Heaven and Hell
23 Alguma coisa maligna - Parte 2
Notas iniciais
Dean e Natalie tinham chegado há cerca de dez minutos no Hospital Saint Paul e se apresentaram como médicos do Centro de Controle e Prevenção de Doenças. A caçadora já tinha ido ao hospital naquela manhã e, usando o mesmo disfarce, tinha conseguido os prontuários das oito crianças internadas com pneumonia.
Naquele momento, ela e Dean estavam em frente a ala pediátrica, observando as crianças através do vidro que separava o enorme quarto do corredor. Dentro do recinto, algumas enfermeiras aplicavam as medicações nos pacientes e um médico supervisionava o trabalho, ao mesmo tempo em que examinava as crianças.
Natalie sabia que as medicações não estavam fazendo efeito porque a causa da pneumonia era sobrenatural. Mesmo assim, ela sentiu uma grande necessidade de voltar naquele hospital. Não só porque tinha ficado sensibilizada diante da idade dos pacientes, todos tinham entre cinco e oito anos, mas também porque ela acreditava que aquele era o ambiente ideal para conversar com Dean sobre o caso, sem que os dois brigassem.
Ao olhar de relance para o caçador, Natalie percebeu que ele estava com a expressão fechada, olhando de um jeito sério para a ala pediátrica, deixando claro que se ela queria conversar, teria que tomar a iniciativa.
Depois de revirar os olhos e respirar profundamente, Natalie resolveu começar:
— Então, essa... Shtriga... Por que ela faz isso com as crianças?
Dean permaneceu em silêncio por um bom tempo e Natalie cruzou os braços irritada com a demora por uma resposta. Mas, em dado momento, ele pareceu se cansar de provocá-la e decidiu explicar:
— Ela se alimenta do spiritus vitae, sopro de vida ou força vital. Tem preferência por crianças porque a energia delas é mais forte do que a dos adultos. Então, de tempos em tempos, a shtriga escolhe uma cidade, no meio da noite ela entra nos quartos das vítimas pela janela, absorve a força vital delas e as crianças adoecem por causa da baixa imunidade. — disposto a mostrar todo o seu conhecimento sobre aquela bruxa, Dean prosseguiu com certa presunção: — A shtriga vem da Albânia, mas a primeira lenda surgiu na Roma antiga. Ela pode ser morta com ferro sagrado. Ou seja, balas de ferro benzidas.
— Nossa... Como você é inteligente. — disse Natalie com desdém e sem olhar para ele.
Sem se intimidar, e na verdade para provocá-la ainda mais, Dean continuou:
— Geralmente, a shtriga deixa a janela aberta quando sai. Eu aposto que quando você falou com os pais das crianças, eles mencionaram este detalhe. — Natalie ficou em silêncio, Dean a olhou de canto e entendeu que tinha acertado. Em seguida, ele revelou: — A shtriga toma a forma humana para se disfarçar. Pode ser qualquer pessoa.
— Da última vez, que forma ela tomou? — perguntou a caçadora.
— De um médico. — contou Dean ao se lembrar do Dr. Hydeker.
Natalie pensou um pouco enquanto observava o médico que examinava uma das crianças e com quem ela havia conversado mais cedo. Em seguida, ela perguntou:
— Você acha que pode ser ele?
Dean olhou na mesma direção que Natalie, fez um biquinho com os lábios enquanto pensava a respeito e depois respondeu:
— Como eu disse, pode ser qualquer um. Inclusive ele.
— E por acaso você trouxe a arma com as balas de ferro? — quis saber a caçadora.
— Sim. — respondeu o Winchester, que ao descobrir o que Natalie estava caçando, já tinha preparado a arma e a munição certa para despachar a shtriga quando chegasse a hora.
— Ótimo. — murmurou ela.
Um tanto assustado ao deduzir o que tinha se passado na cabeça da esposa, Dean arregalou os olhos, se virou na direção dela e, aos sussurros para não chamar a atenção de médicos e enfermeiros que passavam pelo corredor, ele a repreendeu:
— Natalie, nós não podemos sair atirando assim.
