Heartless
4 terceiro capítulo.
Notas iniciais
— Quem diabos é você, e como conseguiu meu número privado?
Mas que porra, Alice! Por que não tinha lhe avisado que aquele era sua maldita linha privada e assim, ao menos, ligaria do telefone do escritório? Merda!
E a mulher, apesar da voz doce, tinha rosnado a pergunta. Legal, tinha irritado ela sem nem ao menos começar o assunto. Na verdade, inferno, nem sabia qual era o assunto ou o que iria falar.
Desligue, uma voz sussurrou em sua mente.
— Alice Brandon me deu seu número. — tentou manter a voz calma e séria, o mais política possível. — Realmente não tinha percebido se tratar de um número privado ou pessoal, ou teria ligado do escritório. Sinto muito.
Houve alguns segundos de silêncio novamente. Desligue o telefone, idiota, a voz gritou. Mas ele simplesmente... Não conseguia.
— Oh, Alice? Ela está bem?
— Sim, ela está ótima. Se ela seguiu minhas ordens, deve estar em casa descansando. Deve estar tarde, posso te ligar em outro momento ou então...
— Não, claro que não. Você deve ser o agente Cullen, certo?
— Edward, por favor.
— Edward Cullen. Claro. Peço desculpas por minha grosseria anterior, foi totalmente desnecessário, ainda mais quando Alice me falou de você e eu devia estar esperando a sua ligação.
— Tudo bem, eu que liguei em uma hora imprópria. Por sempre sair do trabalho tarde da noite sem ter horários fixos pra dormir, acabo pensando que todos são assim também.
— Temos um caso de workaholic aqui? — a voz dela soava divertida. E Edward quase riu.
— Algo assim.
— Nossa — ela riu. —, você acabou de me ligar e eu atendi ridiculamente estúpida, agora estou fazendo piadinhas, nem me atrevo a pensar a ideia que você deve estar fazendo sobre mim. Enfim, o que posso fazer por você, a... Edward?
— Na verdade não, estou até aliviado que a tensão esteja desfeita. — disse sinceramente. — Bem... Alice disse que... Que você é a psiquiatra amiga e consultora dela sobre o caso Beleza Mortal, bem... — engoliu seco e mexeu no cabelo. — E que talvez conversar com você fosse uma boa opção.
— Ela me falou a mesma coisa. Que você tem uma visão própria do caso e confesso que fiquei bem curiosa a respeito. Podíamos conversar sobre o caso, não sei.
— Eu não me sinto confortável em falar detalhes sobre o caso pelo telefone.
— Claro.
— Na verdade, senhorita Swan...
— Bella.
— Oi?
— Me chame apenas de Bella. — ela pediu calmamente. E Edward pode até imaginá-la sorrindo. Isso se tivesse alguma ideia de como era sua fisionomia.
— Oh, claro. Na verdade... Bella, eu não sei como isso funcionaria. Nem sei por que liguei. Acho que fiz isso mais por Alice e por...
— Curiosidade? — a mulher riu. — Edward, eu sei. Sou psiquiatra e sei os procedimentos. Há tanto tempo nesse caso, você deve fazer uma analise psicológica com uma psiquiatra ou psicóloga do FBI para confirmar sua sanidade com uma frequência irritante. Não sou assim, ok? Não vai ser uma consulta. Apenas... Deus, eu estou curiosa também. — confessou divertida. — Tento fazer um perfil de Beleza Mortal há quase tanto quanto vocês e seria bom conversar com o agente que achou o primeiro corpo e chefe da Equipe-Mortal. Podemos nos encontrar e eu prometo que não será uma consulta. Deixo até o meu bloquinho e o divã em casa.
Edward não pode evitar rir, pelo menos ela tinha senso de humor.
— Tudo bem, mas se eu te vir chegando com um divã, vou embora, está bem?
Bella gargalhou. E Edward decidiu que gostava daquela risada.
— Prometo. Pode ser amanhã?
— Bem... — tinha Tanya, mas... — Tudo bem. Podemos almoçar juntos, pode ser?
— Claro, onde?
— Bem, se quiser posso ir te buscar...
— Não dá, estou na casa de uma amiga e dormirei por aqui, é longe. Psiquiatras também tem algum trabalho, agente Cullen. — brincou. — Acho que, provavelmente, nem passarei em casa. Posso ir até ai. Alice comentou que estão no prédio da polícia de Seattle.
— Sim, segundo andar. Pode vim e então vamos juntos para algum restaurante. Uma hora, está bom pra você?
— Pra mim está ótimo. Então nos vemos amanhã.
— Ótimo. Então até amanhã... Bella.
— Até amanhã, Edward. Ah, esse é um conselho da Dr. Swan, vá dormir. Sua voz está péssima. — deu uma risadinha e desligou.
Edward tirou o celular da orelha e o observou por alguns segundos, incrédulo. Ele tinha achado a voz dela uma mistura fantástica e exata – divertida, doce e até sexy –, enquanto ela tinha achado sua voz... Péssima? Edward riu, agitando a cabeça. Salvou o número de Isabella na agenda e guardou o celular no bolso.
Foi ao banheiro rapidamente e seu reflexo era digno de pena. Já sem o paletó, gravata afrouxada, mangas arregaçadas, olhos cansados e com olheiras, a barba crescendo e o cabelo bagunçado de tanto que mexia e puxava. Se sua voz sonolenta mereceu um "vá dormir", se ela visse seu corpo iria ganhar um "vá hibernar e talvez tenha solução". Precisava realmente dormir, mas a quantidade de café que tinha bebido não faria dessa uma tarefa fácil. Oh, foda-se. Lavou o rosto e a boca ali mesmo, então molhou a nuca. Talvez estivesse na hora de ir pra casa mesmo.
Juntou todas as coisas sobre a mesa, colocou as folhas que Alice tinha lhe entregue dentro da bolsa de notebook que carregava para todos os lados, vestiu o paletó e saiu da sala de reuniões. No andar só tinha dois agentes que ficariam de plantão na noite e qualquer ocorrência ligariam para Edward; despediu-se deles e foi para o elevador. Não falou com mais ninguém até entrar no Volvo e ir para casa.
