Notas iniciais
Oi, gente!!! Tô chegando antes do previsto porque fiquei muito happy com uma recomendação que recebi! Valeu, Máah!!! Adorei o que tu escreveu, mocinha! Obrigada por suas palavras, obrigada pela recomendação, obrigada por tudo! Well, fiquei tão feliz que decidi postar este capítulo mais cedo e dedicá-lo a usted, Máah! Pero antes, uma ressalva: Wonderwall é o nome de uma musiqueta do Oasis, super emblemática e que traduz muito bem (na minha singela opinião) o momento que Mia e Castiel estão vivendo. Resumindo, a letra retrata o que o Cas está passando e a Mia seria a sua Wonderwall). Enfim, sugiro que escutem a musiqueta e deem uma olhada na letra para entenderem melhor o que eu quero passar com este capítulo. A propósito, está aqui o link: http://www.vagalume.com.br/oasis/wonderwall-traducao.html Well, agora com vocês, o disco voador!

Because maybe

You're gonna be the one that saves me

And after all

You're my wonderwall

Era madrugada e todos no bunker, exceto Castiel, estavam na sala principal, inclusive Kevin e Chloe, que tinham chegado de Princeton no dia anterior, depois de dois dias de viagem até ali.

Castiel, por sua vez, estava na biblioteca, procurando, em alguns livros, um feitiço de localização, já que Mia não havia dado notícias desde que saiu do bunker atordoada, depois que ele lhe contou que estava com os dias contados.

Na sala principal, Chloe estava sentada à mesa, digitando algo rapidamente em seu notebook, tentando rastrear as últimas utilizações do cartão de crédito de Mia. Só o que a hacker tinha descoberto era que a caçadora tinha se hospedado em um hotel em Oberlin. Mas quando ela ligou no lugar, descobriu que Mia já havia deixado o hotel há algumas horas. Desde então, a caçadora não utilizou mais o cartão. Nem em um posto de gasolina, nem em uma loja de conveniência, em lugar algum.

De repente, Dean entrou na sala, trazendo uma garrafa térmica com café e colocou a garrafa sobre a mesa, onde havia várias xícaras vazias espalhadas.

Descobrir onde Mia estava e o que estava planejando tinha se tornado uma maratona cansativa e sem previsão de término. O café pelo menos ajudava a mantê-los acordados.

Chloe foi a primeira a se servir. E depois serviu uma xícara para Kevin, que estava ao seu lado. Em seguida, o profeta ficou observando a namorada acessar as câmeras de radares das principais estradas que Mia poderia ter acessado, depois que saiu daquele hotel.

Enquanto Sam tentava, pela milésima vez contatar Mia pelo celular, Claire andava de um lado para o outro, preocupada com a amiga. Então Bobby resolveu ligar para alguns caçadores que estavam naquela região entre Lebanon e Oberlin. Talvez eles tivessem visto a garota em algum bar.

Bobby pediu a ajuda da filha, embora os dois soubessem muito bem que provavelmente aquilo não ia dar em nada.

Enquanto eles faziam as ligações, Dean serviu duas xícaras de café e se aproximou da cabeceira da mesa, onde Natalie estava sentada.

A loira olhava fixamente para a tela do seu notebook, com uma expressão indecifrável e um tanto distraída. Ao notar que tinha companhia, ela abaixou a tela do notebook imediatamente, deu um sorriso sem graça e passou a mão pela nuca, enquanto evitava olhar diretamente para Dean.

Estranhando aquele comportamento, o caçador colocou uma das xícaras ao lado do notebook, sentou na cadeira mais próxima da cabeceira, e enquanto segurava a outra xícara, questionou:

— Alguma coisa que eu não posso ver?

— Não... Claro que não... — respondeu Natalie gaguejando um pouco e, portanto, sem passar muita segurança nas palavras. Percebendo que Dean não estava convencido, ela relaxou um pouco e explicou: — Eu só estava tentando localizar a Mia. Mas é melhor deixar isso com a hacker de verdade. Eu sou apenas uma principiante sem qualquer talento para isso. A única coisa que eu consegui até hoje foi colocar um rastreador em um cara bonito que esbarrou em mim em um bar.

