Heaven and Hell
34 Love Bites
Notas iniciais
Paradise City tocava a todo vapor no Camaro de Natalie, quando ela viu um reflexo em uma das janelas do veículo e virou-se rapidamente, dando de cara com Dean e ficando um tanto sem graça com a proximidade entre eles.
Os dois se olharam por um momento que pareceu durar uma eternidade e a loira reparou que os cabelos do caçador estavam molhados. Logo Natalie deduziu que Dean tinha acabado de tomar um banho. O que indicava que, provavelmente, ele tinha acordado há pouco tempo e que, portanto, ela tinha conseguido exatamente o que queria quando ligou o som do Camaro no último volume: acordá-lo.
— Desliga isso! — ordenou Dean, tentando soar mais alto do que a música.
Esboçando um sorriso sarcástico, Natalie perguntou aos gritos:
— Não me diga que eu te acordei, cupcake?!
— Eu disse para você desligar isso! — reforçou Dean visivelmente impaciente e com uma expressão séria.
— O quê?! Desculpe... Eu não te ouvi! Dá para repetir?! — gritou a loira, fingindo que não tinha entendido apenas para provocá-lo.
Diante da expressão ainda mais séria de Dean, ela ergueu as mãos em sinal de rendição, colocou a esponja com a qual estava esfregando o Camaro até então no capô, virou-se e se inclinou em direção ao interior do veículo, entrando um pouco e apoiando um dos joelhos no banco do carona.
Dean aproveitou aquele ângulo para dar uma boa e libertina olhada para as pernas de Natalie. E aproveitou para olhar para outras partes também.
Então a loira desligou o aparelho de som e segundos depois, ela saiu de dentro do veículo e virou-se na direção de Dean, que rapidamente olhou para o rosto dela, disfarçando o que tinha feito antes.
Então Natalie cruzou os braços e perguntou sem muita paciência:
— Então? O que você quer?
— O que eu quero? — repetiu Dean, arqueando as sobrancelhas levemente. — É uma ótima pergunta. — disse, deixando Natalie confusa.
Depois de travar uma luta interna consigo mesmo, ele decidiu que não iria brigar com Natalie por tê-lo acordado. Ao invés disso, Dean parou de lutar contra o que realmente queria e contra o que sentiu ao ver Natalie daquele jeito, lavando aquela porcaria de carro, com aqueles benditos trajes. E então, sem hesitar mais, ele anunciou:
— Bem... É isso o que eu quero.
Imediatamente, Dean deu um passo a frente, segurou Natalie pela cintura com uma das mãos, a puxando para perto de si, depois segurou firmemente em sua nuca com a outra mão, fechou os olhos e pressionou os seus lábios contra os dela com força.
Surpresa e confusa diante daquilo, Natalie manteve os olhos abertos e tentou afastar Dean a todo custo, batendo em seu tórax e o empurrando. Mas, o caçador era mais forte do que Natalie e a segurou firmemente contra o Camaro, enquanto seus lábios brigavam com os dela à procura de espaço.
Sem conseguir mais resistir, a loira foi desistindo aos poucos, fechou os olhos também e, por fim, cedeu completamente. Assim seus lábios abriram caminho para Dean e suas línguas se envolveram avidamente em seguida. O beijo tornou-se cada vez mais intenso, profundo e desconcertante.
No entanto, quando Dean finalmente afastou o rosto para tomar fôlego, Natalie lembrou de tudo o que tinha acontecido entre eles em Minnesota, se recompôs e perguntou entredentes:
— O que diabos foi isso?
Sem se intimidar com a hostilidade, Dean respondeu:
— O começo.
Natalie franziu o cenho sem entender e ia perguntar o que aquilo significava exatamente, porém não houve tempo. Antes disso, Dean se abaixou um pouco, a segurou pelas pernas e com um movimento rápido e preciso a tirou do chão e a acomodou em um dos seus ombros.
Natalie sentiu o ar lhe faltar por um instante, mas em seguida começou a bater nas costas de Dean e a esbravejar:
— Ei! O que você pensa que está fazendo, seu idiota?! Me coloca no chão! Agora!
Dean não só ignorou o pedido de Natalie, como também deu um meio sorriso sem que ela pudesse ver e começou a caminhar na direção do bunker com determinação.