A casa que dividia com Tanya, sua esposa, ficava em um bairro de classe média de Seattle. Um bairro familiar, onde todas as casas eram de dois andares e parecidas, com cores alegres e pequenos jardins na frente, uma caixa de correio e um caminho de paralelepípedos até a porta. Era um bairro clichê, tranquilo e muito familiar, como os de uma série televisiva humorística e familiar da ABC, bairro onde casais escolhiam para ficar após o casamento e ter filhos; tanto que a taxa de família com filhos ou grávidos, era alta. Provavelmente, Sr. & Sra. Cullen eram os únicos casados há mais de dois anos sem filhos no bairro. E isso aumentava ainda mais a pressão sobre Edward. Mesmo quando Tanya não dizia as palavras explicitamente, sempre que viam uma criança no colo dos pais ou no carrinho, uma mulher grávida ou até quando passava pelo parquinho, ele via os olhos da esposa brilhar e depois aquele suspiro que fazia Edward se sentir culpado por trabalhar tanto. E ao mesmo tempo, querer correr de volta para o escritório e trabalhar mais, depois fumar e beber até apagar. Oh foda-se, sua vida era uma maldita bagunça. E tudo culpa de Beleza Mortal. Ou era isso que tentava se convencer diariamente.
Estacionou o Volvo na entrada da casa, desceu pegando tudo que precisava do carro e trancou, acionando o alarme. Destrancou a porta, entrou e, obviamente, trancou-a novamente – depois de passar a chave, fechou com o ferrolho e então o fecho pega-ladrão. Todas as portas tinham essas coisas, além de travas nas janelas e vidros blindados, alarmes e toda a parafernália que podia ser considerada exagero por qualquer civil; era óbvio que Beleza Mortal deixara todos um tanto paranoicos com a questão de segurança, mas era necessário para agentes envolvidos em um caso tão sério como esse.
Jogou tudo no sofá e subiu rapidamente para o quarto. Tanya deixara a casa em ordem, como sempre fazia, e provavelmente ela falaria bastante pela bagunça que ele estava fazendo, como sempre fazia também, mas Edward não estava com paciência para juntar a roupa ou deixar tudo organizado, foi tirando sapatos, meias, paletó, gravata, blusa e calças, deixando tudo jogado no chão e foi direto para o chuveiro.
Uma demorada ducha morna. Sempre preferia e tomava banhos frios, mas se tomasse agora, dormir seria confirmadamente impossível. Tomou um banho morno, deixando a água cair sobre sua cabeça e escorrer para seu corpo, relaxando seus músculos, ensaboou o corpo musculoso para tirar qualquer resquício de cigarro ou necrotério de si. Principalmente dos cabelos. Passou rapidamente pelo membro, evitando esfregá-lo demais, estava há algum tempo sem sexo, quase quatro semanas, – até sua vida sexual Beleza Mortal estava fodendo, ao contrário dele –, e não queria se masturbar ou ficaria ainda mais frustrado naquele momento. Terminou o banho um pouco mais relaxado, pegou uma toalha de banho branca no gancho perto do box e passou-a no corpo, depois secou os cabelos e enrolou-a na cintura. Voltou para seu quarto e pegou uma samba canção na gaveta, vestiu-a e desceu para a cozinha com a toalha no pescoço, terminando de secar o cabelo.
A secretária eletrônica piscava freneticamente sobre a mesinha ao lado do sofá. Mas não estava com a mínima vontade de escutar recados, ignorou e foi para a cozinha. Na geladeira, presa com um imã, estava uma pequena lousa branca, uma pequena caneta azul e seu pequeno apagador, prontos para deixar recados e Tanya deixara um escrito – deixei rosbife e purê na geladeira, e tem um pouco daquele molho especial, só esquentar no microondas, xoxo.
— E isso porque você sabe que eu não gosto de purê, não é, querida? — murmurou apagando o que estava escrito na lousa.
E escreveu – Obrigada baby.
Odiava pensar em ser ingrato com a esposa, então esquentou um bom pedaço de rosbife e preparou três sanduíches em pão baguete francesa com maionese, queijo, tomate, picles e orégano, além do molho especial que era molho de queijo gorgonzola com cerveja, creme de leite e maionese. Tanya sempre dizia que tinha um gosto bizarro, mas realmente gostava daquilo. Pegou a coca-cola na geladeira e comeu tudo no balcão da cozinha.
E por incrível que pareça, não pensou em nada, apenas no lanche. E então pensou em Bella. Em como ela seria ou que estaria fazendo... Porra, por que estava pensando isso? Ok, apenas curiosidade, afinal conversaria com ela amanhã. Foda-se, era apenas isso. Agitou a cabeça e afastou os pensamentos, terminou o seu jantar improvisado antes de subir para o quarto, escovar os dentes e cair na cama. Se revirar por um bom tempo, até adormecer. Acordar várias vezes na noite e dormir novamente.
O mesmo sono agitado de sempre.
–
O instrumental de Livin' on a Prayer do Bon Jovi ecoava pelo quarto. E isso não incomodava a Edward Cullen, quer dizer, adorava Bon Jovi e aquela música era sua favorita, mas aquilo também era o toque de seu celular. E era muito cedo para ele estar tocando. Inferno. Mas tinha que atender. Girou na cama, coçou os olhos com a mão e esticou o braço para pegar o celular na mesinha de cabeceira com a outra. Mesmo sem olhar, sabia onde apertar para atender e colocou o celular na orelha.
— Pronto. — escutou a própria voz sonolenta.
— Amor... Estava dormindo?
— Hum... Tanya? O que... Não é óbvio? Ainda é madrugada. O que aconteceu?
— Madrugada? Edward, eu estou no tribunal, é quase 11 horas da manhã.
— Mas que inferno! — sentou-se rapidamente na cama e passou a mão no cabelo. — Perdi a maldita hora, merda!
— Edward, está tudo bem, Deus e todos sabem que você precisava dormir um pouco. Isso vai te ajudar e clarear seus pensamentos.
— É. Talvez. Então, por que ligou?
— Nada, eu só... Só queria falar um pouco com você antes de entrar na audiência, é... Desculpa?
— Oh, meu anjo, claro que não precisa se desculpar, sinto muito. É que pensei que tinha acontecido alguma coisa, mas gostei da sua ligação. Além de ter me acordado, estou falando com a minha esposa. Isso é bom.
— Você sabe me fazer sorrir. Como sempre. E devia fazer isso mais vezes.
— Estou sendo um péssimo marido, não é? Eu... — enterrou os dedos nos cabelos e fechou a mão em punho. — Vamos jantar hoje, meu anjo. Eu e você. No seu restaurante favorito com muito sushi. E vamos comemorar a vitória da sua audiência.
