Heaven and Hell
31 A surpresa
Notas iniciais
Sala principal – Bunker dos Homens das Letras
— Vocês querem me matar de curiosidade? — reclamou Mia, impaciente por conta do silêncio de Kevin e Chloe diante dela e de Castiel. — Desembucha logo! O que vocês descobriram?
Kevin deu um passo à frente, colocou a Tábua dos Anjos sobre a mesa, olhou para a caçadora e para o anjo, e então começou a explicar:
— Bem, antes de mais nada... — ao perceber certo constrangimento nos olhares do casal, o profeta revirou os olhos e, fazendo questão de repetir certa palavra, ele prosseguiu: — Nada disso teria sido possível sem a ajuda da Chloe. — e voltando-se para a namorada, disse carinhosamente: — Minha hacker linda e incrivelmente inteligente.
Chloe ficou vermelha ao ouvir aquilo, principalmente porque ela e Kevin não estavam sozinhos ali. Mesmo assim, sob os olhares um tanto constrangidos de Mia e Castiel, ela retribuiu:
— Nada disso teria sido possível sem você, Kev.
— Você aperfeiçoou o programa. — lembrou o profeta.
— Mas você conhece aqueles símbolos bem melhor do que eu. Portanto, eu não teria conseguido sem você. — expôs Chloe.
Kevin pensou um pouco e achou uma solução:
— Tudo bem, digamos que eu e você formamos uma ótima dupla.
— Em vários sentidos, meu profeta lindo. — ressaltou Chloe, sorrindo levemente para o namorado e esquecendo-se completamente de que eles tinham companhia.
— Em todos os sentidos, minha hacker sexy de Princeton. — arrematou Kevin a olhando de um jeito ainda mais carinhoso.
Mia estreitou o olhar na direção dos dois, enquanto Castiel franzia o cenho. Depois de pigarrear, chamando a atenção do casal, ela disse:
— Tudo bem, pombinhos. Nós já entendemos que vocês se amam e isso é lindo. Mesmo. Eu estou arrepiada e comovida diante de tanto amor. Mas agora será que vocês podem acabar com esta tortura e contar de uma vez o que descobriram?
— De preferência, sem repetir uma... Certa palavra. — pediu Castiel um pouco constrangido.
— Por favor. — frisou Mia também incomodada com a palavra “nada.”
Kevin e Chloe trocaram um olhar cúmplice e controlaram a vontade de rir daqueles dois. Instantes depois, o profeta finalmente recomeçou:
— Bem, o texto da Tábua dos Anjos é dividido em três partes. Eu e a Chloe conseguimos traduzir a primeira delas. Esta primeira parte fala sobre o poder da palavra de Deus e de como esse poder foi absorvido pelo artefato quando Ele ditou as palavras para... Um certo anjo escriba que, infelizmente, nós conhecemos muito bem. Deus diz que este poder não deve ser absorvido por nenhum anjo, muito menos pelo Homem. E que se isso acontecer, o poder deve ser devolvido ao artefato o quanto antes ou ele se autodestruirá.
— Claro que o Todo Poderoso não usou esta palavra, e isso foi o que nos deu mais trabalho, não só traduzir, mas também adaptar algumas palavras para o nosso idioma. — salientou Chloe.
Kevin olhou para a namorada e assentiu com um meneio de cabeça ao lembrar de como aquela parte do trabalho tinha sido realmente complicada.
— Então a Tábua dos Anjos é uma bomba relógio? — questionou Mia depois de assimilar aquelas informações.
— Quanto tempo nós temos até que ela se... Autodestrua? — quis saber Castiel.
— Desculpe, mas Deus não foi muito específico em relação a isso. — lamentou Kevin.
— Mas Ele explica como devolver o poder para o artefato? — indagou Mia.
— Sim. — respondeu Chloe. — Além de atrair o Metatron para uma armadilha e prendê-lo, nós vamos precisar de um pouco de enoquiano e de um profeta.
— Seja mais clara. — pediu Castiel um tanto confuso.
Antes que Chloe explicasse melhor, Kevin antecipou-se:
— Deus finaliza esta primeira parte detalhando um ritual, em enoquiano, e deixa claro que um profeta deve proferir as palavras. Só assim vai funcionar. Só assim o poder que o Metatron absorveu vai voltar para a Tábua dos Anjos. — depois de refletir sobre tudo o que tinha acontecido desde que virou um profeta, Kevin soltou um suspiro, olhou a Tábua dos Anjos sobre a mesa e completou: — Acho que eu finalmente entendi o que é ser o Guardião da Palavra de Deus. Isso vai muito além de traduzir esses símbolos, eu tenho que proteger o artefato. Mantê-lo a salvo dos anjos, dos homens e da sede de poder de todos eles.