A loira continuou batendo nele e protestando veementemente durante todo o percurso:
— Dean! Isso não tem graça! Me coloca no chão, seu brutamontes! O que você está fazendo?! Me solta!
Dean entrou no bunker, passou pela sala, subiu a escada. Por mais que Natalie lutasse para se soltar e batesse nas costas dele continuamente, o caçador se manteve firme e caminhou pelo corredor em direção ao quarto que dividia com a loira.
Aparentemente, Dean e Natalie estavam completamente sozinhos no bunker, já que ninguém apareceu apesar de toda aquela movimentação.
Por fim, Dean passou pela porta do quarto, deu alguns passos na direção da cama e colocou Natalie sobre ela. Enquanto a caçadora se levantava rapidamente e se recompunha, o Winchester foi até a porta e a trancou. Em seguida, voltou a se aproximar da loira, parou diante dela e a ouviu questionar ainda mais nervosa e indignada:
— O que significa isso?!
— Eu acho que nós podemos chamar de recaída. — sugeriu o caçador ao lembrar-se do sonho que havia tido momentos antes.
— O quê?! — indagou Natalie incrédula. Instantes depois, finalmente entendendo aonde Dean queria chegar com tudo aquilo, ela esclareceu ainda mais possessa: — Você é um maluco pervertido, Dean Winchester, se acha mesmo que vai acontecer alguma coisa entre a gente dadas as atuais circunstâncias!
— Caso você não tenha percebido, já aconteceu, Baby. Você me beijou. — lembrou ele a olhando de um jeito vitorioso.
— Não! Você me beijou! — acusou Natalie prontamente com um dedo em riste na direção do caçador.
Decidido a não desistir, Dean se aproximou mais um pouco, segurou na cintura da esposa e argumentou cheio de si:
— E você gostou. E correspondeu. É o que importa.
Inconformada, e no fundo tentando lutar contra o que sentia por Dean, Natalie afastou as mãos dele da sua cintura com um movimento brusco e expôs enfaticamente:
— Não, o que importa é que nós estamos brigados, seu convencido! E que eu me lembre, você ainda me deve desculpas por ter ido atrás de mim e feito perguntas sobre o meu passado, quando tudo o que eu te pedi foi um pouco de espaço e privacidade para lidar com um assunto pessoal! Portanto, não vai acontecer o que você acha que vai acontecer porque não tem clima para isso! As coisas não podem ser assim, Dean! Do jeito irresponsável que você quer!
Após um longo momento observando a esposa enquanto pensava sobre o que ela havia dito, o Winchester deu de ombros e, sem qualquer cerimônia, retirou a camiseta que usava e a jogou no chão.
Natalie observou aquilo com profundo espanto, mas também com um desejo inquestionável. Como se não tivesse controle sobre si mesma, ela percorreu o corpo de Dean com os olhos, engoliu em seco, sentiu o seu rosto enrubescer, o seu corpo ficar mais quente e acabou deixando escapar:
— Bem, não dá para negar que isso é um... Argumento e tanto. Um argumento tentador, aliás... Golpe baixo, na verdade...
Dean encarou Natalie de um jeito sugestivo e com um leve sorriso nos lábios. Tentou se reaproximar, mas antes que conseguisse tocá-la, a loira se afastou rapidamente e deu alguns passos em direção à porta enquanto dizia desnorteada:
— Mas, como eu disse, as coisas não podem ser assim, Dean Winchester! Isso não está certo e, portanto, pode tirar o seu cavalinho da chuva porque você não vai me seduzir com esse corpinho e com essa conversa fiada...
Natalie parou de falar, quando Dean a alcançou, segurou em seu braço e a trouxe para junto de si. Ele tentou beijá-la novamente, mas a loira afastou o rosto e perguntou intrigada:
— O que diabos deu em você, afinal?
— Digamos que eu não dormi muito bem. — respondeu Dean evasivamente e em seguida tentou beijar Natalie novamente, porém sem sucesso, já que mais uma vez ela se esquivou com maestria.
— Eu lamento, benzinho, mas isso não te dá o direito de agir como se nada tivesse acontecido entre a gente em Minnesota. — reprovou a caçadora e depois de conseguir se desvencilhar de Dean, ela voltou a caminhar apressada até a porta e acrescentou: — Eu quero sair daqui.