— Vamos mesmo? — perguntou cética e hesitante.
— Vamos! Não importa o que aconteça, vamos jantar hoje. Eu e você.
— Isso me faz feliz. E me faz sorrir. Eu te amo, e você sabe né?
— Claro que sei, por isso que nós estamos casados. — riu divertido. Tanya riu do outro lado.
— Idiota. Ainda bem que você é muito bonitinho!
— Bonitinho? Oh sim, você me feriu, esposa. — forçou uma voz dramática.
— E eu te amo, marido. Amor, eu tenho que desligar, falta cinco minutos para a audiência começar, promotoria e os advogados de defesa vão se reunir agora com a juíza.
— Ok, meu anjo. Vou tomar banho e ir para o escritório. Toda sorte do mundo e o meu amor pra você. Mostre pra eles a grande promotora que você é e coloque os caras maus na cadeia.
— Obrigada, amor. Boa sorte pra você também. Se cuida pra mim e nos vemos mais tarde. Beijo, eu te amo!
— Até mais tarde.
Assim que desligou o celular, deixou-o na cama e apressou-se para o banheiro. Um rápido banho gelado para despertar primeiro. Quando acabou, parou em frente ao espelho e faz a higiene matinal. Passou a mão rapidamente pelo rosto e a barba já estava maior do que deveria. Pegou o aparelho de barbear e tratou do problema com cuidado, tudo que não precisava era ir ao encontro com a Bella com um patético curativo no rosto... O que? Encontro? Não era um encontro. Terminou de fazer, lavou o rosto e saiu do banheiro com a toalha na cintura. Ou sim, era um encontro, mas um encontro profissional.
Pegou uma cueca boxer na gaveta e vestiu, jogou a toalha na cama e foi para seu closet, que separado do enorme e lotado de Tanya (e mesmo assim, tinha que dividir com vários e vários pares de sapatos femininos que não cabiam no dela). Que terno devia usar? Talvez o cinza... Ou o... Porra, Edward, é apenas um compromisso profissional, um dia normal. Agitou os cabelos com os dedos, pegou uma calça azul marinho e vestiu-a, depois uma blusa branca de botões, fechou-os e colocou por dentro da calça, para então fechá-la e pôr o cinto. Pegou uma gravata azul e a colocou no pescoço, para fazer o nó depois. Ali mesmo calçou as meias e os sapatos bem engraxados. Colocou o paletó azul marinho no ombro e saiu do closet. No espelho fez e ajustou o nó da gravata, depois colocou o paletó. Arrumou os cabelos, ou melhor, apenas bagunçou-os como gostava e passou um pouco de seu perfume importado Carolina Herrera, presente de sua mãe. Pronto, se dedicasse mais algum segundo se arrumando era ser oficialmente declarado patético.
Claro que era patético, afinal, estava ansioso e extremamente curioso com encontro profissional com a psiquiatra consultora de Alice. Para ser consultora de Alice, a mulher devia lhe passar confiança e ter alguma inteligência. Bem, uma mulher magra na casa dos cinquenta anos, com uma calça de alfaiataria que a deixava sem curva alguma e um terninho vermelho, os cabelos loiros acinzentados soltos e com todos os frios no lugar com muito laquê. Olhos caídos, rugas e um batom vermelho nos lábios secos, além da mancha nos dentes na frente. Talvez cheirasse a naftalina, bala de café e alfazema. Sim, essa devia ser a tal Bella. E isso seria um alívio.
Tomaria café no escritório, de qualquer jeito daqui a pouco iria almoçar mesmo; colocou o celular no bolso e pegou as chaves, desceu rapidamente. Pegou as coisas no sofá e saiu trancando a casa.
–
A linda morena desceu do táxi cinco minutos depois do meio dia, mexeu no celular rapidamente e o guardou na bolsa vermelha que carregava sobre o ombro. Entregou ao taxista uma nota de cinquenta e agradeceu sorrindo pela longa corrida, desceu sorridente e foi logo para a calçada, jogando o longo cabelo negro para trás, ajeitou um dos lados atrás da orelha e colocou os grandes óculos escuros no rosto. Alisou a saia e caminhou sobre o salto para dentro do prédio da Polícia de Seattle.
E ela logo chamou atenção de todos os homens por ali. Afinal, não era todo o dia que se via uma mulher tão linda e delicada em um lugar daqueles. O barulho de seu salto no piso ecoava pelo hall, enquanto ela caminhava para o elevador. E o guarda responsável pelo controle da entrada e saída de pessoas no prédio rapidamente correu para perto dela.
— Senhorita? Senhorita? — a chamou quando ela apertou o botão do elevador.
A mulher parecia pronta para ignorar, mas depois de poucos segundos, se virou e tirou os óculos. E seu sorriso quase derrubou o guarda, tão genuíno que iluminava até seus belos olhos verdes marcados pela maquiagem discreta.
— Desculpe-me senhorita, mas não pode passar do primeiro andar sem autorização. — o homem disse um pouco constrangido.
— Oh eu sinto muito, realmente não sabia disso. Eu sou psiquiatra, doutora Isabella Swan e sou amiga da Alice Brandon, estou aqui para me encontrar com Edward Cullen, que está no segundo andar, com a... Quer dizer, não sei se posso falar ou se todos sabem da investigação. — parou e mordeu o próprio lábio inferior.
E o guarda engoliu seco, tentando não descer os olhos para o corpo dela, mas aquele pequeno gesto era sexy o suficiente para empurrar os olhos dele para baixo. Olhou rapidamente e subiu os olhos, um pouco constrangido.
— Ah, está falando da Equipe-Mortal, senhorita Swan?
— Por favor, me chame apenas de Bella e deixe a senhorita de lado, guarda — abaixou os olhos para a pequena plaquinha no peito do homem, ergueu os olhos e sorriu. — Gonzales. Tratamentos tão formais faz com que eu me sinta mais velha do que realmente sou e não acho que você irá querer mexer com a idade de uma dama, não é mesmo? — riu suavemente.
— Claro que não, mas se me permite o elogio, a senho... Você está ótima.
E a porta do elevador abriu, Bella esticou o braço e a segurou.
