Heaven and Hell
50 Final
Notas iniciais
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Sam e Claire continuavam lutando contra o exército de demônios de Crowley, tentando, a todo custo, defenderem o outro e matarem quantos demônios pudessem, mas eles estavam em visível desvantagem e não iriam aguentar por muito tempo.
Por sorte, ou não, Mia finalmente chegou no bar em Lawrence, onde tinha visto Crowley pela primeira vez. Depois de sair do carro às pressas, ela correu pelo estacionamento e logo parou na entrada do lugar. Hesitou ao ver dois seguranças na porta que dava acesso ao bar. Eles a encararam de um jeito enigmático.
— Christo. — arriscou Mia, e logo teve a comprovação que precisava.
Os olhos dos dois homens ficaram totalmente pretos.
— Suponho que você veio até aqui para falar com o chefe. Ou melhor, para se render. — deduziu um deles, se divertindo com a derrota da garota.
— Onde ele está? — rebateu ela, ignorando a provocação.
Os demônios se entreolharem por um instante, antes de empurrarem a porta dupla e darem passagem para Mia. Porém, antes de adentrar o lugar, e com movimentos rápidos e ágeis, a caçadora retirou duas facas contra demônios que trazia presas na cintura e golpeou os dois, perfurando suas gargantas.
Os rostos deles se iluminaram por uma luz alaranjada, e assim que Mia retirou as facas, os demônios caíram mortos no chão.
— Senhor! — gritou outro demônio, que estava dentro do bar, numa tentativa de alertar Crowley.
No entanto, logo Mia golpeou as costas dele e o demônio caiu no chão, morto como os outros dois, enquanto o Rei do Inferno permanecia sentado na frente de um balcão, de costas para a entrada, admirando a Primeira Espada em suas mãos. Muito tranquilo.
Mia caminhou a passos largos na direção dele, com uma expressão impassível e um ódio profundo. Ela podia até se render, mas, certamente, não facilitaria as coisas do jeito que ele estava imaginando.
Enquanto ela lutava com mais um demônio que se colocou na sua frente para defender Crowley, longe dali Claire foi jogada contra o painel de um carro por outro demônio. Sua arma escapou de suas mãos e caiu no asfalto. Quando o demônio estava pronto para pegar a caçadora pelo pescoço, Sam atirou em suas costas. O demônio caiu morto sobre o carro e Claire o empurrou para conseguir descer dali.
Mia, por sua vez, conseguiu matar o demônio com o qual lutava e atingiu outro que se aproximou, o matando também. Assim, só havia ela e Crowley no bar. Era manhã e por isso o estabelecimento ainda não tinha aberto ao público, mas o corpo do dono do lugar jazia no chão. Provavelmente, ele tinha sido morto quando Crowley e aqueles demônios chegaram ali.
Mia não conseguia acreditar que Crowley permanecia de costas para ela. Era a oportunidade ideal para tentar alguma coisa. Decidida, porém desconfiada, ela se aproximou e ergueu as duas facas no ar. Mia ia acertar as costas do Rei do Inferno, quando ele se virou rapidamente e, fazendo um gesto com a mão, lançou a garota para o outro lado do bar.
Mia gemeu de dor ao se chocar com a parede e depois com o chão. As facas tinham escapado de seus dedos e se perdido embaixo das mesas. Sentindo um ódio ainda maior, ela ergueu o olhar na direção de Crowley, que mostrou a Primeira Espada em sua mão e finalmente se pronunciou:
— Neste exato momento, meus soldados estão atacando o Moose e a sua respeitável esposa. Se renda, eu suspendo o ataque e eles podem fazer um bebê Moose algum dia, ou continue dando este showzinho de heroína indignada e se prepare para chorar pelas mortes de Kevin Tran e Chloe Lee também.
Mia sentiu o seu sangue gelar nas veias. Ela sabia que Crowley não estava brincando. Sabia que não podia arriscar.
Mesmo assim, numa tentativa desesperada de lutar por sua liberdade e pôr um fim em tudo aquilo, Mia tentou mover a Primeira Espada com o poder da sua mente. No entanto, quando a espada tremeu em sua mão, Crowley a segurou com mais força e provocou:
— Usando os seus poderes contra mim, Sweetie? Quanta ingratidão.
