Notas iniciais
Olá, gente! Chegando aqui com o capítulo 45! Eitchaaaaaaaaaa e para variar, eu amei escrevê-lo! Sobre o título, sorry... Não consegui pensar em nada, nada mesmo, melhor. Mas, de uma forma geral, eu quis fazer uma referência à Tábua dos Anjos (que será assunto do capítulo) e também ao interesse do Crowley no artefato. Ah! Muito importante! Depois de Eternal Flame, Fire e outras musiquetas instigantes, apresento-lhes a próxima song para embalar os corações coelhísticos de Miastiel (what?): Lost in your eyes - Debbie Gibson. Sério, gente, achei que tem tudo a ver com o jeitinho que a Mia olha para o Cas e como ela se sente quando faz isso. É muito love e é muita perdição num casal só... Ai ai... Bem, o capítulo está cheinho de novidades e sementinhas para o futuro. Fiquem ligados! Espero que gostem! Lá vai...

— O que diabos eu quero? — disse Crowley ao telefone, reproduzindo a pergunta feita por Mia, instantes antes, do outro lado da linha. — Por acaso é uma pergunta retórica, sweetie? O que mais eu poderia querer? — desafiou, e em seguida ele mesmo esclareceu: — Atualizações sobre a Tábua dos Anjos, é claro. E então? O que o Kevin descobriu?

Mia engoliu em seco e colocou o celular contra a outra orelha, enquanto olhava um ponto qualquer da estrada, pensando em uma forma de sair daquela situação, de burlar o acordo feito com Crowley, de deixar de ser a espiã do Rei do Inferno.

No entanto, ao se lembrar de que, caso se recusasse a cumprir a sua parte, a vida de Claire estaria em perigo e, principalmente, ao se lembrar de que o que Kevin havia descoberto não era algo muito relevante para Crowley, Mia despejou de uma forma acelerada:

— "E Deus disse que quando um anjo caísse, suas asas queimariam com chamas impiedosas, cortando o céu até se reduzirem em cinzas. E não haverá homem, anjo ou criatura alguma capaz de reconstruí-las. Apenas o tempo, a fé e o merecimento poderão fazê-lo." — diante do longo silêncio que se instalou na linha, Mia explicou um tanto hesitante: — Foi isso o que o Kevin traduziu. Não há uma forma de reverter a situação dos anjos. Aparentemente, eles terão que conquistar novas asas com... Merecimento e fé... Eu acho. Eu não sei, Deus é meio confuso.

— Então, como eu havia imaginado, é a terceira parte da Tábua dos Anjos que realmente me interessa. — refletiu Crowley.

— Por quê? — quis saber Mia intrigada com aquela observação.

— Quando nós nos encontrarmos pessoalmente, eu explico, sweetie. — avisou o demônio de uma forma evasiva.

Mia sentiu um arrepio percorrer a sua coluna e o seu sangue gelar nas veias. Sem saber se soaria audível, ela fez questão de deixar claro:

— Crowley, isso não vai acontecer. Eu não vou me encontrar com você nunca mais, eu não vou a lugar algum com você, entendeu?

— Hoje? Não. Um dia? Sim, você virá. — assegurou o Rei do Inferno de uma forma enigmática e firme, que irritou Mia profundamente. — E quando este dia chegar, e eu tenho certeza que será em breve, você não irá só me contar o que a tradução da Tábua dos Anjos vai revelar, mas, também irá pagar a segunda parte da dívida que tem comigo.

Mia engoliu em seco novamente, sentindo o seu coração acelerar de raiva. Por mais que estivesse com medo da resposta, ela precisou perguntar:

— E com o que exatamente eu vou pagar isso?

Mia não poderia saber, mas, do outro lado da linha, Crowley sorriu com satisfação e só então respondeu:

— Com redenção.

