Heaven and Hell
39 Beco sem saída
Notas iniciais
Claire tentava respirar, mas o ar simplesmente não chegava em seus pulmões. Sua garganta queimava à medida que os dedos do demônio apertavam o seu pescoço com força. Claire debatia-se, mas, sem ar para oxigenar o seu cérebro, ela foi perdendo as forças pouco a pouco. Seus olhos começaram a se fechar, mas mesmo assim ela conseguiu distinguir algo com a sua visão periférica. Era Sam levantando-se do chão, visivelmente desnorteado.
Rapidamente, o caçador procurou a faca da Ruby, que havia caído quando o demônio o jogou contra uma das paredes do porão.
Então, tudo aconteceu muito rápido. Claire lutava para respirar e para manter os olhos abertos, quando sentiu o chão vibrar embaixo de si, sob o peso dos passos apressados de Sam. Então o demônio soltou um grito de agonia e uma luz vermelha emanou de seus olhos e de sua boca. Seus dedos soltaram o pescoço de Claire automaticamente e, em seguida, ele caiu sobre ela. Indiscutivelmente morto.
A caçadora começou a tossir compulsivamente e levou as mãos ao pescoço dolorido. Sam arrancou o demônio de cima dela, abaixou-se diante da esposa e a ajudou a se sentar enquanto perguntava aflito:
— Claire, você está bem?!
Incapaz de pronunciar qualquer palavra naquele momento, ela apenas assentiu com um meneio de cabeça.
— Bom. — balbuciou ele um pouco mais aliviado. — Acabou. Agora nós vamos ir embora daqui, ok? — disse enquanto a ajudava a levantar do chão, depois de ter retirado a faca das costas de Richard Henriksen.
Sem dizer mais nem uma palavra e sem olhar para trás, os dois subiram a escada do porão e logo deixaram a casa.
XXX
Sam passou no hotel apenas para encerrar a conta e pegar algumas coisas dele e de Claire que estavam no quarto. Momentos depois, o caçador caminhou pelo estacionamento, colocou as duas mochilas no porta-malas e entrou no carro.
Claire, que tinha ficado esperando no banco do passageiro, olhava para um ponto qualquer do estacionamento, com um olhar distante, e massageava o seu pescoço ligeiramente inchado.
Sam olhou para ela preocupado e comunicou:
— Eu vou te levar para um hospital.
— Não... Eu estou bem. — assegurou ela, fazendo um grande esforço para falar e mesmo assim soando quase inaudível.
— Você está tudo, Claire, menos bem. — discordou Sam e diante do silêncio dela, ele resolveu abordar o assunto que realmente a incomodava: — Você disse que a morte de Victor Henriksen não foi minha culpa nem do Dean, mas sim da Lilith. Pois bem, o mesmo vale para você. Aqueles adolescentes e o delegado foram mortos por aquele demônio, Claire, não por você. Portanto, nada disso é sua culpa. O fato daqueles demônios terem sido libertados também não é sua culpa. Você foi manipulada, usada por Abaddon e Belial para que isso acontecesse. Você não teve escolha. — quando a morena finalmente olhou para ele, refletindo sobre aquelas palavras, Sam continuou: — Assim como nós não tivemos escolha esta noite, Claire. E nós ainda tivemos sorte porque havia uma chance daquela faca não funcionar. Mas ela funcionou. Talvez aquele demônio soubesse disso. Ou pelo menos desconfiasse. Talvez por isso ele tentou ganhar tempo, dizendo aquelas coisas para nos desestabilizar e assim escapar antes que nós usássemos a faca nele. Esta caçada... Foi horrível, eu sei disso, mas tenta ver pelo lado positivo. Pelo menos agora nós sabemos que estes demônios não são tão invencíveis como nós pensamos que fossem. Eles tem um ponto fraco também.
— Mas Richard Henriksen está morto, Sam. Não tem nada de positivo nisso. — lembrou Claire, sentindo uma tristeza profunda por não ter conseguido evitar aquilo.
