Heaven and Hell
48 Mate-o
Notas iniciais
Era noite e enquanto Charlie e Garth se despediam de Sam, Dean, suas esposas, Kevin, Chloe e Bobby, Mia e Castiel abriam a porta de um quarto de hotel no interior do Kansas. Era para lá que o casal tinha ido depois de deixar o bunker dos Homens das Letras para trás.
O quarto possuía uma pintura clara e móveis bem dispostos na cor tabaco. Era espaçoso e possuía uma enorme e aconchegante cama no centro, além de uma poltrona bonita e confortável ao lado dela. No canto do quarto, próxima a uma janela, havia uma porta que levava ao banheiro. Do outro lado, havia um balcão, duas cadeiras e um frigobar.
Enquanto Castiel colocava a mala de Mia perto do guarda-roupa, ela permaneceu parada na soleira da porta examinando o lugar com um olhar minucioso. No fundo, tentando disfarçar o quão nervosa estava. E sentia-se muito idiota por isso, afinal, por que ela estava tão nervosa? Com certeza, não era por causa da noite de núpcias. Talvez o fato de que tinha se casado com um anjo? Não, definitivamente, Mia já tinha superado o fato de que amava um ser celestial. E por mais que para muitos, aquilo soasse errado e inapropriado, para ela, amar Castiel era a coisa mais certa do universo.
Então talvez ela estivesse nervosa por ter descoberto o que Kevin e Chloe traduziram da Tábua dos Anjos? Não. Surpreendentemente, Mia tinha conseguido enterrar aquele assunto, mesmo que temporariamente, em um lugar qualquer do seu cérebro e estava decidida a não vasculhar aquela área de sua mente tão cedo.
Ao pensar mais um pouco, Mia entendeu por que estava nervosa. Ela ainda não tinha contado para Castiel sobre o seu novo poder: a telecinesia. No fundo, tinha medo que ele a achasse esquisita por causa disso, ou coisa pior.
Quando o anjo se aproximou e parou na frente dela, Mia parou de se torturar com este assunto e olhou para ele. Então Castiel deu um leve sorriso e começou:
— Bem, eu te pegaria no colo e faria como nos filmes românticos, mas... Isso não seria nós, seria?
Mia franziu o cenho sem entender e antes que perguntasse o que o anjo quis dizer com aquilo, ele colocou a mão em seu ombro e, em questão de segundos, ela estava no centro do quarto diante dele. O barulho de asas ainda ecoando em seus ouvidos e uma sensação de frio no seu estômago.
Depois de se recuperar do sobressalto e sorrir, Mia olhou na direção da porta ainda aberta. Então Castiel ergueu a mão e com um gesto rápido fez ela se fechar. Mia voltou a olhar para ele e teve vontade de contar que ela também podia fazer aquilo. Só que diferente de Castiel, o seu poder tinha origem demoníaca. Talvez por isso, Mia achou melhor não tocar no assunto naquele momento.
Então ela respirou fundo e caminhou até o balcão. Viu que sobre ele havia um balde de gelo com uma garrafa de champanhe, recém aberta por um funcionário do hotel que esteve ali pouco antes do casal chegar, e duas taças. Mas ao invés de servir a bebida em uma delas, Mia pegou a garrafa e a entornou na direção da boca. Bebeu generosos goles até notar que Castiel tinha se aproximado e a observava intrigado.
Constrangida, Mia afastou a garrafa da boca e explicou:
— Você não fica bêbado, portanto, é um desperdício te deixar beber isso.
Castiel abriu a boca para dizer que, na verdade, ele podia ficar bêbado. Como de fato ficou há alguns anos, quando descobriu que Deus tinha abandonado o Céu e não dava a mínima para o Apocalipse. Queria explicar que, sendo um anjo, ele precisava de uma quantidade maior de álcool para ficar bêbado, mas que sim, era possível. No entanto, ele achou que aquele detalhe não importava naquele momento, e o que acabou dizendo foi:
— Você quer ficar bêbada na nossa lua de mel?