Desta vez, o sangue de Mia não gelou, mas sim ferveu em suas veias. Ela comprimiu os lábios com força e fechou os olhos por um instante, antes de abrí-los e protestar com indignação e um ódio mortal:

— Escuta aqui, seu desgraçado, eu sei que nós fizemos um acordo, eu sei que eu estou em dívida, mas tudo tem um limite! Não pense, nem por um segundo, que eu vou abrir mão da minha liberdade e te ajudar em seja lá o que for que você está tramando! Eu te mato antes disso, Crowley! Eu juro que te mato!

Crowley sorriu mais uma vez e encerrou calmamente:

— Vejo você em breve, sweetie.

Com a respiração descontrolada e ainda com mais raiva, Mia chamou em vão:

— Alô?! Crowley! Alô?!

Percebendo que o demônio havia desligado, Mia jogou o celular no banco do carona, fechou os olhos e esfregou o rosto com as mãos. Depois, abaixou a cabeça, a apoiando no volante e tentou se acalmar.

Ela odiava aquele tipo de controle que o Rei do Inferno achava que tinha sob ela, odiava se sentir encurralada e perceber que ele tinha razão em achar isso, odiava estar sozinha ali, sem Castiel para lhe dizer o que fazer, odiava a si mesma por não saber o que fazer por si só, odiava tudo aquilo, toda aquela situação insolúvel na qual se meteu. Mia tinha medo do que Crowley tanto queria com ela, tinha medo do seu futuro, tinha medo de não encontrar outra solução a não ser... Se render de uma vez.

Tentando afastar aqueles pensamentos e não sofrer por antecipação, Mia voltou para a estrada e decidiu retornar para o ferro velho. Ela podia não saber ainda como iria lidar com Crowley, mas uma coisa ela sabia: com Kevin naquela situação crítica, Chloe precisava de apoio.

Mia sentiu-se culpada por ter saído de lá daquele jeito abrupto, quando Chloe devia estar arrasada, quando Claire tinha encarado o seu pior inimigo, quando todos estavam abalados por tudo o que havia acontecido.

Mia precisava ser forte e não dar sinais de que estava ruindo. Pensando desta forma, ela acelerou o carro.

Depois que ela voltou para o ferro velho e, em seguida, para o bunker com Bobby, os Winchester, suas esposas, Chloe e Kevin, ainda inconsciente, Mia teve uma premonição, indicando um caso envolvendo um lobisomem, em Ohio. Sem poder ignorar aquilo, ela acabou pegando a estrada no dia seguinte. Mesmo assim, Mia ligava o tempo todo para o bunker, para saber como o profeta estava evoluindo e como estavam as coisas.

Uma semana depois...

Castiel caminhava por um extenso corredor da prisão do Céu e olhava as celas vazias ao seu redor. Apenas uma delas estava ocupada naquele momento, a última, no final do corredor, e era para lá que ele seguia.

Na última semana, através da rádio angelical, Castiel tinha colocado um fim definitivo na guerra entre anjos e demônios. Também havia revelado a localização da escada para o Céu, para que assim todos os anjos pudessem voltar para casa. E eles estavam voltando, aos montes.

Castiel também tinha aberto os portões do Céu para as almas humanas, que com o feitiço da queda dos anjos tinham ficado presas em um véu sobrenatural entre o Céu e a Terra. E, por fim, ele havia revelado aos anjos, o que Kevin tinha descoberto através da Tábua dos Anjos.

A maioria dos anjos não recebeu bem aquela revelação, mas aos poucos eles estavam aceitando e se guiando pelo o que a Palavra de Deus determinava: dando tempo ao tempo, mantendo a fé e tentando ser merecedores.

Quando parou diante da cela, Castiel estreitou o olhar na direção de Metatron e começou:

— A Hannah me disse que você quer falar comigo. Eu espero que seja importante.

— É sim. — assegurou o outro anjo, que estava sentado em uma espécie de banco feito de pedra no canto da cela, com a cabeça baixa. — Eu quero fazer um acordo, Castiel. — revelou depois de erguer a cabeça e fitá-lo com uma cara de vítima.

— Passar bem, Metatron. — dispensou ele e em seguida se afastou da cela.

