Heaven and Hell
43 Eu não vou morrer!
Notas iniciais

Mia estava em um quarto da casa de Bobby, dormindo em uma cama que havia sido improvisada depois que Castiel foi para o Céu e a longa espera por seu retorno começou. Além deste e do quarto de Bobby, havia outro cômodo com mais camas e alguns colchões dispostos no chão.
Ninguém estava conseguindo dormir nas últimas duas semanas, mas, tinham sido duas longas semanas e, às vezes, o cansaço acabava falando mais alto. Então o grupo se dividia e enquanto uns continuavam esperando por Castiel, os outros tentavam descansar um pouco.
No entanto, desde que o anjo partiu para aquela missão, aquela era a primeira vez que Mia se dava ao luxo de se deitar em uma cama. Como em todas as noites, ela havia passado a maior parte do tempo do lado de fora, no ferro velho, deitada no capô do Mustang, olhando para as estrelas e tentando manter suas esperanças vivas.
Mas, quando mais um dia amanheceu, Mia estava tão exausta de toda aquela espera que caminhou lentamente até a casa, pegou um copo de água na cozinha, subiu até o quarto enquanto tomava alguns goles e deitou naquela cama, como se estivesse ligada no piloto automático. Passou um bom tempo olhando para o teto, antes de suas pálpebras pesarem até um ponto em que ela não aguentou mais.
Naquele momento, fazia aproximadamente uma hora que Mia havia pegado no sono. Passava das nove horas da manhã e a luz do sol iluminava parcialmente o ambiente.
Em dado momento, ela suspirou profundamente e algo começou a se mover no criado-mudo ao lado da cama. Sem explicação aparente, o copo de vidro, com um resquício de água que ela havia deixado de tomar, se moveu sutilmente para a frente. E depois para o lado.
Um livro esquecido sobre uma cômoda do outro lado do quarto, aos poucos, deslizou pelo móvel e em seguida passou a levitar sobre ele. Logo, o mesmo aconteceu com o copo, que ficou simplesmente suspenso no ar. Um abajur, no criado-mudo do outro lado da cama, também se moveu para cima.
Mia se mexeu um pouco e a gargantilha em seu pescoço começou a se mover misteriosamente também. O pingente se afastava lentamente. Subindo. Flutuando entre o seu rosto e o seu pescoço. Com isso, a corrente da gargantilha era forçada constantemente em sua nuca, até que a pressão em sua pele fez a garota acordar subitamente.
Mia abriu os olhos. Suas pupilas, ligeiramente dilatadas, demoraram um pouco para se acostumarem com a luz que entrava pela janela. E demoraram ainda mais para entenderem o que estava acontecendo.
Confusa e assustada, a garota segurou o pingente da gargantilha, que levitava até então, sentou-se na cama com um impulso e olhou tudo em volta a tempo de ver o livro despencar sobre a cômoda, o abajur cair do criado-mudo e o copo se espatifar ao atingir o chão com força.
Atônita, Mia soltou a gargantilha e a observou em contato direto com a sua pele, sem qualquer sinal da força invisível que tinha a manipulado antes.
Com a respiração ofegante e o coração acelerado, Mia chegou a pensar que estava sonhando com tudo aquilo, no entanto, a sua consciência lhe dizia que era real. Assim como tinha sido real a janela de um dos carros do ferro velho se quebrando há alguns dias.
Embora uma parte de Mia lhe dissesse que ela mesma era a responsável por aqueles eventos inexplicáveis, a outra parte a fez procurar por sua arma, presa em um coldre na sua cintura e carregada de balas de sal.
No entanto, Mia mal sabia para que lado apontar a arma. A temperatura não tinha caído, o que significava que não havia nenhum fantasma ali. Ela estava sozinha.
Sem saber o que pensar, a garota abaixou a arma e esperou a sua respiração voltar ao ritmo normal. Batidas na porta lhe causaram um sobressalto e ela levantou da cama ainda mais assustada, apontando a arma na direção da entrada do quarto.
