Heaven and Hell
46 Ligação
Notas iniciais
.gif)
Passava do meio dia e Natalie caminhava por um corredor do bunker em direção ao seu quarto. Porém, ao chegar lá e girar a maçaneta, ela constatou que a porta estava trancada. Sem entender por que, a caçadora bateu algumas vezes contra a madeira e em seguida chamou:
— Sr. Awesome? Eu preciso entrar. Por que você trancou a porta?
Dean demorou alguns instantes para atendê-la, fazendo Natalie soltar um suspiro de impaciência, mas, por fim, a porta foi aberta e o caçador sorriu para a esposa de um jeito misterioso, que a deixou desconfiada.
Depois que Dean lhe deu passagem, Natalie adentrou o recinto enquanto mantinha o olhar fixo nele. Com isso, ela reparou em uma coisa: Dean estava escondendo algo atrás de si.
Ao fitá-lo no rosto, a loira percebeu que o sorriso misterioso havia se transformado em um riso contido.
Intrigada, Natalie parou no centro do quarto, cruzou os braços contra o peito e questionou:
— Posso saber do que você está rindo e o que está escondendo aí atrás?
— Claro. — assentiu Dean. — Eu estou rindo porque você realmente acreditou que eu esqueci que dia é hoje. E o que eu estou escondendo é... O seu presente.
Natalie, que tinha começado aquele dia magoada com Dean por ele não ter lhe dado os parabéns pelo seu aniversário, abriu um sorriso diante daquela resposta, descruzou os braços e, como se pedisse uma confirmação, indagou com um brilho no olhar:
— Meu presente?
— Exato. — confirmou o Winchester, e depois de trazer as mãos para a frente do corpo, revelando o embrulho que segurava, ele desejou: — Feliz aniversário, Baby.
Natalie sorriu ainda mais, aproximou-se e pegou o presente imediatamente. Em seguida, ela caminhou até a cama, sentou-se e rasgou o papel às pressas, enquanto Dean caminhava até ela e sentava-se ao seu lado.
No entanto, o sorriso da caçadora se desmanchou no instante em que ela viu o que era o tal presente. Incrédula e com raiva, Natalie ergueu o DVD do filme Annabelle na direção de Dean e indagou de um jeito sério:
— Você acha isso engraçado?
— É só um filme, Natalie. — argumentou ele, tentando conter o riso.
— Sobre uma boneca macabra possuída por um demônio! Ou seja, o último filme que eu quero ver na minha vida! — destacou ela, alterando-se mais um pouco. — Sério, no que você estava pensando quando decidiu comprar esta... Coisa para mim?!
Dean deu um meio sorriso e, sem se intimidar com a reação da esposa, respondeu de uma forma sugestiva:
— Bem, eu estava pensando que talvez nós dois pudéssemos assistir ao filme juntos... Embaixo do cobertor, como um casal normal e apaixonado. E se você ficar com medo...Tudo bem, você pode segurar a minha mão, Baby. Ou... O que você quiser segurar. — quando Natalie o fuzilou com o olhar, Dean engoliu em seco e voltou atrás: — Tudo bem, esquece essa parte. Eu só estava pensando em te ajudar a superar esta fobia. Está mais do que na hora, você não acha?
Natalie lhe lançou um sorriso amarelo e redarguiu de uma forma sádica:
— E que tal superar o seu medo ridículo de aviões fazendo uma viagem para a Europa sem escalas, cupcake? Parece divertido, você não acha?
— Não tem graça. — protestou Dean, extremamente sério.
— Eu sei. — concordou a loira, e depois de jogar o DVD em um canto do quarto, ela ameaçou entredentes: — Por isso, eu espero que este presente tenha sido só uma pegadinha. Do contrário, eu juro que te despacho no primeiro avião para o Velho Mundo. No compartimento de cargas, para ser mais emocionante.
Assustado, Dean ergueu as mãos em sinal de rendição e esclareceu:
— Foi uma pegadinha, ok?
— Ótimo, então cadê o meu presente de verdade? — quis saber ela.
Dean se inclinou um pouco e pegou algo embaixo da cama, que havia escondido ali antes de abrir a porta para Natalie. Então ele entregou uma caixa de um tamanho médio para a esposa, que sorriu animada, pegou a caixa e a abriu prontamente.
O conteúdo da caixa era um shortdoll preto com detalhes na cor cinza. Era bem bonito, mas Natalie não conseguiu deixar de reparar em um certo detalhe:
— É lindo, Sr. Awesome, mas você não acha que vai ficar meio... Curto?