O prisioneiro levantou rapidamente e logo estava diante das grades. Encostou o rosto entre duas delas, as segurou com as mãos e gritou para que o outro ouvisse:

— Conhecimento é poder! E eu, certamente, sei de algo que você deveria saber!

Castiel deteve o passo e pensou um pouco sobre aquilo. Em seguida, ele voltou, parou a cerca de um metro das grades da cela e deduziu:

— Você está blefando.

— Estou? — rebateu Metatron de um jeito desafiador e misterioso.

Castiel o observou durante alguns instantes e depois questionou:

— Supondo que não esteja, o que você vai pedir em troca?

Metatron olhou para cima, como se estivesse pensando em uma resposta. Logo depois, voltou a encarar o outro anjo e sugeriu com um sorriso torto:

— Talvez a minha liberdade? — mas quando Castiel o fuzilou com o olhar, ele corrigiu-se rapidamente: — Certo, certo! Tudo bem, eu só estava brincando, aquecendo, por assim dizer. — e após uma breve pausa, pediu por fim: — Por enquanto, eu posso me contentar com alguns livros, filmes, boa música e uma máquina de escrever.

Após um longo momento de silêncio o avaliando, Castiel replicou:

— Isso eu posso providenciar.

Metatron sorriu satisfeito. Ele havia perdido tudo e a ideia de passar a eternidade preso naquele lugar, sem qualquer distração, estava acabando com a sua sanidade.

— Certo. Então nós temos um acordo? — quis confirmar ele.

— Com certeza. — afirmou Castiel. — Então? O que exatamente eu devo saber?

Após sorrir ainda mais satisfeito com o andamento daquela conversa, Metatron ficou sério e recomeçou:

— Bem, você se lembra de quando foi à minha... Antiga sala, com aquele papo sobre por um fim na guerra entre anjos e demônios?

— Você quer dizer, no dia em que eu fiz você meter os pés pelas mãos e confessar todas as suas mentiras, voluntariamente, para todos os anjos? — provocou Castiel de um jeito impassível e seguro. — Claro. Como eu poderia esquecer um dos melhores momentos de toda a minha existência?

Metatron o fitou com um ódio profundo, mas, disposto a cumprir a sua parte no acordo e conseguir algumas regalias, ele retomou:

— E você se lembra de ter me dito que aquela guerra tinha perdido completamente o sentido? — quando Castiel assentiu com um meneio de cabeça, ele prosseguiu: — Pois é, sinto em informá-lo, mas você estava enganado. Havia sim um propósito naquela guerra.

Intrigado e interessado no assunto, Castiel deu um passo a frente e perguntou:

— E qual era?

— O Crowley. Ele está tramando alguma coisa e eu mandei os carneirinhos... Digo, os nossos irmãos descobrirem o que era.

— Mas eles não descobriram, do contrário, teriam me contado. — ponderou Castiel.

— Eu concordo. — assentiu Metatron. — Mas... Ficar preso aqui, sozinho com os meus pensamentos, confabulando com os meus botões, me fez perceber uma coisa elementar, meu caro Watson.

Quando Castiel franziu o cenho, sem entender aquela referência, Metatron revirou os olhos, aproveitou que o anjo tinha se aproximado demais das grades e, com um movimento rápido, esticou a mão e tocou a têmpora dele por um breve instante.

Desnorteado, Castiel se afastou em seguida e murmurou sem perceber:

— Sherlock Holmes... — e assustado com o que havia dito, mais precisamente por conhecer e entender o que havia dito, ele indagou: — O que você fez comigo?

Metatron deu de ombros e respondeu:

— Uma espécie de download de tudo o que eu já li, assisti e ouvi em todos os anos que passei na Terra. — e após uma pausa, observando Castiel que parecia tentar assimilar todas as informações que havia recebido, ele prosseguiu: — Qual é? Um pouco de cultura pop não vai te matar. Além disso, para cumprir a sua parte no nosso acordo, você precisa desse conhecimento.

Tentando não pensar em todas as informações que pulsavam em sua mente, Castiel se recompôs e retomou o assunto que realmente importava:

— O que o Crowley quer?

