Heaven and Hell

32 Como escolher um vestido de noiva


Notas iniciais
Oi, meu povo e minha pova! Tudo bem? I hope so! Well, chegando com um capítulo bem negoçado para vocês. Nele vamos descobrir como escolher um vestido de noiva (segundo, Mia Clarke), teremos algumas sementinhas para o futuro (tanto para a reta final da fic quanto para a sequência de H&H) e odiaremos a Sophia mais um pouquinho. Espero que gostem! Lá vai...

Mia caminhava lentamente pela loja de vestidos de noiva e olhava para cada modelo que havia naquele percurso, alguns pendurados em cabides e outros distribuídos em manequins. Às vezes, ela parava, olhava bem para determinado vestido que tinha se destacado no meio dos outros e depois arriscava tocá-lo, um tanto sem jeito e com certa estranheza, quase com medo de que a peça ganhasse vida e a mordesse.

Casar vestida de noiva, com tudo o que se tem direito, podia ser o sonho da maioria das mulheres, mas Mia não conseguia se imaginar usando uma coisa daquelas. Pior, se imaginar dentro de um daqueles vestidos lhe causava uma sensação de sufocamento e tontura.

Em dado momento, a caçadora respirou fundo e passou as mãos suadas pela calça jeans que vestia. Ela sabia que precisava deixar o nervosismo e os seus medos de lado, já que só assim conseguiria se identificar com um daqueles vestidos.

Além disso, Mia sabia que devia isso a Castiel. O anjo tinha sido muito fofo e romântico a levando até ali, tinha deixado bem claro que continuava empolgado com a ideia de se casar e que nada, nada mesmo, tinha mudado entre eles.

No entanto, outra coisa estava atormentando Mia e a impedindo de relaxar o suficiente para se permitir viver aquele momento e fazer aquela importante escolha. Ela não conseguia parar de pensar em Sophia e nas coisas pouco gentis que ela lhe disse. E não conseguia parar de pensar que naquele exato momento, ela e Castiel estavam conversando sozinhos, em algum lugar perto dali.

Não que Mia achasse que Castiel iria traí-la, muito menos com Sophia, mas ela tinha medo das coisas que a Miss Simpatia poderia dizer para ele. Estava bem claro que Sophia não tinha ido com a cara dela e que desaprovava o seu relacionamento com Castiel. Então e se Sophia o enchesse com o seu veneno e o convencesse de que tudo isso era loucura? De que o amor entre ele e Mia era errado? De que prosseguir com isso e se casar com ela era, no mínimo, impróprio?

Mia respirou fundo mais uma vez e sacudiu a cabeça negativamente tentando afastar aqueles pensamentos que, definitivamente, não estavam a ajudando nem um pouco a relaxar. Em seguida, passou as mãos por um dos vestidos, o examinando minuciosamente, franziu o cenho e resmungou:

— Meu Deus... Pra quê tanto pano?

— Algumas mulheres gostam. — disse uma vendedora, que havia se aproximado instantes antes, e que encontrava-se parada atrás da cliente.

Depois de se recuperar de um leve sobressalto, Mia olhou na direção dela e questionou incrédula:

— De parecer um bolo?

Um tanto sem graça, a mulher corrigiu:

— De babados e um pouco de volume.

Mia riu e reforçou:

— Como eu disse, um bolo.

— Então, você está procurando por uma coisa mais discreta? — supôs a vendedora, tentando entender as preferências da cliente.

Mia deu de ombros e respondeu:

— Honestamente, eu não sei o que estou procurando, mas com certeza não é um bolo. Mesmo porque o bolo eu vou escolher depois, com a ajuda das madrinhas.

A vendedora encarou a cliente tentando não rir de um perceptível senso de humor que ela parecia possuir e em seguida decidiu recomeçar:

— Por que você não me fala um pouco sobre o noivo? A personalidade do noivo diz muito sobre o tipo de vestido que a noiva procura.

