Notas iniciais
Oi, geeeeeeente! (voz de Eli Corrêa) Desculpem o tamanho do capítulo. Eu tento respeitar o que o Nyah indica (máximo de 4000 caracteres), mas às vezes, eu me empolgo e sacomé né? Mas garanto que o capítulo não ficou cansativo. Estava com saudade de escrever capítulos com um pouquinho de cada casal e achei que este ficou muito legal. Modéstia à parte, ok? kkkk Espero que gostem!

Eram sete horas da noite e Claire estava no quarto, separando algumas peças de roupa, para a viagem até Washington D.C, e as colocando dentro de uma grande mochila, que costumava usar quando ia caçar.

Ninguém esperava que ela, Natalie, Mia e Bobby tivessem que caçar alguma coisa quando chegassem no destino final, já que tudo o que eles precisavam fazer era recuperar a Tábua dos Anjos, mas talvez Metatron ou alguém de sua confiança pudesse surpreendê-los e os quatro deviam estar preparados para um possível confronto.

Por este motivo, além das roupas, Claire colocou duas armas em um dos bolsos da mochila, uma com balas comuns e outra com balas contra anjos. Também checou alguns itens que nunca saíam dali como a água benta e balas de sal e de prata.

Claire esperava que não fosse preciso utilizar nada daquilo, mas uma coisa que aprendeu sendo caçadora é que devia estar pronta para enfrentar o mal onde quer que ela fosse.

Além disso, se Claire deixasse qualquer uma daquelas coisas para trás, Sam ficaria ainda mais preocupado com ela. Já era difícil para ele vê-la caçando, então ela tinha que pelo menos estar preparada para o que pudesse surgir no seu caminho.

O barulho da porta abrindo, fez a caçadora olhar para trás. Ela sorriu ao ver Sam entrando no quarto e em seguida voltou a arrumar a mochila enquanto falava:

— Por favor, não me diga que você veio até aqui para me encher de recomendações.

O Winchester fechou a porta atrás de si, se aproximou da cama e sentou perto da mochila da esposa. Só então respondeu:

— Não. Na verdade, eu vim para dizer que... Eu acho que devo confiar mais em você.

Um tanto desconfiada, Claire o encarou por alguns instantes antes de perguntar:

— E esta súbita confiança não tem nada a ver com o fato do meu pai ir junto nesta missão, tem?

— Não. — respondeu o Winchester, mas como percebeu que Claire não parecia convencida, acrescentou: — Tudo bem, eu confesso que me sinto melhor sabendo que o Bobby vai estar com você, mas independente disso, eu acho que devo confiar mais na caçadora que você é, Claire. Nós passamos um tempo separados, você caçou sozinha e sobreviveu muito bem sem mim, então eu acho que devo me lembrar disso e tentar ser menos...

— Paranóico? — sugeriu a garota sem conseguir conter um leve sorriso de deboche.

— Protetor. — corrigiu Sam.

— Super protetor. — frisou ela.

— Que seja. — murmurou o caçador dando de ombros e em seguida observou Claire se aproximar e se sentar ao seu lado. — Mas você sabe por que eu sou assim, não sabe? — recomeçou ele. — Eu quero dizer... Você conhece o meu histórico com mulheres e a forma como... Algumas delas acabaram.

Prontamente, Claire entendeu que Sam estava se referindo à Jessica e talvez à Madison. Então ela suspirou profundamente, colocou uma das mãos sobre o joelho direito dele e assegurou:

— Sam, eu não vou morrer. — mas após uma pausa, ressaltou: — Bem, pelo menos não tão cedo.

— Não tem graça. — protestou ele, embora Claire não tivesse dito aquilo em tom de brincadeira.

— Isso não é uma piada. Todo mundo morre algum dia. — explicou a caçadora.

Sam refletiu um pouco e acabou dizendo quase que sem perceber:

— Então me prometa que você não vai morrer antes de mim.

Claire franziu o cenho e suspirou incrédula diante do absurdo que tinha ouvido. Com um impulso, ela se levantou da cama, mas antes que pudesse se afastar, Sam voltou a si, percebeu que não podia pedir aquele tipo de coisa para alguém, segurou a mão da esposa e tentou corrigir:

— Claire, me desculpe.