Mais uma vez, o Winchester a alcançou e a virou em sua direção. Deu um passo a frente, fazendo as costas de Natalie irem de encontro a porta e assim a manteve exatamente como ele queria: sem saída, encurralada.
Então Dean estreitou o olhar na direção da esposa e esclareceu:
— Eu te conheço, Natalie Jones. E posso assegurar que sair deste quarto não é nem de longe o que você quer.
— Sério? — indagou a loira e, tentando ganhar tempo e disfarçar o quão arrepiada ficou com a forma como ele disse aquilo, ela questionou: — E o que eu quero, Sr. Sabe Tudo?
— Me deixe te mostrar. — propôs Dean e em seguida segurou Natalie com mais força contra a porta, se aproximou mais um pouco e começou a beijar toda a extensão do pescoço da caçadora.
Sentindo-se arrepiada e desnorteada pela carícia, Natalie segurou nos braços de Dean, fechou os olhos e conteve um gemido. Lutou contra o desejo que sentia e com muito custo conseguiu dizer:
— Você ainda me deve desculpas, Dean Winchester...
— Você também, Natalie Jones. Mas que tal se nós deixarmos as desculpas e toda essa conversa para depois? — rebateu Dean enquanto suas mãos entravam embaixo da blusa que ela vestia e percorriam o seu corpo com afinco.
— Depois? — repetiu a caçadora, sentindo uma dificuldade cada vez maior de resistir às investidas de Dean. — Mas...
Natalie não terminou a frase. Antes disso, o Winchester encontrou seus lábios e a silenciou com um beijo apaixonado. Desta vez, por algum motivo sobre o qual não queria pensar naquele momento, Natalie não tentou se esquivar, nem resistir, nem fugir.
Ao invés disso, ela correspondeu ao beijo prontamente. Logo suas mãos alcançaram o rosto de Dean e os dois aprofundaram ainda mais aquele beijo desconcertante. Ou, como eles pensaram naquele momento, aquele beijo awesome que ficava melhor a cada instante.
Em dado momento, o beijo foi interrompido para que Dean retirasse a blusa de Natalie e jogasse a peça no chão. Em seguida, a loira pulou no colo do caçador e envolveu a cintura dele com suas pernas.
Dean segurou Natalie firmemente e começou a caminhar em direção à cama.
— Minha Baby... — murmurou ele durante o percurso.
— Sr. Awesome... — murmurou Natalie aos suspiros antes de unir seus lábios aos dele mais uma vez.
Por fim, os dois caíram sobre a cama. Se livraram das outras peças às pressas. Se envolveram ainda mais. Se acariciaram avidamente. Se beijaram profundamente inúmeras vezes. E brincaram com intensidade…
XXX
Enquanto isso, Bobby estava na sua antiga casa no ferro velho, acomodado em uma cadeira, de frente para a mesa onde tantas vezes ele passou horas fazendo pesquisas para os Winchester sobre as mais diversas e perigosas criaturas sobrenaturais.
Desta vez, no entanto, ele estava lendo alguns manuscritos dos Homens das Letras, procurando o feitiço correto que possibilitaria a criação de outras facas como a da Ruby.
Bobby tinha separado estes manuscritos antes de sair do bunker, a pedido de Mia, que naquele momento estava sentada em um sofá daquela mesma sala, assistindo um noticiário em uma antiga televisão que Bobby mantinha no lugar.
Castiel estava em uma poltrona ao lado do sofá. Em silêncio, com as mãos unidas e, em alguns momentos, parecia estar procurando alguma abertura para iniciar uma conversa com Mia. Ele olhava para ela e seus lábios chegavam a se mexer, mas nenhuma palavra saiu deles. Mia parecia, propositalmente, distraída com o noticiário e com a garrafa térmica com café em seu colo.
Enquanto isso, na outra extremidade da enorme sala, Kevin e Chloe estavam acomodados de frente para uma mesa, sentados lado a lado, cochichando algo sobre a Tábua dos Anjos, que estava ao lado do notebook da hacker sobre a mesa.
Em dado momento, Kevin procurou um caderno de anotações em uma pilha de papéis, mas não o encontrou. Logo deduziu que, na pressa para sair do bunker, ele tinha esquecido o tal caderno. Nele, o profeta tinha anotado algumas palavras-chaves que ele havia traduzido da segunda parte da Tábua dos Anjos na noite anterior.