Ao ouvir aquilo, Mia suspirou profundamente, ficou com um olhar distante, pensou por alguns instantes e disse sem perceber:

— Ah... Ele é um anjo.

A vendedora franziu o cenho e indagou confusa:

— Como é?

Rapidamente a caçadora voltou a si e corrigiu:

— Eu quis dizer que ele é um anjo de pessoa. Fofo, romântico, tem um coração muito puro. É um tanto ingênuo, às vezes. E lento e atrapalhado em outras, mas é... Incrivelmente bom. Em todos os sentidos que você possa imaginar.

Ao perceber que a cliente estava com aquele olhar distante de novo, fitando um ponto qualquer da loja, a vendedora sorriu e perguntou gentilmente:

— Qual é o seu nome, querida?

— Mia. — apresentou-se, apertando a mão da outra.

— Mia, meu nome é Amelia e, para mim, está bem claro que você está inquestionavelmente apaixonada por esse... Anjo. O que, obviamente, explica a sua presença aqui hoje. — disse a vendedora de uma forma muito atenciosa. — Mas, eu também percebo que por algum motivo, você está muito insegura em relação à escolha do vestido. Então por que você não toma um chá comigo e nós conversamos sobre as suas preferências com mais calma?

— Chá? — repetiu a garota sem conseguir disfarçar uma cara de nojo. — Sem ofensa, mas chá eu não quero não. Agora se você tiver café aí, eu aceito um litro. — ao notar certo assombro na expressão de Amelia, Mia consertou rapidamente: — Digo, uma xícara! Uma xícara para começar. Seria ótimo.

— Tudo bem, neste caso, me siga. — orientou a vendedora.

As duas foram até um canto da loja, onde havia um balcão com uma máquina de café, outra de chá, além de um filtro com água natural e gelada, e alguns bancos.

Depois de se sentar em um deles e de tomar o primeiro gole do café recém servido por Amelia, Mia sentiu-se mais relaxada. Decidiu tomar mais um pouco e logo estava na segunda xícara.

Enquanto tomava o café, Mia observava as outras vendedoras do lugar. Só havia ela de cliente naquele momento e, por isso, elas estavam concentradas na arrumação e trocavam alguns vestidos dos manequins. Uma música em som ambiente tocava e Mia conseguiu identificá-la. Era Brave da Sara Bareilles.

Ótimo, uma música que falava sobre coragem. Tudo o que Mia precisava ter naquele momento. Coragem para enfrentar a insegurança que sentia, o medo que sentia, a ansiedade que sentia.

Sem perceber, Mia começou a balançar os pés de um lado para o outro e a mexer os ombros sutilmente ao som da melodia, enquanto tomava a terceira xícara de café.

Depois de observar aquela cena durante alguns instantes, Amelia resolveu recomeçar o seu trabalho de vendedora:

— Então... Mia, por que você não me diz o que espera de um vestido de noiva? Pode pensar bem ou dizer a primeira coisa que lhe vier à cabeça.

Depois de colocar a xícara vazia sobre o balcão, e pensar um pouco, Mia explicou num ritmo um tanto acelerado:

— Bem, como eu disse antes, eu não quero parecer um bolo ambulante. É, eu acho que um modelo mais simples seria o ideal. Simples e chique, não simples e mixuruca. Existe uma diferença, então não me venha com modelos meia boca, ok? Bem, eu quero algo que não prenda os meus movimentos, que faça eu me sentir livre, leve e solta. Mas que ao mesmo tempo, fique perfeito no meu corpo, que realce o meu corpo, que se molde a ele, que me deixe linda e sexy. Sem vulgaridade, é claro. Ah! E principalmente, que seja bem fácil de tirar porque eu não quero perder tempo na lua de mel.

Quando Mia terminou de falar, a vendedora percorreu o rosto dela com os olhos rapidamente, visivelmente zonza com tantas informações. Mas, por fim, ela se recompôs e disse:

— Bem, eu vou te mostrar alguns modelos e você me diz se estamos no caminho certo ou não, ok?