Longe dali, na estrada em Missouri, um demônio conseguiu render Sam, aproveitando-se de um momento em que o caçador estava defendendo Claire de um grupo de demônios. Em seguida, o tal grupo também rendeu a caçadora, colocando os dois de frente um para o outro. Depois disso, eles chutaram as armas e facas dos caçadores para longe.
Então, um dos demônios segurou no pescoço da caçadora com força e Sam tentou se desvencilhar do outro que tinha lhe rendido. Em vão. Ele gritou para que o demônio soltasse Claire, enquanto outros demônios se aproximavam. Logo, ele perdeu a voz ao ter o seu pescoço envolvido por mãos duras e cruéis.
No bar em Lawrence, Crowley deu o ultimato:
— Sam Winchester e Claire Singer irão morrer em 3, 2...
— Pare! — gritou Mia desesperada, o interrompendo.
O Rei do Inferno aproximou a Primeira Espada dos lábios, a fim de transmitir uma mensagem para os seus soldados. Mas antes ele precisava que Mia dissesse uma coisa, que ela cumprisse a sua parte no acordo. E isso logo aconteceu, quando ela deu alguns passos à frente e, com profunda desolação, finalmente disse:
— Eu me rendo.
Crowley sorriu com certa satisfação e exigiu:
— De joelhos.
Mia o fitou com ódio, antes de fazer o que ele tinha ordenado e se colocar de joelhos.
— Eu me rendo, Crowley. — repetiu ela. — Agora, deixe eles em paz.
Após um longo e torturante momento de silêncio, o Rei do Inferno sussurrou para a Primeira Espada:
— Abortar.
No mesmo instante, todos os soldados demoníacos que haviam possuído aquelas pessoas na estrada em Missouri ouviram a mensagem. Em seguida, Sam e Claire foram soltos e os demônios se afastaram.
Confusos, os dois tossiram, recuperando o ar e se entreolharam. Depois disso, se aproximarem e checaram se o outro estava ferido. Por sorte, Sam e Claire tinham sofrido apenas ferimentos superficiais.
Antes que eles falassem qualquer coisa, algo chamou suas atenções. Sem entenderem mais nada, Sam e Claire viram os demônios abandonando os corpos daquelas pessoas, as fumaças vermelhas cortando o ar e seguindo rumo ao horizonte.
Um barulho de asas fez os dois olharem para trás e se depararem com Castiel.
— Sinto muito por não ter aparecido antes. — desculpou-se o anjo, um tanto pálido, apoiando-se em um dos carros.
— Cas! — exclamou Sam preocupado, aproximando-se dele, seguido pela esposa. — Você está bem?
— O que aconteceu? — indagou Claire.
— A Mia... Ela foi atrás do Crowley. — contou Castiel. — Ela sabe sobre a Tábua dos Anjos.
— O quê?! — indagou o casal ao mesmo tempo, surpresos diante do relato.
— Eu tentei impedir e ela... Ela... — Castiel não conseguiu terminar a frase, mas Sam e Claire imaginaram o que tinha acontecido.
— Sinto muito, Cas. — lamentou o caçador, colocando a mão no ombro do anjo.
— Nós vamos consertar as coisas. — assegurou Claire. — Você sabe onde a Mia ia encontrar aquele desgraçado?
Castiel balançou a cabeça negativamente, antes de responder:
— Seja lá onde for, eu não consigo encontrá-la. O Crowley deve ter espalhado sigilos enoquianos pelo lugar porque eu, simplesmente, não consigo sentir onde a Mia está.
Após um longo momento de silêncio, e embora não soubesse quando e como eles fariam aquilo, Sam falou:
— Não importa, nós vamos dar um jeito mesmo assim. Nós vamos trazer a Mia de volta, Cas. Custe o que custar.
Embora não soubesse por onde começar, o anjo assentiu. Em seguida, os três ficaram olhando os inúmeros corpos e o cenário apocalíptico que os cercavam.
Algum tempo depois...