— Mas aquele demônio não vai machucar mais ninguém. — contrapôs Sam. — Nem o Richard. Se ele ainda estava vivo, o que eu duvido muito, o que nós fizemos também foi o melhor para ele, Claire. Nós não podíamos exorcizar o demônio do seu corpo, mas de certa forma, nós o libertamos também. Se ele estava vivo, estava sofrendo muito. — após observar a esposa durante alguns instantes, Sam arrematou: — Eu sinto muito que tenha sido assim, mas infelizmente, não dá para salvar todo mundo, Claire. Isso foi uma das primeiras coisas que eu te disse quando você decidiu entrar neste ramo.
— Eu sei. — assentiu ela. — Eu sei de tudo isso, Sam, e no fundo, eu sei que você tem razão, mas... Mesmo assim, eu não consigo me sentir melhor. Mesmo sabendo que aquele demônio não vai machucar mais ninguém e que, de certa forma, nós fizemos justiça, eu não consigo parar de pensar que existem outros lá fora. Centenas. Talvez mais do que isso. E... Eu só vou me perdoar pelo o que aconteceu nesta cidade quando eles, todos eles, não forem mais uma ameaça para mais ninguém. Você sabe o que isso significa, não sabe?
Sam lembrou de algumas conversas que teve com Claire sobre aquele assunto. Na ocasião, os dois tinham combinado de se empenharem em descobrir uma forma de mandar o exército de demônios de volta para o Inferno, mesmo sem a Primeira Espada. Mas então, Claire se envolveu na busca pela Tábua dos Anjos, morreu, ressuscitou e complicações surgiram, fazendo aquela missão se perder no meio dos inúmeros pesadelos que ela tinha.
Mas agora, aos poucos, Claire estava vencendo aquele trauma. E se deparar com aquele caso, envolvendo um demônio do exército de Crowley, tinha reacendido o desejo dela de por um fim naquela história, de consertar as coisas, de mandar todos aqueles malditos demônios para o lugar de onde eles nunca deveriam ter saído.
Sam sabia que enquanto isso não acontecesse, Claire não conseguiria se perdoar completamente nem seguir em frente. A necessidade dela em consertar as coisas era semelhante a dele quando se empenhou para prender Lúcifer de volta na jaula. E por entender muito bem o que Claire estava sentindo, Sam se comprometeu:
— Nós vamos pensar em um plano, Claire. Eu prometo. Mas primeiro, — enquanto passava os dedos suavemente pelo pescoço dela, o caçador completou: — nós vamos cuidar disso.
Em seguida, Sam deu partida e os dois deixaram Fort Benton para trás.
Mais tarde
Claire se recusou em parar em um hospital, já que a única coisa que ela queria naquele momento era se distanciar o máximo possível de Fort Benton, como se ao fazer isso, pudesse esquecer tudo o que tinha acontecido por lá.
Sam decidiu não insistir para que ela fosse ao médico e parou em um hotel em Great Falls. Depois que ela tomou um banho quente e vestiu um pijama confortável, o caçador lhe deu dois analgésicos para a dor e fez uma compressa para aliviar o inchaço em seu pescoço.
Naquele momento, os dois estavam sentados na cama de frente um para o outro. Sam pressionava a compressa com cuidado no pescoço de Claire, ao mesmo tempo em que observava as marcas dos dedos e unhas daquele demônio sobre a musculatura da região. Percebendo como olhar para aquela imagem incomodava Sam, Claire segurou a compressa e, lembrando-se do que ele havia feito horas antes, ela agradeceu:
— Obrigada. Eu não estava esperando que ele fosse partir para cima de mim daquele jeito, então... Obrigada mesmo.
— Você não precisa me agradecer, Claire. Eu sempre vou te dar cobertura, lembra? — disse Sam, referindo-se à uma conversa que os dois tiveram no início daquele caso. — Além disso, eu que devia te agradecer por ter feito aquela armadilha. Aquilo foi decisivo, você foi muito esperta e agiu rápido. Apesar de tudo, cada vez eu fico mais orgulhoso de você.
— O que eu posso fazer se aprendi com o melhor? — rebateu a morena com um elogio implícito.
Sam sorriu levemente, em seguida segurou o rosto dela com cuidado, o trazendo para junto do seu, e lhe deu um beijo carinhoso nos lábios. Depois disso, ele disse:
— Agora eu quero que você tente dormir um pouco. Você precisa descansar. Eu vou tomar um banho e depois me juntar a você. Amanhã nós continuamos a viagem e quando chegarmos no bunker, voltamos a conversar sobre aquele assunto, tudo bem?
