Heavy Rain
2 Começou a chuva
Notas iniciais
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Cerca de dois meses se passaram desde aquele dia fatídico na vida de Quinn Fabray.
Chovia muito, era um período de chuvas que acontecia todo ano em Ohio, ficavam quase dois meses com aquele tempo fechado, Quinn se sentia exatamente daquela forma, cinza, ela jamais ia pensar que sua vida mudaria tanto em tão pouco tempo.
Foram dias de confusões e delegacia, sua mãe a culpava sem piedade pela morte de seu pai, e como seu pai era membro assíduo da comunidade religiosa de Ohio (que era muito grande e poderosa na região) a igreja acabou pegando o caso como exemplo para os outros fieis, fez a imprensa local perseguir Quinn e sua mãe por um tempo assim como os Berry também, que com tamanha pressão, decidiram passar um mês em NY, iam aproveitar pra Rachel fazer sua audição diretamente em NYADA, a faculdade dos seus sonhos, mas buscavam também um pouco de paz, temiam que a filha perdesse o foco no futuro em um momento tão importante como esse, os últimos 2 meses de aula.
Nenhuma despedida foi feita, Quinn simplesmente nunca mais viu Rachel depois de a delegacia naquele dia. Os pais de Rachel sempre a alertaram que era pior esconder o relacionamento, e que se caso ela machucasse a Rachel eles jamais a perdoariam, eles sempre tiveram um pé atrás com a Quinn achando que ela só queria se aproveitar da filha sem levar nada sério, já que as duas nunca se deram bem na escola antes, mas com o tempo essa idéia foi ficando cada vez mais vaga, até que aconteceu tudo e todas as inseguranças voltaram a rondar a cabeça dos dois pais preocupados que viam a filha sofrer sem poder remediar, a única forma era esquecer Quinn Fabray.
Isso abalou Quinn até mesmo mais do que a morte de seu pai, tudo que ela tinha era uma mensagem de Rachel “eu e meus pais precisamos de um tempo Quinn, fique bem” sem nem ao menos um “eu te amo” ou um “tudo vai ficar bem” que ela tanto precisava ouvir naquela hora.
Quinn se viu sozinha, sem mãe, pai, ou familiares que a apoiassem, acabou se excluindo dos poucos amigos verdadeiros que tinha, largou o clube do coral e as Cheerios, teve que se mudar, sua mãe não poderia manter a casa em que viviam pois não trabalhava e mesmo assim Quinn queria sair dali o mais rápido possível, as brigas eram constantes e intermináveis, e em uma madrugada sua mãe sugeriu que ela fosse embora, e assim ela fez, acabou alugando o porão de uma senhora em um bairro pobre de Ohio, era o que ela podia pagar com o trabalho de meio período que arrumou no estoque de um mercado. Já não estudava mais ou se importava com as coisas.. saia pro trabalho e ia direto pro parque da cidade mas já não ficava nos campos floridos que sempre levava Rachel, Quinn ia pra uma parte mais reservada e fechada aonde os “excluídos da sociedade” se escondiam de seus próprios medos, era o refugio de drogados, depressivos, mendigos, punks, qualquer um que não quisesse ser visto.
Quinn começou a fumar e a beber muito pra sufocar sua dor, era em um maço de cigarros que ela encontrava seus 20 melhores amigos, não tinha mais esperanças. Pensou em se suicidar, mas Rachel sempre invadia sua mente quando esses pensamentos vinham, ela sabia que não podia fazer a morena se sentir mais culpada por sua vida ter sido um fracasso, então decidiu que viveria, mas faria isso longe dela, era a única forma que ela via de a morena esquecer tudo e seguir seu futuro brilhante.
Nunca era suficiente, cada vez a dor era mais forte e o efeito da bebida mais fraco sobre ela, Quinn passou a buscar anti-depresivos e outras drogas com traficantes locais que também freqüentavam o parque, as vezes ela ficava tão mal que tinha apagões de memória, acordando em lugares diferentes, pegava carona com estranhos, tinha lapsos de memória, e terminava sempre em sua cama ou em um beco qualquer sem saber o que tinha feito.