Ainda de joelhos perante Crowley, Mia confessou:
— Eu não entendo. Por que você precisa de mim, afinal? Se era pela informação, eu poderia contar por telefone. Qualquer um poderia, aliás. Mas... Você queria que eu viesse, você precisava que eu viesse. Por quê? O que você quer comigo, afinal, Crowley? Por que você não me matou naquele dia, em Maryland, quando teve a chance?¹ Por que você desperdiçou cada chance que teve de me matar até hoje? Por que você precisa de mim?
Após observá-la por algum tempo, Crowley orientou:
— Levante-se.
Mia o encarou com certa desconfiança, antes de acatar a ordem e ficar em pé. Crowley fez menção de tocá-la no rosto, mas a garota recuou, dando um passo para trás.
Então o demônio abaixou a mão e começou a explicar:
— Embora você não acredite, tudo o que eu fiz a você até hoje foram testes. Testes para que você descobrisse a sua força, a sua capacidade de ressurgir das cinzas, para desenvolver os seus poderes, para aprimorá-los, para te preparar para o futuro que se aproxima, Mia. E você passou em todos esses testes. Com louvor, eu diria. Você está no caminho certo para se tornar a minha melhor soldado.
— Você tem razão, eu não acredito em uma palavra do que você está dizendo. — retrucou ela, um tanto assustada.
— Você não era a única. — prosseguiu Crowley. — Havia outros e outras como você lá fora. Com o meu sangue. Mas, digamos que eles não eram fortes o suficiente.
— Você contaminou mais pessoas com o seu sangue? — indagou a caçadora, enojada ao ouvir aquilo.
— Eu presenteei mais pessoas com o meu sangue. — corrigiu Crowley. — Mas, aparentemente, apenas você é digna de usufruir de todo o poder que esse sangue é capaz de conceder.
— Que sorte a minha, não? Compatível com um demônio. Legal, pelo menos eu sei quem devo procurar se um dia eu precisar de um transplante. — resmungou ela com ironia. — E por que diabos você fez isso? Me perdoe pelo trocadilho. É força do hábito.
Crowley sorriu de um jeito enigmático, deu as costas para Mia e caminhou até o balcão. Serviu-se de mais uísque e ergueu a garrafa, num gesto de oferecimento. Mas quando Mia o fuzilou com o olhar, ele deu de ombros, se reaproximou com o copo em mãos e retomou a explicação:
— Eu comecei por baixo, você já deve saber disso. Mas, mesmo quando eu era um demônio de encruzilhada, eu sempre tive uma meta. Tudo o que eu fiz até hoje, inclusive minha campanha para tirar Lúcifer do caminho, tinha um propósito. E a informação que o Kevin extraiu daquele artefato, que eu te entreguei oportunamente, vai me ajudar a atingir este propósito. Mas, certamente, quando o Inferno ascender, eu vou precisar de ajuda para... Administrá-lo.
Chocada com aquelas revelações, Mia indagou:
— Por favor, não me diga que você vai me oferecer um cargo no Inferno? Porque se for isso, eu dispenso. Aliás, só sendo muito burro e sádico para achar que eu me aliaria a você algum dia. Eu nunca vou te ajudar, Crowley. Nunca.
— Você? A Mia bobona? Não. A outra Mia? A interessante? Esta, com certeza, vai gostar da ideia. — retorquiu Crowley, fazendo a garota franzir o cenho.
— Outra Mia? Do que você está falando? — questionou ela confusa.
— Você já deve ter ouvido falar que todo mundo tem o seu lado bom e o seu lado ruim, certo? — prosseguiu o Rei do Inferno. — E eu sei que cada vez que você usa os seus poderes, você sente o seu lado... Maligno ganhar mais força. Esse lado, Mia, sou eu. É o meu sangue te dominando. E quando este lado se sobrepor ao lado bonzinho, fraco e patético, é a mim, e somente a mim, que você será leal. E então, eu e você, juntos, vamos construir o Inferno perfeito.
Assustada com tudo aquilo, Mia começou a caminhar em direção à porta e avisou:
— Eu quero sair daqui.
Imediatamente, Crowley fechou a porta dupla, movendo uma das mãos, e Mia virou-se para olhá-lo de frente.
— Desculpe, mas isso não será possível. Você se rendeu, lembra? — recordou ele.