Chloe fitou o namorado com certa admiração e carinho. Com um movimento sútil, segurou em uma das mãos dele, fazendo com que Kevin a olhasse de volta, e então ela disse:
— Eu estou muito orgulhosa de você, Kev. Ser o Guardião da Palavra de Deus é algo tão... Grandioso. Eu sei que no começo foi difícil para você aceitar essa responsabilidade, mas, honestamente, eu não consigo imaginar outra pessoa no seu lugar. Eu não consigo imaginar outro profeta ou... Profetisa fazendo isso, Kev. Você me disse que existe uma lista de potenciais profetas e profetisas, mas quer saber? Eu não acredito nisso. Não pode ser verdade porque está bem claro para mim que esse é o seu destino. Só seu. E com certeza, você vai cumprí-lo muito bem e me deixar ainda mais orgulhosa.
Kevin sorriu ao ouvir aquelas coisas e segurou na mão de Chloe com mais força antes de dizer:
— Eu só vou conseguir fazer tudo isso, se você estiver ao meu lado.
— Eu sempre vou estar. — assegurou a garota.
Mia fez um biquinho com os lábios enquanto observava os dois e, assim como Castiel, sentiu-se um pouco desconfortável, já que mais uma vez parecia que Chloe e Kevin tinham esquecido que tinham companhia.
Estava bem claro que o tempo que os dois passaram em Princeton e as longas horas em que trabalharam juntos na tradução da Tábua dos Anjos tinham os aproximado ainda mais e fortalecido o sentimento que, obviamente, havia entre eles.
Por fim, Mia suspirou e opinou:
— Vocês formam mesmo uma ótima dupla. Em todos os sentidos, pombinhos.
Kevin e Chloe voltaram a si, fitaram a caçadora e o anjo e soltaram as mãos um tanto constrangidos com os olhares sobre eles. Em seguida, o profeta recomeçou:
— Então o que nós devemos fazer agora?
Foi Castiel que respondeu:
— Contem para o Bobby tudo o que vocês descobriram. E para o Dean e para a Natalie também. Eu vou pensar em uma forma de atrair o Metatron para uma armadilha. — olhando especificamente para Kevin, o anjo continuou: — Eu posso te ajudar com a questão do ritual, a proferí-lo corretamente. Mas antes eu tenho que levar a Mia a um lugar e, depois de todo o trabalho que você e a Chloe tiveram, acho que também merecem um pouco de descanso.
Kevin e a namorada assentiram quase ao mesmo tempo. Em seguida, Castiel segurou a mão da noiva, sorriu levemente para o casal e imitou o jeito que Mia se referia ao profeta e a hacker ao dizer:
— Parabéns, pombinhos. Vocês fizeram um ótimo trabalho.
Antes que Kevin ou Chloe respondessem, Castiel já estava levando Mia pela mão em direção à saída. Um tanto confusa, a caçadora questionou:
— Ei, anjo, não me leve a mal, mas eu pensei que depois dessas descobertas importantes que o casal nerd e fofo fez, nosso programa misterioso tivesse sido temporariamente adiado. Nós devíamos conversar mais sobre essa armadilha para o Metatron e pensar em um plano juntos, não?
— Nós podemos conversar sobre tudo isso na volta. — respondeu o anjo enquanto passava com Mia pela porta e caminhava até o Mustang. — Na verdade, eu acho que elaborar um plano vai exigir bem mais do que uma só conversa. Eu sei que nós temos que deter o Metatron. Eu, melhor do que ninguém, entendo a urgência disso, mas não se iluda, Mia, não será do dia para a noite que nós vamos conseguir. Nós temos que ser mais inteligentes do que ele, lembra?
Ainda insatisfeita, ela insistiu:
— Mas eu pensei que...
— Mia, — Castiel disse a interrompendo e depois de parar diante do carro e virar-se na direção da noiva, ele prosseguiu: — hoje, você vai precisar tomar uma importante decisão. Eu não abro mão de que seja hoje, entendeu? Nós já adiamos muito isso. Então, como os humanos costumam dizer, aproveite e curta o momento.