— Ok. — assentiu Claire, e depois de retribuir o beijo de momentos antes, ela deslizou pela cama e deitou com a cabeça apoiada em um dos travesseiros.
Antes de ir para o banheiro, Sam a cobriu com um cobertor. Cerca de vinte minutos depois, ele deitou ao lado de Claire e a abraçou com cuidado. Surpreendentemente, ela já tinha conseguido dormir. Talvez por efeito do remédio.
Sam demorou um pouco mais para pegar no sono, já que ficou pensando em uma forma de solucionar a questão do exército de demônios. No fundo, ele sabia que só havia um jeito: recuperar a Primeira Espada.
Dias depois
Sam e Claire tinham chegado no bunker há cerca de uma hora e, naquele momento estavam reunidos com Dean, Natalie, Mia, Castiel, Bobby, Kevin e Chloe em volta da mesa da sala principal.
Depois que o profeta contou sobre a primeira parte da tradução da Tábua dos Anjos e Sam e Claire assimilaram as informações, foi a vez deles de relatarem tudo o que tinha acontecido em Fort Benton. Em seguida, eles expuseram a necessidade de por um fim naqueles demônios de uma vez por todas.
Depois de pensar um pouco, Mia se pronunciou:
— Eu tenho uma ideia. Uma péssima ideia, mas mesmo assim, uma ideia. — quando todos olharam em sua direção, ela sugeriu: — Eu posso tentar pegar a Primeira Espada da próxima vez em que me encontrar com o Crowley.
— Você tem razão, é uma péssima ideia. — reprovou Castiel imediatamente.
— Como assim da próxima vez que você se encontrar com ele? — quis entender Dean, transmitindo o questionamento das outras pessoas na mesa.
Mia olhou para Castiel, o único que tinha entendido o que ela havia dito implicitamente. Ele lhe lançou um olhar cúmplice, a incentivando a continuar. Então, depois de respirar fundo e se encher de coragem, Mia revelou:
— O Crowley me procurou há alguns dias. Eu estava em uma loja de vestidos de noiva e ele disse que tinha vindo cobrar a primeira parte do nosso acordo.
Todos se entreolharam um tanto surpresos e apreensivos com aquilo e, por fim, Bobby indagou confuso:
— Primeira parte?
— Ele trouxe a Claire de volta e devolveu a graça do Cas, portanto, eu lhe devo dois favores, e não um só, como ele me fez acreditar no começo. — explicou Mia, sentindo uma revolta por dentro ao se lembrar de quando Crowley lhe disse aquilo.
— E o que ele pediu? — perguntou Natalie, ainda assimilando o que Mia havia contado.
Depois de engolir em seco e olhar na direção de Kevin e Chloe, a garota respondeu um tanto envergonhada:
— Atualizações sobre a Tábua dos Anjos até o final da tradução.
— E você contou para ele? Sobre a tradução da primeira parte? — surpreendeu-se Kevin.
— O que eu deveria fazer? — rebateu Mia um tanto indignada. — Ele ameaçou usar o exército de demônios contra pessoas inocentes, e além disso, trato é trato. O Crowley trouxe a Claire de volta e se eu me recusasse a cumprir a minha parte, o que vocês acham que ele faria? Inclusive, ele deu a entender que sabia muito bem que ela e o Sam estavam envolvidos em uma caçada. Eu não podia arriscar.
— Você fez bem, Mia. — assentiu Dean, apesar de achar complicado que Crowley tivesse transformado a garota em uma espécie de espiã, mas ciente de que nenhum deles podiam arriscar a vida de Claire ou de outras pessoas.
— Além disso, o que eu e o que Kevin descobrimos não é algo que o Crowley não possa saber. — disse Chloe, tentando amenizar a situação. — Nós descobrimos uma forma de deter o Metatron, que é exatamente o que o Crowley quer, então...
Após um longo momento de silêncio, Mia confessou:
— Mas mesmo assim, eu tenho medo. Medo de que você e o Kevin descubram algo maior e mais importante. Algo que o Crowley não possa saber.