— Por que não? — indagou ela quase sem perceber. Mas diante do olhar ainda mais assustado de Dean, ela voltou a si e, atrapalhando-se um pouco, corrigiu: — Oh... Certo, não atirar em civis. Nem em hospitais. Nem em civis em hospitais.
— Natalie... Você está bem? — preocupou-se Dean estreitando o olhar na direção dela.
— Claro, por que eu não estaria? — retrucou a loira tentando soar natural.
— Talvez porque você sugeriu atirar em um médico. — ressaltou ele abismado.
— Foi você que disse que ele pode ser uma bruxa da Albânia. Eu só estava tentando ser prática. — argumentou Natalie um tanto indignada, mas ao perceber que estava soando como maluca, ela suspirou pesadamente e admitiu um tanto ríspida: — Ok, eu não estou bem. Satisfeito? — e depois que Dean a olhou com certa compaixão, porque ele sentia um pouco de arrependimento por ter sido tão intransigente com ela desde que chegou naquela cidade, Natalie o fitou severamente e pediu de forma ainda mais rude: — Não me olhe deste jeito.
Antes que o Winchester pudesse dizer qualquer coisa, Natalie passou por ele e caminhou apressada pelo corredor, em direção à saída do prédio.
Logo ela chegou do lado de fora, caminhou pelo estacionamento e entrou no Camaro. Instantes depois, e para surpresa da caçadora, Dean se aproximou, abriu a porta do lado do carona, entrou, sentou e bateu a porta.
Confusa, Natalie olhou para o Impala estacionado a alguns metros de onde o Camaro estava, depois olhou para Dean e avisou com certo sarcasmo:
— Amor, você errou de carro. A sua lata velha está bem ali.
Sem se intimidar com a provocação, Dean disse seriamente:
— Ok, já chega. Nós precisamos conversar.
— Sobre o caso? — perguntou Natalie.
— Sobre nós. — rebateu Dean.
Natalie o fitou por alguns segundos antes de apoiar o braço na janela, olhar para o lado de fora e se esquivar:
— Se for para conversar, eu prefiro que seja sobre o caso.
Dean pensou um pouco e resolveu insistir:
— Você tem que decidir o que vai fazer com essa raiva repentina que está sentindo por mim, Natalie. Porque do que jeito que as coisas estão, quem vai acabar levando um tiro sou eu.
— Eu não estou com raiva de você! — retrucou a loira de um jeito ríspido, voltando a olhar para Dean. Ao perceber que o tom que usou contradizia o que havia falado, Natalie se acalmou um pouco e tentou explicar: — Eu te falei, esse caso é pessoal, mexe comigo, desperta lembranças que eu pensei que estavam esquecidas...
— E despertou uma mágoa que você nem sabia que existia. — completou Dean a interrompendo.
— Exato. — confirmou Natalie fazendo o Winchester olhar para o painel do carro e ficar um tanto pensativo.
Depois de mais algum tempo em silêncio, ele resolveu se defender:
— Sabe, eu era uma criança. Seguindo ordens do meu pai, tentando proteger o Sammy e me manter vivo ao mesmo tempo. Por mais que eu quisesse voltar e ver como você estava, eu não podia, Naty. Eu tive que te esquecer. Para o seu próprio bem.
— Parabéns, você fez um ótimo trabalho. — resmungou ela voltando a olhar para o lado de fora.
Dean observou Natalie por algum tempo enquanto pensava na quantidade de argumentos que poderia listar para explicar por que ele e John a deixaram naquela cidade e nunca mais voltaram. Mas, percebendo que seria em vão, porque Natalie não queria ouvir e, no fundo, porque Dean não achava que tinha que se justificar por ter seguido ordens do seu pai, ele suspirou pesadamente, abriu a porta e saiu. Quando ia fechá-la, voltou e sentou no banco novamente. Natalie olhou para ele e o caçador mudou de assunto:
— Sobre o caso, mesmo que nós tivéssemos certeza de que o médico lá dentro é a shtriga e atirássemos nele, não aconteceria nada. Shtrigas são à prova de balas quando não estão se alimentando. Para despachar a desgraçada, nós temos que pegá-la quando ela estiver vulnerável.