Sentindo-se frustrado e um tanto irritado com aquela situação, Kevin olhou na direção de Mia e indagou:
— Será que você pode me dizer por que nós saímos do bunker daquele jeito?
— É uma ótima pergunta. — disse Bobby, interrompendo a leitura dos manuscritos e erguendo o olhar na direção de Mia.
Sem se intimidar com aquilo, ela manteve o olhar fixo na televisão e disse:
— Eu já disse. Eu acho que o Dean e a Natalie precisam de um tempo sozinhos para se acertarem de uma vez.
— Ah! Você acha? — resmungou Bobby e em seguida expôs mal humorado: — E eu acho que com você me apressando daquele jeito, eu deixei metade dos manuscritos que precisava para trás.
— E eu esqueci anotações importantes. — emendeu Kevin inconformado. — Sabe, traduzir a Tábua dos Anjos não é uma coisa simples. Tem muitos símbolos parecidos e para entender o que eles significam eu uso uma área do meu cérebro que eu nem sei como funciona. O que me deixa com enxaquecas terríveis, aliás. E agora eu vou ter que fazer tudo de novo, porque como você praticamente nos arrancou do bunker, eu não tive tempo de passar as palavras-chaves para a Chloe.
— Desculpe. — lamentou Mia ainda concentrada no noticiário. — Mas nós precisávamos sair antes que aqueles dois acordassem, senão eles poderiam desconfiar.
— Você acha que eles não estão desconfiados agora? — questionou Bobby. — Ou que não vão nos encher de perguntas quando nós voltarmos para o bunker?
Mia tomou um gole do café, deu um meio sorriso e ponderou:
— Se deixá-los sozinhos deu certo, quando nós voltarmos para lá, provavelmente os dois ainda estarão no quarto. E no fim de tudo, o Sr. e Sra. Awesome vão nos agradecer por termos dado um pouco de privacidade para eles. Confiem em mim.
Kevin respirou fundo e ia retrucar, mas hesitou quando Chloe segurou a sua mão sobre a mesa, o fazendo olhar na direção dela.
Então a hacker sorriu levemente e propôs aos sussurros:
— Nós podemos continuar quando você estiver com as suas anotações ou... Podemos começar do zero e adiantar o máximo possível esta tradução. E, como incentivo, para cada palavra que você conseguir traduzir ou lembrar o que ela significa, eu te dou um beijo.
Kevin relaxou imediatamente e assentiu empolgado com aquele incentivo:
— Fechado!
Então, sem pensar duas vezes, ele trouxe a Tábua dos Anjos para perto de si e estreitou o olhar sobre aqueles símbolos. Logo disse a primeira palavra para Chloe, que a digitou no programa instalado em seu notebook. Em seguida, conforme prometido, ela aproximou-se do namorado e lhe deu um beijo carinhoso como recompensa.
A cena se repetiu algumas vezes e, por mais que os dois tentassem ser discretos, aquilo chamou a atenção de Mia, Castiel e Bobby.
Um pouco incomodado com o clima de romance no ar, já que isso o lembrava da última vez em que esteve com Jody e de certas coisas que aconteceram entre eles, Bobby levantou da cadeira e anunciou:
— Bem... Eu vou fazer um café.
Os olhos de Mia brilharam ao ouvir aquilo e ela olhou automaticamente para o caçador com um enorme sorriso. No entanto, antes de deixar a sala e seguir para a cozinha, ele foi taxativo:
— Eu vou fazer café para mim. A sua garrafa ainda está cheia, Mia. Você não tem vergonha de mendigar por cafeína assim? Balls!
Automaticamente, a garota desmanchou o sorriso e ficou olhando para a garrafa térmica em seu colo. Depois de sacudí-la um pouco, ela disse baixinho:
— Não está cheia. Está pela metade, idjit.
Castiel sorriu achando aquilo engraçado e ia comentar alguma coisa, quando ele e Mia ouviram Kevin e Chloe rirem. Instintivamente, olharam na direção da mesa onde eles estavam. Acabaram flagrando um beijo entre o casal e, inevitavelmente, se entreolharam um tanto constrangidos, já que desde o evento envolvendo Sophia, um clima estranho tinha se instalado entre os dois.