— Não o suficiente para não me lembrar de cada detalhe. — explicou Mia sugestivamente, bebendo mais um pouco e batucando os dedos sobre o balcão.
— Por que você está tão nervosa? — percebeu Castiel.
Depois de quase engasgar e se recompor, Mia afirmou:
— Eu não estou. — mas ao perceber que não soou convincente, ela admitiu: — Tudo bem, eu estou nervosa. Mas só um pouco. Muito, na verdade.
— E por quê? — quis saber o anjo.
— Porque eu preciso te contar uma coisa, mas não sei como. — respondeu Mia.
— Apenas diga. — incentivou Castiel.
Mia pensou um pouco, respirou fundo e estava decidida a contar de uma vez sobre o seu novo poder. Mas então, ela teve uma ideia melhor e decidiu fazer uma pequena demonstração.
Depois de colocar a garrafa de volta no balde, ela olhou fixamente para os botões do terno de Castiel, fazendo com que o primeiro deles se abrisse. Quando ela abriu o segundo, sem sequer se aproximar dele, o anjo percebeu e deu um passo para trás, confuso e um pouco assustado.
Ele ia perguntar o que estava acontecendo, mas então a resposta lhe veio imediatamente quando ergueu o olhar na direção de Mia.
— Você fez isso? — quis confirmar Castiel, e depois que ela assentiu com um meneio de cabeça visivelmente receosa, o anjo perguntou: — Desde quando você consegue fazer isso?
— Há alguns dias. — confessou a garota e antes que ele retrucasse, ela se antecipou: — Eu sei, eu devia ter contado antes, mas eu não consegui, ok? O importante é que eu estou contando agora, certo? Antes tarde do que mais tarde.
Castiel pensou um pouco enquanto a observava. Ele sabia que não podia julgar Mia por só ter contado sobre aquele poder naquele momento, já que estava escondendo algo dela também. De qualquer forma, a novidade o deixou preocupado e por isso ele ponderou:
— Mia, eu sei que você deve estar empolgada por ter encontrado outra forma de tirar a minha roupa, mas até nós descobrirmos se esse poder te trará consequências, eu não quero que você o use de novo.
— Mas se eu não usá-lo, como vou saber se isso terá consequências ou não? — questionou ela, mas quando Castiel a repreendeu com um olhar, Mia ergueu as mãos em sinal de rendição e se comprometeu: — Tudo bem, eu vou pegar leve.
— Eu agradeço. — falou o anjo, e então voltou a se lembrar do que estava escondendo de Mia.
Ao perceber que Castiel estava um tanto desconfortável, ela estreitou o olhar na direção dele e perguntou:
— E você? Por acaso, tem alguma coisa para me contar?
O anjo engoliu em seco. Sim, ele tinha algo a contar, mas simplesmente não podia. Por outro lado, a ideia de mentir ainda mais, respondendo aquela pergunta de forma negativa, não o agradava nem um pouco. A ideia de que Mia tinha lhe contado algo pessoal e difícil, e que ele não podia retribuir o atormentava.
Por fim, rezando para que Mia se desse por satisfeita com aquela resposta, Castiel disse:
— Sim. Eu tenho algo para te contar, mas, infelizmente, eu não posso fazer isso. Ainda não.
Intrigada, a caçadora questionou:
— Por quê?
— Porque eu estou tentando te proteger e evitar certos... Problemas e complicações. Só o que eu te peço é um pouco de paciência. Assim que possível, eu irei contar tudo, mas até lá eu preciso que você confie em mim, Mia. — argumentou Castiel.
Surpresa, a garota o encarou por alguns instantes. Em seguida, se afastou um pouco e caminhou pelo quarto. Parou e lembrou da tradução da Tábua dos Anjos. Castiel sabia, ela teve certeza. E por mais que Mia quisesse ficar com raiva por ele ter mentido ou dizer que isso não importava porque ela também sabia, ela se deteve. Se deteve porque entendeu que Castiel não queria que aquele assunto atrapalhasse aquele momento especial entre eles. Porque ele estava tentando protegê-la das complicações. Porque era óbvio que Crowley não podia saber sobre aquele selo e porque era óbvio que eles teriam que pensar em um plano B. Mas não ali, nem naquele momento.