— Obrigada, muito doce da sua parte. Você também está ótimo, se também me permite o elogio. Tenho uma queda por homens por farda, se assim posso dizer. — riu novamente e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. — É a Equipe-Mortal mesmo. Então, por que não me acompanha até o segundo andar, assim pode ter certeza de que estou sendo esperada pelo agente Cullen? Acho que não tem porque incomodá-lo antes e eu adoraria a companhia.
— É... — disse corado. — Claro, acho melhor também.
— E espero que também queira a minha companhia. — sorriu.
E os dois entraram no elevador juntos. Bella apertou o botão de número dois com a mão que segurava os óculos e deixou o elevador, obviamente, fazer o resto.
— Então, seu nome é Gonzales? — a morena puxou assunto com um sorriso.
— Hã, é sobrenome. Mateo Gonzales.
— Mateo... Nome bonito. É mexicano?
— Sim. Nasci no Texas, fiquei aqui até os três anos e quando minha mãe morreu, voltei para o México pra morar com a minha abuela. E voltei pros Estados Unidos quando tinha dezesseis.
— Agora entendi o seu sotaque. — franziu o cenho. — Abela?
— Abuela. — corrigiu-a em espanhol. — Minha avó.
— Ah, espanhol. Sempre gostei desse idioma, acho... Sexy. Mas como tenho descendência italiana, tive que aprender italiano, muito mal, por sinal. Quem sabe não faça espanhol agora. Quer ser meu professor particular? — perguntou divertida, batendo no braço dele com o cotovelo. Ele limpou a garganta, mas deu uma risadinha.
— Estaré a su disposición cuando lo necesite, chica hermosa.
— Espero que não tenha me ofendido em espanhol, porque golpe baixo ofender sem que o outro entenda.
— Não. Eu disse, estarei a sua disposição quando precisar, menina bonita.
Bella sorriu e mordeu o lábio inferior, abaixando a cabeça. E o guarda Mateo sorriu abertamente, pela primeira vez tendo confiança a respeito sobre aquela mulher tão linda. Não demorou a chegarem ao segundo andar, à porta abriu e saíram juntos.
O lugar não era exatamente como Bella pensava. Mas parecia muito com o cenário de departamento de polícia de Law & Order: SVU. Três agentes trabalhavam no momento – no computador, telefone e separando alguns papéis. De resto, o lugar era bem calmo. Mateo foi falar com um dos agentes, enquanto ela olhava curiosa ao redor.
A sede da Equipe-Mortal. Era surreal estar ali e sem...
— Bella? — o guarda Mateo a chamou. Ela piscou, voltando a realidade.
— Desculpe-me. O que foi?
— O agente Cullen está na sala de reuniões. Você pode entrar, ele já tinha avisado ao pessoal daqui que estava te esperando, mas esqueceram de avisar na portaria. Sinto muito pelo incomodo.
— Que isso, Mateo. Eu agradeço pela companhia, foi bom. — sorriu e se aproximou dele. — Espero que possamos nos encontrar novamente. — inclinou-se para ele, pousou a mão em seu ombro e beijou seu rosto rapidamente. Afastou-se com um sorriso preguiçoso no rosto. — Tchau.
Mateo respirou fundo e suspirou. Com certeza estaria corado e ficando duro dentro das calças. Nunca tinha reagido assim a uma mulher, mas ela... Oh inferno. Aquela mulher tinha algo, talvez em suas curvas, seu rosto, seu olhar, seu cheiro... Sim, ele esperava pode encontrar com ela novamente. E que o agente Cullen mantivesse a fama de totalmente fiel à esposa e não jogasse seu charme em cima da bela morena.
Edward estava sentado junto à mesa de reuniões mexendo em seu notebook, algo que sempre fazia. Uma maldita mania que queria perder, mas não conseguia, procurava novas notícias sobre Beleza Mortal na rede. A quantidade de merda que aparecia era incrível, mas o que lhe parecia a primeiro olhar interessante, ele salvava em um rascunho e depois pedia para que investigasse. Depois checou o próprio e-mail e o e-mail da Equipe-Mortal. Apagou algumas coisas, respondeu outras. E então procurou o site do restaurante japonês favorito da esposa pra pegar o telefone, que só tinha em uma agenda em casa, e ligou do próprio celular pra fazer uma reserva no nome de Edward Cullen.
Estava tão concentrado lendo uma matéria tendenciosa e sensacionalista sobre os prováveis motivos de Beleza Mortal não estuprar as suas vítimas, coisa que muitos seriais killers fazem; as possibilidades eram de que era castrado ou assexuado, talvez fizesse voto de castidade ou era impotente. Agente Cullen quase riu, quanta idiotice era possível encontrar em apenas um texto? Tão concentrado, que nem viu a porta abrir.
— Com licença? — uma voz doce e suave ecoou pela sala de reuniões. Edward ergueu o rosto e viu o rosto da mulher na porta. — Desculpe, eu bati e você não respondeu, então...
— Bateu? Estava desligado de tudo, sinto muito. — fechou o notebook e ficou em pé. — Hum... Bella? — arriscou hesitante.
— Edward? — ela perguntou divertida e entrou na sala. — Eu realmente sinto muito pelo atraso.
— Estava te esperando ou esperando sua ligação cancelando o almoço. Mas tudo bem. — se aproximou dela.
Ah, droga, ela definitivamente não era a mulher que ele tinha imaginado. Ela era melhor. Muito melhor. E ainda assim, estava simples. Usava uma saia preta de cintura alta e tecido leve, uma blusa cinza por dentro e ankle boots preta nos pés. Seus cabelos eram longos, negros e brilhantes, pousados sobre seu ombro, caindo em uma cascata macia em seu colo. Não usava muita maquiagem e nem tinha batom nos dentes, apenas seus olhos claros marcados com lápis e rímel, uma sombra leve e um brilho nos lábios. A bolsa vermelha brilhante em seu ombro se destacava e contrastava com sua pele branca e cremosa... E que par de pernas!
Ele agitou a cabeça e afastou aqueles pensamentos. Não podia se dar ao luxo de pensar esse tipo de coisa – a) era casado; b) ela era uma psiquiatra e aquele era um encontro profissional; c) ela era realmente linda, então provavelmente comprometida; d) jamais faria uma coisa dessas com Tanya... O que o levava direto para a letra a, era casado.
— É um prazer lhe conhecer, Edward. — ela estendeu sua mão e ele a pegou, dando um suave aperto. E o sorriso dela era absurdo, tão feminino na mescla de inocência e malicia como seria deslizar seu membro entre aqueles lábios doces e... Merda!
