Heaven and Hell

20 Começando um novo dia


Notas iniciais
Oi, gente!!!! Seguinte, resolvi postar este capítulo hoje (e no sábado postarei mais um) porque tenho bastante capítulos adiantados. Mas depois volto a postar só aos sábados, ok? Para variar eu amei escrever este capítulo porque aparecem vários personagens, núcleos, tem romance, tem comédia, tem drama e eitcha lelê! O título está meio blééééé (gente, como é difícil dar nomes para os capítulos kkkkkkkkk), mas resume bem o que veremos no capítulo: o povo começando um novo dia de fato. Bem, espero que vocês gostem! Lá vai!

O ruído de uma porta sendo aberta despertou Sam do sono em que ele estava mergulhado até então. O caçador se mexeu um pouco na cama, olhou para a entrada do quarto e viu Claire fechando a porta atrás de si, visivelmente culpada por tê-lo acordado.

— Desculpe. — lamentou a morena com as costas apoiadas na porta.

— Tudo bem. — tranquilizou Sam enquanto sentava na cama e se encostava na cabeceira. — Você conseguiu dormir um pouco?

— Não. — respondeu Claire soltando um leve suspiro.

Sam a observou durante alguns instantes e com certa preocupação. Em seguida, indicou o lugar ao seu lado na cama e chamou:

— Vem aqui.

Claire se aproximou e sentou sobre os joelhos, de frente para ele. Então os dois ficaram se olhando durante algum tempo. Sam preocupado com a esposa, e Claire incomodada com aquele olhar sobre ela.

A última coisa que a caçadora queria era que Sam a visse de uma forma diferente depois do que aconteceu. Ou que sofresse por não ter impedido o que aconteceu com ela, apesar dos dois saberem que mesmo que ele estivesse lá, naquela maldita biblioteca, não poderia ter impedido Metatron de matá-la.

— Você está diferente desde que voltou. — constatou Sam.

Numa tentativa de convencê-lo de que não havia motivo para se preocupar com ela, Claire inclinou um pouco a cabeça, sorriu levemente, tentando quebrar a tensão que havia se instalado, e retrucou:

— Eu voltei há menos de vinte e quatro horas. Você não teve tempo suficiente para me avaliar.

— Eu percebi no instante em que você saiu daquele carro. — esclareceu Sam fazendo a esposa desmanchar o sorriso e ficar sem argumentos.

Claire amava e, ao mesmo tempo, odiava que Sam a conhecesse tão bem. Era impossível mentir para ele. E ela não estava mentindo por mal, apenas não queria que Sam sofresse por uma coisa que ele não podia consertar ou reverter.

Então, já que a caçadora não podia convencê-lo de que estava tudo bem, ela resolveu falar de verdade sobre o assunto e recomeçou:

— Sam, eu morri. E voltei. Eu acho que uma coisa assim mexe um pouco com a nossa cabeça, não? A certeza da morte. Perceber como nós somos frágeis. Se dar conta de que a sua vida está por um fio. Estar ali em um instante, e no instante seguinte... Não estar mais. E de repente voltar? Eu admito, foi bem estranho e... Doloroso. Mas eu aposto que você também se sentiu assim quando... Passou por isso, não?

Sam pensou um pouco e indagou:

— Em qual das vezes?

Ao ouvir aquilo, Claire sentiu um aperto em seu coração e estreitou o olhar na direção de Sam, o observando com carinho e certa compaixão. Em seguida, segurou uma das mãos dele sobre a cama e disse:

— Eu sinto muito. E... Eu prometo que vou me inspirar no homem forte que você é para superar o que aconteceu comigo. Mas agora será que nós podemos mudar de assunto? Tem outra coisa me preocupando.

— O que é? — quis saber Sam.

Claire se acomodou melhor na cama, passou as mãos pelos cabelos e relatou:

— O meu pai saiu sem dizer para onde ia e a Natalie falou que ele estava meio estranho. Então eu liguei, mas ele desligou na minha cara. Depois de me chamar de... Idjit.

Sam, que até então ouvia atentamente o que Claire estava contando, não conseguiu conter uma gargalhada ao ouvir a última parte. Enquanto a caçadora o encarava sem acreditar que ele estava rindo dela, o Winchester questionou:

— O Bobby te chamou de idjit?