— Ele está interessado na Tábua dos Anjos.

— Isso eu já percebi. — redarguiu Castiel, lembrando-se do acordo que o demônio tinha feito com Mia, em troca de informações sobre o artefato.

— Ele está interessado demais na Tábua dos Anjos. — destacou o prisioneiro. — Mais precisamente, em uma certa... Informação que Deus me fez escrever naquele pedaço de argila.

— Que informação? — interessou-se Castiel.

— Isso eu só conto em troca da minha liberdade. — avisou Metatron, e quando percebeu que o outro não iria ceder, ele completou com certo deboche: — Ou... Você pode esperar o Kevin conseguir traduzir a parte que falta. Isso se ele ainda estiver vivo... De qualquer forma, você tem o backup, então...

— Kevin Tran está vivo. — afirmou Castiel, incomodado com aquele assunto. — Não que isso seja da sua conta, mas ele está melhorando. Eu tenho o observado daqui. E eu não preciso que você me conte o que está escrito na Tábua dos Anjos, ele mesmo fará isso quando melhorar completamente.

Metatron ergueu as mãos em sinal de rendição e disse de uma forma dissimulada:

— Tudo bem, eu só queria ajudar. Talvez dar alguma vantagem para você em relação ao Crowley, mas... Se você quer esperar a bomba explodir, vai em frente.

Preocupado, Castiel indagou:

— É tão grave assim?

Metatron o encarou por um bom tempo antes de desconversar:

— Conhecimento é poder, Castiel. — e após mais um momento de silêncio, aconselhou: — Aconteça o que acontecer, não deixe o Crowley descobrir o que está escrito na Tábua dos Anjos. É só o que eu posso dizer. A menos, é claro, que você queira reavaliar o nosso acordo.

— Não, obrigado. — dispensou Castiel, e então se afastou da cela imediatamente.

— Ei! — chamou Metatron, voltando a segurar nas grades. — E o nosso acordo? — cobrou confuso.

Sem parar de caminhar pelo corredor, Castiel revelou:

— Desculpe, sem acordo. Eu menti.

— O quê?! — indignou-se Metatron, sentindo uma profunda revolta e desespero.

— Eu sei. Não é tão engraçado quando você é o enganado. — encerrou Castiel, lembrando-se de quando Metatron mentiu para ele e o usou no feitiço da queda dos anjos.

Castiel sabia que aquilo não era uma atitude muito nobre, mas ele estaria mentindo se dissesse que não havia sentido alívio e certo prazer ao se vingar daquela forma de Metatron.

Sem perceber, ele sorriu levemente enquanto deixava a prisão. No entanto, voltou a ficar sério ao se lembrar do teor da conversa.

Crowley estava tramando alguma coisa e ele precisava descobrir o que era. Precisava avisar Sam, Dean, Bobby, as garotas. Precisava ver Kevin e descobrir quando a tradução da Tábua dos Anjos poderia ser retomada. Precisava ver Mia, já que, infelizmente, ela tinha se tornado a informante de Crowley. E precisava vê-la porque simplesmente precisava vê-la. Estava com saudades da sua humana maluca e viciada em café. E sentia que precisava protegê-la em relação ao que estava por vir.

E tudo isso significava uma única coisa: era hora de Castiel voltar para a Terra.

XXX

Era noite e Kevin estava deitado em sua cama, no bunker dos Homens das Letras, com um travesseiro servindo de apoio para as suas costas. Ainda fraco e ligeiramente pálido, o profeta, que tinha acordado há três dias, estava sob os cuidados de Chloe que, naquele momento, tentava a todo custo fazê-lo se alimentar de uma sopa feita por Claire.

Depois de tomar uma colherada e perceber que a mão da namorada estava tremendo, Kevin a segurou com um movimento sútil e perguntou:

— Ei... O que foi?

Chloe colocou a colher de volta no prato e, sentindo um aperto no peito, respondeu:

— Eu não acredito que quase perdi você.