Há alguns dias não ia a escola, simplesmente não conseguia sair da cama, mas se esforçou para estar presente em sua ultima semana de aula, Quinn já não pensava mais em faculdade, ela não teria como pagar e a queda brusca em suas notas a impediram de ao menos ser aceita para uma entrevista, mas Quinn queria seu diploma, pelo menos pensava que com aquilo conseguiria manter um emprego medíocre e conseqüentemente seus vícios.
Acordou cedo e emburrada, já não se preocupava mais com o que vestir, muitas coisas já tinha vendido. Lavou o rosto e se olhou naquele espelho manchado, já não se sentia mais ela mesma, o seu cabelo antes perfeito agora estava curto um pouco acima da altura dos ombros e todo repicado, resultado de uma madrugada difícil e alguns golpes de sua navalha contra seus fios loiros, como se eles tivessem culpa daquilo.
Quinn foi para o McKinley, mexia em seu armário quando Santana a abordou, a um certo tempo não fazia isso
S – posso falar com você um minuto? – Quinn simplesmente olhou pra ela e respirou fundo, foi o que bastou
S – eu sei que você precisa de ajuda... todo mundo conhece sua história embora você não me conte mais nada... é tarde pra voltar pras Cheerios mas você pode vir pra minha casa e...
Q – Não Santana, e eu já disse não todas as outras vezes que você me procurou, eu tomo conta disso! – Quinn interrompeu agressivamente
S – você me disse isso a muito tempo e eu só vejo você se afundar mais... é a primeira vez que você vem pra escola em quase duas semanas Quinn
Q – isso não é e nunca foi problema seu... mas obrigada pela preocupação.... – Quinn ia sair quando a latina a segurou pelo braço
S – A Rachel voltou Quinn...
Q – e daí? – Quinn olhou Santana com frieza
S – eu te conheço Fabray, a ultima vez que você ficou fria assim foi pra esconder seus verdadeiros sentimentos pela Rachel, você a maltratava, chingava, perseguia.... isso não pode te proteger Quinn
Q – eu não vou fazer mal algum a ela... só quero distancia, a ultima vez que ela entrou na minha vida eu perdi tudo, acabou... – mentia, já que Rachel era a única força que a mantinha viva e ela tinha plena consciência disso
S – Quinn! Quero você de volta... minha melhor amiga – suplicava baixo
Q – de tempo ao tempo Santana... – Quinn saiu sem olhar pra trás
Quinn pensou em ir embora, fugir dali na verdade, mas temeu que o numero excessivo de faltas lhe causassem problemas então foi pra aula, pra sorte dela naquele dia não teria horários em comum com a Rachel, o que a tranquilizou um pouco.
Saiu com pressa de sua ultima aula, mas foi em vão, ao virar o primeiro corredor em busca da saída avistou Rachel caminhando na direção oposta, ela estava mais magra e abatida do que a ultima vez que a viu, mas estava linda e fez seu coração disparar imediatamente. Não sabia o que fazer, continuou andando, quando o olhar de Rachel caiu sobre o seu, Rachel abriu um sorriso tímido, Quinn retribuiu mas não parou, passou por ela e alguns passos a frente se virou pra admirar a morena mais um pouco, vendo que ela fez o mesmo, Quinn se virou pra frente e apertou o passo, dois garotos que olhavam a cena a provocaram
“NY fez muito bem a Rachel.... queria guardar o melhor só pra você né Fabray?”
Quinn sentiu seu sangue subir, ela sempre foi muito respeitada e até de certa forma temida pois sempre esteve no topo da cadeia do McKinley, mas ao ouvir que os garotos disseram só pensou que pra Rachel seria bem pior, já que ela só era respeitada quando estava andando ao seu lado como “melhores amigas”.