— Fechado! — assentiu Mia, dando um leve soco no ombro da vendedora, que se desequilibrou um pouco no banco onde estava sentada. — Mas antes eu... Queria mais um café. — pediu um pouco envergonhada.

— Claro. — disse Amelia, começando a achar aquela cliente muito peculiar.

Depois que Mia terminou a quarta xícara de café, a vendedora finalmente começou a lhe mostrar alguns vestidos. Mia experimentou cada um dos trinta modelos que Amelia lhe trouxe. Destes, ela gostou de cinco. Mas não o suficiente para afirmar com todas as letras que tinha encontrado o vestido de noiva ideal para si.

Foi somente quando Mia experimentou o trigésimo primeiro modelo e se olhou atentamente em um enorme espelho no fundo da loja, que ela sentiu que sua busca tinha chegado ao fim.

Era uma sensação indescritível e as outras vendedoras, que tinham acompanhado todo o processo e auxiliado Amelia e a cliente em alguns momentos, perceberam a satisfação e a felicidade nos olhos da garota que não conseguia parar de olhar para o seu próprio reflexo. Inevitavelmente, Mia sorriu.

Ela só despertou daquela espécie de transe, quando um assobio ecoou pela loja e fez todas as vendedoras olharem para trás, na direção do homem que tinha entrado ali sem que ninguém percebesse.

Toda a felicidade que Mia sentia até aquele momento se esvaiu subitamente ao reconhecer aquela maldita figura pelo reflexo do espelho. À medida que o intruso dava mais alguns passos à frente, Mia sentiu como se até então estivesse vivendo um sonho e de repente ele estivesse se convertendo em um terrível pesadelo.

Mal conseguia acreditar no que os seus olhos estavam presenciando. Seu coração gelou e cada músculo do seu corpo ficou terrivelmente tenso quando o intruso parou um pouco atrás dela. Mia engoliu em seco e o seu semblante, que momentos antes expressava uma alegria genuína por ter conseguido encontrar o vestido perfeito, agora denunciava a surpresa aterrorizante que tinha paralisado todo o seu corpo.

Sempre elegante, Crowley colocou as mãos nos bolsos da calça, afastando um pouco o terno perfeitamente alinhado que trajava, observou Mia minuciosamente, da cabeça aos pés, depois olhou para o reflexo dela no espelho e fingiu comoção ao dizer:

— Você está linda, sweetie.

Mia continuou imóvel e tensa.

Sem entender o que estava acontecendo ali, Amelia interveio:

— Desculpe, mas quem é o senhor?

Crowley sorriu para Mia ao dizer de um jeito cínico:

— Quem mais eu seria? — e depois de uma breve pausa, respondeu: — O pai da noiva.

Ao ouvir aquilo, a caçadora sentiu o seu estômago embrulhar e uma chama de ódio ardeu em seu peito. Mia fechou as mãos com força, mas antes que Amelia e as outras vendedoras percebessem o estado de nervos em que a garota se encontrava, Crowley sorriu para todas elas e pediu:

— Será que vocês podem nos dar um minuto? Eu preciso conversar com a minha filha em particular.

O ódio intensificou-se dentro de Mia e, assim que as vendedoras assentiram e se afastaram, ela estreitou o olhar na direção do Rei do Inferno, colocou o dedo indicador em riste e avisou entredentes:

— Nunca mais ouse me chamar deste jeito ou eu juro que...

— Jura que vai fazer o quê? — questionou Crowley, a interrompendo. — Que vai me matar? Tentar me matar, na verdade, porque eu duvido que você conseguiria. Por favor, Mia, me poupe deste discurso. Nós já passamos da fase de querer matar o outro.

— Eu não teria tanta certeza. — discordou a garota de um jeito ameaçador.

Crowley arqueou as sobrancelhas e retrucou:

— Pois eu já superei isso. Como eu te disse certa vez, para mim você vale muito mais viva do que morta.

Depois de encarar o demônio e pensar sobre o que ele havia dito, Mia questionou intrigada:

— Por quê? O que você tanto quer comigo, Crowley?