Kevin segurou a mão dela novamente, com mais força, e tentou tranquilizá-la:

— Eu nunca deixaria você, Chloe. Ainda mais agora que sei que se eu... Bater as botas, a sua vida vira de cabeça para baixo.

— Não é com isso que eu estou preocupada. — esclareceu a hacker, que àquela altura já sabia que era uma potencial profetisa. — Eu posso carregar o mesmo fardo que você, Kev, o que eu não posso é viver sem você.

Depois de observá-lo por algum tempo, a loira pegou mais uma colher da sopa. No entanto, Kevin tocou a dela mais uma vez, fazendo a colher parar no meio do caminho, e então disse:

— De um jeito ou de outro, você é a minha razão de viver, Chloe Lee. Então não se preocupe, você não vai se livrar de mim tão fácil.

A garota inclinou um pouco a cabeça e sorriu antes de dizer:

— Acho bom mesmo porque você também é a minha razão de viver, Kevin Tran.

Mas, quando ela voltou a aproximar a colher da boca do namorado, ele balançou a cabeça negativamente, fez uma careta e avisou:

— Eu não quero mais.

— Você precisa se alimentar. — recomendou ela.

— Eu estou satisfeito. — justificou ele.

— Deixa de ser criança, você ainda está fraco e precisa se alimentar. — insistiu Chloe.

Ela acabou conseguindo fazer com que Kevin engolisse mais uma colherada da sopa, quando ele abriu a boca para protestar. Mas, isso foi o máximo que Chloe conseguiu naquele momento.

Então, depois de limpar a boca com um guardanapo que pegou na bandeja, que estava sobre o criado-mudo, Kevin mudou de assunto:

— Eu tenho que terminar a tradução, Chloe.

— Primeiro você precisa se recuperar completamente. — recomendou ela.

— Eu estou ótimo. — assegurou o profeta, embora não fosse verdade.

— Ótimo? — repetiu Chloe, arqueando as sobrancelhas e olhando para ele na cama, enrolado com um cobertor, mais magro e com uma aparência de quem não estava nos seus melhores dias.

Kevin suspirou e pediu:

— Por favor. Eu sinto que tenho que terminar aquilo. E você pode me ajudar, como sempre ajuda.

Chloe pensou um pouco, depois colocou o prato com a sopa na bandeja, coçou a nuca por um instante e propôs:

— Tudo bem, mas se você sentir enxaqueca ou qualquer outra coisa...

— Eu aviso e nós paramos. — completou Kevin. — Fechado. — comprometeu-se.

Depois de encará-lo, para se certificar de que o namorado não estava mentindo, Chloe perguntou:

— Ok, onde ela está?

Kevin indicou uma cômoda, que ficava do outro lado do quarto, e respondeu:

— Segunda gaveta.

A hacker levantou-se da cama, caminhou até lá, mas, por engano, abriu a primeira gaveta. Kevin ficou desesperado ao se lembrar de algo que tinha guardado ali e que a namorada ainda não podia ver. Então ele disse:

— Não! Não é nesta gaveta! A Tábua dos Anjos está na segunda. Não... Chloe?

De repente, a hacker se virou na direção dele e o profeta viu que era tarde demais. Ela já tinha achado a bendita caixinha que ele havia guardado ali e que continha um anel muito especial. Um anel que Kevin queria muito colocar no dedo de Chloe.

— Sim... — sibilou ela, segurando a caixinha com certo fascínio e sentindo o seu coração disparar diante do que aquilo significava.

— Olha, não era para ser desse jeito. — martirizou-se Kevin, um tanto distraído. — Eu estava planejando algo mais romântico. Um jantar, talvez, e não assim. Eu deitado numa cama, cheio de olheiras, você me dando sopa e...

— Sim! — repetiu Chloe, erguendo o olhar na direção dele.

Kevin ficou mudo por um bom tempo, a olhando surpreso, feliz, em choque. Por fim, o que ele conseguiu dizer foi:

— O quê?

— Eu disse que sim. — repetiu a loira, aproximando-se da cama.