— Mia? Está tudo bem? Eu ouvi um barulho.
A garota reconheceu aquela voz, era Claire. Rapidamente, ela se recompôs e guardou a arma no coldre, caminhou até a porta e a abriu.
— Você está bem? — indagou Claire ao perceber que a garota estava um tanto atordoada.
Mia demorou para responder, já que por um momento fez aquela pergunta para si mesma. Mas, instantes depois, rindo sem humor e atrapalhando-se um pouco com as palavras, ela finalmente se pronunciou:
— Sim, tudo perfeito. Eu quero dizer... Você sabe... É só mais uma manhã maluca, como qualquer outra, eu acho.
— Nem me fala. — balbuciou Claire, lembrando-se do motivo que a fez ir até ali.
Mia percebeu que havia algo implícito naquela frase e questionou desconfiada:
— Aconteceu alguma coisa?
— Eu tenho boas notícias. — anunciou Claire, e percebendo que tinha toda a atenção de Mia, revelou: — O Cas está de volta.
Em questão de segundos, o rosto de Mia se iluminou e foi como se um grande peso tivesse saído de suas costas. Seu coração acelerou, desta vez tomado pela enorme felicidade que sentiu.
— O quê?! — indagou ela, querendo confirmar se não tinha entendido errado.
— Eu sei, finalmente. Eles apareceram no meio da sala e... — começou a relatar Claire, sorrindo para a amiga.
— Eles? Eles quem? — interrompeu Mia, incapaz de raciocionar direito e se lembrar dos detalhes do plano de Castiel.
— O Cas, Metatron, outros anjos... — respondeu a filha de Bobby. — Agora que o Metatron está preso no quarto do pânico, a maioria dos anjos está esperando lá fora, mas alguns, como a Hannah...
— O quê?! O Metatron já está preso na armadilha?! — surpreendeu-se Mia, a interrompendo mais uma vez. — Ai meu Odin, eu preciso ver isso! — disse antes de passar por Claire e deixar o quarto às pressas. — E claro, eu preciso ver o meu anjo antes de qualquer coisa! — completou radiante e ansiosa.
— Mia, espera! — pediu Claire, a seguindo.
A garota parou e virou-se na direção dela, lembrando-se do último encontro entre Metatron e Claire. Então, por mais que estivesse feliz pelo retorno de Castiel, Mia decidiu mostrar certa solidariedade e disse:
— Claire, eu sinto muito. Eu sei que isso deve estar sendo... Doloroso. Como você está?
— Não se preocupe, eu estou bem. — assegurou ela. — Eu só vi o... Metatron por um segundo, depois disso, ele foi levado para o quarto do pânico, e os dois homens da minha vida não me deixam nem chegar perto do lugar. Eu duvido que eles ou o Dean deixem você entrar lá agora.
— Rá! Está para nascer a pessoa que vai me impedir de fazer isso agora mesmo! — assegurou Mia.
Então ela se virou e voltou a caminhar pelo corredor com passos firmes e ainda mais apressados.
— Mia, espera! — pediu Claire novamente, mas foi em vão.
Logo as duas estavam no primeiro andar da casa, Claire continuou falando com Mia enquanto elas seguiam por outro corredor e desciam alguns degraus, instantes depois, elas pararam diante da porta de ferro do quarto do pânico, onde Dean e Natalie faziam uma espécie de vigia, enquanto Chloe, visivelmente ansiosa, andava de um lado para o outro.
— Pode parar por aí, Mia. — orientou o Winchester. — Ninguém entra e ninguém sai até que tudo isso esteja resolvido. Se eles precisarem de ajuda, nós estaremos bem aqui, mas por enquanto, esta porta fica fechada. O Metatron pode tentar escapar de alguma forma e é melhor não arriscar.