Por tudo isso, Mia assimilou o fato de que Castiel sabia, respirou fundo, virou-se na direção dele e assentiu:
— Tudo bem.
— Sério? — surpreendeu-se o anjo, que não sabia se ficava feliz ou desconfiado diante da reação da esposa. — Você não está... Com raiva ou curiosa?
— Com raiva? — repetiu Mia, achando engraçado o temor de Castiel — Não. Curiosa? Sim, com certeza. Mas, se é para o meu próprio bem, eu acho que posso esperar você me contar. Eu confio em você, Cas. Além disso, seja lá o que for, deve ser um baita problema e eu prefiro mesmo não saber agora. Eu não quero que isso nos atinja. Pelo menos, não na nossa lua de mel.
Após um longo momento de silêncio a observando enquanto a desconfiança se dissipava, Castiel assentiu:
— Okay. Faz sentido.
Mia suspirou profundamente, colocando uma pedra naquele maldito assunto. Depois sorriu enquanto se aproximava do anjo, passou os braços em volta do seu pescoço e sugeriu:
— Agora... Que tal falarmos sobre a nossa lua de mel?
Castiel deu um meio sorriso, enquanto segurava na cintura de Mia, e redarguiu:
— Que tal não falarmos mais nada?
— Humm... Mais nada? — interessou-se ela, sentindo a felicidade dominar os seus sentidos e a ansiedade crescer em seu peito.
— Exato. Mais nada. — confirmou Castiel, antes de segurar na nuca de Mia, trazendo o rosto dela para junto do seu, fitá-la por um instante a mais e, por fim, beijá-la com amor.
O beijo foi correspondido imediatamente e logo tornou-se mais envolvente e intenso. Como se soubessem que uma tempestade estava a caminho, Mia e Castiel se entregaram de um jeito diferente àquele momento. Com certa devoção, deixando-se levarem pelo forte sentimento que nutriam pelo outro, sem pensarem nos problemas que os espreitavam nas sombras e sem pensarem sobre o futuro, já que Mia ainda era uma mortal e Castiel um anjo.
O tempo, que a todo momento condenava o futuro daquele romance, não tinha importância agora porque foi como se ele simplesmente tivesse parado.
Então, sem pressa, com muito carinho e guiados pelo desejo que os envolvia e se multiplicava a cada instante em seus corpos e corações, os dois se encarregaram de despir o outro. E de acariciar o outro durante tal tarefa.
Algum tempo depois, Mia finalmente se deitou na cama. Devagar. Castiel se posicionou sobre ela em seguida. E beijou Mia intensamente e sem pressa mais uma vez, enquanto ela o envolvia com suas pernas e acariciava as costas nuas do anjo, subindo em direção à sua nuca e aprofundando o beijo.
Abraços, beijos, carícias, suspiros, leves gemidos e Castiel finalmente invadiu o corpo trêmulo de Mia. E ela o recebeu com todo o amor e desejo que sentia por ele.
Enquanto isso, em algum lugar na mala da caçadora, o seu celular vibrava sem parar. Na tela, um número era exibido: 666.
XXX
Crowley tentou ligar para Mia mais algumas vezes, até que irritou-se profundamente com o silêncio da garota, afastou o celular do rosto e o colocou sobre um balcão de um bar antes de dizer:
— Ela não atende. — depois de pensar um pouco e tomar um gole do uísque recém servido por uma garçonete do lugar, ele olhou para um demônio que estava sentado ao seu lado e insinuou: — Então, vamos fazê-la atender.
— Eu devo ir atrás dela, senhor? — quis saber o soldado com um sorriso maligno. — Talvez trazê-la arrastada pelos cabelos?