Menos desconfiado e sentindo certa nostalgia ao lembrar daquela ocasião, Dean tomou um gole do café e corrigiu:

— Foi você que esbarrou em mim. E até onde eu sei, de propósito.

— É verdade. — concordou Natalie, pegando a xícara em seguida e tomando o primeiro gole da bebida quente e revigorante.

Dean observou a esposa por alguns instantes antes de recomeçar:

— Espera um pouco. Você disse "cara bonito"?

A loira riu levemente e assentiu:

— Sim, foi exatamente o que eu disse.

O Winchester arqueou as sobrancelhas e tomou mais um pouco do café, antes de fitar Natalie de novo e sugerir:

— Ei... Depois que nós resolvermos a situação da Mia, o que você acha de... Brincar um pouco?

Natalie colocou sua xícara sobre a mesa, se inclinou na direção de Dean, tocou seus lábios com um beijo suave e, enquanto o olhava nos olhos e esboçava um sorriso malicioso, respondeu:

— Eu acho uma ótima ideia, Sr. Awesome.

Os dois ainda se olhavam quando um barulho vindo do lado de fora foi ouvido pela sala. Então Kevin levantou da mesa, se aproximou de uma das janelas, viu o Mustang sendo estacionado e Mia saindo em seguida.

— É ela! — exclamou o profeta.

Todos ficaram aliviados e pararam o que estavam fazendo até então. Dean, Natalie e Chloe levantaram dos seus lugares e caminharam em direção à entrada. Eles foram acompanhados por Kevin, Sam e Claire. Bobby caminhou na direção oposta e explicou:

— Eu vou avisar o Cas.

O caçador seguiu por um corredor, em direção à biblioteca, enquanto Mia abria a porta da entrada. Antes que ela pudesse respirar, Kevin e Chloe a abraçaram ao mesmo tempo, fazendo-a recuar um pouco devido ao impacto do gesto e à surpresa.

— Graças a Deus! — disse a hacker, feliz por rever a amiga e, principalmente, por ela ter voltado e acabado com toda aquela preocupação que havia se instalado no bunker.

— Mia, onde você se meteu? — questionou Kevin.

— É bom ver vocês também, pombinhos. — brincou a caçadora dando alguns tapinhas nas costas de ambos. — Bem vindos de volta.

Em seguida, Kevin e Chloe soltaram Mia, que desceu os degraus da entrada com eles, e deu alguns passos a frente, adentrando a sala. Mas em seguida, Mia se deteve e olhou para Sam e Dean parados bem diante dela. Os dois a encaravam com expressões um tanto severas, enquanto Natalie e Claire, ao lado deles, pareciam mais aliviadas do que bravas.

— Não me olhem com essas caras. — pediu Mia fitando todos eles. — Eu só precisava dar uma volta, espairecer, essas coisas.

— Uma volta? — repetiu Dean incrédulo e nervoso com aquela explicação. E depois de cruzar os braços, questionou: — Então essa é a sua desculpa? Você precisava dar uma volta? Simples assim?

— Mia, você saiu há umas... Quinze horas e desligou o celular. — destacou Sam tão inconformado quanto o irmão e em seguida exaltou-se: — Você tem ideia de como nós ficamos preocupados?! Ainda mais depois do seu último encontro com o Crowley?! Você está em dívida com ele, Mia! Ainda tem um exército de demônios lá fora e você resolve sair assim? Para espairecer?!

— Ok, ok! Foi mal. Desculpa... Pai. — disse Mia com certo deboche, olhando para Sam. E fitando Dean, sorriu levemente e completou: — Desculpa também, mãe.

— Você não está no direito de fazer piadas, Mia. — protestou Dean duramente. E se alterando um pouco mais, expôs: — Você mora aqui e, caso não saiba, este lugar possui algumas regras. A primeira delas: não sair feito uma maluca e ficar sem dar notícias por quase um dia inteiro!

— Eu já pedi desculpas. — reforçou a garota, erguendo as mãos em sinal de rendição. Mas em seguida, não resistiu e completou: — O que mais você quer que eu faça? Que eu vá para o tronco levar umas chibatadas?

— O que eu falei sobre não fazer piadas? — rebateu o Winchester mais velho sem gostar do tom debochado de Mia.