Quinn se virou e viu que Rachel já tinha saído, jogou a bolsa no chão e foi pra cima dos dois que ainda riam do comentário, foram pegos de surpresa, Quinn os prensava pela gola contra o armário enquanto os ameaçava com a navalha que ela retirou de seu cinto, todos paravam para ver
Q – não ouse fazer nenhuma piadinha ou comentários indesejáveis sobre ela, vocês estão entendendo? – eles assentiam com pressa – se eu ver mais alguma coisa eu vou cortar a garganta de vocês...
Finn puxou Quinn pra trás
F – ok, acabou... todo mundo circulando!
Q – me solta! – Quinn se desprendeu dele
F – calminha ai... – Quinn deu de ombros e ia saindo
F – Quinn... fica longe dela, por favor... – Quinn se virou – ela sofreu muito e quase perdeu NYADA por sua culpa...
Q – seu... – Quinn não suportava ouvir aquilo
F – escuta! – ele interrompeu – apesar de tudo ela conseguiu, eu fui pessoalmente lá apóia la e deu tudo certo...
Q – você o que?
F – eu amo ela! E nós ficamos, é bom você saber...
Q – ela não te ama!
F – não tenha tanta certeza disso... se ela ta bem hoje é graças a mim... e todas as noites que eu fiquei ao lado dela, ouvindo ela chorar falando sobre você...
Q – não se iluda...
F – não interessa! Fique longe dela, ela vai se mudar definitivamente pra NY daqui dois dias... um de seus pais perdeu o emprego aqui graças a exposição de tudo que aconteceu pela mídia, então eles vão todos pra NY recomeçar a vida, RECOMEÇAR Quinn! Não caia nessa de matar a saudade... se ela te procurar vá embora! você precisa deixar ela ir
Q – não se preocupe... eu vou deixar – Quinn se desarmou tão rápido que até mesmo Finn estranhou.
Não conteve as lagrimas no caminho para casa, chorava descontroladamente, sempre viu Finn como uma ameaça, era o único homem por quem Rachel se apaixonou de verdade, Quinn antes não temia perde la pra ele já que ele havia quebrado seu coração, além do mais todos sabiam que ele não passaria de um mecânico barato de Ohio, que manteria a mesma vida pacata de sempre, sem sonhos, totalmente o oposto de Rachel... Mas agora ele tinha mais a oferecer a ela do que Quinn e ela fragilizada parecia estar caindo direitinho. Quinn se odiava por se sentir assim, sabia que ele tinha razão, ela tinha que ir, em dois dias ela iria pra NY e provavelmente nunca mais se veriam, era o que a razão de Quinn queria mas não o que seu coração precisava.
Chorou agarrada as suas pernas no canto escuro de seu quarto, com uma garrafa de uísque barato ao seu lado, não agüentava perde la, mas não via outra opção.
Quinn acordou com o som da TV que vazava pela porta do porão que dava diretamente na sala da senhora que lhe alugou o espaço. “O assassino origami fez mais uma vitima.... uma mulher de aproximadamente 20 anos foi encontrada morta, vitima de afogamento..... trazia no peito um lírio branco e um origami na mão, marca registrada do assassino....” a notícia ecoava em sua cabeça, efeito da ressaca... se arrumou rápido, tomou dois comprimidos e saiu dali em busca de paz.
Quinn se apressou pro parque, chovia muito, nem cogitou em ir pra escola, não teria forças pra cruzar com Rachel novamente, e também o sinal da saída bateria em cerca de 10 minutos.