— Mas... Mas... Você nem abriu. — observou Kevin, enquanto a namorada sentava-se diante dele.

— Não importa. Minha resposta continua sendo sim. — reforçou ela.

— Sério? — quis confirmar o profeta, sentindo a felicidade se multiplicar ainda mais dentro dele.

Chloe assentiu várias vezes com a cabeça, fazendo o namorado sorrir largamente. Em seguida, ela se deitou ao lado dele e finalmente abriu a caixinha. Olhou o lindo anel e abriu um enorme sorriso também.

Em seguida, Chloe esticou a mão direita na frente dele. Kevin pegou o anel e o colocou com cuidado no dedo da hacker. Depois disso, ele beijou a mão da então noiva, e Chloe o olhou com carinho antes de unir seus lábios aos dele com um beijo suave e amoroso.

Depois disso, ela deitou a cabeça no peito de Kevin, esticou a mão para dar mais uma olhada no anel e se ouviu dizendo:

— Sim.

— Tudo bem, eu já entendi. — replicou o profeta aos risos.

Chloe deu um cutucão entre as costelas dele, mas quando Kevin gemeu de dor, ela se sentiu profundamente culpada e lhe deu mais um beijo para compensar.

XXX

O dia estava começando a amanhecer e Mia dirigia por uma estrada em Ohio. Depois de resolver o caso do lobisomem, ela estava voltando para o bunker.

Sentindo um pouco de sono, decidiu ligar o rádio para se concentrar em alguma coisa. Mas, quando Lost in your eyes, da Debbie Gibson, ecoou pelo veículo, Mia pensou, seriamente, em desligar ou mudar de estação. No entanto, por algum motivo, ela suspirou profundamente e resolveu deixar a música tocar.

Foi inevitável. Seus pensamentos se concentraram em Castiel e na saudade que sentia dele. Sem perceber, Mia suspirou mais uma vez e, quando deu por si, estava cantando a todo vapor, balançando a cabeça de um lado para outro, fechando os olhos nos momentos em que a melodia crescia.

Foi em um desses momentos, que um bater de asas disputou a atenção de Mia com o som do rádio. Um tanto surpresa, ela olhou para o banco ao lado, onde Castiel havia aparecido e a encarava intrigado.

Sentindo o seu coração disparar no mesmo instante, Mia engoliu as próximas palavras que cantaria e tentou se recompor, disfarçando, muito mal, o constrangimento que sentia.

Querendo puxar assunto rapidamente, antes que Castiel dissesse alguma gracinha, Mia falou a primeira coisa que lhe veio à cabeça:

— Você voltou.

Condenando-se por dito algo tão óbvio, ela revirou os olhos e se xingou mentalmente. Castiel, por sua vez, sorriu, achando aquilo engraçado, e murmurou:

— Gênia.

Mia lhe lançou um sorriso torto e, sem saber o que dizer ou fazer, já que não esperava que Castiel fosse voltar mais rápido desta vez, ela manteve os olhos fixos na estrada, tentando obrigar o seu coração a voltar ao ritmo normal. Sem sucesso.

Depois de algum tempo, ela finalmente arriscou dar uma olhada de soslaio para o anjo que, parecia concentrado na música que tocava. Então Mia voltou a se concentrar na direção, até que ele sugeriu:

— Esta música... Podia tocar no nosso casamento. O que você acha?

Sentindo como se tivesse levado um soco no estômago, já que Castiel não só tinha voltado, mas estava falando sobre o casamento deles, Mia engoliu em seco e simplesmente assentiu:

— Okay.

O anjo sorriu satisfeito e replicou:

— Okay.

Automaticamente, Mia se lembrou de uma coisa, riu um pouco e começou a dizer:

— Sabe, isso é tão...

— Eu sei, A Culpa é das Estrelas. — completou ele, deixando a garota tão surpresa que, imediatamente, ela desviou o carro na direção do acostamento e freou bruscamente.

— O que você acabou de dizer?! — questionou Mia, olhando para o anjo como se estivesse diante de um ET.