A garota olhou para Natalie, como se pedisse a sua ajuda, mas a loira ergueu as mãos na altura do peito e expôs:
— Desculpe, Mia, eu sei que você quer ver o Cas, mas, agora realmente não é uma boa hora.
Inconformada, a garota encarou o caçador e exigiu entredentes:
— Dean Winchester, me deixe passar. Agora.
— Sinto muito, mas como a Baby disse, agora não é uma boa hora. Você vai ter que esperar. — reforçou ele, deixando claro que não iria permitir que ela entrasse.
Mia respirou fundo, tentando manter a calma, deu um passo a frente e articulou aflita:
— Esperar? Mas esperar é tudo o que eu tenho feito, Dean. Agora eu preciso vê-lo. Saber se ele está bem. Por favor.
— O Cas está ótimo. — assegurou o Winchester. — E quando isso acabar, vocês terão tempo de sobra para matarem a saudade. Até lá, fique longe desta porta. Fim de papo.
Mia respirou fundo novamente e fuzilou Dean com o olhar, antes de recomeçar em tom ameaçador:
— Me corrija se eu estiver errada, mas você e a Natalie gostam muito de... Brincar, não é?
Constrangidos e confusos, Dean e a esposa se entreolharam, até que o caçador voltou-se para Mia e protestou:
— Ei! Onde você pretende chegar com esta pergunta indiscreta, coelha?
— Eu serei clara. — anunciou Mia, e depois de dar mais um passo a frente, parando de frente para Dean, ela ameaçou: — Ou você me deixa entrar de uma vez ou... Eu vou te deixar impotente. De uma forma irreversível.
— O quê?! — exclamou Natalie apavorada. — Não! — completou, aproximando-se de Dean numa tentativa de protegê-lo.
— Eu vou contar até três. — avisou Mia, arqueando uma sobrancelha.
— Você não se atreveria. — duvidou o caçador, embora, instintivamente, tivesse abaixado as mãos na frente do corpo.
— Um. — contou Mia, flexionando a perna a fim de dar uma joelhada certeira nele.
Antes que ela dissesse "dois", Dean se afastou rapidamente, Natalie o puxou para mais perto de si e Mia puxou a tranca da porta dizendo:
— Obrigada pela colaboração.
Assim que abriu a porta, ela deu de cara com Sam, que barrou a sua entrada, olhou o irmão por cima do ombro dela e lembrou um tanto nervoso:
— Dean, nós combinamos que esta porta ficaria fechada até que tudo seja resolvido!
— Mas a Mia enlouqueceu! — defendeu-se o Winchester mais velho, apontando o dedo na direção dela de forma acusatória.
— E ameaçou a integridade do Sr. Awesome! Isso é um absurdo! — completou Natalie, ainda nervosa, enquanto abraçava o marido e acariciava o seu rosto.
Confuso, Sam franziu o cenho e olhou para Claire, esperando que ela explicasse exatamente o que diabos estava acontecendo ali.
Então Claire soltou um suspiro e confirmou:
— Sim, ela fez isso.
Mia olhou para ela, depois para Sam, e recomeçou:
— A propósito, me corrijam se eu estiver errada, mas vocês dois também gostam muito de... Como vocês chamam exatamente? Fazer uma pesquisa... Aprofundada?
— Sam, meu amor, eu acho melhor você deixar a Mia entrar! — aconselhou Claire, a interrompendo rapidamente, visivelmente preocupada com o marido. — Confie em mim. — pediu quando Sam a fitou ainda mais confuso.
— O que diabos está acontecendo aí fora? — questionou Bobby, que estava dentro do quarto do pânico e apareceu atrás de Sam. — Os sigilos enoquianos não vão segurar o Metatron por muito tempo, o Kevin precisa de concentração e...
— O Kev está bem? — indagou Chloe, aproximando-se aflita.