— Pare de rir, não tem graça. — protestou Claire, mas isso só o fez rir ainda mais. — Ele nem deve ter visto quem estava ligando. Eu não consegui dizer nem uma palavra. — como Sam continuou rindo, ela opinou: — Talvez ele pensou que fosse você.

Sam finalmente parou de rir, arqueou as sobrancelhas e questionou um tanto ofendido:

— Ah... Quer dizer que você me acha um idjit?

— Eu não, mas o meu pai... Provavelmente. — explicou ela tentando conter um sorriso de deboche. — Ele nunca me chamaria assim.

— Por que você é a princesinha dele, certo? — zombou Sam.

Claire fechou a mão e bateu em um dos ombros dele antes de protestar:

— Olha, isso é sério, ok? Eu estou preocupada de verdade. Eu acho que ele pode estar... Sei lá... Bêbado, talvez?

Sam voltou a rir e provocou:

— Você não consegue mesmo acreditar que o Bobby te chamou de idjit, não é? Prefere pensar que ele estava bêbado quando disse isso, que foi por engano e... — neste momento o celular de Sam começou a tocar sobre o criado-mudo. Então ele pegou o aparelho, viu quem era, franziu o cenho um tanto surpreso e atendeu: — Oi, Jody. Tudo bem? Aconteceu alguma coisa? — Sam ficou em silêncio enquanto ouvia a xerife do outro lado da linha e Claire o fitava com certa curiosidade. — Sei, sei... — murmurou. — Mas ele está bem, certo? — indagou um tanto preocupado, fazendo Claire se mexer um pouco ansiosa na cama, imaginando que Jody tinha notícias do seu pai. — Tudo bem. Claro, eu entendo. Foi... Algo difícil para todos nós. — de alguma forma, Claire entendeu que "algo difícil" era uma referência ao que tinha acontecido com ela. E sentiu-se péssima por descobrir que aquilo tinha afetado o seu pai mais do que ela imaginava. — Sim, foi a Claire que ligou. — de repente Sam ficou calado de novo e olhou para a esposa um tanto constrangido. Ela o encarou confusa e instantes depois, Sam encerrou: — Tudo bem, eu explico para ela. Se cuida e me mantenha informado, ok? Qualquer coisa, é só chamar.

Assim que o marido afastou o celular do rosto, Claire perguntou com uma mistura de curiosidade e preocupação:

— O que aconteceu?

O Winchester hesitou um pouco antes de responder:

— Você estava certa, o Bobby saiu para beber. Ele ligou para a Jody e pediu que ela o encontrasse em um bar perto daqui. Ela está com ele agora, tentando convencê-lo a ir para o ferro velho.

— Por que ela não traz ele até aqui? — estranhou Claire.

Sam a fitou um pouco sem graça e tentou explicar:

— Eu acho que o Bobby precisa de um tempo.

— De mim. — deduziu Claire com certa tristeza.

— De tudo o que aconteceu. — corrigiu Sam. — Ele viu a própria filha morrer, Claire. Como você acha que ele se sentiu? O Bobby se faz de durão, mas, assim como todos nós, ele vai precisar de um tempo para assimilar o que aconteceu. Mas não se preocupe. A Jody vai cuidar dele e nos manter informados.

Claire pensou um pouco, assentiu com um meneio de cabeça e depois perguntou:

— Ela disse mais alguma coisa?

Diante daquela pergunta, Sam ficou ainda mais sem graça, mas sabendo que não tinha outro jeito, ele decidiu contar:

— O Bobby pediu desculpas por ter te chamado daquele jeito. Ela disse que ele... Se confundiu. Que pensou que... Fosse eu no telefone.

Claire não conteve um sorriso de deboche ao ouvir aquela explicação e lembrou:

— Eu falei.

— Engraçadinha. — resmungou o Winchester fechando a cara.

Sem se intimidar com isso, Claire se aproximou de Sam, apoiou as mãos no colchão e surpreendeu o caçador ao unir seus lábios aos dele com um beijo suave e carinhoso. Em seguida, ela afastou o rosto, sorriu e provocou:

— Se a Jody ligar de novo, diga que eu entendo perfeitamente por que o meu pai se confundiu.