Nota mental, transar com Tanya e parar de ter pensamentos impróprios que podem levar a cadeia por assédio sexual, com mulheres estranhas (ou melhor, com Bella, já que nunca tivera esse tipo de pensamento com nenhuma outra).
— O prazer é meu, Bella. Bem, você não é exatamente o que eu pensava. — acabou comentando quando, aparentemente, o filtro entre seu cérebro e boca se desligou pela imagem de Bella lhe pagando um boquete. Claro. Ela riu.
— Vou levar sua sinceridade como um elogio, agente Cullen.
— Oh sim, foi um elogio, espero não tê-la ofendido, definitivamente foi um elogio. Acho que esperava uma pessoa mais... Velha. — coçou a cabeça, fazendo-a rir novamente.
— Já me disseram antes. Você é muito nova, você é uma mulher, você é muito frágil, muito pequena. — rindo, ela revirou os olhos. — Estou acostumada com esse tipo de reação, relaxa. E você também não é muito mais velho do que eu.
— Eu tenho 35 anos.
— E eu tenho 32, que grande diferença ein? — riu.
— Você está mentindo pra mim, não tem 32 anos. 25 no máximo.
— Ah sim, gostei de você, Edward. E você é bom pro meu ego, mas sim, eu tenho 32 anos. É que eu uso uns bons cremes e tenho os meus segredos de beleza. — brincou, fazendo-o rir.
— Venda esse segredo e fique rica, porque realmente, jamais te daria 32 anos.
— Claro, claro. Será que agora podemos ir almoçar? Eu realmente estou com muita fome.
— Vamos, deixe-me só pegar meu paletó, carteira e celular.
Ela sorriu assentindo. Edward estava de costas, vestindo seu paletó e colocando as coisas no bolso, mas de alguma forma, conseguia sentir os olhos dela em si. Será que estava analisando seu corpo, assim como ele tinha feito com o dela? Lembrava-se do que Rosalie lhe disse uma vez "sim, Edward, mulheres olham bunda de homem, às vezes até de outras mulheres, mas somos muito mais discretas". É talvez ela estivesse olhando. Bunda ele sabia que tinha. E só sabia por que era impossível vestir uma calça preta social e colocar a carteira no bolso traseiro, simplesmente era apertado demais. Genética Cullen, era filho único, sua mãe e seu pai tinham o mesmo traseiro. E Edward tinha até a pequena manchinha de seu pai. E quase se socou ao perceber que estava pensando sobre bunda, porque aquele pensamento o fez pensar sobre como seria a bunda dela, já que não a tinha visto de costas.
Quando terminou de pegar as coisas, os dois saíram da sala. E ele pode ver a bunda dela. Sorte que a saia era larga suficiente para não lhe dar muita informação. Era homem, sangue quente corria em suas veias e suas bolas estavam quase azuis, não precisava de mais aquela tortura. Avisou aos agentes que iria almoçar e que podia ser encontrado pelo celular, desceram juntos. Quando caminhavam para porta, viu Bella sorrir e acenar entusiasticamente para o guarda latino que estava na porta. E aquilo faz com que se apertasse algo em seu estômago. Ignorou a sensação e foram para seu Volvo, já que Bella viera de táxi.
Desativou o alarme do carro estacionado e caminhou até ele, Bella assoviou e parecia admirada com seu carro. Fazendo-o sorrir. Elogiar seu carro, era elogiá-lo. Tinha um grande carinho por ele.
— Uau, que carro ein?
— O meu bebê é realmente incrível.
— Seu bebê? — Bella riu. — Homens e seus carros, quem pode se intrometer nessa relação, não é mesmo?
Edward assentiu rindo e abriu a porta para que ela entrasse, fechou e deu a volta entrando no seu lado. Ambos colocaram os cintos e Edward ligou o carro, manobrando com facilidade.
— You got a fast car, but is it fast enough so we can fly away — Bella cantarolou brincando.
Ele a encarou por alguns segundos, o sorriso zombeteiro ainda estava em seus lábios. Então voltou a olhar pra frente.
— We gotta make a decision, we leave tonight or live and die this way — completou o que ela tinha cantado.
— Wow, você conhece Tracy Chapman? — indagou incrédula. Edward riu.
— Nossa, nem disfarçou o tom de surpresa, ein? Conheço sim. É uma das cantoras favoritas da minha mãe. E minhas favoritas são Fast Car e Baby can I hold you. Não posso ser perfeito, né? — brincou.
— Oh, cala a boca, Tracy é incrível! — mandou rindo. — But you can say, baby… Baby, can I hold you tonight?
Edward gargalhou. E eles foram o caminho todo até o restaurante falando sobre gostos musicais possivelmente constrangedores. E ele não sabia como, mas ela o fazia esquecer os “problemas mortais”. Quer dizer, o caminho todo eles nem tocaram em Beleza Mortal ou seus mortos. Ela o fez rir em alguns minutos, mais do que tinha rido em um mês inteiro. E sem culpa. E ele estava gostando. Da risada musical dela, dos momentos em que batia em seu braço para fazer seu ponto na discussão e o inebriante cheiro de morango de seus cabelos que preenchia o carro.
Oh inferno, ela tem que parar com isso. Parar com o que exatamente, ele não sabia. Talvez ela devesse parar de ser tão simpática, engraçada e fácil de conversar, ser uma daquelas agentes sérias que não se aproximavam ou uma daquelas vulgarmente oferecidas das quais ele jamais se aproximaria. Não assim uma pessoa tão... Uma pessoa da qual, com certeza, ele gostaria de conviver.
Ele estacionou o Volvo na frente do restaurante italiano que almoçariam. Já tinha almoçado ali com Emmett e Rosalie. E confessou a ela que tinha escolhido o italiano por causa de seu nome, Isabella. Ela agradeceu sorrindo e até um pouco corada. Foram levados por um funcionário do restaurante. Uma mesa mais afastada das outras, em uma área privada do ambiente, que Edward tinha pedido exatamente para a privacidade dos dois, para o caso de conversarem sobre Beleza Mortal.
Pegaram alguns pãezinhos gratinados com queijo e orégano de entrada, enquanto esperavam os raviólis de cogumelos e o vinho tinto que ele tinha pedido para os dois. E esperando e mordiscando os pãezinhos, ele perguntou e ficou sabendo como ela escolhera a psiquiatria, ainda mais com especialização em trauma.