Chegando no parque se abrigou debaixo de um toldo de uma velha lanchonete abandonada, Quinn já começava a sentir o efeito dos remédios que tomara, um leve formigamento nos pés, mexia nos bolsos com a esperança de encontrar alguns trocado, desistiu ao achar o seu maço de cigarros que pensava ter esquecido em casa, Quinn colocou um na boca e já ia acende lo quando ouviu uma voz familiar “Sai.. me deixa! Eu já te dei o que eu tinha....” Quinn se levantou pra constatar o que tinha imaginado, Rachel vinha na chuva segurando um guarda chuva rosa enquanto tentava se livrar de um mendigo que continuava a chama la “calma minha linda, vamo conversa...” ele dizia.
Q – EIII! Deixa ela em paz! – disse agilmente guardando o cigarro no bolso enquanto corria até Rachel na chuva
Q – anda.. sai! – afugentou o homem, um segundo homem apareceu, dessa vez mais bem vestido e sóbrio, um rosto familiar, sempre estava por ali no parque assim como Quinn mas ela não sabia seu nome
Homem — ta tudo bem meninas?
Q – sim, sim ! Vem Rachel... anda – Quinn puxou Rachel até o toldo em que estava inicialmente, o homem seguiu seu caminho na chuva olhando para tras as vezes, se certificando de que estava tudo bem, ele sumiu. Ficaram sozinhas, Quinn encostou na parede sem saber ao certo o que fazer, a morena fechava seu guarda chuva. Quinn fingia ajeitar o cabelo enquanto admirava a morena atentamente, ela estava linda de sobretudo preto e uma bota preta combinando, tinha um presilha delicada nos cabelos e o que mais chamou a atenção da Quinn, seu perfume, aquele cheiro com que ela sonhava todos dias agora era real novamente
Q – você não devia ter vindo... – Quinn quebrou o silencio
R – por quê?
Q – aqui é perigoso, você não viu?...
R – mas nós precisamos conversar.. e a Santana me disse que você estaria aqui... – Rachel abaixou o olhar quando percebeu que Quinn a olhava intensamente, estava visivelmente nervosa
Q – acho que não temos nada pra conversar...
R – sério? – Rachel a olhou brava enquanto cruzava os braços – então o seu plano era ficar aqui acabando com a sua vida e se escondendo de mim pra sempre?
Q – eu não me escondi de ninguém... – ria irônica
R – anda deixa eu ver seus bolsos...
Q – o que?
R – ANDA LOGO QUINN!
Q – o que você ta falando? – Rachel se aproximou vorazmente de Quinn e começou a revista la.
Quinn levantou as mãos ironizando a ação da morena que só ficou mais nervosa quando encontrou um frasco com comprimidos e os cigarros no bolso de Quinn
R – Que porra é essa? – mostrava pra loira
Q – Rachel...
R – Quinn você ta usando isso? Eu lutei contra tudo em mim pra acreditar que era verdade... você não pode usar essas coisas... CHEGA! – Rachel tacou ambos com força para longe e acabaram caindo em uma poça de água, ainda chovia muito forte
Q – Rachel isso custa dinheiro... – Quinn respirou fundo enquanto levava a mão a testa
R – É A SUA SAUDE QUINN! Eu não quero você usando isso nunca mais, me promete? – Quinn ficou em silencio, só pensava em como Rachel ainda exercia poder sobre ela, ela seria capaz de largar tudo por ela, mas pensou no que o Finn disse, tinha que mante la longe
R – ME RESPONDE!
Q – Rachel você precisa ir...
R – eu não vou!
Q – vai sim!
R – não! – a morena cruzou os braços e parou na frente de Quinn, um momento de silencio se passou até Rachel dizer com uma voz tremula – quem cortou o seu cabelo? – abriu um sorrio frágil enquanto levantava o olhar
Q – eu mesma... ta uma droga, eu sei — cruzou os braços também, mas com a intenção de se aquecer
R – eu gostei.. ta tão... rebelde – voltavam a ficar em silencio, silencio este que a Rachel quebrou mais uma vez
R – você ainda quer saber o que eu pedi no meu aniversário? – Quinn deu de ombros, fingia não ligar já que queria afastar Rachel e não lhe dar esperanças. Rachel abaixou a cabeça e disse com uma voz quebrada
R – pedi que você ficasse comigo pra sempre.... – o coração de Quinn disparou, mas ela se conteve
Q – não se pode ter tudo Rachel...