Ainda magoada com o assunto anterior, Natalie demorou algum tempo para absorver aquela informação e se pronunciar à respeito:
— E como nós vamos saber que momento é esse?
— Pelo o que eu li nos prontuários, a maioria dos pacientes são irmãos. Isso não me surpreendeu porque é assim que a shtriga age. Ela pega um irmão em uma noite e, na noite seguinte, volta para pegar o outro. — explicou Dean.
— A última criança morava no orfanato, ela não tem irmãos de sangue... — começou a dizer Natalie, mas parou em seguida ao se dar conta de que, naquela situação, isso não devia ter tanta importância para a shtriga. Então a caçadora estreitou o olhar na direção de Dean e deduziu preocupada: — A shtriga vai pegar as outras crianças.
— Uma a uma. — acrescentou o Winchester seriamente. — Provavelmente, ela vai começar por alguém mais próximo da última vítima. Alguém que dividia o quarto com ela, uma amiga mais íntima talvez, eu não sei. O que eu sei é que nós temos que ir até o... Orfanato, descobrir a potencial vítima e ficar na espreita até a shtriga aparecer.
Natalie ficou em silêncio. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde, teria que voltar para o lugar onde viveu a sua infância e parte da adolescência. Ela mesma já tinha tocado no assunto quando foi atrás de Dean no hotel em que ele estava. Chegou a orientá-lo a não dizer e não perguntar nada, não pensar nem respirar quando eles estivessem no orfanato.
Mas vendo que o momento de encarar o seu passado se aproximava, a loira ficou visivelmente incomodada e insegura. Com certeza, a administradora do orfanato, uma das poucas pessoas que ajudaram Natalie de verdade durante a sua estadia no lugar, iria reconhecê-la. E certamente faria algum comentário constrangedor que chamaria a atenção de Dean.
Pensando em evitar algo assim, Natalie sugeriu:
— Talvez seja melhor você esperar no hotel.
— Não. — discordou Dean sem pestanejar.
— Eu posso lidar com isso sozinha. — assegurou a caçadora.
— Não. — repetiu o Winchester ainda mais taxativo enquanto a encarava sem mover um músculo sequer do rosto.
Um tanto irritada, Natalie respirou fundo e retrucou:
— Me dê a droga da arma e eu mesma mato a shtriga.
— Eu disse não. — reforçou Dean a deixando ainda mais indignada, e em seguida completou: — Nem tente me colocar para escanteio de novo. Você pediu a minha ajuda, então eu vou ficar no caso até o fim.
— Eu não pedi a sua ajuda, você que se ofereceu para ajudar. — lembrou Natalie duramente.
— E você aceitou. — recordou ele cheio de si.
— Mas agora eu estou dispensando. — disse a loira tentando manter a calma.
— Desculpe, mas isso não é negociável. — retrucou Dean.
Natalie desviou do olhar dele e riu um tanto nervosa, antes de voltar a encará-lo e questionar:
— O que você está pensando em fazer quando chegar lá? Para matar a shtriga? Ela vem no meio da noite, certo? Só que nós não podemos passar a noite no orfanato. Talvez se eu for sozinha, e conversar com a administradora, que por acaso me conhece, ela deixe, mas você... Sem chance. Ela é bem tradicional, o prédio está cheio de meninas e...
— Nem eu nem você precisamos passar a noite lá. — interrompeu Dean. — Nós podemos ficar por perto, vigiando a janela da potencial vítima, e então, quando notarmos algo suspeito, damos um jeito de invadir o lugar sem sermos vistos. Eu aposto que você, tendo morado lá por tanto tempo, conhece alguma entrada alternativa.
Natalie ficou em silêncio e Dean entendeu aquilo como uma resposta. E teve certeza quando a loira explicou um tanto sem jeito:
— Sim, eu costumava pular o muro dos fundos de vez em quando. Tem uma parte que é mais baixa.