— Calma, Sr. Awesome. — pediu Natalie. — O importante é que ela voltou.

— E que ela está bem. — acrescentou Claire, tentando tranquilizar o marido também.

— Mas afinal onde é que você foi? — quis saber Sam ainda nervoso.

Mia desviou dos olhares interrogativos de todos ali e fitou o chão por alguns instantes. Em seguida, respirou fundo e ao reconhecer um certo aroma, olhou na direção da mesa, deu alguns passos a frente e perguntou animada:

— Ai meu Deus, aquilo é café?!

Dean se moveu e ficou na frente de Mia, a impedindo de seguir com o que ela planejava. Então ele a encarou por algum tempo e indagou seriamente:

— Onde você esteve? Por que demorou tanto? E o que andou fazendo?

— São ótimas perguntas. — reconheceu Castiel entrando na sala, seguido por Bobby.

Dean se afastou um pouco, quando viu que o anjo se aproximava a passos largos. Mia, por sua vez, sentiu como se tivesse levado um soco no estômago, tamanha foi a sua surpresa.

Claro que ela sabia que Castiel estaria ali quando ela voltasse, mas vê-lo a fez perceber que ela não estava pronta para responder aquelas perguntas. E principalmente, não estava pronta para se despedir.

Mia tinha consciência de que o anjo não a perdoaria pelo o que ela havia feito. E depois que ela explicasse tudo, se conseguisse, continuar morando no bunker seria insustentável.

Mia não teve tempo de pensar muito sobre essas coisas, porque foi surpreendida por um forte e caloroso abraço de Castiel, que a fez soltar um leve gemido e respirar com certa dificuldade. Imaginando que aquele seria o último abraço entre eles, ela resolveu corresponder à altura e o abraçou fortemente também. Precisava aproveitar cada instante com ele, pois logo tudo estaria acabado.

— Onde você foi? O que aconteceu? — perguntou Castiel sem soltá-la. — Nós estávamos tão preocupados com você, Mia. Eu mais do que todo mundo. Por favor, não faça isso de novo. Nunca mais. — prosseguiu enquanto colocava uma das mãos na cabeça de Mia a trazendo para mais perto de si.

Como resposta, a caçadora escondeu o rosto no ombro do anjo e fechou os olhos. Quando os abriu, sentiu que estavam úmidos. Então olhou para todos na sala por sobre o ombro de Castiel. Notou que as expressões de Sam e Dean já não eram tão sérias. Agora eram confusas e até um pouco piedosas. Certamente porque eles tinham percebido que ela estava prestes a chorar.

Mia mordeu os lábios com força e engoliu a vontade de ceder àquele instinto. Preferia que os Winchester continuassem brigando com ela do que ficassem com pena ou qualquer coisa do tipo.

Enquanto Mia pensava nisso, e se mantinha firme, ela sentiu Castiel diminuir a pressão do abraço até soltá-la completamente e fitá-la um tanto intrigado.

Em seguida, o anjo segurou o rosto dela e olhou profundamente em seus olhos enquanto franzia o cenho ainda mais confuso, como se visse alguma coisa além da garota na sua frente.

Por fim, ele balbuciou:

— Tem alguma coisa...

Mia engoliu em seco e ficou um tanto tensa quando Castiel deslizou as mãos até o seu pescoço. E depois até os ombros, onde parou. Em seguida, ele a olhou de cima a baixo, o que fez todos observarem a cena sem entenderem e Bobby questionar:

— É impressão minha ou está rolando um clima aqui?

De repente, e com um gesto rápido, Castiel abriu o zíper da jaqueta de Mia, deixando todos ainda mais confusos e até assustados.

— Ei! O que significa isso?! — protestou Dean dando alguns passos na direção dos dois. — Vocês vão tirar a roupa na nossa frente, é isso? Escutem aqui, coelhos, se vocês querem fazer alguma coisa ou... Nada, vão para o quarto, ok? Mas depois, porque primeiro a Mia tem que nos explicar direitinho o que aconteceu. Eu não abro mão disso.

Ignorando o que Dean havia dito, Castiel colocou a mão dentro de um dos bolsos internos da jaqueta de Mia. A caçadora fechou os olhos por alguns instantes, deduzindo o motivo por que o anjo estava agindo daquele jeito.