— Não. — discordou o Rei do Inferno imediatamente. — A Mia tem que vir por livre e espontânea vontade. Ou melhor... Não tão livre e espontânea vontade assim, mas ela tem que vir com as próprias pernas.
— Então? — indagou o demônio um tanto confuso.
Depois de tomar mais um gole da bebida, Crowley finalmente lhe deu uma ordem:
— Encontre Dean Winchester e mate-o. Eu aposto que quando a Mia souber disso, ela vai querer falar comigo. Mas se ela continuar evitando este momento, nós partiremos para o próximo da lista.
Os olhos do soldado ficaram vermelho sangue ao ouvir aquilo. Em seguida, ele piscou e seus olhos voltaram a cor normal.
— Será uma honra, senhor. — assentiu ele, antes de se levantar e caminhar na direção da saída do bar.
XXX
Algum tempo depois...
Era madrugada, Dean dirigia o Impala por uma estrada e de vez em quando olhava Natalie de soslaio no banco ao seu lado. A loira estava com os braços cruzados, com uma expressão impassível e não havia dito uma palavra sequer desde que ela e o marido saíram do bunker, horas antes.
O Winchester sabia muito bem o motivo e, por isso, decidiu puxar assunto:
— Você vai ficar com esse bico a viagem inteira?
— Eu não estou fazendo bico, seu idiota. — resmungou Natalie, embora fosse exatamente o que ela estava fazendo.
Após um momento de silêncio, Dean recomeçou:
— Olha, eu sei que você está chateada porque o seu carro quebrou, mas pense pelo lado positivo. Você pôde vir comigo em um carro muito melhor do que o seu.
— Obrigada, isso ajuda muito. — redarguiu a caçadora com ironia, olhando brevemente para ele.
— Qual é o problema com o meu carro, afinal? — perguntou o Winchester um tanto ofendido.
Depois de pensar um pouco e soltar um suspiro, Natalie admitiu:
— Nenhum, mas eu prefiro o meu. Só isso. — e depois de uma pausa, questionou: — Aliás, você não acha estranho que o meu bebê tenha quebrado assim... De repente?
Dean engoliu em seco. Aos poucos, um sentimento de culpa o consumiu. Isso porque tinha sido ele que havia dado um jeito do Camaro de Natalie não funcionar. O caçador queria muito a companhia da loira durante aquela viagem e, por isso, mexeu em algumas engrenagens do motor sem que ela visse.
— Não, nem um pouco estranho. — desconversou Dean por fim. — Carros quebram o tempo todo, Naty.
— É, mas de manhã, ele estava completamente normal. Tinindo, como sempre. — destacou a caçadora intrigada.
Tentando encerrar aquele assunto, antes que Natalie desconfiasse dele, Dean se comprometeu:
— Olha, eu prometo que quando nós voltarmos, eu vou dar uma olhada naquela lata velha e consertá-la, ok?
Ainda relutante, a loira acabou assentindo com um meneio de cabeça. Em seguida, se inclinou um pouco para a frente e ligou o rádio. Estava tocando Last Kiss, do Pearl Jam, e Dean não conseguiu deixar de opinar desgostoso:
— Essa música é muito triste.
— E muito bonita. — retrucou Natalie, e quando o marido revirou os olhos, ela acrescentou um pouco nervosa: — Olha, eu daria qualquer coisa para estar no meu carrinho lindo, mas, já que eu não posso, me deixe pelo menos ouvir a música que eu quero, ok?
Dean respirou fundo e assentiu com sarcasmo:
— Sim, senhora.
Então, enquanto ouvia a música, Natalie pegou um jornal sobre o painel e releu uma matéria em uma das páginas. A notícia falava sobre um assalto a um banco na Louisiana e, pelos relatos das testemunhas, tudo indicava que um metamorfo podia estar envolvido no incidente. Era este o primeiro caso que ela e Dean iriam checar.