Dean a fitou um tanto surpreso e disse com certo deboche:
— Natalie Jones... Você era uma transgressora, hein? É este tipo de segredinho que você não quer que eu descubra?
Depois de fuzilar o caçador com o olhar, Natalie respondeu veementemente:
— Ninguém gostava de mim naquele orfanato, Dean. Ainda mais depois que eu achei um esqueleto no forro de uma das salas de recreação, decidi acabar com o estoque de sal e queimar os restos mortais ali mesmo. O detalhe é que eu quase coloquei fogo no lugar inteiro. Nós tivemos que nos mudar por uns tempos, para a reforma e para a polícia investigar o incidente. Depois disso, eu passei a ser vista como a garota esquisita que tinha queimado um cadáver, que não gostava de bonecas e que idolatrava o diabo só porque gostava de rock. Então, sim... Eu saía de vez em quando para dar uma volta na cidade e espairecer. Qual é o problema?
— Como eu disse, uma transgressora. — debochou Dean sem levá-la muito a sério. Mas ao perceber certa tristeza e decepção no rosto da caçadora, ele voltou a si e pediu: — Me desculpe, eu não devia ter dito isso. Eu sei que a sua vida naquele orfanato não foi fácil, Naty, eu sinto muito.
— Também não precisa ficar com pena de mim por causa disso. — rebateu ela duramente.
Dean franziu o cenho um tanto confuso e esclareceu:
— Eu não estou com pena de você. Eu só estou tentando ser compreensivo. Aliás, se serve de consolo, a minha vida, nas estradas, em hotéis imundos e em mil escolas diferentes por ano, também não foi fácil. Eu sei como é se sentir deslocado em um lugar. Acredite.
— A diferença é que você estava sempre se mudando. — contrapôs Natalie. — Então você não sentia isso o tempo todo, todos os dias, todos os minutos, não ficava naquele mesmo lugar tendo que aguentar aquelas mesmas pessoas que não gostavam de você, que faziam questão de não esconderem isso, que riam toda vez que você...
Natalie parou de falar e Dean indagou intrigado:
— Toda vez que você o quê?
A loira desviou do olhar dele, se acomodou melhor no banco e desconversou:
— Eu não quero falar sobre isso.
— Em algum momento você vai ter que falar. — aconselhou Dean. — Ou então... Essa mágoa que você sente vai acabar... Eu não sei, nos afastando ainda mais. Transformando esta... Crise em uma super crise. Eu não sei você, mas não é isso que eu quero, Naty. Então, por favor, fale comigo. Me diz o que está acontecendo com você, com a gente.
Depois de pensar um pouco, Natalie percebeu que também não queria ficar brigada com Dean para sempre. Por outro lado, também não estava pronta para fazer as pazes. Aliás, ela sentia que estava bem longe disso. Natalie precisava esclarecer algumas questões consigo mesma e outras com Dean e, honestamente, ela não sabia se conseguiria fazer isso e, se conseguisse, quanto tempo levaria.
No entanto, ela sabia que Dean estava certo. Ela precisava mesmo desabafar, pelo menos uma parte ou acabaria enlouquecendo. Então, depois de relutar por mais algum tempo, a caçadora decidiu contar pelo menos a parte mais fácil. Se é que havia mesmo uma parte fácil na sua história. De qualquer forma, Natalie respirou fundo e relatou:
— Há alguns meses... Quando você me contou de onde nós nos conhecíamos, foi meio... Chocante, sabe? — Dean ia dizer que para ele também foi, mas preferiu não interrompê-la. — Eu tinha aquela sensação de que já te conhecia, mas depois que você descobriu como tudo aconteceu e me contou, as lembranças vieram como uma avalanche. Eu lembrei de cada detalhe da noite em que os meus pais... Você sabe. Lembrei de você, do seu pai, de como tudo aconteceu, de vocês me deixando no orfanato, do Impala indo embora. Mas, depois que eu descobri que tinha alguma coisa sobrenatural acontecendo aqui e percebi que teria que voltar para esta cidade... Outras lembranças vieram. Lembranças que, provavelmente, foram reprimidas pelo trauma da morte dos meus pais ou pelo próprio tempo, mas também lembranças que foram reprimidas porque... Porque eu... Olha, eu sei que você era uma criança naquela época, mas eu também era, então... Eu... — Natalie parou de falar e Dean entendeu que ela não conseguiria continuar, pelo menos não naquele momento. Ele ainda observava a loira olhando para as próprias mãos e mexendo os dedos, quando ela pediu: — Por favor, não fique com pena de mim.