Ela soltou a mão do caçador, ficou de frente para ele e cruzou os braços antes de questionar:

— Você disse que ia confiar mais em mim. É deste jeito que você pretende fazer isso? Achando que eu vou morrer a qualquer momento? Me pedindo para não morrer? Como se eu não soubesse cuidar de mim mesma? Como se morrer depois de você fosse alguma vantagem? Isso é tão egoísta, Sam...

— Eu já pedi desculpas. — reforçou ele um tanto impaciente.

Mas Claire ainda estava indignada e despejou:

— Olha, eu não estou indo para uma guerra. Eu só vou ajudar a Mia a encontrar aquele maldito artefato. O que pode dar de tão errado nisso?

— Muita coisa. — respondeu ele temendo que Metatron tivesse alguém de sua confiança na biblioteca ou que ele mesmo aparecesse por lá de vez em quando, para verificar se a Tábua dos Anjos ainda estava segura. Porém, ao perceber que Claire se ofendeu com aquilo, Sam tentou amenizar: — Mas não vai. Vai dar tudo certo porque você é capaz de fazer isso. Todos vocês são. Você está certa, Claire... Eu devo ser mesmo paranóico. Mas eu não quero brigar com você por causa disso.

Aos poucos, ela se acalmou por ter ouvido aquela explicação, e depois de algum tempo disse:

— Ótimo, porque eu também não quero pegar a estrada brigada com você. Ainda mais por causa de uma besteira dessas.

Sam ia abrir a boca para dizer que a segurança de Claire não era uma besteira para ele, mas desistiu em seguida. Preferiu ficar calado já que sabia que reiniciar aquela discussão não ia dar em lugar algum. Além disso, Sam se lembrou do que havia dito antes. Que devia confiar mais em Claire. E lembrou também daquilo que ela o chamou. De paranóico.

Ao pensar nessas coisas, ele ergueu o olhar na direção dela e percebeu que a esposa olhava para um ponto qualquer do chão, possivelmente por estar se sentindo um tanto desconfortável com aquele clima estranho que se instalou entre os dois.

Querendo colocar um ponto final em tudo aquilo e aproveitar o tempo que restava antes de Claire pegar a estrada com os outros, Sam esticou as mãos em sua direção e segurou com cuidado em sua cintura. Então a trouxe lentamente para mais perto dele.

Claire não se opôs àquela proximidade, mas ainda relutou um pouco antes de voltar a olhar nos olhos de Sam.

Por fim, ela se aproximou mais um pouco, se posicionou entre as pernas dele e começou a acariciar os seus cabelos calmamente. Não conseguiu mais se conter e sorriu levemente enquanto continuava o encarando.

Instantes depois, segurou o seu rosto, debruçou-se em sua direção e tocou os seus lábios com carinho, enquanto Sam tentava abraçá-la. Desistiu quando sentiu uma das mãos de Claire em seu peito, o empurrando sutilmente e o induzindo a se deitar na cama. Foi exatamente o que Sam fez, sem hesitar.

— Sam Paranóico. — debochou a caçadora enquanto se posicionava sobre ele.

— Claire... Não tem graça... — protestou o Winchester, mas antes que ele pudesse continuar, foi calado pelos lábios dela mais uma vez.

Então, ele esqueceu-se completamente da pequena discussão de momentos antes e segurou o rosto de Claire entre as mãos. Suas bocas se envolveram avidamente.

Algum tempo depois, Sam se impulsionou e conseguiu inverter as posições entre os dois. Interrompeu o beijo e admirou o sorriso de Claire por algum tempo. Não demorou para que se beijassem novamente, enquanto suas mãos percorriam livremente os corpos um do outro...

XXX

Enquanto isso, Natalie estava no seu quarto terminando de arrumar uma bolsa de viagem com algumas roupas e itens de higiene pessoal. Os itens de caça, estavam em uma mochila que ela já havia colocado no Camaro.