Antes que Bobby respondesse, Mia tentou passar por ele e por Sam enquanto insistia:
— Eu quero ver o Cas!
— Agora não é uma boa hora. — disse Bobby, a impedindo de passar.
De repente, a voz de Castiel, vinda do interior do quarto do pânico, foi ouvida em alto e bom tom:
— Deixem a Mia entrar.
Ao ouvir aquela voz, a garota sentiu o seu corpo inteiro estremecer e se arrepiar, seu coração voltou a acelerar e sua respiração falhou subitamente.
Então era mesmo verdade. Castiel tinha mesmo voltado. E ele estava ali, bem ali, a poucos metros de distância, mas ainda oculto por Sam e Bobby que continuavam parados na porta.
Quando os dois finalmente abriram passagem, Mia entrou aos tropeços. Seus olhos percorreram o quarto do pânico, que estava ligeiramente escuro. Apenas uma abertura no teto, com uma espécie de ventilador acoplado, iluminava parcialmente o local.
Apesar de haver outras pessoas ali dentro, o primeiro rosto que Mia viu foi o de Castiel. E então ela não conseguiu olhar para mais ninguém. Nem mesmo para Metatron, preso por correntes especiais em uma cadeira no centro do lugar.
Castiel, que estava em pé, do lado esquerdo do quarto do pânico, sorriu ao encontrar o olhar de Mia e murmurou:
— Oi.
A porta foi fechada e o ruído mecânico da tranca ecoou pelo lugar. Mas Mia não ouviu.
Às pressas, ela correu até o anjo, se jogou em seus braços e o abraçou forte. Castiel correspondeu ao abraço imediatamente e encaixou o queixo no ombro de Mia. Ela fechou os olhos com força e aumentou a pressão daquele abraço já muito caloroso, como se tivesse medo de que aquilo fosse um sonho e de que, a qualquer momento, Castiel fosse desaparecer.
— Eu estou aqui. — afirmou o anjo, como se tivesse lido os pensamentos dela. — Eu voltei, como disse que voltaria.
— Graças a Deus... — balbuciou a garota com a voz embargada pela forte emoção que sentia.
Em seguida, ela procurou pelo rosto de Castiel, o segurou entre as mãos e o fitou nos olhos por um tempo irrelevante. Se perdeu no olhar do anjo e estava pronta para beijá-lo, quando Metatron pigarreou, fazendo o casal olhar em sua direção. E então ele provocou:
— Deus? Desculpe, mas eu não tenho nada a ver com isso.
Mia engoliu em seco e voltou a olhar para Castiel. Imediatamente, percebeu que uma certa palavra dita por Metatron tinha mexido com ele, tanto quanto havia mexido com ela.
Um tanto constrangida, a garota demorou alguns instantes para se recompor. Em seguida, ela respirou fundo, voltou-se para Metatron e a raiva a consumiu. Mia lembrou-se de quando foi enganada por ele, e consequentemente presa e torturada por Bartholomew, lembrou-se do que Metatron fez à Claire e a Castiel...
E então ela se ouviu retrucando secamente:
— Deve ser porque você não é Deus de verdade. Nunca foi. Você é apenas um anjo bobo, megalomaníaco, com um receptáculo muito ridículo, brincando de ser algo que você não é, numa tentativa patética e doentia de ser alguém mais interessante, respeitável e amado. Isso, é claro, até o Cas aparecer e te tirar do playground. Por falar nisso, como você se sente? Você sabe... Por ter sido enganado? Justo por ele? Deve ser frustrante, não? Me conta!
Metatron lançou um sorriso torto na direção dela e a fuzilou com o olhar, porém não respondeu as suas perguntas.
Hannah, que estava a cerca de dois metros dela, e que tinha observado Mia atentamente desde que ela entrou no quarto do pânico, olhou para Castiel e confidenciou com sinceridade:
— Eu gostei dela. — e quando Mia a fitou confusa, ela se apresentou: — Eu sou Hannah, por falar nisso.