Enquanto se recompunha, já que com a freada violenta, ele tinha escorregado um pouco no banco, Castiel explicou:

— Eu acho que o mais apropriado seria dizer que A Culpa é do Metatron. Ele fez isso comigo, colocou essas... Coisas na minha mente.

Mia deixou o seu queixo cair enquanto assimilava aquela revelação. E quando conseguiu dizer algo, a única coisa que saiu foi:

— Okay.

— Okay. — repetiu Castiel sem perceber.

— Dá para parar com isso, por favor? — reclamou Mia, tentando se acostumar com o fato de que agora ele entenderia todas as referências de filmes, músicas, livros, tudo que ela dissesse.

— Desculpe. — lamentou o anjo, e após uma pausa, ponderou: — Sabe, eu estava pensando sobre o apelido que você colocou no Metatron e me dei conta de que ele não se parece nem um pouco com um Transformer. Mas, eu entendo que é apenas uma comparação com o Megatron porque os nomes são bem parecidos.

Após um momento em silêncio, pensando e percebendo que levaria algum tempo até se acostumar com o novo Castiel, a caçadora decidiu mudar um pouco o rumo da conversa:

— Então... Como estão as coisas no Céu?

— Um tanto confusas, mas, aos poucos, se normalizando. De qualquer forma, eu ainda tenho muito trabalho a fazer por lá, Mia. — relatou Castiel. — O caos se espalha rapidamente, mas a ordem leva mais tempo para ser restabelecida.

Depois de soltar um suspiro de frustração, ela abaixou a cabeça e supôs:

— Então você não vai ficar muito tempo por aqui... Vai?

Percebendo a decepção e a tristeza implícitas naquela frase, Castiel ergueu o rosto de Mia com o dedo indicador, olhou em seus olhos e articulou:

— Na verdade, eu pedi para a Hannah cuidar de tudo durante a minha ausência porque eu também tenho assuntos pendentes a tratar aqui. O Crowley está tramando alguma coisa e nós temos que impedir, seja lá o que for.

— Eu sei. — balbuciou Mia, assentindo com a cabeça, já que desde a sua última conversa com o Rei do Inferno, ela havia percebido que ele continuava sendo um problema. Um problema que precisava ser resolvido antes que virasse... Caos.

— Mas, — recomeçou o anjo, esboçando um leve sorriso e segurando a mão de Mia sobre o banco — não foi só por isso que eu vim até aqui.

— Ah não? — interessou-se ela, com um brilho no olhar. — E por que mais você veio então, anjo? — indagou com uma voz suave, segurando na lapela do sobretudo sutilmente.

— Eu vim porque eu estou com saudades de uma certa humana viciada em café, Mia. Eu vim porque eu amo muito essa tal humana e porque, apesar de uma provável tempestade se aproximando, eu não quero mais adiar uma coisa. Eu acho que... Nós devemos nos casar o mais breve possível. O que você me diz?

Mia sabia que Castiel estava certo, havia uma tempestade se aproximando, mas ela não queria pensar nisso naquele momento. Os dois haviam passado por tantas coisas ultimamente, — todos haviam passado, aliás — que uma boa carga de romance e felicidade era tudo o que ela almejava.

Pensando desta forma, Mia abriu um enorme sorriso e concordou:

— Por mim, tudo bem. Vamos casar de uma vez.

— Okay. — assentiu Castiel.

— Okay — repetiu ela, e depois de tirar o cinto de segurança, se aproximar mais do anjo e morder o lábio inferior, recomeçou: — Mas, falando sobre a questão da saudade... Eu acho que nós podemos dar um jeito nisso agora mesmo.

Um tanto temeroso, Castiel olhou em volta. Os dois estavam dentro de um carro, parados em um acostamento, em uma estrada, aparentemente, deserta. Mas, ainda assim, era uma estrada.

— Aqui? — perguntou o anjo, enquanto Mia reclinava o banco em que ele estava e se posicionava sobre o seu corpo.

— Agora. — afirmou ela.