R — eu sinto sua falta Quinn, eu sinto sua falta todos os dias, todas as horas, eu preciso de você... – voltou a olhar em seus olhos, seus olhos suplicavam
Q – Acabou Rachel... você sabe o que seus pais pensam sobre mim... e eles estão certos... tive minha chance com você e desperdicei, além do mais eu sei que você esta com o Finn agora...
R – Foi um beijo Quinn! eu estava frágil e ele forçou... eu me sinto péssima por ter feito isso, você nem imagina o quanto, mas você não pode fazer isso! Não pode acreditar neles... meu deus... você não tem culpa de nada do que aconteceu...
Q – MAS EU TIVE QUE OUVIR SEU PAI DIZER QUE PODERIA TER SIDO VOCÊ DEBAIXO DAQUELE CAMINHÃO! – Quinn elava a voz com ela como não fazia a muito tempo, desde que a agredia por não saber lidar com seus sentimentos, Rachel estremeceu ao ver ela agindo assim friamente com ela de novo
Q – TIVE QUE OUVIR QUE EU QUASE ARRUINEI A SUA VIDA, A VIDA DOS SEUS PAIS, QUE VOCÊS TEM UMA NOVA CHANCE AGORA E EU NÃO POSSO ESTRAGAR – Quinn finalmente reparou no olhar assustado de Rachel
Q – ele tinha razão... – Quinn abaixou a voz ao perceber que tinha se alterado – eu te expuis a muitos perigos, não só naquele dia, eu devia ter te assumido antes você merecia isso, devia ter te levado ao baile, ter cuidado de você... eu desperdicei tudo, perdi a confiança deles... não tem mais jeito
R – mas eu preciso de você... só eu sei o que eu tenho passado... eu perdi a vontade de viver Quinn... quase perdi NYADA
Q – eu sei! e você acha que eu não morro todos os dias em pensar que tudo isso só aconteceu por que eu decidi que entraria na sua vida? Quando eles me chamam de culpada é por que eu realmente fui...
R – não fala assim... – Rachel tirou o cabelo de Quinn de seu rosto e acariciou um dos lados da face da loira com carinho
Q – não tem jeito Rachel... você tem que ir, eu tenho que ficar... o futuro ninguém sabe como vai ser, mas você precisa estar livre agora
R – eu não quero.. – Rachel se afastou já chorando
Q – e o Finn... – dizia com um nó na garganta – ele ajudou a te por na linha, ele é o melhor pra você, ele pode te dar tudo que você precisa agora
R – EU PRECISO DE VOCÊ QUINN! – Rachel chorava desesperadamente, Quinn estava em pedaços por isso
R – eu largo tudo se for preciso, eu fico em Ohio se você não puder ir, eu saio de casa... mas eu quero estar com você...
Q – Não! – Quinn se mantinha firme, ver ela falar assim só a fez constatar que Finn tinha razão, ela regrediria se ficasse ao seu lado, Quinn percebeu que deveria fazer ela desistir dessa idéia a qualquer custo.
Q – você não vai largar nada! Você vai embora! Sou eu quem não quer que você fique...
R – o que? – seus olhos desesperados buscavam os de Quinn
Q – você tem um futuro brilhante Rachel, futuro esse do qual eu não pertenço... eu já segui em frente, você devia fazer o mesmo... – Quinn não via a hora de sair correndo dali se trancar no quarto e chorar como uma criança assustada, dizer aquelas coisas pra Rachel eram seu pior castigo
R – você não pode desistir! Você não pode me deixar... desculpa se eu sumi com meus pais, eu me sinto péssima por isso, me desculpe pelo Finn, me desculpe por tudo, mas não me deixa.. – Rachel segurou suas mãos, Quinn virou o rosto já com os olhos cheios de lagrimas, mal sentia os toques da Rachel, suas mãos também já estavam dormentes graça ao remédio que tomou, sinal de que poderia apagar a qualquer momento, precisava se livrar de Rachel o mais rápido possível, mas ela não queria.