Quando abriu os olhos, ela viu Castiel retirando o saquinho marrom daquele bolso. Todos olharam para aquilo sem entender o que significava, até que o anjo o abriu e retirou de dentro um pequeno frasco de vidro com um conteúdo extremamente brilhante.

Automaticamente, todos olharam para Mia, esperando uma explicação, mas foi Castiel que cortou o silêncio dizendo:

— A minha graça... — e voltando a fitar a caçadora, questionou: — Como isso... É possível? Onde você conseguiu isso? — e adivinhando quais eram as respostas, Castiel ficou extremamente sério, estreitou o olhar na direção da caçadora e pediu: — Por favor, me diga que você não foi atrás do Crowley.

Mia engoliu em seco antes de tomar coragem e responder:

— Eu... Eu fui.

— Você o quê?! — indagou Dean sem acreditar no que tinha ouvido.

— Eu fui atrás do Crowley. Pronto, falei. — reforçou a garota olhando para o caçador, com certa impaciência. E voltando a fitar Castiel, acrescentou se exaltando um pouco: — E antes que você diga qualquer coisa, não, eu não me arrependo. Eu não planejei fazer isso. Quando percebi, eu já estava invocando o infeliz, mas eu faria de novo se fosse preciso. Então se você quiser me odiar por causa disso, tudo bem, vai em frente.

Castiel não conseguiu dizer nenhuma palavra. Ainda estava assimilando o que Mia havia feito e dito. Não sabia o que pensar. Olhava ora para ela, ora para a graça que ele segurava em uma das mãos.

Foi então que Sam resolveu perguntar:

— E o que aquele desgraçado te pediu em troca, Mia? Ele foi mais específico desta vez ou acrescentou isso na lista de favores que você está devendo para ele?

Mia hesitou um pouco, porque no fundo também não acreditava que tinha sido tão fácil recuperar a graça de Castiel, mas por fim respondeu:

— Eu apenas disse que se ele quer mesmo destruir o Metatron, o Cas é a nossa melhor chance. E nós sabemos muito bem que isso não é mentira. — após uma breve pausa, ela acrescentou: — Então ele pareceu se convencer e me entregou a graça.

— Simples assim? — duvidou Bobby. — Você não acha que o Crowley anda fazendo boas ações demais ultimamente? Eu não sei, mas ou ele está querendo um lugar no céu ou está tramando alguma coisa, Mia.

— Por falar nisso, quem garante que ele não fez algo com a graça do Cas antes de entregá-la para você? — indagou Natalie.

— O Crowley me deu a palavra dele. — respondeu Mia, mas como todos a olharam como se ela tivesse sido ingênua demais e caído em um golpe ou algo do tipo, ela foi mais taxativa: — Olha, nós e o Crowley temos um interesse em comum. Isso é um fato. Eu só usei isso a nosso favor. O que ele quer em troca é o mesmo que nós queremos: o fim do Metatron. Só isso.

— Ele pode ter feito você pensar que é só isso o que ele quer, mas não se engane, Mia. Deve ter outra coisa envolvida. Com certeza, isso terá um preço. Sempre tem. — expôs Sam, mais calmo e preocupado com as consequências que aquilo poderia trazer à garota. — O Crowley já nos ajudou em alguns momentos, eu admito, mas isso não significa que nós podemos confiar nele assim, de olhos fechados, sem pensar, sem planejar direito.

— O Sammy está certo. — concordou Dean também mais calmo e ponderando melhor aquela situação. — Você se arriscou demais, Mia. Você não devia ter feito isso. Pelo menos não desta forma.

— Vamos ser realistas? O Crowley era o único que podia ajudar. Vocês sabem disso. — expôs ela fitando os Winchester. E voltando a olhar para Castiel, completou: — O que você esperava que eu fizesse depois do que você me contou? Que eu deixasse você morrer? Foi como eu disse antes, Cas, eu não suporto mais ver as pessoas morrendo a minha volta. Eu não posso aceitar isso... Não posso e não vou.