— Não, não! De jeito nenhum, vai ficar ótimo! — assegurou ele. — Aliás, você vai ficar tão... Tão...
Dean não conseguiu terminar a frase, mas Natalie entendeu muito bem o que ele queria dizer. Então ela colocou o shortdoll de volta na caixa, estreitou o olhar na direção do marido e questionou:
— Pergunta rápida: você comprou este presente pensando em mim ou... Em você? — quando Dean sorriu e arqueou as sobrancelhas, Natalie dispensou: — Não responda. O que importa é que eu gostei, certo? Então, obrigada, Sr. Awesome. É lindo.
Em seguida, Natalie se aproximou mais dele e lhe deu um beijo carinhoso nos lábios. Depois disso, levantou da cama e foi guardar o presente no guarda-roupa.
— Você não vai experimentar? — indagou Dean, sem conseguir disfarçar certa ansiedade. — Apenas para... Saber se vai ficar bom mesmo. — argumentou, quando Natalie olhou para trás e sorriu, entendendo a intenção implícita naquelas palavras.
— Mais tarde. — prometeu ela. — Agora, eu preciso conversar com você sobre outra coisa. — anunciou enquanto voltava para a cama e se sentava.
— Algum problema? — preocupou-se Dean.
— Não, não! Nenhum. — tranquilizou Natalie, e um tanto sem jeito, explicou: — Eu só estava pensando que depois que o Kevin traduzir o que falta da Tábua dos Anjos, e depois do casamento da Mia e do Cas, eu e você podíamos... Sei lá, fazer uma viagem.
— Para a Europa? — temeu Dean.
— Não! — respondeu a loira aos risos.
O Winchester franziu o cenho e arriscou:
— Você quer dizer... Uma viagem romântica? Como uma segunda lua de mel, já que a primeira foi meio... Arruinada pelo Bartholomew?
— Não deixa de ser isso também, mas, na verdade, eu estava pensando mais em uma... Viagem de caça. Cair na estrada por um mês, percorrer todo o país e matar uns monstros por aí. — esclareceu Natalie, e diante da expressão um tanto surpresa de Dean, ela acrescentou: — Olha, eu prefiro caçar sozinha, eu admito, ok? Não é nada pessoal, mas foi assim que eu aprendi. Mas isso não significa que eu não posso mudar. Casamento é ceder um pouco, certo? Então... Digamos que eu estou disposta a ceder neste ponto. Mesmo porque eu também gosto de caçar com você, Sr. Awesome. É bom ter um parceiro e eu estaria mentindo se dissesse que nós dois não formamos uma boa dupla quando caçamos juntos, então...
— Eu topo. — assentiu Dean, a interrompendo. — A questão é: nós vamos no meu carro ou no seu?
Natalie lhe lançou um sorriso amarelo e respondeu:
— Bem, eu vou no meu carrinho lindo, porque sim, eu estou disposta a ceder em alguns pontos, mas não em tudo. Mas não se preocupe, eu não me importo que você vá na sua lata velha e decadente, se isso te deixa mais confortável.
— Meu carro é awesome, Natalie. — corrigiu Dean, um tanto incomodado.
Sem querer discutir aquilo, a loira ergueu as mãos, levantou da cama e, enquanto caminhava na direção da porta, encerrou:
— Certo, então estamos conversados.
— Aonde você pensa que vai? — questionou Dean, e depois de se levantar e alcançar Natalie antes que ela abrisse a porta, ele avisou: — Ainda falta mais um presente.
A caçadora riu, virou-se na direção dele e disse:
— Eu aposto que sei o que é.
— Que bom. — comemorou Dean, segurando na cintura da esposa depois de se aproximar mais um pouco. — Porque eu até pensei em me embrulhar para presente, mas ia dar muito trabalho.
— Tão convencido... — resmungou Natalie, dando um leve soco no ombro de Dean.
Mas então ela não disse mais nada. Nem ele. O Winchester segurou o rosto da loira e a beijou simplesmente. Não demorou muito para que os dois caminhassem até a cama...
XXX
Sam estava sentado à mesa da sala principal, lendo atentamente um livro dos Homens das Letras sobre vários tipos de demônios, quando Claire se aproximou, puxou uma cadeira e sentou ao seu lado. Automaticamente, o caçador olhou em sua direção, e percebendo algo na expressão da esposa, que fitava um ponto qualquer da mesa com um olhar distante, ele questionou:
— Está tudo bem?
Depois de voltar a si, Claire respondeu:
— Sim, é só que... O meu pai disse que depois do casamento da Mia e do Cas, ele vai para Sioux Falls, passar um tempo por lá. Ajudando a Jody em potenciais casos envolvendo o sobrenatural.