— No momento certo, você saberá. — respondeu o Rei do Inferno de forma evasiva, o que deixou Mia profundamente irritada. — Além disso, você está em dívida comigo, lembra? Então, mesmo que eu quisesse te matar, eu não faria isso agora.

Mia respirou fundo, tentando controlar a tensão que sentia, depois deixou suas mãos repousarem no vestido e perguntou:

— Se você não veio para me matar nem para contar o que diabos quer comigo, então o que você veio fazer aqui?

— Apenas conversar. — assegurou Crowley e quando a garota olhou na direção das vendedoras e da entrada da loja com certo receio, ele completou: — Eu sei o que você está pensando, Mia. Que se o Castiel entrar aqui e me ver, as coisas podem se complicar bastante. E aquelas moças ali vão estar bem no meio do fogo cruzado. Mas não se preocupe, sweetie. O seu noivo está bem distraído, conversando com uma mulher muito bonita lá fora. Eu te garanto que ele não me viu entrar. O papo parecia estar bem interessante. Com certeza, aqueles dois tem muitas coisas em comum, você não acha?

Incomodada com aquele assunto, Mia não respondeu a pergunta de Crowley. Ao invés disso, ela recomeçou:

— O que você quer conversar comigo?

Depois de dar alguns passos e se acomodar em um sofá que ficava perto do espelho, o Rei do Inferno anunciou de um jeito sério e intimidador:

— Primeiro eu quero uma explicação. — e após torturar Mia com um longo momento de silêncio, ele se inclinou um pouco para frente e prosseguiu: — Você me disse, com todas as letras, que depois que entregasse a graça para o Castiel, a relação de vocês estaria encerrada. Sem possibilidade de reconciliação. Imagine a minha surpresa quando entrei aqui e te vi vestida deste jeito. Então, o que aconteceu?

— Não que isso seja da sua conta, mas o Cas entendeu os meus motivos e me perdoou. Portanto, nós estamos bem e continuamos juntos. — explicou ela.

— Você está enganada, Mia. Isso é da minha conta sim. — retrucou Crowley. — O seu rompimento com o anjinho lá fora era uma condição para eu te entregar a graça dele, como de fato eu fiz. Eu não mencionei isso durante a nossa negociação porque você foi bem taxativa e convincente naquela noite. Você me garantiu que a sua história com ele acabaria no exato instante em que você devolvesse a graça para ele.

— Eu me enganei. Mas por que o fim do meu relacionamento com ele é tão importante para você? — questionou Mia.

— Porque se você continuar com o Castiel, isso vai atrapalhar os meus planos diretamente. — expôs o demônio de uma forma que deixou a garota ainda mais intrigada.

— Eu não vou terminar com ele. — avisou ela, fazendo questão de deixar isso bem claro para o Rei do Inferno.

— De um jeito ou de outro, você vai partir o coração do Castiel, Mia. Eu só queria que fosse do jeito mais fácil porque odeio ver os casais sofrendo.— provocou Crowley e a caçadora o encarou com ódio. Depois de se levantar do sofá e parar diante dela, ele completou: —Ou talvez, o próprio Castiel parta o seu coração antes, considerando que ele parece ter arranjado uma amiga à altura.

Sentindo uma chama de ciúme arder em seu peito, Mia fez um esforço enorme para não demonstrar o que estava sentindo e questionou secamente:

— Você já terminou?

— Ainda não. — respondeu ele tranquilamente. — Na verdade, Mia, eu vim aqui para te cobrar a primeira parte da dívida.

— Como assim a primeira parte? — estranhou ela. — Eu só estou te devendo um favor. Apenas um, Crowley. Não tente me enrolar.

— Eu trouxe a Sra. Moose de volta e te entreguei a graça do Castiel. Dois favores, portanto, você me deve dois favores também. — explicou ele.

— Não era esse o combinado. O acordo envolvia só a Claire. — retrucou a garota, sentindo um nervosismo e uma revolta crescentes dentro de si.