Incomodada com aquela situação, Mia desligou a televisão, colocou a garrafa térmica sobre a mesinha de centro, levantou-se e avisou:
— Eu preciso de um pouco de ar.
Em seguida, ela caminhou apressada até a saída e Castiel a acompanhou com o olhar. Instantes depois, já do lado de fora, Mia caminhou no meio de alguns carros velhos que havia ali, olhou para o céu e se martirizou:
— "Eu preciso de um pouco de ar"? Que coisa mais estúpida de se dizer, Mia Clarke...
Ao ouvir o característico som de um bater de asas, a garota deteve o passo e virou-se lentamente. Conforme Mia havia imaginado, Castiel tinha se materializado ali e estava parado a cerca de dois metros dela.
Logo Mia percebeu certo incômodo na expressão dele e perguntou-se mentalmente se o anjo também tinha se sentido desconfortável com o clima romântico entre Kevin e Chloe, e se havia se lembrado da última vez em que eles tiveram um momento assim.
Enquanto ela refletia sobre isso, Castiel pigarreou e disse:
— Eu também preciso de um pouco de ar.
Mia cruzou os braços contra o peito e retrucou:
— Mentira. Você nem respira. — mas quando o anjo franziu o cenho um tanto intrigado, ela questionou confusa: — Ou respira? Ai meu Odin... Anjos respiram?
— O que você pretende com isso? — indagou Castiel, estreitando o olhar na direção dela, como se quisesse captar aquela resposta fazendo algum tipo de leitura facial.
Mia desviou do olhar dele por um instante, em seguida voltou a encará-lo um tanto sem graça e sugeriu:
— Aumentar os meus conhecimentos gerais? Ou... Sobre anjos? Conhecimentos sobre... Sistemas respiratórios? — diante da expressão confusa de Castiel, ela suspirou, olhou para o chão e disse baixinho: — Não deu.
Castiel a observou durante mais alguns instantes, antes de se aproximar, parar diante dela e esclarecer:
— Anjos não respiram. Portanto, eu, como anjo, também não respiro. Mas... Ao contrário dos outros anjos que nós conhecemos, eu tenho necessidades que eles não tem. Uma em específico. Algo que eu preciso mais do que qualquer outra coisa no mundo. Esta necessidade, Mia, é você. Portanto, quando eu disse que precisava de um pouco de ar, eu só quis dizer que precisava sair daquela sala e vir até você. Porque é de você que eu preciso. Porque, caso você tenha se esquecido... Eu te amo.
Ao ouvir tudo aquilo, a garota sentiu o seu coração acelerar de imediato, uma onda de adrenalina percorrer o seu corpo e aquecê-lo de uma forma desconcertante e foi como se o ar tivesse lhe faltado subitamente. O que era bem irônico considerando que tinha bastante oxigênio por ali.
Sem saber se as suas palavras sairiam em um tom audível, Mia decidiu dizer óbvio:
— Eu estou aqui, anjo.
Castiel franziu o cenho de uma forma sofrida, a olhou profundamente e discordou:
— Não, não está. — e depois de uma breve pausa, recomeçou: — Fisicamente, você está, mas não é disso que eu estou falando e você sabe muito bem. Por algum motivo, você continua fugindo do assunto, Mia. E, consequentemente, de mim. Você está me evitando, quando tudo o que nós temos que fazer é conversar sobre o que aconteceu e esclarecer certas coisas. Coisas que dizem respeito ao nosso futuro.
De tudo o que Castiel disse, uma palavra em específico fixou-se de um jeito diferente na cabeça de Mia: futuro.
Como pensar no futuro se tudo o que ela sabia naquele momento era que estava em dívida com o Rei do Inferno, que a sua relação com Castiel era mal vista por todos os anjos e que, por conta desta mesma relação, Castiel estava impossibilitado de conseguir a ajuda necessária para colocar Metatron no seu devido lugar?
Como Mia podia conviver com tudo isso, sabendo que, de alguma forma, ela estava atrapalhando Castiel? O impedindo de abraçar a sua missão? O impedindo de abraçar o seu destino que, com certeza, era bem maior e mais importante do que o dela? Como?
Depois de ponderar tudo isso e se convencer de que não adiantaria fugir daquela conversa, Mia respirou fundo, fitou o anjo nos olhos e assentiu:
— Tudo bem. Vamos conversar.
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