— Era meu aniversário, eu, minha irmã e meu pai estávamos voltando de uma pizzaria, onde tínhamos comemorando. Voltamos rindo e brincando, quando um assaltante armado nos abordou. Meu pai era o chefe de polícia da cidade, mas o garoto não sabia e estava muito assustado. Meu pai tentou negociar e pediu que abaixasse a arma, mas o cara queria sua carteira, quando ele foi pegar a carteira, o assaltante se assustou e atirou no peito dele duas vezes. Na nossa frente. Minha irmã era mais velha, eu tinha dez e ela quinze, mas parecia mais velha, tentou correr na direção do meu pai e ele atirou em sua cabeça. — Bella abaixou a cabeça, fazendo um beicinho e Edward se amaldiçoou por ter perguntado, não queria que ela chorasse. — Eu não podia me mover, o assaltante me olhou nos olhos e apontou a arma, pronto pra atirar... E então correu. — ela ergueu o rosto. Não chorava, mas parecia abalada pelas lembranças. — Eu não gritei, não pedi ajuda, não me movi. Eu fui encontrada lá, em pé, chorando e tinha feito xixi nas calças, e os dois estavam mortos. E eu fiquei sozinha no mundo. — suspirou e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha.
— Eu sinto muito, não devia ter perguntado.
— Oh, tudo bem. Faz tempo e isso foi o começo, ainda teve o motivo de ter escolhido ser psiquiatra. — deu um sorriso cansado. — Ok. Eu estava muito traumatizada, sonhava com aquilo o tempo todo e não falava. Estava sob a responsabilidade de uma tia, apesar de tentar ser carinhosa, eu não era próxima. Então comecei a ter que me consultar com uma psicóloga, mas ela era um saco e só me dizia "você precisa deixar pra lá e esquecer" — imitou-a forçando um sotaque britânico e revirou os olhos. — Eu era uma criança, a minha irmã e meu pai tinham morrido, eu queria que ela se fodesse. Mas ainda não sabia esse palavrão. Ela colocou no relatório que meu caso era sério e me mandou pra um psiquiatra, a Dra. Alison. Ela era incrível. E não falava comigo como uma médica de doidos, era uma amiga. Me contava coisas sobre o dia dela e me pergunta sobre o meu, não me forçava a falar sobre o acontecido e... Foi minha amiga. Ela soube exatamente o que eu precisava e parecia até mágica, me fazia rir e me sentir em casa. E só depois de várias sessões, falávamos do meu pai e da minha irmã. E não do dia em que morreram, falamos sobre o que gostávamos de fazer, o que eles gostavam, as pequenas brigas e os momentos felizes. Ela fez eu me lembrar das coisas boas, o que apreciava mais da relação e quando eu percebi... Falar deles não doía tanto, era apenas a saudade. E eu decidi que queria aquilo. Ser igual a Dra. Alison. Mais do que uma psiquiatra que diz "deixa pra lá e segue em frente", eu seria amiga e ajudaria pessoas com traumas. Ajudar as pessoas e fazê-las se sentirem melhor, felizes e adaptadas a qualquer que seja a nova realidade.
Edward a encarava meio perplexo. Jamais teria imaginado que alguém tão leve e de sorriso fácil, tão feliz, teria um passado tão triste. Ela era uma mulher incrível. E suas palavras, tão sinceras, lhe faziam perceber que ela era mais do que um rostinho bonito ou um corpo malditamente quente, ela era uma mulher incrível. E ele não sabia se aquilo era bom ou não para a própria sanidade.
— Desculpe, eu tenho a tendência a falar demais. — com um sorriso amarelo, ela abaixou a cabeça constrangida e colocou uma longa mexa do cabelo negro que caía sobre seu rosto para trás.
Antes que ele pudesse responder, o garçom se aproximou e colocou os pratos de ambos na mesa, derramou o vinho nas taças e deixou a garrafa sobre o suporte, se afastou desejando-os bom apetite. Bella pegou seu garfo e levou um pouco à boca, Edward pegou seu garfo também, mas apenas remexeu a comida.
— De maneira alguma, obrigada por compartilhar isso comigo. Acho que agora me sinto melhor em falar com você. Não te achando mais apenas uma garota que escolheu psiquiatria por motivos frívolos ou pra ganhar dinheiro em cima de pessoas frágeis. — e então levou a comida à boca.
— Mmm. — engoliu. — Não poderia fazer isso quando uma psiquiatra de trauma foi tão importante pra mim. Eu até faço trabalho voluntário em um centro de recuperação pra drogados e vitimas de abuso sexual totalmente gratuito, faz com que eu me sinta bem comigo mesma. E agora eu recomendo esse tipo de terapia pra todos, vale a pena. Conversar e falar sobre qualquer coisa, porque no final ajuda qualquer tipo de trauma. E antes que pense que estou fazendo propaganda sobre meus serviços, quando você resolveu ser policial?
— Não estava pensando isso. Hum... Sou filho de uma arquiteta e decorada com um médico, sempre apostavam que eu seria médico e eu até pensei, mas meu avô tinha sido policial investigador de homicídios e ele sempre me contava sobre alguns casos. Prender bandidos, investigações, perseguições, os interrogatórios, participar dos julgamentos e a família das vítimas agradecendo no final. Ele disse que não tinha nada melhor do que deitar a cabeça no travesseiro com a sensação de dever cumprido. E meu avô era meu herói. Some isso, a minha adoração por séries de televisão tipo Law & Order, Hawaii Five-0 e Miami Vice, eu acabei escolhendo virar policial. Depois fiz teste pro FBI e passei, então aqui estou eu. Eu queria apenas pegar bandidos e dar alguma justiça pelos crimes à família, só não esperava... — parou, buscando as palavras.
— Trombar com Beleza Mortal? — sugeriu.
— Sim. Estou há dez anos nisso, Beleza Mortal mudou completamente muitos planos meus. Acabou com alguns e criou alguns. Minha vida, definitivamente, se define antes e depois de Beleza Mortal.
— E como foi achar o primeiro corpo?
— Assustador. Estava há pouco tempo no FBI, mas já tinha alguma experiência da polícia, mas nunca tinha visto nada como aquilo. E eu me lembro até hoje. A aparência dele, as cores, as escoriações e cicatrizes, as coisas que o legista disse sobre o a morte... E o cheiro, eu ainda me lembro do cheiro. Eu nunca tinha visto um cadáver tão fodido quanto aquele.