Q – vai embora e não me procura mais, vai ser melhor pras duas... boa sorte em NY... – Quinn se soltou dela
R – QUANDO FOI QUE VOCÊ FICOU TÃO COVARDE? QUANDO FOI QUE EU PERDI A MINHA QUINN? A MULHER DA MINHA VIDA? – Rachel gritava descontroladamente
Q – VOCE SUMIU, EU NÃO TIVE OPÇÃO, EU PERDI TUDO CASO VOCÊ NÃO TENHA NOTADO! – Quinn já chorava também
R – EU SUMI, E VOCÊ NÃO FOI ATRAS DE MIM!
Q – EU NÃO TINHA FORÇAS RACHEL! – Quinn se aproximou dela
R – TALVEZ VOCÊ TENHA RAZÃO, EU FUI UM ERRO NA SUA VIDA...
Quinn a agarrou rapidamente e juntou seus lábios, a beijou com urgência, Rachel deixou a língua de Quinn invadir sua boca, correspondia igualmente feroz, sentiu suas pernas amolecerem ao ser pega daquele jeito pela Quinn, Rachel cravou os dedos entre os cabelos loiros de Quinn como se estivesse tentando impedir que aquilo tudo acabasse, Quinn sentia todo o tipo de emoção e não sabia como viveria sem ela, ela não queria dizer adeus pra Rachel, mas ela precisava.. Se beijaram por alguns minutos até que Rachel se afastou
R – o que você ta fazendo? Você ta brincando com os meus sentimentos Quinn? – ela parecia assustada
Q – eu só... – Quinn sentia sua vista escurecendo, sentiu que teria outro “apagão” — VAI EMBORA RACHEL! Acabou – deslizou pela parede até o chão com a mão na cabeça, doia, Rachel acreditou que ela só estivesse chorando
R – você tem razão.. eu não devia ter vindo....
Rachel saiu, Quinn a viu correndo na chuva em flashes até que apagou de vez.
Quando Quinn retomou a consciência já era noite, ela estava próxima de uma estrada e estava suja de terra, ficou assustada, nunca tinha ido tão longe inconsciente, lembrava-se de um carro, chuva, gritos, nada que fizesse muito sentido.. ainda chovia muito e ela estava encharcada, abriu uma de suas mãos que mantinha o punho fechado, rígido, havia uma figura de origami, Quinn não conseguia ver sentido algum naquilo, ela precisava ir pra casa.
Voltou correndo pela chuva, ainda um pouco desnorteada, e jurou a si mesma que nunca mais usaria tantas coisas assim, aquilo estava ficando perigoso, alem do mais Rachel tinha pedido pra que ela parasse.
Quinn caiu na cama de uma vez, ainda digeria toda aquela conversa, algumas lagrimas rolavam em seu rosto, doía muito. Pegou no sono.
“Quinn!.... Quinn!!....” alguém batia insistentemente na porta “Porra Fabray! Abre logo!” Quinn se levantou, olhou no relógio e viu que eram 8 horas da manha, se dirigiu confusa até a porta, que continuava a ser esmurrada, Quinn a abriu e o quarto foi rapidamente invadido pela Santana
S – FABRAY! Cadê ela, me diz que ela ta aqui! – parecia frustrada em não achar o que procurava
Q – do que você ta falando?
S – a Berry! Ela foi atrás de você ontem não foi?
Q – foi, graças a você... – sorriu irônica
S – ela não dormiu com você?
Q – não... eu disse que precisava me afastar dela... terminamos de vez
S – PORRA FABRAY! – buscava o celular
Q – o que foi Santana? Você ta me assustando...