Quando acabou de arrumar o que precisava naquela bolsa, que estava sobre a cama, a loira fechou um grande zíper ao mesmo tempo em que Dean entrava no quarto.

— Sr. Awesome! — exclamou ela olhando na direção dele. — Que bom que você está aqui. Eu preciso mesmo de um idiota para levar essa bolsa pesada até o meu carrinho lindo, e ninguém melhor do que você para fazer isso por mim, não é?

— Eu também te amo, baby. — resmungou Dean enquanto a loira observava algo que ele estava fazendo.

— Ei, por que você está trancando a porta? — questionou a caçadora.

Dean deu alguns passos até ela, sorriu com certa malícia e rebateu:

— É uma pergunta retórica?

Imediatamente, Natalie entendeu qual era a intenção do caçador. Então ela cruzou os braços contra o peito e arqueou as sobrancelhas ao dizer cheia de si:

— Oh... Entendi. Você quer se despedir em grande estilo porque depois que eu sair por aquela porta, vou passar sabe-se lá quantos dias fora e você vai morrer de saudade de mim, não é?

Dean se jogou na cama e flexionou os braços atrás da cabeça antes de retrucar:

— Na verdade, eu pensei em te deixar desfrutar mais um pouco da minha companhia porque eu sei que é você que vai morrer de saudade de mim.

Natalie riu com deboche e disse:

— Eu admito, eu vou sentir falta do seu senso de humor.

Um tanto impaciente, Dean ordenou:

— Ok, Natalie Jones, chega de enrolar e tira logo essa roupa. Eu sou o seu marido e tenho os meus direitos.

— Ah! E vou sentir falta do seu romantismo também. — ironizou a loira.

Dean respirou fundo e fechou os olhos por alguns instantes. Depois decidiu mudar de estratégia, sorriu para ela mais uma vez e bateu a palma da mão na cama, indicando o lugar vazio ao seu lado.

— Tudo bem. Vem aqui, baby. Deixa eu mostrar o meu romantismo. — pediu Dean de uma forma gentil e sugestiva.

— Humm... Assim está melhor. — aprovou Natalie se aproximando dele em seguida. Depois de deitar ao seu lado, apoiada em um dos braços do caçador, ela desafiou: — Mostra.

— Eu sei que você está ansiosa por isso, mas antes eu tenho que dizer uma coisa importante. — anunciou Dean.

Natalie respirou fundo e se afastou um pouco. Deitou de uma forma que pudesse olhar para o teto e resmungou:

— Vai começar.

— Ótimo, parece que alguém já sabe exatamente o que eu vou dizer, então eu serei breve. — continuou Dean depois de se aproximar da loira de modo que pudesse olhar para o seu rosto. — Não faça nada estúpido. Do tipo... Ir para o Inferno por minha causa. — pediu.

— Convencido. — disse a loira baixinho enquanto evitava o contato visual.

— Porque se algo assim acontecer de novo, eu não vou ter outra escolha a não ser ir atrás de você mais uma vez. Até o fim do mundo. E sabe por quê? — quando Natalie finalmente o fitou nos olhos, Dean respondeu: — Porque eu te amo, sua insuportável. Então... Tome cuidado, faça o seu melhor e volta logo, ok?

Natalie observou Dean de uma forma carinhosa enquanto o seu coração batia mais forte sob o efeito daquelas palavras. Em seguida, ela trouxe o rosto do Winchester para junto do seu, o beijou com calma e depois retribuiu:

— Eu também te amo, Sr. Awesome. — Dean sorriu satisfeito ao ouvir aquilo, mas desmanchou o sorriso quando a loira ordenou com certa impaciência: — Agora chega de enrolar e tira logo essa roupa. Eu sou sua esposa e também tenho os meus direitos.

— Romantismo, Natalie. Romantismo. — exigiu o caçador.

— Deixa eu te mostrar o meu romantismo. — disse a loira imitando o que Dean havia dito antes.

Em seguida, ela o puxou para mais um beijo, desta vez mais ardente, ao mesmo tempo em que tentava tirar a jaqueta dele a todo custo.

Logo Dean a ajudou com aquilo e a peça caiu no chão... E ganhou a companhia de outras peças momentos depois...