— Seria demais perguntar sobre os órgãos que vocês acharam ontem? — perguntou hesitante, Edward franziu o cenho. — Eu estava com a Alice quando Jasper ligou. Eu só fiquei... Preocupada e totalmente horrorizada.
— Parte do jogo desse bastardo doente. Era um recado sobre o tempo que ele passa com as vítimas, porque foi o tempo entre a retirada dos órgãos. Foi uma... Jogada e um recado, de alguma forma torcida e doente, muito inteligente.
— Ah, mas vocês também são inteligentes. Quer dizer, vocês entenderam isso que ele quis dizer. Isso é importante, é preciso entender a mente de um serial killer pra poder pegá-lo em suas fraquezas. Vocês estão indo bem nisso.
— Espero que sim. Ele é cruel e inteligente, está se aperfeiçoando e gostando cada vez mais isso. É um jogador, esse é o jogo dele. Espero que a gente consiga chegar a algum lugar ou isso só ficará ainda mais fodido.
— Você odeia Beleza Mortal, Edward?
— Isso está soando uma sessão de análise. — Edward brincou.
— Oh, me desculpe. Juro que não estava te analisando, é que passo tanto tempo trabalhando com isso, que minhas perguntas em uma conversa séria acabam parecendo profissionais. Mais profissionais do que eu gostaria. Estava apenas curiosa, sinto muito.
— Ei, tudo bem. Estava brincando. Eu passo tanto tempo trabalhando sem fazer qualquer tipo de brincadeira, que minhas brincadeiras acabam parecendo sérias. Mais sérias do que eu gostaria.
Bella o observou por alguns segundos, então riu. E foi acompanhada por ele. Agente Cullen, que não era nada do que ela pensava. Não era tão sério, rígido e difícil quanto pensou. E realmente, era muito mais bonito pessoalmente. Com traços quase esculpidos, um sorriso zombeteiro e um par de olhos sob grossas sobrancelhas bem limpas que a hipnotizava. Era deslumbrante e tinha um bom papo. Diferente de Mateo, que tinha encontrado antes, não tinha que forçar assunto, simplesmente fluía.
Os dois bebericaram seus vinhos e comentaram sobre o quanto o ravióli estava bom e o vinho combinava perfeitamente. Comeram em silêncio algumas garfadas, até Edward engolir e beber vinho, então parar encarando o prato que revirava com o garfo.
— Sim.
— Desculpe-me? —Bella franziu o cenho, confusa.
— Você perguntou se eu o odeio, a resposta é sim. Com todas as minhas forças. E tudo que eu mais quero é prendê-lo e mandá-lo pra maldita fila da injeção letal. Mas pode ter certeza, de que se eu estiver há menos de um metro dele e tiver a chance, não vou hesitar em atirar bem no seu coração.
Bella o encarou séria por alguns segundos, mas havia algo desconhecido em seus olhos, um brilho quente. E então ela sorriu, deslizou a mão lentamente pela mesa e colocou sobre a dele, com um carrinho suave e reconfortante.
— Eu sei vai fazê-lo. E eu acredito em você. Estudo Beleza Mortal há anos, se tem alguém que pode se aproximar e pegá-lo é você, agente Cullen. Nunca duvide disso.
Seus olhos estavam presos aos dela. Simplesmente não conseguia desviar os olhos ou puxar a mão, como deveria. Não se lembrava de nada, apenas via a mulher sorrindo a sua frente, segurando a sua mão e lhe dando tais palavras. Edward assentiu e tentou sorrir.
— Obrigado, Bella.
Ela agitou a cabeça, soltou sua mão e voltou a comer. Edward queria pegar a mão dela e mantê-la na sua por mais alguns segundos, mas voltou a comer também.
O resto do almoço passou tranquilamente, e ao contrário do que esperavam Beleza Mortal pouco foi citado na conversa. Bella lhe contou sobre a amizade com Alice e ele contou sobre os agentes líderes da Equipe-Mortal – Rosalie, a furiosa; Emmett, o fortão; e Jasper, o intelectual. E contou um pouco deles e da amizade. E além de Beleza Mortal, Tanya também não fora mencionada. Apesar da aliança no dedo, Bella não lhe perguntara em momento algum sobre ela.
E ele não sabia se a conversa era apenas amigável ou se tinha um pouco de flerte, já que há muito, muito tempo não flertava, mas então decidiu que não importava, a conversa estava agradável. E há muito tempo não tinha tal conversa tão agradável com alguém fora e seu minúsculo circulo de amizade formado apenas por Emmett, Rosalie, Jasper e Alice. E claro, sua mãe e às vezes, quando ele não implicava com seu cigarro, seu pai. Porque até as conversas com Tanya estavam difíceis nos últimos tempos.
Terminaram o almoço e mais uma taça de vinho, comeram uma sobremesa de chocolate e então o garçom trouxe a conta. Edward percebeu que ela estava pronta pra mexer na bolsa.
— Não ouse me ofender dessa maneira, doutora Swan. Eu convidei, eu pago.
— Um cavalheiro a moda antiga. Tudo bem, não vou discutir. E o próximo, eu pago, agente Cullen. — sorriu, enquanto ele entregava a pasta da conta e o cartão de crédito ao garçom.
Próximo. Então ela já pensava no próximo encontro... Que tecnicamente, foi apenas um encontro profissional, Edward. Claro.
Após pagarem tudo e ele pegar o cartão e o comprovante, os dois saíram do restaurante juntos, caminhando para o Volvo. E já tirava a chave do bolso, quando escutou o toque do celular dela. Ele não conhecia a musica, mas era algum tipo de rock animado e meio eletrônico, não sabia descrever, mas era uma música que ele, provavelmente, gostaria de escutar. Bella pediu desculpa e pegou o Blackberry no bolso pequeno da bolsa, já o atendendo.
Edward desativou o alarme do carro, tentando não escutar a conversa. Mas estava próxima.
— Não... Eu acabei de almoçar com um amigo aqui em um restaurante italiano no centro... Não... Amor, eu sei... Está bem, eu estou indo. Tudo bem, eu vou pegar um táxi e vou... Tá. Tá bom. Eu também, amor. Beijos. — e desligou, com uma sugestão de sorriso nos lábios.
Amor? Claro. Você sabia Edward. Bonita demais pra ser solteira. E simpática. Ela não estava flertando, ela é apenas simpática.
Ela ergueu o rosto do celular e o encarou Edward, que esperava apoiando no carro.