— Por que você fica repetindo isso? — estranhou Dean.
Sem conseguir se explicar, Natalie apenas disse:
— Eu preciso de espaço.
— Natalie...
— Sai do meu carro! Eu preciso de espaço! De um tempo! Sai daqui! — esbravejou a caçadora voltando a olhar para Dean, que ficou assustado com o tom e ao mesmo tempo hesitou ao perceber que os olhos de Natalie estavam mais úmidos do que o normal, como alguém que está prestes a chorar. — Sai do meu carro! — repetiu ela batendo no ombro dele algumas vezes ao perceber que Dean a olhava daquele jeito piedoso de novo. — Sai daqui... Que coisa... Você é surdo? Eu mandei você sair!
— Ok! — assentiu o Winchester erguendo as mãos em sinal de rendição. — Eu estou saindo. — anunciou e Natalie pareceu se acalmar.
Depois de olhá-la uma última vez, o caçador abriu a porta e saiu do carro. Fechou a porta em seguida. No entanto, ao se lembrar de algo, ele voltou, se curvou na direção da janela e disse com certa mágoa:
— Infelizmente, nós ainda temos um trabalho aqui. E, portanto, ainda temos que ir naquele orfanato. Depois disso, se você quiser, eu te dou todo o espaço do mundo, mas por enquanto... Desculpe, mas parece que você vai ter que aguentar o desprazer da minha companhia.
Antes que Natalie dissesse qualquer coisa, Dean se afastou e caminhou até o Impala. Entrou no veículo logo depois e ficou pensando naquela conversa sem sentido. Ele não entendia o que tinha feito de tão grave para que, de repente, Natalie descobrisse que o odiava tanto.
Eles sempre discutiram, é verdade, se provocavam e se desentendiam bastante no começo, mas aquilo era mais por conta da tensão sexual que havia entre eles e dos gênios fortes, do que por ódio propriamente dito. Mesmo porque não havia ódio entre eles. Nunca houve de verdade, nem no passado, nem naquele momento.
O que Natalie sentia, e que Dean não sabia, era uma dor profunda por ter se lembrado de certas situações que viveu na infância e que a obrigaram a esquecê-lo para não sofrer ainda mais.
Além disso, por mais que, no fundo, Natalie entendesse que Dean não pôde voltar, a lembrança da sensação de abandono também tinha vindo à tona, lhe causando mais dor e mágoa. Por mais que ela não quisesse sentir aquilo, ela simplesmente sentia.
Por isso Natalie precisava de espaço, por isso ela tinha optado por ir sozinha para aquela cidade, por isso ela quis deixar Dean de fora da caçada, por isso ela agiu daquele jeito desde o começo. Porque ela precisava resolver aquilo sozinha. Não só o caso em si, mas também a questão pessoal envolvida.
E era difícil fazer isso com Dean no seu pé o tempo todo, se exibindo com todo aquele conhecimento sobre Shtrigas e olhando para Natalie como se ela fosse desmoronar a qualquer momento.
Tudo bem, talvez ela fosse desmoronar, mas se isso fosse acontecer, ela não queria que fosse na frente de Dean. Se sentiria ainda mais fragilizada, seria horrível.
Ao ver o Impala saindo do estacionamento, Natalie parou de pensar nestas coisas e resolveu dar partida também. Respirou fundo antes de fazer isso e, por fim, se convenceu de que se teria que encarar o seu passado, era melhor que fosse logo.
E então o Impala e o Camaro seguiram rumo ao orfanato.
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