XXX

Na biblioteca, Castiel estava em pé, de frente para uma mesa, onde dezenas de livros e uma pilha de papéis com arquivos dos Homens das Letras se acumulavam.

Naquele momento, o anjo lia um daqueles papéis. Ou melhor, tentava ler. Um ruído incômodo e persistente não permitia que ele evoluísse muito naquela leitura.

Quando o som se tornou ainda mais irritante, o anjo abaixou o papel que segurava próximo do rosto e olhou para uma cadeira reclinável de couro, bem de frente para a mesa onde ele estava.

Mia estava sentada nela, com as costas bem apoiadas no encosto, as pernas cruzadas e os pés sobre a mesa, disputando espaço com um amontoado de papéis antigos.

A garota impulsionava o corpo para frente e para trás, fazendo com que a estrutura da cadeira produzisse aquele ruído chato, que parecia mil vezes mais alto ali, no silêncio absoluto daquela biblioteca.

Ela sorriu levemente ao perceber que tinha ganhado a atenção de Castiel, que a encarava intrigado. Até que ele finalmente disse:

— Mia, você está tirando a minha concentração.

— Que bom. Sinal de que eu estou no caminho certo. — comemorou ela sem se intimidar com a reclamação.

Castiel percorreu a mesa com os olhos, depois voltou a fitar Mia e lembrou:

— Eu estou tentando achar uma forma de localizar a minha graça.

A garota franziu o cenho um tanto desconfiada e questionou:

— Por falar nisso, por que recuperar a sua graça se tornou algo tão importante? Eu quero dizer, não que não seja importante, mas por que de repente se tornou a sua prioridade? Além disso, eu achei que nós faríamos isso juntos. Localizar a sua graça e recuperar a Tábua dos Anjos, lembra?

Se sentindo um pouco encurralado com aquelas perguntas, mas sem querer mentir para Mia, Castiel resolveu dizer algo que realmente fosse verdade e que justificasse o seu comportamento:

— Bem, digamos que depois de Chicago, eu percebi que eu e você não damos muito certo trabalhando juntos. — a garota parou de se balançar na cadeira e olhou para Castiel um tanto desapontada. Então ele achou prudente explicar: — Nós quase não saímos daquele quarto, Mia. Admita, como caçadores nós somos ótimos coelhos.

A garota arqueou as sobrancelhas sugestivamente e por fim concordou:

— É, talvez você esteja certo.

Sentindo-se mais seguro, já que estava sendo sincero com Mia naquele ponto, Castiel continuou:

— Então, eu só achei que seria melhor nós dividirmos as tarefas. Eu procuro pela minha graça e você pela Tábua dos Anjos. Cada um com o seu respectivo time. Mas não se preocupe, eu ainda considero que nós estamos juntos nisso. Só ganhamos reforços e mudamos um pouco a estratégia.

Mia deu de ombros e balbuciou:

— Já que é assim, por mim tudo bem.

— Ótimo. — assentiu o anjo e então voltou a ler o papel que segurava. Mas quando o ruído da cadeira voltou a incomodá-lo, Castiel apoiou as mãos na mesa, olhou para a caçadora na sua frente e a repreendeu: — Mia.

Ela parou de se balançar e exclamou um tanto aflita:

— Eu estou entediada! — e logo depois, ela prosseguiu: — Além disso, eu pensei que nós íamos nos despedir antes de eu pegar a estrada, lembra?

— E eu pensei que nós já tivéssemos feito isso. Há meia hora. No quarto. Lembra? — recordou o anjo pausadamente.

Mia desviou o olhar do dele e ficou pensando no que os dois tinham feito no quarto, momentos antes. Em seguida, suspirou profundamente, voltou a encarar Castiel e recomeçou:

— Como você disse, isso foi há meia hora. Nós ainda temos tempo.

O anjo riu um tanto incrédulo com o convite e em seguida expôs:

— Eu adoraria. Mesmo. Mas eu preciso continuar com esta pesquisa. Você sabe como isso é importante para mim.