Ao ouvir aquilo, Mia estreitou o olhar na direção do anjo, passou os braços em volta do pescoço dele e admitiu de um jeito malicioso:
— Você está me deixando maluca com tanto mistério, sabia? E quando eu digo maluca, eu não estou dizendo só de curiosidade, mas maluca em outro sentido também. Maluca para fazer uma coisa com você.
Castiel deu um meio sorriso e reforçou:
— Eu já disse que você pode tirar a minha roupa mais tarde. Mas só mais tarde, entendeu? Por enquanto, nós devemos nos comportar.
Mia suspirou e ponderou:
— Já que é assim, eu só posso desejar que o dia passe bem rápido.
Em seguida, Mia aproximou o rosto, fechou os olhos e encaixou os seus lábios nos de Castiel, lhe dando um beijo carinhoso e demorado. Quando ela se afastou um pouco, o anjo parecia um tanto desconcertado. Sem perceber tinha colocado as mãos na cintura dela e acabou dizendo:
— Por favor, não me faça desistir. Isso é importante.
Mia riu, deu alguns passos para trás e ergueu as mãos em sinal de rendição enquanto dizia:
— Tudo bem, eu prometo que irei me comportar, anjo.
Quando ela fez menção de abrir a porta do carro, Castiel segurou a porta e avisou:
— Eu dirijo.
Mia franziu o cenho, intrigada com tanto mistério, e sugeriu de um jeito acelerado:
— Por que nós não vamos voando então? Assim, eu economizo a gasolina. Você sabe que combustível está cada vez mais caro, não sabe, anjo? Não que eu pague alguma coisa por ele, porque eu sempre acabo usando o meu cartão de crédito fraudado mesmo... Mas isso não vem ao caso, porque tem o benefício para o planeta também, já que deixando o Mustang aqui, nós iremos colaborar, mesmo que pouco, para a redução da emissão de CO2 na atmosfera. O que, convenhamos, é muito nobre. Além disso, se você bater as suas lindas e negras asinhas, nós chegaremos ao tal lugar misterioso bem mais rápido e, consequentemente, eu mato essa curiosidade mais rápido. O que é ótimo porque, eu não sei se já disse isso, mas todo esse suspense está me matando, me corroendo por dentro e...
Mia parou de falar quando Castiel colocou a mão em seu ombro. O bater de asas ainda ecoava em seus ouvidos e um frio reverberava em seu estômago quando ela olhou em volta e viu que os dois estavam em outro lugar. Era um beco entre duas lojas no centro de Lebanon.
Confusa, ela questionou:
— Você me trouxe para um beco escondido, deserto e... Por que não... Aconchegante?
Castiel percebeu certo tom sugestivo na última palavra dita por Mia e percebeu uma nuance de malícia em seu olhar. Não conseguiu conter um meio sorriso diante de tudo isso, mas em seguida inclinou um pouco a cabeça, a encarando de um jeito sério, e a repreendeu:
— Mia, tirar a roupa só mais tarde, lembra?
A caçadora balançou a cabeça algumas vezes, como se quisesse afastar os pensamentos pecaminosos que rondavam a sua mente, e por fim disse para si mesma:
— Certo. Foco, Mia Clarke. Foco. Você consegue.
Quando percebeu que ela finalmente estava focada, Castiel a segurou por uma das mãos, indicou a saída do beco e orientou:
— Por aqui.
Mia sorriu, o seguiu prontamente e logo os dois saíram daquele beco, alcançaram a calçada e caminharam alguns metros até pararem diante de uma loja de vestidos de noiva. Então Mia desmanchou o sorriso e, entendendo por que Castiel tinha a levado até ali, murmurou atônita:
— Ai meu Deus... Cas, eu não... Eu não sei, eu já tentei, mas eu não sei escolher... Eu não estou pronta para escolher isso...
Castiel se moveu para ficar de frente para a noiva e argumentou:
— Mia, como você pretende entrar na igreja? Nua?
— Ah... Não deixa de ser uma ideia. — balbuciou ela, mas diante da expressão assustada de Castiel, esclareceu rapidamente: — Eu estou brincando, anjo. — e depois de uma pausa, prosseguiu: — Olha, o que você está tentando fazer é muito fofo, mas mesmo que eu consiga me decidir e escolher um modelo legal, eu não posso fazer isso na sua frente. Ver a noiva com o vestido antes do casamento dá azar. Eu sei, é uma supertição idiota, mas diante do nosso histórico, eu acho melhor não arriscar.