Depois de colocar o jornal no mesmo lugar, Natalie pegou sua bolsa no banco detrás e retirou um pacote de Skittles de um dos bolsos. Quando viu aquilo, Dean ficou em alerta. E quando a caçadora abriu o pacote, fazendo um ruído irritante, começou a comer aquelas malditas balinhas e algumas caíram pelo chão do Impala, ele disse indignado:
— Eu não acredito que você vai comer no meu carro! Natalie... Você está sujando toda a minha Baby. Olha aí...
Ignorando a reclamação, a loira o fuzilou com o olhar e continuou comendo os Skittles. Dean, por sua vez, respirou fundo e começou a pensar que talvez não tivesse sido uma boa ideia ter armado para que Natalie viajasse no Impala com ele.
No entanto, quando ela se cansou de provocá-lo, guardou o pacote de Skittles no porta-luvas, se aproximou, entrelaçou o seu braço e apoiou a cabeça em seu ombro, Dean mudou de ideia de novo. Natalie Jones era insuportável, porém, mais insuportável era não tê-la por perto.
— Bem que nós podíamos parar no próximo hotel, hein, Sr. Awesome? — sugeriu ela de repente.
— Por quê? Você já está cansada? — indagou Dean.
Natalie revirou os olhos porque ele não tinha entendido o que ela quis dizer com aquilo. Então a caçadora resolveu ser mais explícita. Para isso, deu um beijo suave no pescoço de Dean, o deixando arrepiado, e sussurrou em seu ouvido:
— Um pouco, mas não o suficiente para não quebrar uma cama com você antes de dormir.
O semblante de Dean se iluminou imediatamente. Então ele sorriu, acelerou o carro e questionou animado:
— Por que você não disse isso antes, Baby?
Natalie riu um pouco e voltou a apoiar a cabeça em seu ombro, olhando para a estrada que parecia não ter fim.
Mas, então, algo aconteceu. Muito rápido. O barulho ensurdecedor de uma buzina fez Natalie olhar para a sua janela assustada. A luz forte dos faróis a fez fechar os olhos por um instante.
— Sr. Awesome! Cuidado! — gritou a caçadora desesperada, enquanto segurava o volante, tentando desviar do caminhão que se aproximava em alta velocidade por uma estrada secundária, que cortava aquela.
O esforço foi em vão. Não houve tempo para Dean terminar a manobra. O caminhão acertou a lateral do Impala em cheio, fazendo o veículo rodar na pista antes de capotar duas vezes e parar com as rodas para cima. Estilhaços das janelas se espalharam pelo asfalto e Dean gemeu de dor, imaginando que, de certo, tinha quebrado uma costela.
Pelo retrovisor parcialmente quebrado, ele conseguiu ver o caminhão parado há alguns metros. Estava atravessado na pista.
Dean amaldiçoava o motorista mentalmente, que com certeza devia estar bêbado ou tinha dormido ao volante. Mas então ele viu uma fumaça avermelhada sair por uma das janelas e se dissipar no ar instantes depois. Logo deduziu que um demônio havia batido no seu carro. Não qualquer demônio, mas sim um do exército do Crowley. A questão era: por quê?
Confuso e sentindo muita dor, Dean olhou para o lado enquanto chamava:
— Natalie... Baby? Você está bem?
O caçador ficou preocupado ao ver que a esposa estava desacordada. Tentando, acordá-la, ele tocou o seu rosto, mas seus dedos ficaram tingidos de sangue, o que o deixou ainda mais apavorado.
Dean deslizou a mão pelo pescoço da caçadora e encontrou a origem do sangramento. Natalie tinha um corte profundo no pescoço, além de ferimentos por todo o corpo, já que o caminhão tinha atingido o lado do Impala em que ela estava e por isso, a loira foi mais atingida do que Dean.
— Natalie! Acorda! — gritou ele, aflito com uma possibilidade que passou por sua cabeça.