Ignorando o que Castiel havia dito, a garota tirou os pés de cima da mesa, se curvou um pouco sobre ela e apoiou os braços sobre a madeira antes de indagar:

— Sabe o que eu mais gosto em você?

Percebendo que aquela conversa iria longe, Castiel jogou o papel que segurava até então sobre a mesa e rebateu:

— O quê?

— Seus olhos. — confidenciou ela.

— Sério? — duvidou o anjo.

Mia assentiu com um meneio de cabeça e afirmou:

— Sério. — depois de suspirar mais uma vez, ela continuou: — São tão expressivos. E azuis. Eu me sinto no céu quando me vejo dentro deles. E isso me deixa... Arrepiada.

— Se o que você mais gosta em mim são os meus olhos, então por que você está sempre procurando uma forma de tirar a minha roupa? — questionou Castiel começando a gostar do rumo que aquela conversa estava tomando. Ele esperou que a garota respondesse, mas como notou que ela percorria o corpo dele com um olhar libertino, resolveu chamá-la: — Mia.

A caçadora voltou a si, se endireitou na cadeira e pigarreou antes de conseguir dizer:

— Desculpe, eu estava tendo pensamentos pecaminosos aqui. O que você perguntou mesmo? — Castiel franziu o cenho e Mia fez um esforço para se lembrar do que ele havia dito instantes antes. Quando conseguiu, ela finalmente respondeu: — Ah! Certo! É que eu gosto de outras partes também. De todas as partes, aliás. De cada pedacinho do seu... Sexy e hot receptáculo. Ótima escolha, por falar nisso.

Mia percebeu que Castiel tinha gostado de ouvir aquelas coisas e que já não parecia tão interessado em continuar com aquela pesquisa. Para incitá-lo ainda mais, ela resolveu fingir que estava conformada e, enquanto se levantava da cadeira, disse:

— Mas você está certo. Recuperar a sua graça é mesmo algo muito importante, uma prioridade, e eu não quero te atrapalhar. — Mia deu as costas para o anjo e caminhou na direção da porta enquanto dizia: — Então me desculpe. Eu prometo que não vou dizer mais nada e nem fazer nada para tirar a sua concentração...

Quando ela ia abrir a porta, sentiu que Castiel estava logo atrás do seu corpo e estremeceu diante daquela proximidade. Ele a impediu de abrir a porta e a virou na direção dele. Havia uma chama tangível no olhar do anjo que fez os olhos de Mia brilharem em resposta.

Ela sentiu o seu coração dar um salto e bater num ritmo descompassado quando Castiel deu mais um passo em sua direção, a encurralando ainda mais contra a porta. Em seguida, ele segurou em sua cintura e rompeu o silêncio dizendo:

— Tudo bem, você venceu. Vamos para o quarto.

Então o anjo esticou uma das mãos na direção da maçaneta, mas se deteve quando Mia passou os braços em volta do seu pescoço e rebateu de forma insinuante:

— Quarto? Quem foi que falou em quarto aqui, anjo? — ao perceber certa confusão no rosto dele, a garota esclareceu: — Você sabe da minha queda por bibliotecas. Então... Por que não?

O semblante de Castiel se iluminou, indicando que ele tinha entendido a intensão de Mia e, por isso, o anjo não conseguiu conter um leve sorriso de satisfação, indicando que tinha gostado da sugestão proposta por ela. Sem pensar em mais nada, nada mesmo, ele segurou o rosto de Mia e pressionou seus lábios contra os dela com ímpeto.

Mia o envolveu em um abraço caloroso e aprofundou o beijo. Mas logo depois, ela se afastou um pouco, segurou no sobretudo do anjo e o guiou até uma das prateleiras. O empurrou contra ela e o olhou com profundo desejo antes de beijá-lo apaixonadamente.

As mãos de Castiel apertavam a cintura de Mia e subiam por suas costas com certa urgência, até que novamente ela o puxou e o empurrou contra uma prateleira mais escondida no enorme cômodo.

E assim, os dois foram adentrando cada vez mais o lugar e esbarrando em todas as prateleiras que viam pelo caminho.

