surge do alem tumulo me dando o maior susto da minha vida e deixando a sacola do meu lado. ---- Calma é só uma sacola.
—--- Taichi seu... Como você entra assim?
—--- Você que se distraiu como o “humanomon” ai. ---- ele ri e faz um afago sobre o pequeno que segura um de seus dedos. ---- Que bunitinho... ---- ele sorri para o bebe, mas logo me encara serio. ---- Takeru sobre o que você viu hoje. Pode guardar segredo?
—--- Segredo? Não vai dar! Já contei a Hikari.
—--- Ok... pra Hikari eu explico depois. Mas pode ou não? ---- parecia mais uma intimação/ ameaça do que um pedido.
—--- Só se você me explicar o que foi aquilo. ----- teimo temeroso.
—--- Tudo bem mas não aqui. ---- ele finalmente para de brincar como o pequeno e se levanta, seguindo seu caminho ate seu próprio quarto. O bichinho parecia um imã; ninguém resistia a seu “charme”. ---- Posso passar na tua casa amanha?
—--- T-tudo bem. ---- só de imaginar Taichi indo na minha casa já me deixava nervoso. Então eu faço...
Invado seu quarto e tranco a porta atrás de mim.
—--- Sem “amanha eu falo” quero saber agora!
—--- Tudo bem...
Ele estava de costas e parecia ir ligar seu computador pessoal, mas quando invado ele se afasta e logo se senta sobre a cama.
O que ele me conta não é algo assim tão simples de se entender, muito menos de se absorver; e mais uma vez eu não sei como reagir a tudo aquilo.
—--- Takeru você entendeu? Eu não...
—--- Preciso de um tempo. ---- me levanto indo ate a porta e logo volto a sala a onde Gatomon encarava o pequeno hibrido com a mesmo semblante estranho. ---- O que foi Gatomon? Não gosta do bebe?
—--- Não diga uma coisas destas. Claro que eu gosto, ele é fofo.
—--- Então qual é o problema? ---- eu precisava distrair a minha mente, então iria puxar assunto com qualquer um sobre qualquer coisa imaginável. Mas nunca na minha vida eu esperei por aquela resposta.
—--- Eu também quero um destes. ---- ela me franca e espontânea, não parecia uma criança que não sabia do que estava falando. ---- Mas os digimons não se reproduzem assim. ---- ela parecia mesmo abatida e entristecida. ---- O que aconteceria se eu tentasse? Como Hiraki conseguiu? Eu não posso perguntar isso pra ela... Mas eu vi como Beelzebumon ficou feliz com este bebezinho, e eu quero dar uma para o meu namorado.
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