— Ah... A Hannah. — balbuciou a garota, lembrando-se de quando Castiel lhe disse que contaria com a ajuda daquela anjo para enganar Metatron. — Prazer em conhecê-la e... Obrigada por ter ajudado o Cas.
Hannah sorriu e replicou gentilmente:
— Não foi nada. — mas ao perceber uma troca de olhares entre Mia e Castiel e certo constrangimento entre eles, ela questionou confusa: — Eu disse alguma coisa errada?
— Não, é só que... — começou a dizer Castiel, mas achou melhor se calar.
— É difícil de explicar. — desconversou Mia e, depois de respirar fundo, ela voltou a fitar Metatron e recomeçou: — Então, onde eu parei mesmo? Oh, certo! Eu estava perguntando como você está se sentindo por ter caído como um pato na armadilha do Cas. Então... Como é a sensação?
Sem perder a pose, Metatron respondeu de uma forma enigmática:
— Isso ainda não acabou, Mia. — e depois de uma breve pausa, completou de forma desafiadora: — Pergunte a si mesma por que eu, sendo um anjo, não estou preso em uma armadilha de anjos? Tempo!
Confusa, a garota olhou na direção de Castiel, mas antes que ele explicasse, Bobby aproximou-se do centro do quarto do pânico, acendeu um fósforo e o jogou em um círculo de óleo santo no chão. Logo, as chamas se ergueram em volta de Metatron, que arqueou uma sobrancelha, sorriu com deboche e em seguida assoprou o fogo. Em questão de segundos, as chamas tinham se extinguido completamente.
Um tanto assustada, Mia olhou para Bobby, que indicou um outro tipo de armadilha embaixo da cadeira de Metatron, e alguns símbolos no teto sobre o anjo, e esclareceu:
— Conhecimento dos Homens das Letras. Essas são as únicas coisas que estão mantendo esse desgraçado preso, além das correntes com mais símbolos. Mas isso não vai funcionar por muito tempo.
— E isso deve ser bem frustrante. — opinou Metatron, fitando o caçador de um jeito desafiador. — Considerando o que eu fiz com a sua doce filha... Claire.
Automaticamente, o ar ficou mais pesado e Sam engoliu em seco, sentindo o seu pulso acelerar subitamente.
Consumido pela raiva e pela dor que sentia por conta do que havia acontecido com Claire, Bobby retirou uma arma do coldre preso em seu cinto, carregada com balas contra anjos, e a apontou na direção do prisioneiro, fazendo com que outros dois anjos, que estavam em volta daquela armadilha e que tinham ajudado Castiel a trazer Metatron até ali, recuassem um pouco assustados.
No entanto, Mia tomou a frente de Bobby e discordou do que ele planejava:
— Não!
— Não?! — surpreendeu-se o caçador. — Depois de tudo o que ele fez, inclusive a você, nós vamos simplesmente deixá-lo preso em uma cela?!
Castiel aproximou-se dos dois e interveio calmamente:
— Eu sei que parece injusto, mas acredite, ficar preso pela eternidade será o verdadeiro castigo do Metatron.
— Além disso, essa arma não funcionaria com ele, já que o infeliz absorveu o poder da Tábua dos Anjos e está mais forte. — lembrou Mia, deixando Bobby pensativo.
Sam, que sem perceber tinha segurado com força uma espada contra anjos em uma das mãos, procurou se acalmar também e a abaixou ao lado do corpo, embora a ideia de matar Metatron, ou tentar, ainda rondasse um lugar da sua mente. Era uma ideia tentadora.
— E isso me lembra que o Metatron está tentando nos enrolar. Para ganhar tempo, se fortalecer e conseguir sair daqui. — deduziu Kevin, se aproximando de Castiel, Bobby e Mia. — Portanto, eu tenho que proferir logo este maldito ritual, se vocês não se importam! — acrescentou um tanto nervoso.