Claire ficou um tanto incomodada com o que Mia disse porque ela sabia que a garota estava se referindo à morte dela também. Aquela lembrança dolorosa e traumática fez Claire passar a mão pela nuca, sentir um arrepio percorrer o seu corpo e o seu estômago revirar. Mas antes que Sam percebesse que ela não estava muito bem, Claire se recompôs e o ouviu recomeçar:

— Você devia ter nos consultado, Mia. Pensado melhor antes de agir deste jeito. Olha... Eu entendo que você tenha feito isso pelo Cas, e que tenha tido boas intenções, mas nós podíamos ter feito isso juntos. Atraído o Crowley para algum tipo de armadilha, o prendido na masmorra de novo, invocado outros demônios e proposto uma troca, sei lá...

— Com aquele exército de demônios envolvido? — lembrou Mia e Sam ficou pensativo, percebendo que realmente não seria possível ter feito algo assim. — Além disso, mesmo que numa possibilidade remota nós conseguíssemos fazer isso, quem garante que ele não ia descontar na Claire na primeira oportunidade? Olha, não tinha outro jeito, ok? Mas eu não fiz o que fiz só pelo Cas. — então Mia fitou o anjo mais uma vez e explicou: — Sim, eu fiz por amor. Que surpresa! Mas eu fiz por todos nós também, Cas. Porque nós precisamos de você. O mundo precisa de anjos como você. E aqueles anjos perdidos lá fora, e mesmo aqueles que seguem o Metatron, também precisam. Eles precisam de um líder de verdade. Alguém para guiá-los. E eu e você sabemos muito bem que esse líder não é o Metatron.

— Eu não sou um líder. — discordou Castiel, finalmente se pronunciando.

— É sim. — afirmou Mia. — Ou pelo menos vai ser algum dia. — e após uma breve pausa, ela prosseguiu: — Por que você acha que Deus te trouxe de volta tantas vezes? Você é especial, Cas. Você é diferente, você pode fazer a diferença. E o primeiro passo para isso é aceitar essa graça e ficar inteiro de novo. Por favor, agora sou eu que te peço, não morra. Não desista. Não seja teimoso, nem orgulhoso, nem um idiota. Se você quiser ficar com raiva de mim por ter passado por cima de você ou do seu orgulho, tudo bem. Se você quiser brigar comigo, eu estou bem aqui. Mas por favor... Aceite a minha ajuda primeiro. Você sabe que precisa dessa graça e que é o único que pode dar um jeito naquele Transformer maldito, então, por favor, não jogue esta oportunidade fora. Faça a diferença, salve o dia, salve... Todos nós daquele maluco. Por favor.

Castiel se manteve sério e voltou a olhar para o frasco que continha a sua graça. Mia estava odiando aquele silêncio e sofria diante da expressão impassível do anjo. Era impossível adivinhar o que ele estava pensando, como estava se sentindo e o que decidiria.

Aquele mistério e aquela tensão também estavam deixando Sam, Dean, suas esposas, Bobby, Kevin e Chloe aflitos. No fundo, eles sabiam que apesar de ter agido impulsivamente e se arriscado muito, Mia tinha razão. Eles precisavam de Castiel. Agora mais do que nunca.

Além disso, Castiel era mais do que um anjo e um bom soldado, ele tinha se tornado um amigo, parte daquela família maluca. Não era fácil aceitar o fato de que ele estava morrendo. Era impossível, aliás.

Então se, independente dos meios, Mia tinha conseguido recuperar a graça dele, que mal tinha em simplesmente aceitar a graça de uma vez?

No fundo, Castiel se perguntava a mesma coisa e quase sem perceber, começou a se afastar da caçadora e deu alguns passos em direção ao meio da sala. Todos o seguiram com o olhar.

A apreensão cresceu ainda mais e depois de mais algum tempo completamente imóvel, pensando em tudo o que tinha passado desde que Metatron lhe roubou a sua graça, Castiel finalmente abriu a tampa do frasco e deixou a graça sair do recipiente.

A luz extremamente branca e forte, que compunha a graça, parecia ter ganhado vida e começou a se erguer no ar, em direção ao rosto do anjo.

Castiel abriu a boca, permitindo que ela entrasse em seu receptáculo, e logo os seus olhos também ganharam aquela brilho intenso.

Logo todo o seu corpo começou a emanar aquela luz forte também e um ruído agudo e incômodo foi ouvido por toda a sala. Os vidros da janela começaram a trincar, até se despedaçarem no ar, mas nenhum estilhaço atingiu as pessoas ali.