— Você não quer que o Bobby vá? — estranhou Sam, notando uma nuance de tristeza naquelas palavras.
Claire suspirou profundamente e expôs:
— Eu quero. Na verdade, eu estou muito feliz que ele esteja seguindo em frente, finalmente, mas... Isso me lembra que eu continuo parada no mesmo lugar. Você sabe... Sobre o exército de demônios.
— Nós não estamos parados no mesmo lugar, Claire. — discordou Sam, e depois de empurrar o livro na direção dela, ele relatou: — Eu descobri uma coisa importante sobre aqueles demônios. Assim que eles possuem alguém, esta pessoa morre. Eles são mais fortes e malignos que demônios comuns, por isso quem é possuído por um demônio deste tipo não tem qualquer chance. Eu sei que isso é horrível de qualquer jeito, mas, pelo menos agora nós temos certeza de que Richard Henriksen já estava morto quando nós... Você sabe.
Claire deu um sorriso torto e acariciou o rosto de Sam por um instante, antes de voltar a fitar a mesa e dizer:
— Eu sei o que você está tentando fazer. E eu sinto muito, mas isso não faz eu me sentir melhor, Sam. De um jeito ou de outro, eu matei Richard Henriksen porque eu libertei aquele exército.
— Nós já conversamos sobre isso. — lembrou o caçador, erguendo o rosto da esposa em sua direção com o dedo indicador. — Você foi atraída para uma armadilha e usada em um ritual que libertou aqueles demônios. E tudo isso por quê? Porque a alma gêmea de Sam Winchester era uma peça chave no tal ritual. Então, se você quer culpar alguém, culpe a mim.
— Eu não posso. — discordou ela, o olhando com carinho. — E eu não posso esquecer que tive a chance de mandar o exército de volta para o Inferno, mas hesitei.
— Nós já conversamos sobre isso também. — recordou o Winchester pacientemente. — Você errou, Claire, mas errar é humano. E o importante é que agora nós sabemos que aqueles demônios não são invencíveis. E nós sabemos exatamente como matá-los.
Finalmente entendendo aonde o marido queria chegar Claire franziu o cenho e indagou:
— Você quer exterminar centenas de demônios com meia dúzia de facas?
— Não, eu quero exterminar quantos demônios eu puder, com as armas que eu tiver, até pensar em uma solução definitiva. Além disso, não são meia dúzia de facas, Claire. O Bobby conseguiu derreter algumas delas e fez um pouco de munição. Talvez essas balas funcionem. — esclareceu Sam. — E eu odeio os riscos que isso vai envolver, mas eu acho que nós temos que fazer isso juntos. Se você quiser. — quando percebeu que Claire ia se pronunciar, ele imaginou o que ela diria e se antecipou: — E eu também sei que será como procurar uma agulha em um palheiro, mas eu realmente acredito que o demônio que nós matamos foi apenas o primeiro a desertar. Então, se houver outros lá fora, nós vamos encontrá-los também. Não importa o quão difícil seja, nós podemos fazer isso.
Depois de um momento de silêncio, Claire respirou fundo, segurou a mão dele sobre a mesa e agradeceu:
— Obrigada.
— Por te envolver em uma arriscada caçada a demônios? — indagou Sam, rindo sem humor.
— Por me dar esperança. — corrigiu Claire. — E por ficar ao meu lado, apesar dos meus erros.
Sam pensou um pouco sobre a última frase e lembrou de todos os erros que ele mesmo cometeu ao longo de sua vida. Então ele começou a dizer:
— Você percebe que... Dizer isso para mim soa um tanto...
— Cala a boca. — resmungou a morena, conseguindo rir pela primeira vez desde que sentou ali. E depois de entrelaçar um dos braços de Sam e apoiar a cabeça em seu ombro, ela refletiu: — Sam Winchester e Claire Singer, juntos nos erros e nos acertos.
— Eu espero que um dia seja apenas nos acertos. — desejou o caçador.
— Eu também. — assentiu ela, mas em seguida ressalvou: — Só que isso é uma utopia, afinal... Errar é humano.
Depois de pensar um pouco, Sam sugeriu:
— Então que os nossos futuros erros não envolvam “não mandar um exército de demônios de volta ao Inferno, quando se tem a chance” nem “dar início a outro Apocalipse.”
— Combinado. — concordou Claire, conseguindo rir de novo. — Sabe... Eu acho que nós temos que selar este acordo. O que você acha? — sugeriu de uma forma sugestiva, erguendo o rosto na direção dele.