Sentindo-se culpada por ter entrado ali de qualquer jeito e atrasado o início do ritual, Mia assentiu com um meneio de cabeça e afastou-se. Bobby abaixou a arma e, um tanto relutante, a guardou no coldre. Então Castiel fez um gesto com a cabeça, orientando que Kevin finalmente começasse.
No entanto, quando o profeta respirou fundo e pegou um papel no bolso, Metatron recomeçou abruptamente:
— Engraçado! Eu pensei que vocês fossem chamar o backup para participar também. Afinal, vocês sabem como é a Palavra de Deus, não sabem? Sempre tem um efeito colateral e algo me diz que o asiático aí não vai aguentar o efeito do que está por vir.
Bobby, Mia, Sam e Castiel se entreolharam confusos e preocupados. Se condenando por não terem imaginado que aquele ritual poderia trazer consequências a Kevin, bem como o último teste para fechar os portões do Inferno quase custou a vida do Winchester mais novo no passado.
— Do que você está falando? — indagou Castiel, franzindo o cenho.
— Que backup? — questionou Kevin intrigado.
Metatron estreitou o olhar na direção dele e respondeu simplesmente:
— Chloe Lee. — e depois de ver o choque surgir na expressão de Kevin, ele dissimulou: — Oh! Eu sinto muito, eu... Esqueci completamente que você não sabia que a sua namoradinha é uma potencial profetisa. Na verdade, você não teria como saber. Apenas os arcanjos tinham acesso a lista que... Adivinha? Eu mesmo escrevi. Sob o comando de Deus, é claro. Ou seja, fonte 100% segura.
Desnorteado, Kevin quis confirmar:
— A Chloe é... É uma profetisa?
— Ainda não. Mas ela será, assim que você morrer. — esclareceu Metatron, fazendo o profeta dar alguns passos para trás e olhar tudo em volta ainda mais abalado.
Embora aquilo fizesse muito sentido, considerando o interesse que Chloe demonstrou pela Tábua dos Anjos desde o começo, não havia tempo para assimilar aquela revelação. Então Castiel aproximou-se de Kevin, segurou em seus ombros, fazendo o profeta fitá-lo nos olhos, e lembrou:
— Ele está tentando ganhar tempo, desestabilizando você. Kevin, você precisa começar antes que seja tarde demais. Este lugar não vai segurar o Metatron por muito tempo.
Depois de engolir em seco e assentir algumas vezes com a cabeça, o profeta desdobrou o papel que segurava até então. Ele e Chloe tinham transcrito o ritual ali, naquele pedaço de papel, juntos, entre um beijo e outro, entre um plano e outro...
Kevin voltou a pensar no que Metatron havia dito. Será que era mentira? Não... Algo lhe dizia que aquilo era a mais completa verdade. Chloe estava mais envolvida com o sobrenatural do que Kevin poderia ter imaginado. E mesmo que ele tivesse aberto mão dela, como tentou no passado, a vida de Chloe sempre estaria comprometida por aquele destino. Se ele morresse, ela assumiria o seu posto.
— Eu acho bom você provar o seu valor e fazer o seu serviço direito, Kevin Tran. — a voz de Metatron fez o profeta voltar a si e olhar na direção do anjo. — Porque se você não conseguir, se você falhar... Você sabe o que vai acontecer. A sua querida e amada Chloe irá carregar o seu fardo. Você sabe o que isso significa, não sabe? Os sacrifícios que ela terá que fazer? Os perigos que irá correr?
Com raiva, Kevin estreitou o olhar na direção de Metatron, respirou fundo e, com o máximo de certeza e confiança que encontrou dentro de si, assegurou:
— Eu não vou morrer!
Antes que Metatron retrucasse qualquer coisa, o profeta finalmente começou a proferir o ritual, sob olhares atentos e preocupados...
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