Depois de soltar um suspiro de nervoso, Mia articulou com raiva na voz:
— Escuta aqui, seu desgraçado, eu só me rendi para proteger aqueles que eu amo! E eu tinha uma vaga ideia do que você planejava, mas agora que percebi que a coisa é bem mais grave do que eu imaginava, eu estou fora! E se você quiser me matar, ou matar quem quer que seja para me pressionar, vai em frente. Eu não vou colocar o meu bem estar, dos meus amigos nem o do... Cas acima do bem maior, acima das vidas inocentes que esse seu propósito vai custar. E tem mais, não importa o quanto você me torture, eu não vou contar o que o Kevin descobriu sobre o selo que você quer tanto quebrar! Eu me rendi, Crowley, mas agora eu estou decretando a minha liberdade! Pegando-a de volta!
Dito isso, Mia voltou a caminhar na direção da porta. Não fazia ideia do que estava planejando, mas não podia fazer parte daqueles planos do Crowley. Preferia morrer antes de se aliar a ele.
Antes que Mia alcançasse a porta, uma força atingiu o seu corpo e a arrastou em direção a uma cadeira. Instantes depois, a garota se viu sentada nela e incapaz de se levantar. Então, Mia voltou a olhar para Crowley, que relembrou:
— Como eu disse, isso não será possível. Você se rendeu, Mia. Não tem volta. Mas, não se preocupe, eu tenho certeza que eu vou encontrar um jeito de te fazer contar o que sabe. Na verdade, eu só preciso de um bom e poderoso feitiço para isso. Para fazer o seu lado interessante se sobrepor. Sorte a minha que a vadia da minha mãe era uma bruxa e me ensinou algumas coisas.
Apavorada com aquela possibilidade, Mia tentou se mexer e levantar, mas todo o esforço que fazia era inútil.
Fuzilando Crowley com o olhar, ela o observou se aproximar do balcão, se sentar em um dos bancos e dizer:
— E quando eu fizer isso, acredite, você vai implorar para tomar um drink comigo.
Mia estreitou o olhar na direção dele e disse entredentes:
— Nunca.
— Nunca diga nunca, Sweetie.
Uma semana depois...
Eram nove horas da manhã e Dean estava embaixo do Impala, terminando de consertar o veículo, quando reconheceu Natalie, pelas pernas, se aproximando. A loira tinha saído do bunker e caminhava até onde ele estava. Então, depois de soltar um suspiro profundo, o caçador saiu de debaixo do carro, levantou e esperou ela parar diante dele.
Ao fazer isso, Natalie cruzou os braços contra o peito e questionou um tanto sem graça:
— Por quê?
— Por que o quê? — não entendeu o Winchester.
Relutando um pouco em dizer aquilo, Natalie acabou falando:
— Por que você não me acordou daquele... Jeito que você me acorda todas as manhãs? Por que não fez isso hoje... Ou ontem? Ou... Nunca mais?
Um tanto desconfortável, Dean tentou responder:
— Eu não sei. Eu só... Eu não sei. Desculpe.
Depois de soltar um suspiro de impaciência, Natalie retrucou um tanto alterada:
— Sabe o que eu também não sei? O que eu não consigo entender? Que eu voltei da morte e ao invés do homem que eu amo me tratar com mais carinho, ele simplesmente passa a me evitar o todo tempo.
— Isso não é verdade. — protestou Dean, embora soubesse que era exatamente isso que ele estava fazendo, mesmo que fosse sem a intenção de magoar Natalie.
O fato é que ele tinha tomado uma decisão, mas não conseguia expor isso para a esposa. Então Dean simplesmente evitava qualquer conversa ou contato com ela.
Porém, percebendo que Natalie aguardava e merecia uma explicação, ele respirou fundo e disse cheio de culpa:
— Você morreu por minha causa. E isso está... Acabando comigo.
Depois de fitá-lo com certa compaixão, Natalie se acalmou e articulou:
— Você teve a infeliz ideia de quebrar o meu carro para que eu fosse com você e uma fatalidade aconteceu. Eu não te culpo, Sr. Awesome, mas se isso vai te fazer se sentir melhor... Eu te perdoo. Agora, vamos colocar uma pedra nesse assunto e recomeçar de onde nós paramos.