S – a Rachel sumiu! Os pais dela foram na escola e estão loucos procurando ela, pra sua sorte eu sou a única que sabe que ela foi atrás de você ontem... eu disse que ia procura la, mas eles já estavam indo pra delegacia
Q – O QUE?
S – pra onde ela foi ontem?
Q – eu não sei.. ela saiu de lá só isso... – Quinn estava em choque
S – vamos pra delegacia agora! – mantinha os olhos vidrados na tela do celular, Quinn permanecia imóvel – ANDA FABRAY! PORRA, eu tinha certeza de que vocês iam acabar na cama ontem.. que ela estava aqui...
Q – Calma! Ela vai aparecer! – Quinn se vestiu o mais rápido possível e saiu com pressa na companhia da latina.
Santana dirigia o carro bruscamente, Quinn se agarrava no banco com toda a força
Q – Calma Santana!
S – você não entende né?
Q – o que?
S – ela pode ter sido pega pelo assassino Quinn!
Q – acho que eu ouvi algo sobre isso... mas não, não pode ser... já não tinham pego ele?
S – NÃO! E ele tinha feito mais uma vitima, e ninguém sumiu desde então...
Q – PARA SANTIE! Você ta me deixando assustada – seu coração batia acelerado – isso foi só um mal entendido... ela vai aparecer... – sussurrou – ela tem que aparecer...
Chegaram na delegacia, era como com pesadelo voltar pra la depois de tanto tempo e dar de cara com os pais da Rachel, assim como foi na ultima vez.
H – o que ela ta fazendo aqui? – disse Hiram, o pai da Rachel que menos simpatizava com Quinn para a Santana
S – eu explico... Quinn é melhor você entrar...
Quinn assentiu e seguiu pra sala do delegado.
Q – boa tarde delegado Blake...
B – senta Quinn... – ele indicou a cadeira e ela se sentou – Quem diria vocês todos aqui novamente... mais problemas?
Q – eu não sei direito o que aconteceu.... só sei que Rachel sumiu, certo?
B – sim... e você sabe algo que pode nos ajudar?
Q – bom... já não nos falávamos a muito tempo, mas ela me procurou ontem... não tivemos uma conversa muito boa, acho que ela ficou chateada...
B – aonde foi isso?
Q – no parque...
B – por que lá? – um escrivão anotava tudo atentamente
Q – eu tenho ido la pra relaxar um pouco... ela sabia que me encontraria lá...
B – nós sabemos o que acontece no parque Quinn...
Q – não foi na parte “pesada” do parque não senhor... foi perto do lago – mentiu tentando evitar ter que dar mais satisfações sobre isso
B – sei... então vocês brigaram? E ela foi embora como?
Q – sim... ela saiu irritada, eu não pude acompanha la... estava abalada também achei melhor ir pra casa... – mentiu de novo
B – ela não disse pra onde ia? Isso foi que horas?
Q – não... foi umas 3 horas... – chutava
B – ok... isso faz de você a ultima a vê la, talvez tenhamos que chama la em breve, caso ela não apareça, pra pegar mais algumas informações
Q – o senhor acha que tem alguma ligação com esse assassino origami ?
B – vocês brigaram.. ela ia embora hoje, os pais já disseram que ela queria ficar com você embora contra a vontade deles... tudo me leva a crer que ela só esta passando por uma fase de rebelde contrariada, esta querendo dar um susto em vocês... ela deve aparecer logo... – o delegado se levantou e ia sair
Q – e se ela não aparecer?
W – se o assassino estiver envolvido.. então temos 3 dias pra acha la com vida... – ele finalmente saiu com pressa, Quinn ficou imóvel, estava prestes a explodir, se culpava a cada segundo por não ter acompanhado a Rachel, por ter lhe dito aquelas coisas... Quinn só queria ter a certeza de que ela estava bem.
[CONTINUA]
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