— Eu acho que é uma ótima ideia. — opinou Sam, e então segurou o rosto da esposa com uma das mãos, fechou os olhos e uniu seus lábios aos dela com um beijo carinhoso e demorado.
Quando seus rostos se afastaram, Claire se aconchegou melhor nos braços do marido, passando os braços em volta dele, suspirou e recapitulou:
— Então, depois do casamento da Mia e do Cas, que por acaso é daqui a dois dias, meu pai vai para Sioux Falls e eu e você vamos caçar demônios. Parece divertido.
— Até lá, — disse Sam, enquanto puxava o seu notebook, que estava no canto da mesa, para junto deles — eu vou procurar por sinais demoníacos.
— E eu vou fazer algumas ligações. — anunciou Claire, afastando-se um pouco enquanto o marido digitava algo em um site de buscas. — Talvez algum caçador tenha ouvido falar sobre esses sinais recentemente. — completou antes de pegar o celular no bolso da jaqueta.
Dois dias depois...
Eram nove horas da manhã e Mia acordou com o barulho do seu celular vibrando sobre o criado-mudo, ao lado da cama. Sonolenta, ela esticou a mão, viu quem era e ficou confusa com isso, antes de colocar o aparelho contra a orelha e ouvir a voz de Castiel:
— Mia... Ei.
— Por que tem um anjo falando comigo por telefone? — questionou ela, passando a mão pelo rosto para espantar o sono.
— Porque, caso você tenha se esquecido, hoje é o dia do nosso casamento. E, de acordo com uma certa superstição, eu não posso te ver antes do grande sim. — respondeu o anjo.
— Sinto em te informar, mas você não entendeu no que consiste essa superstição. — anunciou a garota e, depois de se enrolar melhor com um lençol que cobria o seu corpo nu, ela explicou: — A regra diz que o noivo não pode ver a noiva com o vestido antes do casamento, mas neste exato momento, eu não estou usando... Nada, porque você tirou as minhas roupas ontem à noite, lembra?
Castiel olhou para Sam, Dean e Kevin, que estavam sentados em volta de uma mesa na casa de Bobby, e que o encaravam sem entender por que, subitamente, o anjo ficou mudo e visivelmente constrangido.
Castiel preferiu dar as costas para eles, se afastar um pouco e então perguntou aos sussurros:
— Por que você tinha que dizer essa palavra?
— Nada? — repetiu Mia, fazendo-se de desentendida. E depois de sentar-se na cama e passar a mão pelos cabelos, ela respondeu: — Talvez porque eu esteja tentando te convencer a voltar para cá e ficar mais um pouco comigo antes do grande sim.
Castiel hesitou, mas por fim, respondeu:
— Eu não posso. — e percebendo que aquilo não era resposta suficiente, ele acrescentou: — Eu sinto muito, Mia, mas eu prefiro não arriscar em relação à essa superstição.
— Malvado. — resmungou ela, soltando um suspiro de frustração.
— Mas eu prometo te compensar na lua de mel. — comprometeu-se Castiel, afastando-se mais um pouco e falando mais baixo para que os outros não ouvissem. — Bem, eu só liguei para avisar que eu estou no ferro velho com o Sam, o Dean e o Kevin. E que, se você não mudar de ideia, nós nos veremos na igreja em algumas horas. — acrescentou em um tom normal de voz.
— Confie em mim, anjo. Nada nem ninguém vai me fazer desistir de subir ao altar hoje. — assegurou Mia, fazendo questão de destacar uma certa palavra.
— Malvada. — devolveu Castiel, sorrindo.
Mia riu antes dos dois encerrarem a ligação. E o anjo ainda sorria enquanto guardava o aparelho em um dos bolsos do sobretudo. Mas, quando ele virou-se na direção dos Winchester e do profeta, seu sorriso desmanchou-se imediatamente. Em seguida, ele caminhou até a mesa e questionou:
— Por que eu menti para a Mia?
— Você não mentiu. Você está aqui com a gente, não está? — indagou Dean. — E logo mais, vocês dois vão se casar, não vão?
— Você sabe o que eu quero dizer, Dean. — insistiu o anjo. — Por que nós saímos do bunker daquele jeito? Qual o verdadeiro motivo de nós estarmos aqui?
Sam e Dean se entreolharam, até que o mais novo olhou para Kevin por um instante, depois para Castiel e respondeu:
— Porque o Kevin terminou de traduzir a última parte da Tábua dos Anjos ontem à noite. E nós não podemos conversar sobre isso perto da Mia.
Apesar de querer perguntar o que o profeta tinha descoberto com a tradução do artefato, o que Castiel se ouviu perguntando foi:
— Por quê?