— Ah... Você entende perfeitamente? — questionou Sam fingindo que tinha ficado ofendido com aquilo e partindo para cima da esposa. Ela riu quando seu corpo foi de encontro ao colchão e sentiu-se arrepiada quando Sam se posicionou sobre ela. — Você está ficando muito abusada, Claire Singer. — constatou enquanto passava as mãos pelos cabelos da morena, afastando algumas mechas do seu rosto.

— E o que você pretende fazer a respeito, Sam Winchester? — rebateu ela, mordendo os lábios enquanto fitava o marido de um jeito intenso e sugestivo.

Sam se perdeu por alguns instantes naquele olhar, antes de voltar a si e conseguir responder:

— Como diria um certo casal que nós conhecemos: nada.

Claire riu, mas logo foi silenciada pelos lábios do caçador. Ela o abraçou forte e o envolveu com suas pernas à medida que o beijo se tornava mais envolvente e intenso entre eles.

No entanto, quando uma das mãos de Sam alcançou as costas de Claire, ela interrompeu o beijo imediatamente e o afastou um pouco. O caçador a fitou sem entender o que tinha feito de errado e perguntou:

— O que foi?

A morena passou as mãos pelos cabelos e desconversou:

— Eu acabei de lembrar de uma coisa. É... É isso. Eu tenho que fazer uma coisa.

— Agora? — questionou Sam ainda mais confuso e visivelmente desapontado.

Claire o afastou mais um pouco e sentou-se na cama, evitando olhar diretamente nos olhos do marido. Sem conseguir parar de pensar no que tinha acontecido na Biblioteca do Congresso, muito menos pensar em uma desculpa para ter interrompido aquele momento entre ela e Sam, Claire levantou da cama e, enquanto caminhava até a porta, balbuciou:

— É, agora. Me desculpe.

— Claire? — chamou Sam, mas se calou ao vê-la saindo do quarto sem lhe dar qualquer explicação.

XXX

Enquanto isso, em um bar no centro de Lebanon, que estava relativamente vazio àquela hora do dia, Jody guardou o celular no bolso da calça e olhou para Bobby sentado ao seu lado, em uma das mesas do estabelecimento.

— Pronto, o mal entendido foi esclarecido. — avisou a xerife.

O caçador tomou mais um gole da terceira garrafa de cerveja, que havia pedido momentos antes, e resmungou:

— Que tipo de pai eu sou para chamar a própria filha, que acabou de voltar da morte, de idjit?

— Você se confundiu. — amenizou Mills. E esboçando um leve sorriso, ironizou: — Eu tenho certeza que o Sam adorou saber que o elogio na verdade era para ele. — o caçador sorriu ao ouvir aquilo e, depois de uma pausa, a xerife mudou de assunto: — Não foi sua culpa o que aconteceu com a Claire. E ela sabe disso.

Bobby desmanchou o sorriso e, depois de um longo momento em silêncio, finalmente se pronunciou:

— Sabe o que eu pensei naquela hora? — após tomar mais um gole da cerveja, ele respondeu com a voz um tanto trêmula por conta do efeito do álcool: — Então foi para isso que Deus me trouxe de volta? Para me dar uma filha e tirá-la de mim meses depois? Que tipo de deus faz uma coisa assim? — Jody ficou pensativa ao ouvir aquelas palavras e Bobby prosseguiu: — E depois eu fiquei pensando que se foi mesmo Deus que me trouxe de volta, eu, justo eu… Então Ele não ia deixar uma pessoa como a Claire partir assim, que com certeza Ele ia fazer o mesmo por ela. Então eu fiquei esperando, esperando... Esperando que alguma coisa acontecesse, que ela se mexesse, que voltasse a respirar de repente, mas… Foi um demônio que acabou fazendo o serviço de Deus. A Claire foi salva pela Mia e pela droga de um demônio imundo.

Jody já tinha ouvido aquela história, mas com outras palavras, desde que chegou naquele bar, porque Bobby não falava em outra coisa.