— Eu sei disso. Eu me lembro dos últimos casamentos, sei bem como funciona estas supertições. Mas não se preocupe, eu vou te esperar aqui fora. — tranquilizou Castiel.
Mia pensou um pouco e, tentando arranjar uma boa desculpa para não ter que fazer aquela escolha naquele dia, ela expôs:
— Eu vou enlouquecer as vendedoras, anjo. Eu sou muito indecisa, eu não consigo me identificar com essas... Coisas de casamento. Como madrinha, eu até me saí bem, mas como noiva... Eu sou um fiasco. Eu não sei como escolher...
— Pelo menos tenta. — pediu Castiel a interrompendo e Mia soltou um suspiro. — Se você não gostar de nenhum vestido, tudo bem, nós vamos amanhã em outra loja. Mas pelo menos tenta. Eu também não sei como ser um noivo, Mia, mas eu estou disposto a descobrir. Por você. Faça o mesmo por mim. — ao perceber que a garota tinha lembrado de uma coisa e que usaria isso como outra desculpa, Castiel retirou um cartão de crédito do bolso do sobretudo e disse: — Antes que você diga que não tem como pagar, eu peguei isso nas suas coisas enquanto você estava no banho. É um dos seus cartões falsos. Portanto, você não precisa se preocupar com o preço do vestido. Só em escolher um modelo que te deixe ainda mais bonita.
Mia hesitou um pouco antes de pegar o cartão de crédito e assentir:
— Tudo bem, você venceu. Eu prometo que vou tentar escolher um pedaço de pano decente para o grande dia, ok?
Feliz por Mia finalmente ter parado de relutar, Castiel sorriu, tocou o rosto dela com uma das mãos e se aproximou um pouco. No entanto, quando seus rostos estavam bem próximos e os dois começaram a fechar os olhos, uma voz feminina chamou:
— Castiel?
Automaticamente, o casal se afastou. Então Castiel olhou para trás e Mia posicionou-se ao seu lado. Os dois observaram uma mulher parada naquela mesma calçada, os olhando de volta com certa curiosidade. Ela aparentava ter uns trinta anos, seus cabelos eram loiros e, de uma forma geral, ela era bem bonita, apesar das roupas um tanto formais que usava e que lhe davam um ar muito sério.
Castiel estreitou o olhar na direção dela e inclinou um pouco a cabeça, como se visse algo que Mia não era capaz de enxergar. Em seguida, ele disse surpreso:
— Sophia? É você?
A mulher misteriosa, que na verdade era um anjo e antiga conhecida de Castiel, assentiu com um meneio de cabeça. Em seguida, para sua surpresa, Castiel aproximou-se dela rapidamente e a abraçou, enquanto sorria feliz por reencontrá-la depois de tanto tempo. Séculos, talvez.
— É muito bom te ver, Sophia! — disse ele realmente feliz com aquele reencontro.
Enquanto Sophia parecia bem desconfortável com aquele súbito abraço, Mia observava os dois, confusa e sentindo-se deslocada, como uma pessoa que é deixada de lado em uma festa. Uma ponta de ciúme queimou em seu peito, a fazendo desviar o olhar daquela cena.
— É bom te ver também, Castiel. Mas não precisa me abraçar. Isso é tão... Humano. Vamos deixar este tipo de manifestação para os macacos vestidos. — retrucou a loira, dizendo as últimas palavras de uma forma seca e desdenhosa.
Ao ouvir aquilo, Mia entendeu que a amiga misteriosa de Castiel era um anjo. Ele, por sua vez, ao perceber que estava sendo inconveniente, já que a maioria dos anjos não gostava daquele tipo de proximidade e demonstração de carinho, afastou-se imediatamente e disse envergonhado:
— Me desculpe.
— Tudo bem. — assentiu Sophia passando as mãos pelo terninho que vestia, a fim de desamassá-lo. — Você tem passado muito tempo com os humanos, por isso começou a se comportar do mesmo jeito que eles.
Em seguida, ela olhou para Mia e a examinou da cabeça aos pés com um ar de superioridade, o que deixou a caçadora profundamente irritada. Como vingança, Mia decidiu fazer o mesmo com ela. Então a caçadora arqueou as sobrancelhas e fez questão de medir Sophia da cabeça aos pés com o mesmo ar de superioridade e desdém.