— Qual é, Mia? Você achou mesmo que eu ia te entregar a graça do Castiel assim? Sem pedir algo em troca? — questionou Crowley e depois de observar a expressão dela por alguns instantes, disse com deboche: — Que bonitinha, você achou. Bem, se serve de consolo, eu achei que você e o Castiel iriam romper, mas isso não aconteceu. Então nós dois nos enganamos, Mia. Eu acho que chamam isso de ruído de comunicação. Acontece.

— Seu desgraçado... — xingou Mia num tom de voz que não chamou a atenção das vendedoras.

Ignorando aquilo, Crowley explicou:

— Eu não tenho o dia inteiro, Mia, portanto, serei breve. Você vai pagar a primeira parte do nosso acordo, com informações sobre a Tábua dos Anjos. Sendo mais claro, eu quero saber tudo, exatamente tudo, que o Kevin descobriu até agora e tudo que ele ainda vai descobrir.

Revoltada com aquilo, Mia retrucou:

— Eu não vou ser a sua espiã, Crowley.

O Rei do Inferno a fitou de um jeito intimidador e disse com naturalidade:

— Tudo bem, neste caso, eu irei procurar a Sra. Moose agora mesmo. Sabe... Talvez eu a mate na frente do Moose, já que pelo o que eu ouvi falar, eles estão juntos, na estrada. Mas não se preocupe, eu digo que você mandou lembranças antes de cortar a garganta dela na frente dele.

Mia sentiu um calafrio percorrer todo o seu corpo e o ar ficou pesado em seus pulmões. Quando Crowley sorriu e ia se virar para deixar a loja, e provavelmente cumprir a ameaça que tinha feito, ela o chamou aflita:

— Espera!

— Sim? — disse o Rei do Inferno, voltando a encará-la.

Um turbilhão de pensamentos e sentimentos tomavam conta de Mia naquele momento, a impedindo de dizer qualquer coisa. Por um lado, ela sabia que aquilo ia acontecer e que para proteger Claire, ela teria que cumprir com a sua parte no acordo com Crowley.

Mas, por outro lado, aquela situação era desesperadora e muito complicada. Em outras palavras, Crowley estava pedindo que ela traísse a confiança, não só de Kevin, mas de todos no bunker.

Mia sentia-se péssima por isso, mas ao mesmo tempo, sabia que não tinha escolha. Mentir para Crowley não parecia uma opção inteligente, já que se ele descobrisse, as consequências poderiam ser desastrosas. E o jeito como ele falava sobre Sam e Claire, deixando claro que sabia exatamente onde encontrá-los, o jeito que ele tinha aparecido ali, deixando claro que tinha a rastreado de alguma forma, deixou Mia com muito medo do que poderia acontecer, caso ela se recusasse a cumprir a sua parte.

Por todos esses motivos, mas ainda assim com muito custo, ela se ouviu respondendo um tanto hesitante:

— O Kevin e a Chloe descobriram que existe uma forma de obrigar o Metatron a restituir o poder que ele absorveu da Tábua dos Anjos. Envolve um ritual em enoquiano e, claro, em atrair o Metatron para uma armadilha. Mas, não se preocupe, eu e o Cas já estamos elaborando um plano para isso.

— Vocês estão elaborando um plano? — repetiu Crowley com certa incredulidade. — Engraçado porque vendo daqui, parece que vocês estão mais preocupados em planejar um casamento.

— O meu casamento não vai atrapalhar esta missão. — assegurou Mia.

— Eu espero que não. Vejo você por aí, Mia. — assentiu Crowley, a fitando de um jeito intimidador novamente, antes de se virar e deixar a loja.

Assim que o Rei do Inferno passou pela porta, Mia sentiu que um peso tinha saído dos seus ombros e respirou fundo, sentindo o ar mais leve.

Logo Amelia aproximou-se e, querendo sair dali o mais rápido possível e voltar para o bunker, Mia disse:

— Eu vou ficar com este vestido.