Por fim, Mia começou a tirar o sobretudo de Castiel, mas antes que ela conseguisse fazer isso, foi a vez dele guiá-la até uma estante no final do corredor onde estavam. Ao empurrar Mia contra o móvel, algo aconteceu. A estante cedeu abrindo espaço para outro ambiente, como uma espécie de passagem secreta. Mia e Castiel se desequilibraram e caíram no chão ainda aos beijos.

Assustada, a caçadora se desvencilhou um pouco e olhou tudo em volta. Enquanto isso, Castiel parecia focado demais na missão de beijar toda a extensão do pescoço da garota. Até que, sem acreditar no que os seus olhos estavam vendo, ela murmurou:

— Uau!

— Você ainda não viu nada. — disse Castiel ainda distraído com o corpo da garota embaixo do seu.

Mia revirou os olhos e segurou o rosto do anjo, fazendo ele olhar para o mesmo que ela: uma enorme e recém descoberta sala.

Castiel percorreu todo o lugar com os olhos. Estava iluminado apenas pela luz que vinha da biblioteca, e não havia janelas ali, mas mesmo assim, era possível ver quadros com imagens religiosas espalhadas pelas paredes, além de vários armários com gavetas do tipo arquivo e uma estante com incontáveis livros e bíblias escritas em diferentes línguas.

— Esses Homens das Letras eram verdadeiras caixinhas de surpresas mesmo. Que diabo de lugar é esse? — disse Mia intrigada com tudo aquilo.

Também impressionado e tomado pela curiosidade, Castiel se levantou e a ajudou a se levantar do chão também. Enquanto Mia batia nas suas roupas, para tirar o pó que tinha impregnado nelas, o anjo adentrou mais aquela sala misteriosa, parou diante de um armário e leu um tipo de etiqueta que havia na primeira gaveta. Nela lia-se a palavra: Arcanjos.

Em seguida, ele abriu a gaveta devagar e passou os dedos por dezenas de pastas suspensas que havia ali dentro. Novas etiquetas. Desta vez com os nomes de Arcanjos como Miguel e Rafael. Ele pegou uma dessas pastas e a abriu, revelando papéis empoeirados, mas perfeitamente legíveis.

— Cas, o que é tudo isso? — questionou Mia enquanto o anjo guardava aquela pasta e passava os olhos pelas demais gavetas.

Nelas, outras etiquetas diziam: Querubins, Serafins, Ofanins, Tronos, Anjos Caídos...

— Parece que os Homens das Letras não só sabiam da existência de anjos como também montaram uma espécie de dossiê sobre cada um deles. — respondeu Castiel.

Mia espirrou diante da poeira que havia no lugar e resmungou:

— Ok, isso é ótimo, mas custava eles terem contratado uma empregada? O lugar está uma bagunça. Pior do que o meu guarda-roupa. Além disso, por que uma sala secreta?

— Talvez não fosse secreta para eles. Ou talvez só alguns membros da sociedade tivessem conhecimento da sua existência. — supôs Castiel. — Sam e Dean precisam ver este lugar.

Em seguida, o anjo parou diante de outro armário e se curvou um pouco para ler o que estava escrito nas etiquetas daquelas gavetas. Todas elas tinham a mesma palavra: Rituais.

— Mia, você é uma gênia! — exclamou Castiel empolgado antes de abrir a primeira gaveta e examinar as pastas dentro dela.

— Eu sou, é? — disse ela satisfeita com o elogio enquanto se aproximava de onde Castiel estava. — Bem, na verdade, eu sei disso, mas por que exatamente você está dizendo algo tão óbvio?

— Porque você acaba de descobrir uma rica e importante fonte de informações sobre rituais sobre anjos. — respondeu Castiel indicando o armário na frente dele. — Eu tenho certeza de que é aqui que eu vou encontrar o que eu preciso para recuperar a minha graça.

Entendendo a importância daquela descoberta, Mia sorriu para Castiel e retribuiu:

— Bem, eu não descobri este lugar sozinha. Na verdade, se você não tivesse... Você sabe, partido para cima de mim daquele jeito, nós não estaríamos aqui, então parabéns. A descoberta é sua também, anjo. — e depois de bater no ombro dele, ela cruzou os braços e completou: — Viu? Até que nós formamos uma boa dupla.