— Sinto muito, eu tenho que ir. Surgiu uma emergência.
— Claro. Você quer que eu te dê uma carona?
— Não, não, obrigada. Eu tenho certeza que você vai voltar para o prédio da Equipe, e eu vou tomar um caminho totalmente inverso. Você não precisa disso. Mas muito obrigada mesmo por ter oferecido. E pelo almoço. Foi melhor do que eu esperava. — sorriu.
— Então tudo bem. Eu também gostei do almoço. Nem vi a hora passar e eu jurava que ficaria o tempo inteiro olhando no relógio, enquanto você falava sobre termos técnicos psiquiátricos.
Bella gargalhou e colocou o cabelo pra trás, aproximando-se com um sorriso.
— Viu, eu sempre posso surpreender. — riu. — Obrigada mesmo. Espero que possamos nos encontrar novamente, já que hoje mal falamos de Beleza Mortal.
— Quando quiser, já tem meu telefone, né?
— Sim, ficou marcado aqui. E quando você ligar, eu não serei estúpida.
— Foi tão agradável hoje, que nem tinha me lembrado disso.
— Que bom. Então melhor eu ir, antes que liguem de novo e gritem no meu ouvido pela demora. Obrigado, pela companhia agradável e pelo almoço. Eu te ligo, ou você me liga. Sei lá.
— Tudo bem.
Ela pousou a mão no braço dele, inclinou-se e ficou meio na ponta dos pés, então beijou seu rosto lentamente. Edward foi socado no estômago pelo delicioso perfume dos cabelos e sentiu os lábios macios pousarem e, por um segundo, desejou ser solteiro e corajoso suficiente pra virar o rosto e ter o gosto dela em sua boca e os dedos enterrados em seus cabelos. Oh merda.
— Até, Edward. — sorriu, acenou e virou-se pra caminhar pro outro lado. Mas então parou e voltou a encará-lo com um sorriso faceiro. — Ah e Edward, sua voz está bem melhor hoje. Viu os milagres que dormir pode fazer. — ela riu, atravessou a rua e foi para o ponto de táxi em frente ao restaurante.
Edward ficou ali sorrindo sozinho. Idiota, a voz disse em sua mente. Não conseguiu entrar no carro antes de ter certeza de que ela estaria bem no táxi. É apenas meu instinto protetor de policial, disse a si mesmo, quem sabe não se convencia disso. Ela falou rapidamente com o motorista e viu que ele a olhou dos pés a cabeça, e novamente seu estômago se apertou, então ele aceitou a corrida e foi para o seu lugar. Antes de entrar, Bella acenou delicadamente sorrindo e entrou também.
Não esqueça o 'amor', Edward, aquela voz irritante murmurou em sua mente, ele ligou pra ela e ela está indo correndo encontrá-lo, beijá-lo e fazer todo o inferno que casais apaixonados fazem. Você ainda se lembra? É aquilo que você costumava fazer com Tanya. Tanya, sua esposa. A mulher com quem você vai jantar em algumas horas. Lembra? Ein, ein, ein?
Entrou no carro batendo a porta com mais força do que precisava e dirigiu de volta ao prédio. Precisava trabalhar e esquecer tudo, sete horas voltar pra casa e oito horas sair com sua esposa. Como deveria ser.
Agora tire sua cabeça da bunda e volte ao trabalho. E quem sabe, um dia, volte a encontrar a Dr. Swan, a carismática e atraente, Bella. Claro. Claro.
................................................................
BM > Vamos nos encontrar.
James G. > O que? Não faz nem três dias que você disse que ainda não era tempo, o que mudou?
BM > Tudo. Nada. Apenas quero te encontrar, se não quiser tudo bem. Você não é a unica pessoa disponível no mundo.
James G. > Sabe que não gosto que fale assim.
BM > Devia me agradecer por estar ferindo seus sentimentos... Não outra coisa.
BM > Eu disse que seria em breve e que faltava pouco. Pronto, a espera acabou e seu sonho será realizado. Cada passo deve ser pensado e a jogada bem feita, é assim que se ganha o jogo. Eu sempre jogo pra ganhar, Jamie. E isso que estou fazendo agora. Você está dentro ou fora?
James G. > Com você? Você sabe que estou dentro.
BM > Que bom. O jogo está rolando e quem não se antecipar, perde. Vamos nos encontrar.
James G. > Quando?
BM > Amanhã, meu querido. Amanhã.
Notas finais
Eu sinto muito véi ): Eu fiz o inferno pra deixar esse capítulo legal, então espero que gostem um pouco que seja, mas realmente não posso apressar as coisas. E o encontro deles ein? Serviu pra mostrar as reações de Edward a Bella. E ele ficou encantando de cara, e ela também não facilitou toda simpática e carismática. E a história dela? E ai, o que acharam? E lembrem que absolutamente tudo tem uma razão. Próximo capítulo voltamos com morte o/ (corror, Candy!) e também James, irão entender como e porque ele será usado, ele é apenas uma peça do jogo de Beleza Mortal. E ai, surgiram novas teorias? Compartilhem comigo comentando, porque eu realmente adoro lê-las e responder, sempre acabo soltando algum spoiler pq falo demais KKKK Ah, e a fic agora tem uma frase tema Como diria a Kristen.... Come on guys, its so obvious! e o que significa? Come on guys, its so obvious! KKKKKKKK
Ah, e no próximo também será meu aniversário (é sério, nasci dia 3 de junho de 1995, titia Candy é quase um neném, sabiam? chora/ ou n) KKK Então quem quiser me mandar presente, moro em Santos, meu endereço é ... Tô brincando galera :) (ou não, então peçam meu endereço por MP e eu mando, ai cês mandam os presentes flw? KKKKKKKK)
-
PS: Agradecimento especial, porque merece. Jully Cullen, muito obrigada pela linda recomendação. Obrigada mesmo, fez minha semana :) Cês não tem noção do quão é bom ler recomendação assim no começo, porque é como um voto de confiança, sacas, tipo tá no começo, mas eu recomendo obrigada mesmo. Ah, e isso não quer dizer que recomendação depois não é importante, é tão importante sim, assim como todo review, e eu sempre serei muita agradecida a todas, suas lindas! [][][][] Vou parar antes que comece a musica melosa e eu chore.
Então espero os comentários e vejo vocês no próximo, até o próximo, bjsbjs s222
Fale com o autor