— Sabe, eu não tive a mesma sorte. — murmurou ela se lembrando da sua própria história de vida.

— Sorte? — não entendeu o caçador.

Jody ficou com o pensamento distante durante algum tempo e só depois explicou:

— Nenhum demônio apareceu para salvar a minha família. — em seguida, e para surpresa de Bobby, a xerife pegou a garrafa de cerveja da mão dele e expôs: — Você teve sorte sim. A Claire está viva. Sam e Dean, que você considera como filhos, também voltaram da morte, do Inferno e do Purgatório. Tantas vezes que eu até já perdi a conta. Você também voltou. E enquanto isso, a minha família continua morta e eu… Continuo sozinha. — depois de entornar a garrafa e beber metade da cerveja, a xerife acrescentou com certa revolta: — Sozinha não, conversando com um bêbado que só sabe reclamar e choramingar feito uma garotinha.

— Balls! — resmungou Bobby visivelmente ofendido.

— Sem essa de balls! — protestou Jody indignada depois de beber mais um pouco da cerveja. — Pare de reclamar, Bobby Singer. A sua vida não é perfeita, mas… Droga! Pelo menos você tem uma vida, pessoas que se importam com você e pessoas com as quais eu tenho certeza que você se importa também. Eu não tenho nada disso, eu perdi tudo, eu não tenho… Ninguém.

Em seguida, a xerife terminou a cerveja e colocou a garrafa sobre a mesa. O silêncio perdurou por algum tempo até que Bobby recomeçou:

— Isso não é verdade. — Jody o encarou sem entender o que ele queria dizer com aquilo. E então o caçador explicou: — Você faz parte daquela família maluca também. Eles se importam com você, gostam de você. E eu sei que isso não é grande coisa, mas eu também me importo. Eu também…

Bobby parou de falar e Jody estreitou o olhar na direção dele com um visível interesse. No entanto, o caçador pareceu ficar sem graça e desistiu de prosseguir. Tinha medo de ser mal interpretado, tinha medo de dar esperanças para Jody em relação a certas coisas que ele não conseguia admitir que também sentia por ela. No fundo, Bobby achava que estava velho demais para se sentir como um adolescente. Além disso, Jody merecia alguém melhor do que ele.

Por fim, o caçador ficou olhando para as garrafas vazias sobre a mesa e a xerife acabou sorrindo levemente e dizendo:

— Eu também gosto de você, Bobby. — os dois se olharam durante algum tempo, em silêncio, até que Jody soltou um suspiro e prosseguiu: — E é por isso que eu te peço, me deixe te levar até o ferro velho. Aquele lugar ainda é seu. Você pode ficar lá até o porre passar ou até se sentir pronto para encarar a sua filha de novo. Se você quiser, eu posso te fazer companhia. Como amiga… É claro.

Bobby pensou um pouco e por fim assentiu:

— Tudo bem. — e após uma breve pausa, ele finalizou: — E obrigado. Você sabe... Por me aturar.

— O prazer é meu. — respondeu a xerife lhe lançando um leve sorriso e instantes depois se levantou da cadeira.

Bobby retirou algumas notas da carteira e deixou o dinheiro sobre a mesa. Em seguida, também levantou, mas teve que se apoiar em Jody para não cair. Só então percebeu o quanto estava zonzo. Tinha bebido demais, mas pelo menos a conversa com ela tinha lhe feito bem. Não só pelas coisas duras que Jody lhe disse, mas também pela sua companhia.

Bobby não estava pronto para pensar de verdade no que sentia pela xerife, mas tinha uma coisa que ele não podia e não precisava negar: Jody Mills era uma grande amiga.

Momentos depois, os dois deixaram o bar.

XXX

Kevin e Chloe estavam na sala principal do bunker, sentados à mesa, olhando fixamente para a Tábua dos Anjos, diante de um impasse. Eles não sabiam como iriam remover a primeira camada do artefato, sem danificá-lo, para que assim pudessem visualizar a parte que realmente interessava. A parte onde o verdadeiro texto escrito por Metatron, sob a orientação de ninguém mais ninguém menos do que Deus, devia estar.

Kevin, que já havia feito milhares de sugestões, soltou um longo suspiro e indagou:

— E se nós colocarmos essa coisa de molho?