Ao ouvir aquilo e ao perceber que apesar da importância daquele lugar, Mia parecia um pouco desapontada, Castiel fechou uma gaveta que tinha aberto momentos antes e disse seriamente:

— Me desculpe.

— Está tudo bem. Eu entendo, recuperar a sua graça é a prioridade agora. Além disso, eu preciso ir e nós podemos continuar aquela outra conversa quando eu voltar. Com a Tábua dos Anjos! Isso com certeza vai pedir uma comemoração à altura. — disse Mia demonstrando que tudo estava realmente bem entre eles. Em seguida, ela se aproximou e se despediu do anjo com um beijo suave. — Eu te amo. — declarou em seguida.

— Eu também te amo. — retribuiu Castiel com um meio sorriso. — Tome cuidado. — pediu antes de Mia se afastar.

— Cuidado é o meu sobrenome. — brincou ela.

— Não, o seu sobrenome é Clarke. — lembrou Castiel com certa inocência.

Mia conteve o riso e respondeu:

— Pode deixar, eu vou tomar cuidado, anjo. E não se preocupe, eu vou avisar os meninos que nós descobrimos o Jardim Secreto e eles virão te ajudar a encontrar o tal ritual.

Então a caçadora deu alguns passos na direção da saída.

Confuso, Castiel retrucou:

— Não é um jardim, Mia, é uma sala secreta.

Ela revirou os olhos por ele não ter entendido a referência e antes de deixar a sala, murmurou:

— É, eu confundi.

Algum tempo depois

Sam e Dean estavam do lado de fora do bunker, observando o Camaro de Natalie se afastando. Claire estava no banco da frente, ao lado da loira que dirigia, enquanto Mia e Bobby estavam acomodados no banco traseiro. Eles preferiram ir para aquela missão com um carro só para não chamarem atenção demais.

Quando o veículo desapareceu na linha do horizonte, Sam perguntou:

— Dean, você acha que isso vai dar mesmo certo? Que vai ficar tudo bem? Porque eu não sei, mas... Eu ainda acho que nós devíamos ter ido também.

— Eles quiseram assim, Sammy. Nós só íamos chamar mais a atenção do Metatron. Além disso, nós temos que ajudar o Cas. E eu prefiro acreditar que vai dar tudo certo. — respondeu Dean.

— Porque vai dar tudo certo, não é? — indagou Sam um tanto inseguro.

— Foi o que eu disse. — reforçou Dean, embora no fundo também estivesse preocupado com aquela missão.

Aquilo poderia dar certo, claro que podia. Mas também podia dar muito errado...

Notas finais
Será que isso vai dar certo? Será que isso vai dar errado? Será que vai dar muito errado? Falo nada. Nada mesmo. Por falar em nada kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk eu me diverti tanto escrevendo a parte dos coelhos na biblioteca... Eitcha lelê! Os danadinhos estavam animados, mas eis que uma sala secreta surgiu e cortou o clima. Será que agora o Cas vai conseguir achar a graça dele? Adianto que está muito perto de descobrirmos onde o Metatron escondeu a dita cuja... Aguardem e confiem. Awnnnnnnnnntt Clammy e Deanalie estavam tão fofinhos e salientes! E se no capítulo anterior, Sam e Dean foram meio machistas quando descobriram que suas muchachas iam para uma missão sem eles, neste capítulo acho que eles se redimiram um pouco, não? O Sam, principalmente, está se esforçando para não ser tão paranóico. Mas acho fofo ele e o Dean preocupados com as meninas e acho que por mais que eles evoluam, sempre vai existir este instinto protetor. Well, hoje irei atualizar O caso do Slender Man também, então quem quiser dar uma chegada por lá, opa! Estamos aí! O que acharam deste capítulo? E o que estão achando da fic? Garanto que a coisa vai ficar mais instigante a cada capítulo... Escrevi cada paranauê cabuloso e cada reviravolta e eitcha lelê, xapralá. Reviews? Bjs! Inté sábado que vem, nesta mesma hora, neste mesmo canal... Oi?