Todos, exceto Mia, tamparam os ouvidos com as mãos e fecharam um pouco os olhos, incomodados com a luz e com o barulho.

Aquilo também incomodava Mia, mas ela não se deu conta disso porque estava mexida demais diante do que os seus olhos estavam presenciando. Estava profundamente aliviada e feliz por ver Castiel inteiro novamente. Finalmente.

Após longos instantes, Castiel terminou de absorver a sua graça e o barulho e a luz se extinguiram. Todos na sala observaram o anjo soltando o frasco vazio no chão e se virando lentamente na direção deles.

Castiel olhou para cada um deles e por último para Mia. Então ele disse:

— Deu certo.

Mia sentiu que seus olhos estavam úmidos de novo, mas conseguiu se manter firme. A vontade que tinha era de correr até Castiel, abraçá-lo e não soltá-lo nunca mais. A vontade que tinha era de dizer o quanto o amava e o quanto estava feliz por ele naquele momento. No entanto, o que ela acabou dizendo foi:

— Que bom. — e após um momento em silêncio, ela começou a caminhar em direção à escada e avisou: — Agora eu vou arrumar as minhas coisas.

Todos se entreolharam confusos e Dean indagou:

— Arrumar as suas coisas? Como assim?

— Mia, o que você pensa que está fazendo? — questionou Sam, a seguindo.

— O que parece? — rebateu ela. — Eu vou embora, gênios. — avisou sem olhar para trás.

Sam parou no começo da escada e todos observaram a garota subindo os degraus às pressas, até sumir do alcance de visão deles. Enquanto seguia pelo corredor em direção ao quarto, Mia finalmente se entregou a vontade de chorar. Ela sabia que agora estava tudo acabado. Castiel podia ter aceitado a sua ajuda, mas nunca a perdoaria por ter passado em cima do seu orgulho e agido sem consultá-lo. Mesmo Sam e Dean não aprovavam o que ela havia feito. Claro que estavam aliviados por Castiel ter recuperado a sua graça, mas não por ela ter ido atrás de Crowley sem consultá-los também. Eles eram um time, e ela tinha preferido agir sozinha.

Ao chegar no quarto, a caçadora pegou uma mala em cima do guarda-roupa e a colocou sobre a cama. A abriu e depois caminhou até o guarda-roupa. Enxugou o rosto com as mãos antes de abrir a porta. Uma avalanche de roupas caiu aos seus pés e ela praguejou baixinho:

— Droga...

Em seguida, Mia se abaixou e começou a recolher as roupas de qualquer jeito, fazendo uma espécie de trouxa em seu colo. Sem muita paciência, ela começou a jogar as roupas na direção da mala sobre a cama.

Até que um barulho de asas foi ouvido pelo quarto e Mia viu Castiel se materializar entre ela e a cama, e segurar no ar um sutiã que ela havia jogado antes, mas que nunca alcançou a mala.

Desacostumada com aquele tipo de aparição, Mia caiu para trás e bateu as costas no guarda-roupa, fazendo com que mais roupas caíssem sobre ela.

Se desvencilhou das peças e ficou olhando para Castiel visivelmente atordoada, já que ele não tinha apenas recuperado a sua graça, mas aparentemente, as asas também...

Enquanto Mia se perguntava como aquilo era possível e por que Castiel tinha ido até ali, o anjo parecia distraído demais com o sutiã em suas mãos, que observava minuciosamente...

Notas finais
Finalmente! Finalmente! Finalmente! O Cas voltou a ser o velho o Cas! Com graça, asas e tudo! Aeeeeeeeeeeee!!!! Felizes? Aliviados? Gostaram? É isso aí, gente! Ele não vai morrer, ok? Pelo menos, não por conta da graça que estava se esgotando... Oi? Calma, tô brincando kkkkkk não pretendo matar o Cas, podem ficar tranquilos! Bem, eu estou supermegahiperblaster aliviada por ter acabado com o mistério e solucionado este problema, mas e agora? Diante deste final e deste sutiã voador, o que vocês acham que vai acontecer? Preparem os lencinhos... Bjs, obrigada pelos comentários no capítulo anterior e inté sábado!