— Ótima escolha. — parabenizou a vendedora.

Algum tempo depois, Mia saiu da loja carregando uma enorme caixa com o vestido de noiva dentro. Então, ela olhou em volta, procurando por Castiel, mas não o encontrou.

Mia caminhou pela calçada, olhando para os lados de vez em quando, até que virou a esquina. Andou mais alguns metros e finalmente avistou o anjo. Não só ele. Castiel e Sophia estavam sentados em um banco que ficava em frente a uma loja de conveniências.

Mia se aproximou hesitante e parou a certa distância dos dois. Parecia que Castiel tinha terminado de falar e agora ouvia Sophia retrucar enfaticamente. Mia deu mais um passo e ouviu ela dizer:

— Você me entendeu muito bem, Castiel. Se você quer a minha ajuda e dos outros anjos, você precisa escolher um lado. O Metatron pode ter muitos defeitos, mas pelo menos ele escolheu um lado. Bem ou mal, ele quer nos liderar. Se nós vamos tirá-lo do poder, então vamos precisar de um novo líder. E para isso você tem que deixar aquela garota e aqueles malditos Winchester para trás e se juntar aos seus irmãos. Você precisa escolher se quer ser um anjo de verdade ou continuar sendo o bichinho de estimação deles e daquela garota.

— Eles são meus amigos e a mulher que eu amo, Sophia. Eu já disse para você respeitá-los. E eu sou um anjo, assim como você, e não um bichinho de estimação de alguém. Você está passando dos limites e eu não vou tolerar mais isso. — redarguiu Castiel firmemente.

Sophia ia contra argumentar, quando notou a presença de Mia e levantou-se do banco atônita. Castiel fez o mesmo em seguida e os dois olharam para ela, que permaneceu imóvel e muda.

O que Mia estava sentindo naquele momento era algo que não sabia explicar direito, mas doía. Parecia que todos estavam contra o relacionamento dela com Castiel. E o pior, por mais que fosse difícil admitir, todos tinham sua parcela de razão.

— Como eu não notei a presença dela antes? — questionou Sophia intrigada. — Faz tempo que você está aí?

Finalmente Mia conseguiu dizer alguma coisa:

— Tempo suficiente para confirmar o que eu já tinha notado. Você não gosta de mim, não é?

— Nem eu, nem nenhum anjo gosta. — esclareceu Sophia.

— Eu gosto. — afirmou Castiel de um jeito inocente.

— Você não conta. Ela te enfeitiçou. — retrucou a anjo.

— Sophia, já chega! — ordenou ele firmemente.

— Você não consegue ver o que está acontecendo, Castiel? — desafiou ela, ignorando aquela ordem. — Nós mal sentimos que essa garota estava ali. Tem alguma coisa errada com ela, alguma coisa que bloqueia os nossos poderes. Ela é uma aberração, Castiel. Se você queria se relacionar com uma humana imunda, pelo menos devia ter procurado alguém que não estivesse contaminada por sangue de demônio. Ela é uma aberração, Castiel! Uma aberração!

Dor. Foi isso o que Mia sentiu naquele momento. Dor no seu sentido mais puro e devastador. Como uma apunhalada. Mergulhada em dor. Tomada pela dor. Era assim que ela se sentia.

Por isso, Mia praticamente não viu quando Castiel segurou Sophia pelos ombros e mal ouviu quando ele gritou com a anjo, exigindo que ela se calasse, que respeitasse Mia, que o respeitasse também, que ela estava errada. Completamente errada.

Quando se deu conta, Mia já estava se afastando daquela cena. O mais rápido que pôde, embora fosse difícil porque suas pernas não lhe obedeciam direito.

Castiel soltou Sophia que se recompôs e encerrou dizendo:

— Se mudar de ideia, você sabe onde me encontrar.

Em seguida, ela atravessou a rua e Castiel seguiu na direção oposta. Procurou por Mia e logo a alcançou.

— Mia! — chamou o anjo, já que ela continuou andando apressadamente. — Mia, espera! Mia!