Desta vez, foi Dean que respondeu:
— Porque se a Mia souber o que o Kevin traduziu, logo o Crowley saberá também. E nós não podemos deixar isso acontecer.
Um tanto desapontado, Castiel questionou:
— Vocês não confiam mais nela?
— Não se trata de confiança. — redarguiu Sam. — Talvez a Mia não tenha escolha.
— Como assim? — não entendeu o anjo.
O Winchester mais novo fez sinal para que Castiel se sentasse, e depois que ele fez isso, Dean retomou o assunto:
— Cas, eu sei que a Mia tem um acordo com o Crowley, e que se ela não cumprir a parte dela, aquele son of a bitch vai fazer de tudo para atingir a Claire de alguma maneira. Nós não estamos ignorando isso, mas depois do que o Kevin descobriu, nós vamos precisar de um tempo para pensar em um plano B.
Insatisfeito com aquela resposta, o anjo voltou-se para Sam e questionou seriamente:
— O que você quis dizer com “talvez a Mia não tenha escolha”?
Após um longo momento de silêncio, e depois de trocar um olhar cúmplice com o irmão, o Winchester mais novo explicou:
— É apenas uma teoria, mas nós achamos que... A Mia tem algum tipo de ligação com o Crowley. Por causa do sangue. — antes que Castiel protestasse, Sam prosseguiu: — Pensa comigo, Cas. O Kevin traduziu a primeira parte da Tábua dos Anjos, contou para você e para a Mia, vocês saíram do bunker logo depois e então o Crowley aparece em uma loja de vestidos de noiva, querendo atualizações sobre a tradução? Em seguida, o Kevin traduz a segunda parte e, poucos dias depois, a Mia recebe uma ligação do Crowley? Você não acha isso estranho?
Sim, Castiel achou aquilo bem estranho e pertinente. No entanto, quando ele abriu a boca, as palavras que saíram foram:
— O que exatamente você quer dizer com isso?
Dean decidiu intervir:
— Exatamente isso. A Mia e o Crowley tem uma ligação. Não é forte o suficiente porque se fosse, ele saberia exatamente o que o Kevin traduziu e contou para ela sem precisar consultá-la, mas, definitivamente, o Crowley sente quando a Mia sabe de alguma coisa. Ele está lá, na mente dela, de alguma forma doentia. E até nós descobrirmos como quebrar esta ligação... Desculpe, cara, mas infelizmente nós não podemos confiar na Mia.
Inconformado com aquela situação e querendo saber o que de tão grave Kevin havia descoberto com a tradução da Tábua dos Anjos, Castiel voltou-se para o profeta e questionou:
— O que você descobriu, afinal?
O profeta, que ainda estava abatido por conta do ritual realizado contra Metatron há alguns dias e também por conta do esforço mental feito para traduzir a parte que faltava da Tábua dos Anjos, olhou para Sam e Dean, antes de responder:
— Deus fala sobre os anjos que caíram com Lúcifer. Um terço dos anjos do Céu naquela época. Tais anjos foram banidos para as profundezas do Inferno e Deus diz que... A libertação deles, se um dia vier a acontecer, representará o rompimento de um selo.
Depois de assimilar aquela informação, Castiel questionou:
— E vocês acham que o Crowley está interessado em romper este selo? É impossível. Aliás, é impossível que Deus tenha escrito algo assim na Tábua dos Anjos. É impossível que nenhum anjo tenha ouvido alguma história ou profecia sobre isso antes.
— Deus e seus mistérios. — refletiu Dean, dando de ombros.
— Não... Isso não faz sentido. — relutou Castiel, um tanto atordoado. — E sabe o que faz menos sentido? O Crowley não ajudou os demônios a libertarem Lúcifer no passado, então por que libertaria os anjos que caíram com Lúcifer agora?
— O Crowley ainda não sabe no que consiste este selo. — lembrou Sam. — Mas eu tenho certeza que se souber, ele pensará numa forma de destruir esses anjos depois de libertá-los. O interesse dele, Cas, é apenas... Romper o selo. Simplesmente isso.
Intrigado, Castiel perguntou:
— Por quê? O que acontece se este selo for rompido?
Após um longo momento de silêncio, Kevin relembrou as palavras que traduziu da Tábua dos Anjos e respondeu:
— Algo como uma... Ascensão Infernal.
Não era necessário fazer aquela pergunta, mas Castiel se ouviu dizendo:
— O Inferno ascendendo... Para onde exatamente?
Dean olhou tudo em volta e, embora também não fosse necessário responder, ele o fez:
— Aparentemente, bem aqui. Na Terra.
Fale com o autor