Chloe franziu o cenho e questionou:

— Você acha que pode funcionar?

— Se vai funcionar eu não sei, mas pelo menos nós ganhamos um... Tempinho para namorar. — respondeu Kevin.

Em seguida, ele desviou o olhar da Tábua dos Anjos e voltou-se para Chloe. Segundos depois, a hacker também olhou para ele, sorriu e insinuou:

— Bem, eu acho que nós podemos arranjar este tempinho agora mesmo.

— Você acha? — interessou-se Kevin sorrindo de volta enquanto se aproximava um pouco.

— Eu tenho certeza. — confirmou a garota tocando o rosto do profeta com uma das mãos enquanto ele se aproximava mais.

A hacker inclinou o rosto e fechou os olhos junto com Kevin. Suas bocas se encaixaram perfeitamente, mas se separaram bruscamente logo depois, quando alguém entrou na sala dizendo:

— Ah! Mas nesse ritmo, essa tradução vai sair rapidinho! Só que não.

Assustados com a interrupção, Kevin e Chloe quase caíram das cadeiras, mas conseguiram se recompor bem a tempo e olharam para a porta, onde Mia estava parada, com os braços cruzados, descalça, um pouco descabelada e vestindo o sobretudo de Castiel, devidamente fechado.

— Eu ia perguntar por que você está vestida desse jeito, mas pensando bem, eu prefiro não saber. — disse Kevin receoso.

— Que bom, porque eu não ia responder mesmo. — rebateu Mia dando de ombros.

— Na verdade, você não precisaria responder. Está estampado na sua cara. — retrucou Chloe e dando uma boa olhada nos trajes da caçadora, completou: — E neste... Modelito.

Mia ficou desnorteada por alguns instantes, sorriu sem graça e decidiu recomeçar:

— Quando foi que vocês se tornaram tão indiscretos?

— Quando eu não sei, mas eu posso te dizer com quem nós aprendemos. — provocou Kevin sorrindo e arqueando as sobrancelhas.

— Eu estou criando monstros. — refletiu Mia em choque. Antes que aquilo se tornasse mais constrangedor, ela achou melhor mudar de assunto: — Bem, eu estava indo para a cozinha preparar um lanche, porque eu estou... Morrendo de fome, mas antes será que vocês poderiam me atualizar? Como anda a tradução da Tábua dos Anjos?

Kevin e Chloe se entreolharam um tanto desapontados, antes do profeta responder:

— Na verdade, nós não fizemos nenhum progresso até agora.

Antes que Mia dissesse que eles não tinham progredido porque estavam ocupados demais se agarrando, Chloe antecipou-se:

— O artefato tem uma camada falsa, lembra? Nós não sabemos como removê-la.

Mia pensou um pouco e perguntou:

— Posso tentar uma coisa?

— Claro. Vai em frente. — assentiu a hacker indicando o artefato sobre a mesa.

Então Mia se aproximou, pegou a Tábua dos Anjos com as duas mãos, se afastou da mesa e observou o artefato por alguns instantes, enquanto mordia o lábio inferior e estreitava o olhar na direção do objeto. Em seguida, e com um movimento rápido e brusco, ela simplesmente soltou o artefato, que caiu no chão e se partiu em quatro pedaços.

— Mia! — exclamaram Kevin e Chloe ao mesmo tempo, chocados, se levantando das cadeiras e olhando na direção do chão.

Sem se importar com o susto que causou no casal, Mia se abaixou, pegou cada um dos pedaços da Tábua dos Anjos e removeu, com certa facilidade, a camada que cobria a verdadeira superfície do objeto. Camada que tinha praticamente se soltado sozinha com o impacto da queda.

Depois disso, ela aproximou os pedaços do artefato e, como num passe de mágica, eles se atraíram e se uniram. Em seguida, uma espécie de facho de luz iluminou e extinguiu as rachaduras que os separavam até então.

Kevin e Chloe respiraram aliviados e o profeta se lembrou de que já tinha visto aquilo acontecer uma vez, só que com a Tábua dos Demônios.