— Quando isso acontecer, nós voltamos a conversar. — estabeleceu Dean. — Mas agora me fale sobre esse plano genial de se encontrar com o Crowley e pegar a Primeira Espada sem que ele perceba. Como você pretende fazer isso, gênia? O convidando para tomar uma xícara de café?
— É impressão minha ou eu senti um tom de ironia? — incomodou-se Mia, estreitando o olhar na direção do caçador.
— Desembucha. — pediu Dean mais relaxado.
Depois de olhar para cada pessoa na mesa e encostar as costas na cadeira, ela explicou:
— Bem, eu só estava pensando em fazer com o Crowley o mesmo que eu fiz com o Haziel.
— Fora de cogitação. — discordou Castiel prontamente.
— Pode funcionar. — argumentou Mia.
— Não vai funcionar e você vai se arriscar à toa. — contrapôs ele. — Você não percebe como isso não faz sentido? O sangue do Crowley tem feito você desenvolver poderes contra anjos, Mia. A sua imunidade ao meu poder de cura e o que você fez com o Haziel são as provas disso. Portanto, não vai funcionar com o Crowley porque ele não é um anjo, e sim um demônio.
— Não custa tentar. — insistiu Mia.
— Custa sim. Muito, na verdade. — redarguiu Castiel visivelmente preocupado. — Você pode se machucar. O Crowley pode fazer... Algo pior.
— Ele me quer viva. Ele já disse isso inúmeras vezes. — lembrou Mia.
— Se você tentar pegar a Primeira Espada, eu tenho certeza que ele vai mudar de opinião no mesmo instante. — presumiu o anjo, deixando Mia pensativa e sem argumentos.
Após uma pausa, Sam opinou:
— O Cas está certo, é muito arriscado. Nós temos que pensar em outra coisa.
Bobby pensou um pouco e decidiu se manifestar:
— Eu consegui fazer outras facas como a da Ruby. Se nós soubéssemos onde o exército de demônios vai estar, talvez...
— Meia dúzia de caçadores e um anjo contra centenas de demônios? — questionou Dean. —Valeu pelo esforço, Bobby, mas isso também não vai dar certo. Além disso, para matá-los, os demônios teriam que estar possuindo pessoas e não em forma de fumaça. Mas mesmo que isso funcionasse de alguma forma, o que ia acontecer quando o Crowley percebesse as baixas no seu exército?
— Ele ia retalhar imediatamente. — presumiu Natalie.
— Exato. — assentiu Dean.
— E talvez até revogar o acordo com a Mia. — emendou Kevin, deixando todos pensativos, especialmente Sam e Bobby que olharam automaticamente para Claire, visivelmente preocupados, já que o Rei do Inferno tinha a trazido de volta da morte.
Claro que se alguma coisa acontecesse a ela, Castiel poderia trazê-la de volta desta vez, mas a que custo? Claire ainda estava se recuperando do trauma da primeira experiência de ter morrido, será que ela aguentaria passar por aquilo de novo? Mesmo sendo uma mulher forte? Ou e se ao invés de tentar algo contra a caçadora, Crowley mandasse o seu exército atrás de Castiel, acabando assim com qualquer possibilidade do anjo ajudar Claire? E se Crowley investisse contra todos eles?
Claire respirou fundo e levantou da mesa. Em seguida, apoiou-se na cadeira e resumiu:
— Em outras palavras, nós estamos em um beco sem saída.
— Nós vamos dar um jeito de sair dele. — assegurou Sam, a fitando de um jeito firme, embora ele mesmo não soubesse como iam fazer aquilo.
— Na verdade, existe um jeito. Não é necessariamente uma solução, mas pelo menos, é algo que nós podemos fazer neste momento para manter o exército de demônio sob controle. — anunciou Castiel e quando todos olharam em sua direção, ele prosseguiu: — O Crowley usa aqueles demônios contra os aliados do Metatron, certo? Então, tirando o Metatron do caminho, esta guerra entre os dois vai acabar. O Crowley não terá motivos para utilizar o exército. Pelo menos, por um tempo. — e olhando especificamente para Mia, completou: — Então, durante este tempo em que ele vai estar se sentindo mais seguro, nós pensamos em uma forma menos arriscada de recuperar a Primeira Espada.
Todos ponderaram aquela ideia e, por fim, Sam opinou:
— Parece razoável. Então... Como nós tiramos o Metatron do caminho?