Por fim, Castiel a segurou pelo braço e a virou em sua direção. Sentiu uma dor profunda ao notar que os olhos da garota estavam visivelmente mais úmidos e um tanto vermelhos. Ela engoliu em seco, tentando controlar a vontade de chorar ali mesmo e o anjo lamentou:

— Eu sinto muito.

Mia pressionou os lábios com força, antes de se recompor, reunir forças e dizer:

— Eu quero voltar para o bunker. — ao perceber que Castiel ia retrucar, provavelmente para dizer que os dois precisavam conversar sobre o que tinha acontecido, ela insistiu: — Tipo... Agora. Por favor.

Depois de observá-la por alguns instantes, Castiel assentiu com um meneio de cabeça e indicou o beco ao lado da loja de vestidos de noiva. Os dois foram até lá e segundos depois estavam de volta a sala principal do bunker.

Mia deixou a caixa com o vestido em cima da mesa e rapidamente caminhou na direção da escada. Castiel a seguiu, e só parou quando a garota se deteve no primeiro degrau, voltou-se para ele e pediu com a voz embargada:

— Eu quero ficar sozinha.

— Mia... — começou a dizer ele inconformado.

— Por favor. — pediu ela, o interrompendo.

Castiel a fitou com certo pesar. Odiava vê-la sofrer, odiava ter a sensação de que ele era o culpado, odiava Sophia pelas coisas que ela havia dito, odiava tudo aquilo.

Numa tentativa de animar Mia de alguma forma e de se sentir melhor também, ele sugeriu:

— Você não quer tirar a minha roupa?

Mesmo com vontade de chorar, Mia conseguiu rir um pouco daquela proposta. Em seguida, tocou o rosto de Castiel com carinho e dispensou com cuidado:

— Hoje não, anjo.

Em seguida, Mia se virou e voltou a subir a escada. Castiel a acompanhou com um olhar pesaroso.

Notas finais
Quem é a verdadeira aberração: Mia ou Sophia? Sophia, né? Gente, que son of a bitch! Onde já se viu falar coisas tão cruéis assim? Tá merecendo uns paranauês no meio da cara, né? E como desgraça nunca vem sozinha, o Crowley ainda apareceu para atormentar a Mia justamente quando ela estava super happy... Ai meu Odin, por que eu faço essas coisas com os personagens? Por quê? Well, mas, apesar dos pesares, eu gostei muito de escrever este devaneio. Ele foi da comédia para o drama, e para mais drama, e de mais drama para nó na garganta com a Mia dizendo que não queria mais tirar a roupa do Cas... Ô judiêra, sociedade... Bem, só o que eu posso dizer é: aguardem e confiem. Agora, para dar um tempo neste clima deprê, vamos falar sobre o vestido da Mia? Bem, quando Natalie e Claire iam se casar com seus moçoilos, eu fiz uma votação e vocês me ajudaram a escolher os modelitos. Porém, no caso da Mia (minha primeira personagem, menina dos olhos, sacomé né?), eu tomei a liberdade de escolher o pedaço de pano decente que ela vai usar no grande dia. Isso se ela for casar mesmo. Oi? Bem, sem mais delongas, o modelito é este aqui: http://www.devaneiosdeumahunter.blogspot.com.br/2014/12/vestido-de-noiva-mia-clarke.html Gostaram? Ela vai divar? Ah! E só para constar, eu criei este blog aí para postar coisinhas da fic, músicas, imagens etc. Inclusive já postei a trilha sonora de Um Natal Inesquecível kkkkkkkkk Aliás, já postei o primeiro capítulo do especial natalino, vocês viram??? Sobre o capítulo 33, teremos um pouquinho de Clammy e Deanalie. E, modéstia à parte, acho que vocês vão curtir! Bem, this is it. Agora é com vocês! Reviews? Até quarta-feira! PS: Deem uma olhadinha na capa do meu perfil. A menina Luna me emprestou... Tipo para sempre kkkkkkkkkk Amei!