Mesmo assim, a atitude impulsiva de Mia tinha deixado os dois meio chocados e surpresos. Eles se perguntavam se a caçadora sabia que os pedaços iriam se unir ou se apenas achava que sim.

Na verdade, Mia tinha visto a Tábua dos Anjos se partir uma vez, há poucos dias, no subsolo da Biblioteca do Congresso, mas certeza de que aquilo ia se repetir, ela não tinha de verdade. Era mais um forte palpite.

Depois de se levantar e colocar o artefato sobre a mesa, ela fitou o casal ainda atônito e encerrou tranquilamente:

— Prontinho. Agora é com vocês, pombinhos. Ah! E não precisam agradecer, eu sei que sou uma gênia e foi um prazer ajudar.

Kevin e Chloe observaram Mia se virar e deixar a sala. Instantes depois, olharam para a Tábua dos Anjos e constataram que o verdadeiro texto do artefato estava realmente lá.

Mais tarde

Depois de dormir praticamente a tarde inteira, Dean finalmente começou a acordar. Ele abriu os olhos devagar, se esticou na cama e colocou a mão no lugar ao seu lado, esperando encontrar Natalie deitada ali.

Mas, ao perceber que o lugar estava vazio, ele abriu mais os olhos, ergueu a cabeça e percorreu a cama com os olhos um tanto decepcionado.

Logo ele se convenceu de que Natalie devia ter acordado antes dele e deixado o quarto. Talvez ela estivesse tomando um banho ou assaltando a geladeira. Ao pensar na última opção, o caçador se deu conta de que estava cheio de fome. E como se quisesse confirmar que ele estava certo, o seu estômago roncou impaciente.

Dean sentou na cama, passou as mãos pelo rosto e ele estava pronto para levantar da cama, quando ouviu o seu celular vibrando sobre o criado-mudo.

Ainda um pouco sonolento, Dean esticou o braço e pegou o aparelho. Viu que tinha acabado de receber uma mensagem. De Natalie. Começou a se questionar por que a esposa tinha lhe enviado uma mensagem de dentro do bunker. Sorriu ao imaginar que poderia se tratar de um jogo de sedução. Pelo visto, ele não tinha deixado a loira tão cansada, como havia imaginado. E depois de algumas horas de sono, Dean sentia-se pronto para outra.

— Natalie Jones... Sua danadinha. — murmurou o caçador empolgado com os pensamentos pecaminosos que passavam pela sua cabeça naquele momento.

No entanto, o seu sorriso se desmanchou em seguida, quando ele leu o conteúdo da mensagem. Nela, Natalie dizia:

"Fui caçar. Explico depois."

Sem carinha feliz desta vez.

Notas finais
Aiiiiiiimmm eu adorei esta gif do Dean e tinha que colocá-la kkkkkkkkkkkk E depois de "Fui caçar. :-D" a Natalie inventou o "Fui caçar. Explico depois." kkkkkkkkkkk O que esperar do próximo capítulo? Dean ensandecido!!! Também não é para menos, né? Conforme foi dito neste e no capítulo passado, a Natalie fez questão de usar e abusar do corpinho do moçoilo só para sair às escondidas... Mas mudando de assunto, eu tinha dito para alguma leitora que neste capítulo teriamos "coelhada em ação", mas me enganei. É no próximo kkkkkkkk sorry. Agora reflitam comigo, sociedade, se a Mia está com o sobretudo do Cas, como o Cas está? Tempo!!! Por falar em Mia, vocês viram como a moçoila foi delicada e encontrou uma solução para o impasse que Kevloe estava tentando resolver? Na dúvida, gente, joga a bagaça no chão kkkkkkkkkkkkk Por falar em Kevloe... Awwwnnnttt gosto tanto deste casal profético, nerd e meigo que nem tenho muito o que dizer sobre eles. Vixe Maria, mas agora vamos falar de duas coisas sérias: Claire saindo pela tangente e deixando o Sam a ver navios e Bobby enchendo a cara. Pode isso, Loki? Pois é, pois é, pois é. Dramas, conflitos e outros paranauês à vista. Espero que tenham gostado do capítulo, idjits, e não deixem de me contar tudinho nas reviews, hein? Tô de olho em vocês... Bjs e inté sábado!