Antes que Castiel respondesse, Kevin antecipou-se:
— O Cas me ajudou com o ritual, eu estou praticamente fluente em enoquiano. Agora só falta o mais difícil, que é atrair o Metatron para uma armadilha.
— Eu posso cuidar disso. — assegurou Castiel.
Mia o fitou confusa e questionou:
— E como você pretende fazer isso, anjo, se a Sophia conseguiu acabar com praticamente todo o apoio que você tinha conseguido?
— Eu ainda tenho uma carta na manga. Talvez seja o momento de usá-la. — disse Castiel de um jeito misterioso.
— Que carta? — questionou Mia.
— Quem é Sophia? — indagou Claire, a interrompendo.
— Uma vaca depenada. — respondeu a outra rapidamente, em seguida voltou-se para Castiel e prosseguiu: — Sem a ajuda de outros anjos é praticamente impossível...
— Eu tenho um plano. — anunciou Castiel, fazendo a garota o encarar ainda mais confusa. — Mas algo me diz que você não vai gostar dele. — previu.
Algum tempo depois
Mia abriu a porta do quarto com um movimento brusco, entrou e bateu a porta atrás de si. Nervosa, ela começou a andar de um lado para o outro, mas parou quando Castiel apareceu no quarto, seguido pelo ruído característico de suas asas.
— Você estava certo, eu não gostei nem um pouco deste plano! — esclareceu ela, visivelmente insatisfeita. — Aliás, plano? Isso não é um plano, Cas, isso é suicídio! — esbravejou. — Se entregar?! Sério?!
— Eu não disse que vou me entregar. — protestou ele.
— Foi exatamente o que você disse. — retrucou Mia, e em seguida despejou ainda mais nervosa: — Ir até o Céu? Sozinho? E tentar jogar os outros anjos contra o Metatron, fazendo eles ouvirem a conversa entre vocês através da rádio angelical?! Isso é ridículo. E muito arriscado, para dizer o mínimo!
— Mia, você precisa se acalmar. — orientou Castiel.
— Não diga que eu tenho que me acalmar! — gritou a garota, com um dedo em riste na direção dele. — Apenas me responda, por que você pode fazer algo assim tão estúpido e eu não posso fazer nada?! — quando Castiel ficou um tanto desconcertado pela última palavra dita por ela, Mia fez um esforço para voltar a se concentrar também e resmungou: — Não me olhe assim, você sabe muito bem o que eu quis dizer.
— O seu plano para pegar a Primeira Espada é irracional. — opinou o anjo.
— Não menos do que o seu para deter o Metatron. — redarguiu Mia inconformada.
— O meu plano tem começo, meio e fim. Você só ouviu o começo. — argumentou Castiel.
— Eu ouvi o suficiente e sei exatamente como isso vai terminar. — contrapôs Mia, e depois de se acalmar um pouco, ela sentou na cama, esfregou o rosto com as mãos, respirou fundo e disse com a voz embargada: — Isso vai terminar com... O seu fim, anjo. Você não percebe? — surpreendentemente, o que Mia notou no rosto de Castiel não foi apreensão, muito menos medo, mas sim um leve sorriso. — Do que você está rindo, anjo estúpido? — questionou ela inconformada e confusa.
— Do seu pessimismo. — respondeu Castiel tranquilamente, e depois de sentar ao lado dela, ele anunciou: — Mia, eu vou te fazer uma promessa e eu quero que você se lembre bem dessas palavras, aconteça o que acontecer. — depois de uma breve pausa, ele a fitou nos olhos e assegurou: — Eu não vou morrer.
— Não faça promessas que você não pode cumprir. — balbuciou ela sem qualquer esperança de que aquilo fosse dar certo.
Então Castiel segurou as mãos dela entre as suas e pediu seriamente:
— Mia, eu preciso que você confie em mim. E que me deixe explicar exatamente o que eu tenho em mente. Você consegue fazer isso?
A garota o observou durante algum tempo e, sentindo que não tinha outra escolha e que Castiel merecia pelo menos um voto de confiança para tentar convencê-la de que aquele plano não era maluquice, ela assentiu com um meneio de cabeça e esperou que ele explicasse o que planejava.
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