Ao notar a troca de olhares entre as duas, Castiel decidiu apresentá-las:
— Mia, está é a Sophia, uma antiga companheira de guarnição. Sophia, está é...
— Eu sei quem ela é. — interrompeu a loira de uma forma ríspida. — Mia Clarke, a humana manipuladora, com sangue de demônio, que te seduziu. Eu e todos os anjos ouvimos falar muito dela. Infelizmente.
Mia ficou tão surpresa com a forma ofensiva que Sophia usou para dizer aquelas palavras, que não conseguiu esboçar nenhuma reação. Sentiu como se tivesse levado um soco no estômago e como se tivesse perdido o ar e a capacidade de falar.
Então era isso o que os anjos pensavam dela? Que ela era uma humana manipuladora que seduziu um anjo inocente? Mal sabiam eles que tinha sido justamente o contrário. Foi Castiel com aquele jeito doce e cara de bobo que a deixou encantada primeiro.
Felizmente, Castiel não concordava com as coisas ditas por Sophia, muito menos gostou do jeito esnobe que ela usou para proferí-las. Então, ele segurou a mão de Mia e esclareceu de um jeito firme:
— Ela é a mulher que eu amo e eu exijo que você a respeite. Se você veio conversar comigo a respeito do que eu disse para os outros anjos, esta é a minha condição. Respeite a Mia.
Sophia ficou um tanto desconcertada com aquela exigência e Mia não conseguiu conter um leve sorriso de satisfação. Rapidamente, Sophia voltou a assumir uma expressão impassível e dirigiu-se especificamente para Castiel:
— Você está certo, eu vim conversar sobre o que você disse para os outros anjos. A notícia se espalhou rapidamente e eu me arrisquei muito para vir até aqui. O Metatron me fez uma proposta, Castiel. Ele me ofereceu um lugar no Céu em troca de apoio. Mas antes de aceitar, eu precisava falar com você e saber se você realmente foi enganado por ele, como disse para os outros anjos. Então é verdade?
— Sim. — confirmou o anjo. — Eu juro que não sabia o que o Metatron planejava, e tentei impedi-lo quando descobri. Mas ele roubou a minha graça e me expulsou do Céu antes que eu conseguisse fazer qualquer coisa. Isso me impediu de lutar contra ele durante um bom tempo, mas agora eu estou inteiro novamente. E disposto a consertar as coisas de uma vez por todas.
Após um momento de silêncio, avaliando a expressão resoluta de Castiel e tudo que ele disse, Sophia pareceu se convencer de que ele falava a verdade e então assentiu:
— Tudo bem. Neste caso, vamos conversar. — e olhando para Mia, completou: — A sós.
— Ela pode participar da conversa. Eu não tenho segredos para a Mia. — argumentou Castiel.
No entanto, a caçadora voltou-se para ele e expôs:
— Não tem problema, anjo. Pode conversar com a Miss Simpatia à vontade. Mesmo porque eu tenho que escolher um vestido, lembra? E eu não quero atrapalhar, nem me intrometer neste papo de anjo.
Apesar de não ter entendido por que Mia chamou Sophia de Miss Simpatia, Castiel relevou este detalhe e indagou:
— Você tem certeza?
— Claro. Está tudo bem. — assegurou Mia.
Depois de se despedir do anjo com um beijo rápido e discreto, ela caminhou até Sophia e sorriu com sarcasmo, fazendo-a franzir o cenho sem entender aquele comportamento. Sophia entendeu menos ainda quando Mia a puxou para um abraço caloroso, apertado e embaraçoso. A caçadora ainda fez questão de bagunçar um pouco os cabelos dela, lhe fazendo um cafuné enquanto dizia:
— Você é um doce, Sophia. Foi um prazer te conhecer, viu?
Depois de soltá-la, Mia ainda lhe deu um beijo no rosto e só então se afastou. Tentando não rir daquela situação, Castiel seguiu a noiva com o olhar até ela entrar na loja de vestidos. Só então, ele voltou a encarar Sophia que, novamente passou as mãos pelos trajes que usava. Em seguida, ela olhou para ele e questionou um tanto nervosa:
— O que deu nela?
— Chama-se sarcasmo. Os humanos gostam disso. — explicou Castiel.
Fale com o autor