E depois de envolver o rosto de Castiel com as mãos e fitá-lo nos olhos por um instante que pareceu eterno, Mia uniu seus lábios aos dele com ímpeto, amor e urgência.

O beijo foi, imediatamente, correspondido, enquanto a música continuava tocando...

Notas finais
Gif da Mia (Erica Durance em uma das minhas séries do coração, Smallville) Ressalvinhas sobre o capítulo de hoje: OMG como assim o Crowley quer que a Mia se renda? O que ele está tramando e o que será que ele não pode descobrir sobre a Tábua dos Anjos? Bem, conforme vocês viram aí, o Metatron deu a dica: O King não pode descobrir de jeito nenhum o que diz a terceira parte do artefato, mas... O futuro a Loki pertence, não é mesmo? Ah! Adorei que o Cas enganou o Meta com a história do acordo kkkkkkk toma, Transformer! Quem ri por último, ri melhor! E assim como na série, aqui o Meta também fez um download de todo o seu conhecimento pop na cachola do anjinho de sobretudo. Inclusive, em O Caso do Slender Man, eu tinha escrito uma cena em que o Cas não entendia uma referência que a Mia dizia. Mas, em virtude da minha decisão de seguir a série neste ponto, eu já fiz uma alteraçãozinha por lá. Mas agora para tuuuuuuudooooooooooo! Kevin Tran is alive! Kevloe estão noivos! OMG! Gostaram? Curtiram? Acharam fofo? Bem, mas antes que alguém me pergunte quando será o casamento do casal profético e de que sabor será o bolo, preciso dizer que isso vai demorar muiiiiiiito para acontecer e só se eu for abordar isso futuramente mesmo, porque por enquanto, não tenho planos. Acho melhor eu explicar esta questão no final da fic, mas apenas saibam que Kevloe, como são mais novinhos, estudantes, fofinhos, coisas lindas do universo, harmônicos, ficarão noivos por um bom tempo, pensando no casório apenas como um evento futuro mesmo. De qualquer forma, os pombinhos estão muito felizes e o Kevin não morreu. Ufa! Ah! A cena da Chloe achando a bendita caixinha na gaveta foi inspirada em uma cena parecida que vi em The Vampire Diaries, na quinta temporada. Apesar de não ser Stelena, achei a tal cena muito fofa! E por falar em noivados, casórios, alianças, caixinhas e afins... Gostaram do retorno do Cas? Será que agora o casamento sai, gente? Well, well, well, vocês querem um spoiler? Um big spoiler? Quem não quiser não leia, okay? Okay. Lá vai... Sim, o casório Miastiel vai acontecer. Em breve brevíssimo. Mas agora eu tenho uma pergunta muito importante para vocês: Se o Kevin sobreviveu e o Cas venceu o Metatron sem nenhum arranhão no seu lindo rostinho, então... Quem eu vou matar? Oi? Posso dar outro spoiler? Lá vai... Apesar de ter matado a Mia inúmeras vezes, não, eu não vou matar a bichinha desta vez. Então podem descartá-la também. Sendo assim, quem sobra? Façam a lista e suas apostas. A resposta virá logo logo, após o casório Miastiel que deverá ocorrer no capítulo 47. Beeeeeeeeeeem, para variar escrevi demais nas notas e negocei vocês com meus mistérios da meia notie (sorry kkkkkk). Agora vou passar a bola para o povo e para a pova! Reviews? Bjs e inté o próximo devaneio! PS1: A Culpa é das Estrelas é um livreto muito triste (amo), mas A Culpa é do Metatron deve ser bem mais instigante, não? Em breve em uma livraria perto de ocês! PS2: No próximo capítulo teremos Deanalie, uma singela homenagem ao filme Annabelle, Clammy e uma "convenção" de dois caçadores, um anjo e um profeta. Oi? Ah! E no próximo capítulo já será o dia do casório Miastiel. Maaaaaas, até que os pombinhos subam ao altar, muita coisa vai rolar. PS3: http://www.vagalume.com.br/debbie-gibson/lost-in-your-eyes-traducao.html