Após um longo momento a observando seriamente, e pensando em tudo o que sentia diante do que tinha acontecido, Dean respondeu:
— Eu não posso. Eu sinto muito.
Sem saber como terminar aquela conversa, e sem querer magoar Natalie ainda mais, Dean começou a se afastar.
A loira o seguiu com o olhar e questionou com os olhos um tanto úmidos:
— O que você quer dizer com isso?
Dean parou. Hesitou. Pressionou os olhos com força, antes de abrí-los de novo e olhar para o céu por um instante. Sabendo que não podia mais adiar aquele momento, ele virou-se na direção de Natalie e finalmente disse:
— Eu e você... Não vai dar certo. Não mais. Eu sinto muito, Natalie, mas... Acabou.
Recebendo aquelas palavras como uma facada em seu peito, Natalie fez um esforço para não demonstrar a dor que sentiu e apenas repetiu:
— Acabou?
— Sim. — assentiu Dean, também disfarçando como era doloroso dizer aquilo. — Eu não quero que você me perdoe, Natalie. Eu quero que você me esqueça e vá embora porque... Se você ficar, vai acontecer de novo.
— Você não tem como prever isso. — retrucou ela inconformada.
— Eu não quero correr o risco. — rebateu ele, sentindo um aperto no coração porque teve certeza que estava magoando Natalie e era a última coisa que ele queria, porém não tinha outro jeito.
Sentindo aquela dor se transformar em mágoa e raiva, a caçadora engoliu em seco, conteve a vontade de chorar e, antes de passar por Dean e esbarrar com força no ombro dele, ela resmungou:
— Eu sempre soube que você era um idiota mesmo, Dean Winchester. Mas covarde? Essa é nova.
Dean sentiu-se péssimo ao ouvir aquilo, o pior dos homens da face da Terra. Ele quis ir atrás de Natalie e dizer que não estava falando sério, e beijá-la e fazer as pazes, mas não podia fazer isso. Não conseguia, não era justo. Aquela era a decisão certa, por mais doloroso que fosse. Ele não podia voltar atrás. Tinha que deixar Natalie livre de qualquer compromisso com ele. Só assim ela teria alguma chance de sobreviver.
XXX
Era noite e Crowley estava em um bar no interior do Colorado. O lugar ficava próximo a uma encruzilhada e alguns demônios, que estavam ali, seduziam os clientes, lhes oferecendo pactos. Muitos deles, concordavam em ir para o lado de fora e realmente vendiam suas almas na encruzilhada.
De repente, alguém entrou no bar e Crowley, mesmo de costas, sentiu quem era e sorriu. Logo, Mia, que trajava um vestido preto e curto com botas até os joelhos, aproximou-se, puxou uma cadeira e sentou ao lado dele.
— Não vai me oferecer uma bebida, chefe? — perguntou ela em seguida.
— Claro, Sweetie. — assentiu Crowley, lhe empurrando a garrafa de uísque, que Mia entornou, bebendo generosos goles.
Só então o Rei do Inferno reparou melhor nela. Mia, que até o dia anterior tinha os cabelos castanhos, agora exibia um tom mais claro, quase loiro.
— Eu gostei da mudança. — elogiou ele. — Combina mais com a nova Mia.
— Obrigada, eu sabia que você ia gostar. — agradeceu ela satisfeita e sorrindo levemente. — Mas agora, vamos falar sobre os negócios. — recomeçou, depois de se ajeitar no banco, ficando de lado. — Você já sabe como nós vamos quebrar aquele selo e expandir nossas fronteiras?
Crowley observou Mia por algum tempo, profundamente satisfeito por ter conseguido subjugar o lado fraco da garota e feito o lado mais parecido com ele se sobrepor. Isso seria muito importante para os seus planos. Então, depois de tomar um gole do uísque, ele respondeu:
— Na verdade, eu tenho algumas novidades. Mas, provavelmente, um anjo chamado Castiel e seus amigos vão tentar nos impedir.
— Castiel? Que nome engraçado. — divertiu-se Mia. — Bem, o que eu posso dizer? Se esse Castiel vier, nós lidaremos com ele.
Crowley sorriu e encostou o copo na garrafa da garota, brindando àquilo.
Continua...
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