Para seu desespero, Natalie não respondeu nem se mexeu. Sem conseguir acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo, Dean a chamou mais algumas vezes, segurou em seu ombro e a sacudiu. Não houve qualquer reação por parte da caçadora.
Tentando se acalmar e pensar racionalmente, Dean se livrou do cinto de segurança e conseguiu abrir a porta do seu lado. Se rastejou para o lado de fora, pressionando a região onde acreditava que uma costela tinha se quebrado. Com dificuldade, conseguiu se colocar de pé. Em seguida, deu a volta no carro.
Dean abriu a porta do lado de Natalie, se abaixou e desafivelou o cinto que a prendia ao banco. Em seguida, com cuidado, começou a puxá-la para o lado de fora. Caiu sentado com a caçadora em seus braços instantes depois.
Desesperado, Dean afastou os cabelos do rosto de Natalie, e mais sangue tingiu os seus dedos trêmulos.
— Natalie! Acorda! Fala comigo, Baby! Por favor! — chamou, novamente em vão.
Com dificuldade, o caçador conseguiu tirar a camisa xadrez que vestia por cima de uma camiseta preta. Então, pressionou a peça no pescoço de Natalie, tentando estancar o sangramento, mas isso só fez com que mais sangue jorrasse pelo ferimento, encharcando imediatamente a camisa.
— Você vai ficar bem, Baby... — assegurou Dean com lágrimas nos olhos, enquanto aproximava o rosto e tentava ouvir os batimentos cardíacos da esposa.
Dean não ouviu nada. Também não sentiu a respiração de Natalie. Tudo isso, o deixou ainda mais desnorteado.
Sem saber mais o que fazer, o Winchester a trouxe para mais perto de si e continuou estancando o sangramento. Tentando. Em vão.
— Você vai ficar bem... Tudo vai ficar bem... Você só precisa voltar a respirar, Baby... Você consegue fazer isso... — orientou, relutando em acreditar que Natalie estava mesmo morta. Depois de fechar os olhos com força, ele gritou com toda a força e com toda a dor que o consumia por dentro: — Não! Por favor, não!
Dean já havia perdido muitas pessoas ao longo dos anos. Sua mãe, seu pai, seu irmão, Bobby, amigos. Alguns voltaram da morte, a maioria não.
De qualquer forma, todo aquele histórico de perdas não amenizava a dor excruciante que era perder a mulher que amava. Não amenizava o vazio que Dean sentia naquele momento.
Mas, em dado momento, ele finalmente conseguiu enxergar o que tinha acontecido com mais clareza e uma solução lhe veio à mente. Então, cheio de esperança de que aquele pesadelo poderia ser revertido, ele olhou para cima e chamou:
— Cas! Cas, eu preciso da sua ajuda! Cas! Rápido!
XXX
No hotel longe dali, o anjo sentou na cama imediatamente ao ouvir aquele chamado em sua mente. Tal movimento acordou Mia, que, ao perceber que o anjo ia se levantar, reclamou:
— Ei... Aonde você pensa que vai? Eu só parei para descansar um pouquinho, mas daqui a pouco...
— Mia, — interrompeu Castiel preocupado — aconteceu alguma coisa o Dean. Ele está me chamando. Parece grave.
A garota queria reclamar, queria não acreditar naquilo, queria fazer alguma piada. Mas, algo no olhar de Castiel e, principalmente, por saber que Dean não o chamaria durante a lua de mel se algo grave não tivesse acontecido, a fez assentir:
— Tudo bem, vai.
Quando Mia piscou, Castiel já tinha se levantado e já estava vestido. Quando ela piscou de novo, estava sozinha no quarto.
Logo, o barulho de asas se dissipou e um outro ruído chamou a sua atenção. Depois de olhar tudo em volta, procurando a origem daquele som, Mia fitou a mala no canto do quarto. Em seguida, se levantou enrolada em um lençol e caminhou até ela. Abriu um zíper lateral e retirou o seu celular que vibrava sem parar. O número exibido na tela, 666, a fez estremecer e se perguntar: deveria atender ou não?
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